As últimas semanas têm sido pródigas tanto em notícias bombásticas quanto em novas demonstrações de arbítrio. Essa sucessão, que chama a atenção tanto pela quantidade de novidades quanto por sua gravidade, certamente há de pautar as eleições de outubro, quando o Brasil escolherá não apenas seus governantes, mas também representantes que terão a obrigação constitucional de ser o freio aos abusos dos poderes não eleitos. Quando liberdades que pareciam sólidas passam a depender do humor das autoridades, quando direitos constitucionais básicos são relativizados, quando a crítica legítima é respondida com intimidação e supressão de garantias, “normalidade” se torna a palavra mais importante. Normalidade institucional, democrática e jurídica. Mas isso não é tudo.
O Brasil com que sonhamos não pode se limitar a ser um país onde, estando na defensiva, apenas tentemos impedir que as coisas piorem; tem de ser um país que pensa grande. Poder trabalhar, criar os filhos em paz, abrir um negócio sem ser sufocado por carimbos e burocracias, caminhar na rua sem medo e poder discordar politicamente sem temer um processo judicial pode ser um luxo no Brasil atual, mas deveria ser o mínimo aceitável. É preciso sonhar com mais, com uma sociedade cheia de vitalidade, borbulhante de ideias e iniciativas, que se desenvolve rapidamente, movida pela paixão pelo que é bom e nobre, e profundamente democrática. A Gazeta do Povo, ao longo dos próximos meses, pretende descortinar esse horizonte para seu leitor em três grandes eixos: um Brasil rico, um Brasil decente e um Brasil seguro.
Um Brasil rico, sim, porque é perfeitamente possível que o Brasil alcance níveis de prosperidade hoje vistos em países desenvolvidos. O brasileiro trabalha e empreende muito, com criatividade, capacidade de adaptação e enorme energia produtiva. Não nos falta talento; o que faltam são possibilidades de destravá-lo, de liberar os potenciais inexplorados. Só por isso inúmeros talentos não florescem, permanecendo apenas em potência. É preciso investir em educação, apresentar horizontes inspiradores, quebrar as amarras que se manifestam em burocracias e restrições absurdas, tornar disponível o capital produtivo ao maior número possível de trabalhadores, e rejeitar a cultura do vitimismo e do conflito, que opõe opressores a oprimidos, e que, embora bem intencionada, desrespeita a autonomia e o protagonismo das pessoas.
A Gazeta do Povo conversou, ao longo dos últimos meses, com economistas de diferentes correntes, perguntando-lhes o que é necessário fazer para que o Brasil alcance uma renda per capita de país desenvolvido, e em quanto tempo isso seria factível. Os detalhes variam, mas há uma ampla convergência quanto às soluções fundamentais para o crescimento brasileiro: responsabilidade fiscal; reforma administrativa com um Estado mais leve; simplificação tributária séria; segurança jurídica; abertura econômica inteligente; combate aos privilégios corporativos; investimento em infraestrutura; liberdade e facilidade para empreender; redução da burocracia sufocante; e educação básica de alta qualidade. Nada disso exige genialidade revolucionária. Exige, sim, coragem política, em um país onde, hoje, é mais fácil abrir um inquérito que abrir uma empresa.
Um Brasil decente é um país que respeita a própria Constituição, leva a sério o Estado Democrático de Direito, protege a liberdade de expressão, a liberdade de consciência, a liberdade religiosa, o devido processo legal e o equilíbrio entre os poderes. Que não normaliza a corrupção, nem aceita a degradação moral da vida pública como se fosse algo inevitável. Que tem coragem e meios para enfrentar tanto os desvios que caracterizam crime quanto aqueles padrões de conduta que geram enorme risco de desvio, como os conflitos de interesse e os compadrios espúrios de todo gênero. O Brasil decente é aquele em que o cidadão espera (e recebe) integridade, coragem e senso de dever da parte de quem exerce o poder, em vez de se contentar com um “rouba, mas faz” ou com aqueles que “roubam menos que os outros”.
Por fim, precisamos de um Brasil seguro. Talvez não exista hoje sofrimento mais concreto para o brasileiro comum que a insegurança. Não é normal, em lugar algum do mundo, que haja famílias reféns do medo, comerciantes acuados, cidades dominadas pelo crime organizado, facções expandindo poder econômico e territorial – chegando inclusive a se infiltrar nos três poderes –, e fronteiras descontroladas. O sistema em vigor hoje no Brasil frequentemente parece mais duro com o cidadão honesto que com o criminoso profissional. Uma fração mínima dos crimes é solucionada; quando isso ocorre, a chance de o criminoso ser pego é pequena; se for pego, nem sempre será condenado; e, mesmo quando é condenado, raramente cumprirá a pena até o fim. Isso é um estímulo para o crime, e um país minimamente civilizado não pode aceitar que isso permaneça assim. Segurança pública não é tema secundário, mas condição básica para liberdade, prosperidade e dignidade humana.
O Brasil não nasceu para ser eternamente um país paralisado pela mediocridade, pelo medo e pela desordem institucional. O Brasil continua sendo um país extraordinário, e precisa de líderes à altura, que não mantenham a sociedade amarrada pela censura, pela corrupção, pela burocracia ou pelo terror.
O atual ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, ao lado de seu antecessor Raúl Castro: EUA avaliam opções para provocar a derrubada do regime castrista
O indiciamento de Raúl Castro pela morte de quatro americanos no abate dos aviões dos Hermanos al Rescate, em 1996, não é apenas um ajuste tardio de contas com a Justiça. É a abertura de uma fresta no muro de impunidade que protegeu a ditadura cubana por mais de seis décadas. Raúl, então ministro da Defesa, é acusado de responsabilidade direta na destruição de duas aeronaves civis desarmadas, abatidas por caças MiG da Força Aérea cubana sobre águas internacionais. O episódio foi tratado, durante anos, como mais um “incidente” da longa crise entre Washington e Havana. Não foi. Foi terrorismo de Estado.
Mas o caso dos aviões é apenas a ponta visível de um iceberg muito mais profundo. Cuba não se tornou um Estado criminoso por acidente, nem por deformação periférica de uma revolução originalmente idealista. O crime foi incorporado ao método de governo.
Sob Fidel Castro, depois sob Raúl e agora sob Miguel Díaz-Canel, a ilha desenvolveu um modelo de poder baseado na fusão entre partido único, polícia política, inteligência externa, repressão interna, sabotagem regional e economias ilícitas.
O narcotráfico ocupa lugar central nessa história. Durante décadas, parte da esquerda latino-americana tentou separar Havana do crime organizado, como se a ilha fosse apenas uma potência ideológica, sem participação direta nos circuitos de cocaína que explodiram nos anos 1980.
Essa narrativa não resiste ao peso dos testemunhos, das investigações e dos episódios que o próprio regime tentou sepultar. Ayda Levy, viúva de Roberto Suárez, o chamado “Rei da Cocaína” boliviano, relatou em suas memórias os contatos entre grandes traficantes sul-americanos e a cúpula cubana.
Carlos Lehder, fundador do Cartel de Medellín, também descreveu a importância de Cuba como rota para o envio de cocaína aos Estados Unidos. Em meu livro Hugo Chávez: O Espectro, tratei desse eixo como uma das peças centrais para entender a conversão do socialismo revolucionário em sistema de poder criminalizado.
O caso do general Arnaldo Ochoa é indispensável para compreender esse mecanismo. Herói militar da revolução, veterano das campanhas cubanas na África e homem de prestígio dentro das Forças Armadas, Ochoa foi preso, julgado e fuzilado, em 1989, sob acusação de narcotráfico e traição. Com ele, foram executados Antonio de la Guardia e outros oficiais ligados ao aparato de segurança. A narrativa oficial dizia que Fidel havia descoberto uma quadrilha infiltrada no Estado. A realidade é bem diferente.
Ochoa e seus operadores sabiam demais. O regime sacrificou peças importantes para proteger o centro da estrutura. A operação serviu, simultaneamente, para eliminar potenciais rivais militares, enviar uma mensagem de terror à elite interna e fingir, perante o mundo, que Cuba estava “limpando” suas instituições.
Nada disso terminou em 1989. O modelo foi exportado e aperfeiçoado na Venezuela. Fidel Castro foi o pai intelectual do Cartel dos Sóis. Não porque tenha usado esse nome, mas porque concebeu a lógica que o tornou possível: transformar um Estado aliado em plataforma de guerra assimétrica contra os Estados Unidos, usando cocaína, inteligência, militares, guerrilhas e corrupção como instrumentos de poder. Hugo Chávez não inventou sozinho a criminalização do Estado venezuelano. Ele recebeu de Havana o manual, os conselheiros, os operadores de inteligência e a doutrina.
A Venezuela bolivariana passou a funcionar como profundidade estratégica de Cuba: petróleo para sustentar Havana, território para abrigar redes ilícitas, instituições capturadas para dar cobertura formal ao crime e retórica revolucionária para disfarçar a expansão de uma empresa político-criminal.
É por isso que chamar Cuba apenas de “ditadura” já não basta. Ditaduras convencionais reprimem, censuram e controlam. Cuba fez tudo isso, mas foi além. Criou uma infraestrutura de subversão regional, colocou a inteligência no centro da política externa e fez da ilegalidade uma extensão da razão de Estado. O G2 cubano não é apenas uma polícia política. É uma escola de penetração institucional, infiltração, chantagem, vigilância e engenharia de poder.
Díaz-Canel não representa uma ruptura com esse sistema. Representa sua fase burocrática. Sem o carisma brutal de Fidel nem o controle militar direto de Raúl, ele administra a continuidade de uma máquina falida, mas ainda perigosa. A ilha empobreceu, apagou-se economicamente, perdeu milhões de cidadãos para o exílio e transformou a sobrevivência cotidiana em humilhação nacional. Ainda assim, sua elite segue protegida por conglomerados militares, redes de inteligência e alianças com regimes hostis aos Estados Unidos.
A miséria cubana não é consequência natural do Caribe, nem simples produto do embargo. É resultado de um Estado que preferiu financiar repressão, espionagem e aventura geopolítica a permitir liberdade econômica, alternância política e soberania popular.
O indiciamento de Raúl Castro tem valor simbólico porque rompe uma tradição de complacência. Por décadas, o mundo democrático tratou os crimes da revolução cubana como excessos históricos, justificáveis pela Guerra Fria ou pelo antiamericanismo romântico de universidades, artistas e diplomatas. Cuba não é apenas uma ilha governada por velhos comunistas. É o laboratório mais longevo da criminalização revolucionária no hemisfério ocidental.
Um regime que aprendeu a sobreviver sem produzir prosperidade, legitimidade ou liberdade, mas produzindo medo, dependência, exílio e desestabilização. O processo contra Raúl Castro não encerra essa história. Apenas começa a nomeá-la corretamente.
🚨AMIGA DO LULA E DA JANJA NO JORNAL NACIONAL🚨
Lavagem de dinheiro e empresas fantasmas na BAHIA para lavar dinheiro do PCC. Milhões em carros e milhões na conta! Polícia aponta que ela era a Caixa do PCC! A turma do Lula não brinca em serviço! 🚨🚨🚨 pic.twitter.com/FkerS2JylD
A oposição está mais convencida que nunca de que Lula age para proteger a organização criminosa PCC da classificação de “terrorista”, como deseja o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A prisão da influenciadora lulista Deolane Bezerra, ontem (21), acusada pelo Ministério Publico e a Polícia Civil de ser caixa do PCC e lavar dinheiro sujo, reforçou essa suspeita: “Esse desgoverno é omisso por conveniência”, acusa o deputado Messias Donato (União-ES).
“A prisão escancarou o que muitos já sabiam: aliada direta do presidente, envolvida com lavagem de dinheiro do PCC”, destacou Messias.
“Olha a proximidade do crime organizado com a República”, apontou estarrecido o deputado e ex-promotor de Justiça Alfredo Gaspar (PL-AL).
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) também reagiu à prisão da amiga de Lula: “Deolane virou símbolo da normalização do absurdo”.
Para Evair de Melo (Rep-ES), a prisão “escancara a podridão que tomou conta do país”. “E Lula ainda se recusa a tratar facção como terrorismo.
Deolane, presa pela polícia civil, posa com Lula e Janja
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Num sei mesmo porque todo esse espanto.
Normal, normal, normal.
Quem enxerga as coisas direitinho e vê o Brasil atual do jeito que ele é, já sabe que tá tudo dentro dos conformes lulo-petralha.
Isso é cagado e cuspido o retrato da republiqueta banânica na atualidade!
Inconformado por entrar para a história como o primeiro presidente da República desde Floriano Peixoto a ver uma indicação para o STF rejeitada pelo Senado, Lula estaria disposto a repetir a aposta e submeter novamente o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, segundo informações de bastidores dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo, que ouviram aliados de Lula. O repeteco da nomeação esbarra em questões regimentais, mas, se ocorrer, a arrogância de Lula e o desprezo com que trata o Poder Legislativo colocará o Senado diante de um novo teste, que poderá fortalecê-lo de vez ou desmoralizá-lo completamente.
O empecilho regimental a uma nova indicação de Messias está em um ato da Mesa Diretora do Senado, de 2010, que proíbe “a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”; o texto é inspirado no artigo 67 da Constituição, pelo qual “a matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional” – por “sessão legislativa” entende-se “o período de atividade normal do Congresso a cada ano”, segundo o site do Senado. Por analogia, portanto, a mesma regra constitucional para os projetos de lei se aplica também, por decisão do próprio Senado, ao processo de indicação não apenas de ministros do STF, mas outras autoridades como o procurador-geral da República, e o presidente e diretores do Banco Central. Se Lula quiser indicar Messias outra vez ao Supremo, que vença a eleição e espere 2027.
Por isso, se o presidente da República insistir em indicar o advogado-geral ainda este ano – contrariando parte de seus aliados, também de acordo com as informações de bastidores –, só existe uma resposta possível por parte dos senadores: recusar-se a analisar a nomeação, devolvendo-a ao governo. E isso, ressalte-se, continuaria valendo ainda que Messias tivesse aproveitado as semanas que se passaram desde a rejeição histórica para se tornar um jurista eminente e nacionalmente reconhecido, para limpar sua reputação de subordinação ao petismo, e para abandonar o abortismo e a censura que marcam sua passagem pela AGU – coisas que ele, evidentemente, não fez, continuando tão desqualificado para o cargo quanto o era em abril.
À completa inadequação do indicado de Lula se soma, então, a atitude arrogante do presidente da República, incapaz de aceitar uma decisão soberana de outro poder, convencido de que Legislativo e Judiciário só existem para se curvar ao Executivo. E, diante de uma postura dessas, apenas a devolução de uma eventual segunda indicação de Messias preservaria a dignidade institucional do Senado (dignidade essa que, convenhamos, tem sido prejudicada por omissões de seu presidente). Aceitar uma repetição do processo de indicação, com parecer, sabatina e voto em plenário, seria péssimo ainda que terminasse em nova rejeição, pois sinalizaria a disposição em ignorar regras para cumprir caprichos presidenciais; uma aprovação do nome de Messias, revertendo o que os mesmos senadores decidiram em abril, seria ainda pior: a consagração do Senado como uma casa de covardes, de capachos venais do Palácio do Planalto.
Se Lula quer terminar seu terceiro mandato emplacando um indicado ao Supremo, precisará deixar de lado a teimosia, e tampouco ceder a identitarismos. Que indique um jurista renomado, referência em sua área, sem nenhum laço presente ou passado com o governo, de trajetória marcada pela defesa intransigente das liberdades; se fizer isso, terá mais chances de ver seu escolhido aprovado pelo Senado. Mas, ao que tudo indica, este Lula ressentido e vingativo do terceiro mandato não terá essa grandeza de espírito, tão convicto está de merecer a vassalagem dos parlamentares.
Caderneta da Gestante do governo Lula sugere aborto e cita “pessoas que gestam”
Não, caríssimo leitor. Não estamos externando nenhum sentimento de ódio ao referido partido político, nem mesmo projetando nele o sentido pejorativo do termo “idiota”, que comumente se usa hoje em dia.
A origem etimológica do termo faz referência ao grego, onde o elemento “ídios” indica o particular relativo à pessoa, indicando que os idiotas eram aqueles que não tinham interesse na coisa pública — que só pensavam em si mesmos — e que não acreditavam em um Deus que havia estabelecido uma ordem das coisas. Para Aristóteles, o idiota era alguém cuja vida privada é sua única preocupação, uma pessoa egocêntrica, indiferente às necessidades da coletividade, inconsequente em si mesma.
Não há, pois, qualquer intenção de ofender o partido ou seus integrantes, mas, sim, expor uma característica que está ficando cada vez mais clara: a defesa de pautas ideológicas próprias e completamente egoístas que vão contra a vontade do povo, no particular, a questão do aborto. Olhando apenas para si e para suas vontades, o partido se esquece do coletivo, desprezando a opinião popular brasileira, que é majoritariamente contrária à pauta abortista.
Já colocamos aqui, em outros textos, que as ações tomadas por este governo, desde o primeiro dia, são completamente opostas à agenda pró-vida: saiu do Consenso de Genebra, revogou portarias do Ministério da Saúde que se preocupavam com a gestante, emitiu Nota Técnica autorizando o abortamento até o nono mês (que foi “anulada” em dois dias), quis permitir o uso de dinheiro público para o aborto em 2024 e apoia a Resolução nº 258 do CONANDA, que propagandeia a possibilidade de gestantes menores de idade poderem abortar sem o consentimento de seus pais.
Além disso, Lula publicou o Decreto 12.574/2025, que retirou a proteção do nascituro e passou a distribuir, via Ministério da Saúde, um implante contraceptivo que também tem efeitos abortivos, o qual, inclusive, vem sendo aplicado em crianças de 10 anos pela prefeitura de Fortaleza, também do PT.
Mas a cereja do bolo veio nesta última semana. A última caderneta brasileira da gestante, recentemente lançada pelo Governo Federal, além do detalhe de não mais denominar as mães por este nome, mas, sim, por “pessoas que gestam”, traz algo inusitado para um documento que deveria se pautar pelo cuidado com a gestante e com a vida que está por vir.
Ao invés de garantir o acompanhamento da gestante de forma humanizada, trazendo instruções sobre a importância do bebê que está sendo gerado no ventre materno, o PT resolveu inserir nada mais do que a própria morte neste documento que é sinônimo de vida.
Dentre tantos despautérios, a cartilha chega a afirmar que a retirada do preservativo sem consentimento (o chamado stealthing) seria uma forma de violência sexual, algo que justificaria a busca pelo procedimento de aborto.
O que o governo não sabe (ou finge não saber) é que a violência sexual que é pressuposto para a possibilidade de abortamento é somente aquela que constrange a vítima a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir outro ato sexual. Se a pessoa já está se relacionando sexualmente com a outra e o homem resolve retirar o preservativo sem o consentimento de sua parceira, este reprovável comportamento não pode ser equiparado ao estupro, justamente porque eles já estão praticando o ato. Queiramos ou não, o assentimento ao sexo já aconteceu.
Além do equívoco de dizer que o aborto é um direito, a caderneta também peca ao trazer vagos e enganosos conceitos sobre o que seria violência obstétrica, algo que irá ocasionar muitas complicações na relação dos obstetras com suas pacientes. Situações emergenciais que demandam a pronta atuação do profissional da saúde poderão ser enquadradas como “violência obstétrica”, e o resultado disso será uma indesejável insegurança jurídica ao médico e um incalculável prejuízo à saúde das próprias mulheres.
Fortemente carregada de conceitos ideológicos, a nova caderneta é um conjunto de instruções que falha em seu objetivo de ser a principal ponte de comunicação entre a gestante e as equipes de saúde. Ao fazer referência e tentar ampliar as possibilidades de enquadramento nas situações que permitiriam a realização do aborto, revela-nos que aqueles que flertam com a morte sempre estão também de mãos dadas com a malícia.