DEU NO JORNAL

NEM OS FANTOCHES ESCAPAM

Editorial Gazeta do Povo

Depois de cobrar silêncio do ex-governador e pré-candidato presidencial Romeu Zema por ter dado decisões favoráveis ao governo de Minas Gerais, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes foi além e pediu que Zema seja incluído no abusivo e eterno inquérito das fake news, enviando uma notícia-crime ao colega Alexandre de Moraes. E nem adianta questionar o que o mineiro teria feito de tão grave, porque muitas vezes não é preciso ter feito nada para acabar incluído neste inquérito. Com Zema foi parecido: ele apenas compartilhou um vídeo em que fantoches representando Gilmar e Dias Toffoli conversavam sobre uma quebra de sigilo.

Os fatos: a CPI do Crime Organizado no Senado havia decretado a quebra de sigilo fiscal, bancário, telefônico e telemático da Maridt Participações, a empresa familiar da qual Toffoli é sócio (o que ele tentou esconder do país até não ser mais possível) ao lado dos irmãos, e que tinha participação no resort Tayayá. As cotas foram vendidas a um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, e cuja controladora era investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado. Em uma manobra jurídica extravagante (para usar um eufemismo) para evitar que o caso fosse sorteado, a Maridt apresentou recurso dentro de uma ação de 2021, arquivada em 2023, envolvendo uma quebra de sigilo contra a produtora Brasil Paralelo, e cujo relator era Gilmar Mendes, que desenterrou a ação e derrubou a quebra de sigilo da empresa dos Toffoli.

É este o episódio real que os autores da série “Os Intocáveis” ironizaram, usando o exagero e outros recursos clássicos da sátira, recursos esses que já foram empregados inúmeras vezes, contra toda classe de políticos e autoridades, sem que ninguém tivesse visto crime algum. Em um trecho que, levado ao extremo, justificaria até a criminalização dos imitadores profissionais, Gilmar escreve na notícia-crime que “valendo-se de sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de deep fake, o vídeo emula vozes de ministros da suprema corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”. Convenhamos: é preciso muita fé para acreditar que os espectadores do vídeo de fato tomarão um diálogo travado entre dois fantoches como retrato exato do que aconteceu – e muita má-fé para usar esse argumento como indício de existência de crime.

O que os autores de “Os Intocáveis” fazem não difere em nada do que muitos outros antes deles já fizeram em termos de sátira a autoridades no Brasil: o grupo Porta dos Fundos, os humoristas do Casseta & Planeta, os cartunistas do Pasquim – como lembrou o colunista Paulo Polzonoff Jr., o Cabaré do Barata, do humorista Agildo Ribeiro, também usava fantoches. A história da sátira política, na verdade, remonta à Grécia Antiga. E, em todo esse tempo, muitas autoridades podem até ter se irritado com a forma como foram retratadas, mas só os ditadores perseguiram e criminalizaram a piada política; em democracias, ela é corretamente entendida como expressão do animus jocandi, protegido pela lei e pela jurisprudência de inúmeros países (inclusive o Brasil), e o jogo segue, como afirmou um certo ministro em 2018, exatamente em um julgamento sobre sátiras a candidatos: “Quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado, fique em casa (…) Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão é absolutamente inconstitucional”.

Ao que tudo indica, o senso democrático de Gilmar Mendes é diretamente proporcional a seu senso de humor – que o diga o senador Sergio Moro, tornado réu por calúnia a propósito de uma piada envolvendo o decano do Supremo. Naquela ocasião, a Procuradoria-Geral da República ofereceu a denúncia, e a Primeira Turma a aceitou de forma unânime, com o voto de Moraes. A notícia-crime de Gilmar contra Zema foi enviada por Moraes à PGR, que ainda não se pronunciou; manter neste caso o entendimento adotado no caso de Moro significa, mais uma vez, abolir a liberdade de expressão no Brasil – e mostrar que os autores da sátira acertaram em cheio na escolha do adjetivo para o título de sua série.

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DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

VORCARO CADA VEZ MAIS PERTO DE LULA

Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes

A coluna de Igor Gadelha no Metrópoles hoje revela: “Governo Lula alugou navios para COP 30 via empresa do sócio de Vorcaro”. Segundo documento da Casa Civil, ao qual a coluna teve acesso, o governo alugou navios para hospedar delegações na COP 30 por meio da “Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda”. A Qualitours foi contratada pela Secretaria Especial da COP 30, vinculada à Casa Civil, por meio da Embratur, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo.

Contratada pelo governo via Embratur, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen. Ele é apontado como sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP). A ligação da Qualitours com Vorcaro, porém, vai além. A empresa pertence à holding BeFly, criada em 2021 por Marcelo Cohen a partir do impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master.

As partes envolvidas atestam que não houve qualquer irregularidade na contratação, mas chama a atenção a “onipresença” de Vorcaro. O dono do Banco Master parece estar ligado a basicamente tudo! Desde aluguel de jatinhos por várias autoridades e empresários até hotéis e embarcações, além de crédito consignado até com o Exército. Cabe perguntar: o que não tem o dedo de Vorcaro ou seu banco?

As cifras envolvidas são sempre milionárias. É como se alguém que quase ninguém tinha ouvido falar até “ontem” se tornasse uma das figuras mais importantes em Brasília da noite para o dia. O Banco Master idem: comprou o Máxima, banco pequeno e desconhecido, e em pouco tempo já era um dos mais presentes e ativos em operações envolvendo a turma de Brasília.

Esse contrato para alugar os cruzeiros na COP 30, por exemplo, custou R$ 350 milhões aos cofres públicos! No documento, o governo diz que o aluguel de navios foi necessário em razão do déficit de hospedagem em Belém e da necessidade de cumprir o acordo para que o Brasil fosse o país-sede da conferência da Onu. Conveniente, não? Será que foi por isso que Belém foi escolhida? Justamente para justificar gastos exorbitantes?

Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou o gasto como “surreal” e questionou o legado do evento para a população do Pará. “Com R$ 350 milhões dava para construir 40 UPAs para atender até 450 pessoas por dia. Mas não foram construídas. Lula torrou alugando cruzeiros”, disse o senador nas redes sociais.

Enquanto Flávio explora com razão o caso para desgastar Lula, seu novo aliado espalha bobagem por aí. Pablo Marçal disse ter ficado “impressionado” com o esquema orquestrado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em entrevista à coluna de Paulo Capelli no Metrópoles, Marçal afirmou que Vorcaro “mostrou um nível de inteligência que não esperava ver no Brasil”. Ao minimizar a prisão do banqueiro, o empresário citou as prisões de José do Egito, de Jesus, de Lula e do apóstolo Paulo.

“Eu acredito que o Vorcaro vai ser um cara que, quando alguém for usar uma expressão de alguém que é muito inteligente, vai falar assim: ‘Você é muito Vorcaro’. Você é muito arquiteto de algo que ninguém percebeu”, disse.

Na sequência, o empresário citou Lula. “Nosso presidente do Brasil não ficou preso na cadeia por 580 dias? E continuou sendo inteligente. Eu tive coragem de assumir aqui que ele [Lula] é o político mais influente da história. Não foi a prisão que diminuiu, não. Ele não baixou a cabeça. Então quando você olhar para algo, esse algo não determina o futuro de uma pessoa. Determina se ela desistir”, afirmou Marçal.

Candidato a prefeito de São Paulo em 2024, Marçal disse ainda não acreditar que Daniel Vorcaro celebre delação premiada para reduzir a pena. Para o empresário, o banqueiro pode sair da prisão em 5 anos mesmo que não entregue nomes de autoridades envolvidas no esquema do Banco Master. “Não faz muito sentido, não [Vorcaro selar acordo de delação premiada]. Não faz de jeito nenhum. Se você está num sistema onde esse tanto de gente está comprometida, fazer uma delação meia-boca com tantas provas não faz sentido. Vai livrar um cara e vai ferrar 80. Você pode até sair da cadeia, mas você não vive mais”, argumentou Marçal.

Com aliados assim, talvez Flávio nem precise de adversários! Será que a delação de Vorcaro chegaria perto do próprio Marçal? O Brasil todo, ao menos a parcela que não tem rabo preso, quer justamente uma delação completa de Vorcaro. Pela importância que ele adquiriu em Brasília, como uma espécie de lavanderia geral do sistema, Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes…

Afinal, vimos o destino de Sicário, seu “matador de aluguel”. E agora ficamos sabendo que Daniel Vorcaro passou mal na Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília, onde o banqueiro está preso, e precisou de atendimento médico. Delata todo mundo logo, Vorcaro!

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

FINANCIAMENTOS

Comentário sobre a postagem DUM ANO PRO OUTRO…

Zequinha:

Entre 2001 e 2015, o BNDES financiou cerca de US$8 bilhões em valores ajustados) para obras na Venezuela, executadas principalmente pela Odebrecht e Andrade Gutierrez.

Projetos incluem a ampliação do Metrô de Caracas/Los Teques, siderúrgicas e estaleiros. O país vizinho inadimpliu os pagamentos, gerando um calote que supera R$ 10 bilhões, impactando o Tesouro Nacional.

Principais Obras Financiadas (BNDES/Governo Brasileiro):

Metrô de Caracas e Los Teques: Linha 4 e expansões.
Usina Siderúrgica Nacional: Liderada pela Andrade Gutierrez.
Ponte sobre o Rio Orinoco: Financiada em grande parte pelo Brasil.
Estaleiro e Obras de Saneamento: Projetos no Rio Tuy.

Contexto e Impacto:

Financiamento: O BNDES pagava as construtoras brasileiras, e a Venezuela deveria quitar o empréstimo, o que não ocorreu a partir de 2016-2018.

Situação Atual:

A dívida da Venezuela ultrapassa R$ 10 bilhões (2025/2026), com pouca perspectiva de pagamento, sendo coberta pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE) brasileiro.

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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