1989 – O astronauta de mármore (David Bowie/Thedy Correia/Carlos Stein/Sady Homrich)
Comentário sobre a postagem LÁ EM PORTUGAL
Maurino Júnior:
Este inútil tenta soar grandioso, mas cada palavra denuncia o óbvio: por trás do barulho, só existe um raciocínio caquético, cambaleante e ridiculamente ultrapassado.
É curioso como alguém pode falar tanto e, ainda assim, revelar apenas um pensamento seco, gasto e completamente inútil.
Não é arrogância, é desespero: quem sustenta ideias vazias costuma gritar alto para ver se o eco disfarça a própria ignorância.
Ele não argumenta, ele agoniza, porque, cada frase é o espasmo de uma mente doentia tentando parecer viva.
Há algo quase “comovente” em vê-lo insistir no absurdo: um monumento patético erguido sobre a própria ignorância.
Se opinião fosse combustível, a dele não moveria nem um fósforo — é obtusa, rarefeita e já nasceu falida.
Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!…
Foi há vinte?…há trinta? Nem eu sei já quando!…
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!…
Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida…
Só achei enganos, decepções, pesar…
Oh! a ingénua alma tão desiludida!…
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!…
Trago damargura o coração desfeito…
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!…
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!…
Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias dastros, gemas de luar…
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!…
Minha velha ama, sou um pobrezinho…
Canta-me cantigas de fazer chorar!
Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!…) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!…
Cante-me cantigas, manso, muito manso…
Tristes, muito tristes, como à noite o mar…
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minhalma durma, tenha paz, descanso,
Quando a Morte, em breve, ma vier buscar!…

Abílio Manuel Guerra Junqueiro, Potugal, (1850-1923)