O pai desejava um nome diferente. A mãe escolheu Anielle. E pra ficar mais chic, apareceu uma amiga da família e sugeriu o batismo menina com dois “LL”
Sua sina começaria na pia batismal. Seria diferente das demais criaturas nascidas na “Cerolândia”, perto da Capital. As primeiras letras, aprendeu em casa. Depois, as matérias curriculares, na escola pública.
Taludinha, foi mais além. Era preciso evitar mais despesas do pai. Já moça formada, frequentando alguns ambientes sociais, era preciso ter um dinheirinho para a maquiagem, vestidos e sapatos.
Aventurou-se a vender docinhos nos faróis de trânsito. Precisava, também,aprender as práticas da vida. Exitosa, na primeira semana, vendeu tudo que tinha nas caixinhas dos adocicados.
Olhou para o espelho após o primeiro dia de vendas e ficou cheia de dúvidas. Precisava definir se os automobilistas compravam suas mariolas por se mostrarem nas embalagens atraentes, pelo argumento de que eram feitas em casa, ou se sua sua beleza despertava apoios para as vendas.
Tornou-se mais independente e partiu, com a concordância dos pais, para um emprego formal. Estimaria conhecer mais sobre relacionamentos com profissionais, no trabalho sério num supermercado, colaborando com a religião evangélica e depois, concursada, se tornou funcionária da Câmara dos Deputados.
Nessa última fase, entrou num vespeiro. Mas, vamos pular alguns anos.
A moça cheia de ideias, cada dia mais bela e cativante, logo ao pisar nos primeiros degraus da subida, chegou à conclusão de que teria sido melhor voltar a ser Promotora de Eventos ou até circular pelo interior do supermercado fantasiada de um pacote de macarrão, para promover a marca. Era uma graça e promovia, realmente, o produto.
Foi alertada pelas “fofoqueiras” de elevador”, que o ambiente de trabalho – a Câmara, era muito “pesado” e até, de certo modo, degradante. Teria que aturar diariamente, olhares indesejáveis, comentários maliciosos e atitudes pouco recomendáveis de poderosos eleitos.
Aquele tipo de câmara não seria ideal. Era muito pior do que circular com uma “câmara de ar” remendada. Mas enfrentou, sofreu e aprendeu.
Era, na verdade, o único caminho para a convivência com pessoas que se diziam representantes de alguns habitantes da mesma nação. Logo percebeu que tais grupelhos, na verdade, eram pequenos ajuntamentos de pessoas, geralmente com uma conotação depreciativa.
Permaneceu próxima à “panelinha” enquanto pôde, pois trabalhava na secretaria do gabinete do Todo Poderoso. Sob a máxima cautela, customizou-se, conseguindo resistir às investidas de olhares penetrantes e indiscretos de certos indivíduos sem grande expressão ou relevância, porém maliciosos e oportunistas.
Qualquer joelhinho de fora, estava no papo. Cantada na certa.
O tal grupelho, tinha dimensões montanhosas e população de sombras.
Sempre agia às escuras. Os planos? Meros conchavos. Um pessoalzinho bem identificado pelas alcunhas de Mensalão, Petrolão, Garrafão, Lavajão, Vorcarão e outras ações possíveis de serem judicializadas.
Hoje se sabe que os congressistas, em sua maioria, são dotados dos mais significativos princípios da gatunagem, com o fim de se locupletarem do Poder para ficar “na boa”.
Foi aí que a encantadora Anielle começou a sentir saudades de sua atividade exercida na época juvenil: as vendas de suas mariolinhas nos sinais de trânsito.
E o pior é que, de algum tempo para cá, um dos caciques partidários sugeriu e ela está quase aceitando se candidatar a senadora pelo seu estado de nascimento. Parece que não entendeu que nossa política é constituída de conchavos e conchavantes,