Num passeio inusitado Fui visitar uma oca Um índio quase pelado Levou-me a sua maloca Nessa bonita manhã Pegando em seu jacumã Saí com ele da toca.
O passeio foi bonito Em meio a natureza Subi na sua piroga E achei uma beleza E no banho no riacho Ele perdeu o penacho Que caiu na correnteza.
Ao voltarmos do passeio Eu estava esbaforida Ele me trouxe cauim Eu aprovei a bebida Não saí daquela loca Sem entrar na mandioca Gostei muito da comida.
1 Na estrada do Pai Mané Na cidade de Ipueiras Bem pertinho das Barreiras De imburana tem um pé Ele dá um bom rapé Pra quem sabe preparar Maria sabe torrar E tem grande freguesia O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
2 E naquela arrumação Meu pai era viciado No dedo era colocado Do rapé uma porção Com o tabaco na mão Pra no nariz esfregar E logo após aspirar Ele fungava e dizia: O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
3 Valdenira me indicou Disse mulher acredite Ele é bom pra sinusite Aqui mamãe sempre usou Depois que ela receitou Comecei a melhorar Nunca parei mais de usar Acabou minha agonia: O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
4 Garapa ficou sabendo Dessa história do rapé Foi direto ao Pai Mané Também estava querendo Com Maria se entendendo Resolveu logo pagar E não saiu sem provar do cheiroso nesse dia O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
1 Na estrada do Pai Mané Na cidade de Ipueiras Bem pertinho das Barreiras De imburana tem um pé Ele dá um bom rapé Pra quem sabe preparar Maria sabe torrar E tem grande freguesia O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
2 E naquela arrumação Meu pai era viciado No dedo era colocado Do rapé uma porção Com o tabaco na mão Pra no nariz esfregar E logo após aspirar Ele fungava e dizia: O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
3 Valdenira me indicou Disse mulher acredite Ele é bom pra sinusite Aqui mamãe sempre usou Depois que ela receitou Comecei a melhorar Nunca parei mais de usar Acabou minha agonia: O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
4 Garapa ficou sabendo Dessa história do rapé Foi direto ao Pai Mané Também estava querendo Com Maria se entendendo Resolveu logo pagar E não saiu sem provar do cheiroso nesse dia O tabaco de Maria. Todo mundo quer cheirar.
Nem bem o dia amanhece Já está em meu quintal O seu canto matinal É canto que me enternece Mas comida só merece Quem tem rumo e direção Não cedo alimentação Pra quem sempre vai e vem: Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Dalinha Catunda
Também não darei moleza À rola ou a periquito, Mesmo sendo bem bonito, Pode ter toda a certeza; Beleza nunca põe mesa E nesses tempos então Só abro uma exceção Com aval de Araquem: Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Bastinha Job
Já tive no meu terreiro uma rola sem futuro, me procurava no escuro e me acertava o traseiro, com seu jeito interesseiro, não queria meu pirão, mas só arroz com feijão, na hora do vai-e-vem. Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Anilda Figueiredo
Eu adoro passarinho… Mas sou fã do periquito Esse do mote esquisito Não põe ovo no meu ninho Pra ficar tudo certinho Eu digo com precisão Essa rima é o cão Esse verso não convém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Giovanni Arruda
Quando o pássaro é manso Basta um dedo em riste Botar painço e alpiste Que vem fazer o descanso Já criei patos e ganso Sabiá corrupião Acabava com a ração Não me sobrava um vintém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Araquém Vasconcellos
Canta lá no cajueiro Que fica no meu canal Um rebanho de pombal Me consola o dia inteiro Mais não chega no terreiro Nem na janela do oitão Eu tenho essa opinião Pode ser pardal, quem quem Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Jairo Vasconcelos
Eu escuto o passarinho Mas grito com dedo em riste Posso dar xerem, alpiste Se ele sair do ninho Se eu escutar bem cedinho Um canto em tom de canção Mas se ele só diz não E não canta pra ninguém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Rivamoura Teixeira
Eu criava uma rolinha Um dia fiquei zangada Ela vivia escorada Peguei a tal passarinha Ficou mais mole a bichinha Eu dei nela um arrochão Sapequei ela no chão E pelei o seu sedém Pra rola só dou xerém Se comer na minha mão.
Relutei, terminei indo Conhecer o tal tabaco Foi aí que me vi fraco Garanto, num tô mentindo Nunca vi nada mais lindo. Cheirei, voltei a cheirar Não conseguia parar Sabor de cravo e canela Cheirei o tabaco dela Bastou pra “meaviciar”
Xico Bizerra
O tabaco era cheiroso Cheiroso como ele só Do nariz não teve dó Esse caboco fogoso Achando delicioso O bicho vive a cheirar Ouvi o cabra gritar Debruçado na janela: Cheirei o tabaco dela Bastou pra “meaviciar”
Quando por mim você passa Eu viro mulher feliz Tão cheiroso e provocante Que logo acendo o nariz E deixo seu cheiro entrar Só para me deleitar Pois sou mulher de raiz.
Se sempre acordo bem cedo É pra provar seu sabor O meu paladar exige Antes que eu vá ao labor Ter você sempre bem quente Alertando minha mente Provocando meu calor.
Para ter você comigo Caminho léguas o pé Vou até o fim do mundo E não perco minha fé De provar do meu neguinho Nem que seja um golinho Sou viciada em café!
Quando chega o mês de junho Tem festa e animação, De Santo Antônio e São Pedro, Também a de São João. É festa no mês inteiro, E ninguém perde o roteiro Nos trilhos da tradição.
Estes festejos juninos Vieram de Portugal. Por aqui eles chegaram No tempo colonial, E seguindo a tradição A festa de São João, Das três é a principal.
No dia treze de junho Fica animado o terreiro. A mulherada se apega Ao Santo casamenteiro. O famoso Santo Antônio! Para arrumar matrimônio, E se casar mais ligeiro.
Já vinte nove de junho, De São Pedro é o dia. Patrono dos pescadores, É de barco a romaria, É protetor das viúvas, É também quem manda chuvas! Da chave do céu é guia.
Essa festa dos três santos De juninas são chamadas, Por que é no mês de junho, Que elas são celebradas. No Brasil a tradição, Tomou conta da nação, Tem festas bem afamadas.
Numa junção de cultura Foram chegando parceiras. Dos indígenas herdamos O costume das fogueiras. Os zabumbas e tambores, Da África são valores, Como a dança e brincadeiras.
Hoje acordei com saudades Das festas do meu sertão De matuta me trajava E cheia de animação Com meu vestido de chita Chapéu e laço de fita Feliz dançava o São João.
Enxerida e dançadeira Nunca me faltava par Pra dançar numa quadrilha Nas festas do meu lugar Tudo hoje é diferente Até o São João da gente Acharam por bem mudar.
No São João de Antigamente Tudo era especial O noivo e a noiva vinham No lombo dum animal Ou então numa carroça Assim era lá na roça No São João tradicional!
No casamento matuto Era um Deus nos acuda Noivo querendo fugir Da noiva já barriguda De espingarda na mão Fazia o pai confusão E ao juiz pedia ajuda.
O vigário embriagado Cambaleava no altar O pai que não sossegava Gritava vou já matar Ou casa ou eu não dou trégua Nesse filho d’uma égua Eu atiro é sem mirar.
O delegado chegava E acabava a confusão O noivo então se casava Pra não mofar na prisão Com barulho de foguete Principiava o banquete Assim era a tradição.
Seu Rufino adoeceu Achei por bem visitar Não era caso de morte Mas era de preocupar Seu lamento era constante Queixava-se a todo instante Sem parar de resmungar.
A sua maior doença Era seu inconformismo Foi homem namorador E agora com reumatismo Sem poder ir vadiar Passa o dia a reclamar Praticando o derrotismo.
Eu tentei mudar a prosa Pra trazer animação Entretanto seu Rufino Era só reclamação Desembestou a falar Eu tive então que escutar A sua lamentação.
Confesso que tive dó Estava de fazer pena Mas com a língua afiada Repetia a cantilena E cheio de rabugice Metia o pau na velhice Que não chegava serena.
Foi o jeito eu me calar E preparar os ouvidos Para ouvir o pobre idoso Com seus ais e seus gemidos Pois paciência eu tinha Para ouvir a ladainha E clamores repetidos.
E vocês vão ver agora O rosário de amargura Que desfia seu Rufino Essa pobre criatura Em cada depoimento Que lhe sopra o pensamento Nessa atual conjuntura