CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

PRECURSORA DA XEROX

Copiadora semiportátil Lumoprint

Com discreto orgulho posso dizer que vivi em dois séculos.

Um deles, registrou o despertar da “Tecnologia da Informação”. Mas, coisas de leve… Só desejos, desenhos e ideias meio avançadas para aqueles tempos em que o esforço físico prevalecia sobre nossas futuras máquinas, objetos que ainda não existiam como hoje. Nem pensar!

É bom lembrar que antes do invento do nosso amigo”Gut” (Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg), já havia comentários entre as dondocas, de que viria coisa boa por lá.

Naqueles tempos já se falava que os monges da Cordilheira do Himalaia, aquela turminha de cabecinhas raspadas que vestem túnicas e vivem lá pras bandas da Ásia, Índia, Nepal, China e Butão já produziam livros religiosos e científicos, mas sem reproduzi-los.

Utilizavam, em vez de canetas, penas de pombo, que eram mergulhadas em tinta, para ir escrevendo, e depois encaderná-los. Quem duvidar é só dar uma subidinha até o Himalaia para entrevistar algum monge-escritor.

O outro século, nos permitiu um pulo vertiginoso: a descoberta de métodos e processos, a partir do invento criado por Thomas Alvas Edison, com a fabricação do mimeógrafo manual.

Mas, como neste mundo “nada se cria e tudo se copia”, veio um gaiato e numa conversinha ao pé do ouvido, num bar e soltou, na maior moita, uma ideia para o inventor:

Meu véi, cria um treco que supere o invento desse tal de Gutenberg! Esse camaradinha é muito devagar!…

A evolução científica nos traria, muito mais tarde, a fotocopiadora elétrica, tipo “Lumoprint” – que considero “a mãe das xerox” – embora exigindo que a entrada de papéis para a impressão ocorra com a colocação de um por um. Ainda mais com a desvantagem: os impressos surgem húmidos

Sabemos que o maquinismo mais moderno de uma xerox é capaz de se colocar uma resma de papel “A-4” na bandeja e a impressão vai ocorrendo simultaneamente, inclusive de frente e verso.

Todavia, durante muitos anos, utilizou-se mimeógrafos.

Meu amigo Luiz Felipe de Morais Moura, que durante muitos anos operou essas máquinas, nos falou sobre históricos assuntos vinculados a essas máquinas.

A palavra vem do grego: “mimeo” (imitar, copiar) e graphos (escrita). O mimeógrafo foi u’a máquina simples, fácil de operar e muito econômica.

Era um equipamento destinado à reprodução de textos e até desenhos, em grande quantidade. Foi muito utilizada principalmente em escolas e escritórios, mantendo-se no mercado até o aparecimento da fotocopiadora (Xerox).

Sua descoberta está ligada ao conhecido cientista americano Thomas Edison, que em 1876 patenteou um sistema de duplicação de documentos, que serviram de base para o novo invento. Posteriormente, Albert Blake Dick aperfeiçoou o invento, popularizando o nome: “Mimeograph”.

O texto que se desejava copiar era datilografado em uma folha especial chamada “estêncil”. As letras datilografadas nas populares “máquinas de escrever”, sem uso das “fitas”, perfuravam a camada de cera das folhas, permitindo a passagem da tinta impressora.

Ao girar o cilindro do mimeógrafo – que inicialmente era manual – a tinta atravessava essas perfurações e reproduzia centenas de folhas com o mesmo “estêncil”. Aquela máquina tão simples de operar, era a maneira econômica de produzir apostilas, provas escolares e livros.

Creio até que o Banco onde trabalhei, mantinha um mimeógrafo funcionando, a fim de resguardar o sigilo de seus documentos, evitando que assuntos internos se tornassem públicos, ao serem impressos em tipografias, ou muito demorado se fossem reproduzidos através de papel-carbono, que era o barato dos anos 30.

Quando a mimeografia se tornou comércio, surgiram pequenos pequenos pontos que passaram a ser conhecidos como “Copiadoras”. Mas, diante da irregularidade ocorrida com cópias de livros, ocorreu uma recomendação judicial por parte das empresas editoras, em virtude de estarem seus principais produtos sendo copiados em quantidades espantosas.

O trabalho de operar um mimeógrafo era simples, mas a tinta me incomodava tanto que eu era obrigado a trabalhar de máscara, a fim de evitar danos à saúde. O característico odor da tinta, à base de álcool, era um castigo.

A partir de 1990 os mimeógrafos foram substituídos definitivamente pelas fotocopiadoras eletrônicas que receberam a marca: Xerox, as quais podem ser alugadas.

As Copiadoras, ficaram cientes das recomendações judiciais, quanto ao Direito das Editoras, tornaram-se pequenas empresas, recolhem os impostos devidos e se firmaram no mercado, inclusive alugando essas copiadoras e computadores a terceiros, fazendo manutenção, etc.

Mas, uma “Lumoprint” que operei quando trabalhava na Secretaria da Gerência do Banco do Brasil, jamais sairá das minhas melhores lembranças por ter sido considerada a precursora das xerox.

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DEU NO JORNAL

PAUTA-BOMBA EXPLODE NO COLO NÃO DO GOVERNO, MAS DO BRASIL

Editorial Gazeta do Povo

editorial pauta bomba

O líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues, e o presidente da casa, Davi Alcolumbre, no dia da votação da “pauta-bomba”

Em uma única tarde, o Senado aprovou três projetos que mostram uma disposição firme em competir com o Palácio do Planalto na Copa do Mundo da gastança pública. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, em caráter terminativo (sem necessidade de passar pelo plenário, a não ser que haja recurso nesse sentido), a elevação do piso salarial de médicos e dentistas, que agora segue para a Câmara; a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde, que já passou pela Câmara e agora vai ao plenário; e o plenário aprovou um projeto de renegociação de dívidas de produtores rurais, que volta para a Câmara por ter sofrido alterações.

O trio de aprovações tem sido descrito como uma derrota para o governo, já que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a se empenhar pessoalmente na interlocução com o Senado para barrar a chamada “pauta-bomba”, sem sucesso. Mas quem sai realmente derrotado é o pagador de impostos brasileiro – inclusive aqueles grupos diretamente beneficiados pelas três medidas. A razão é bastante simples, e inclusive prescinde de uma discussão, já iniciada, sobre uma eventual inconstitucionalidade por possível falta de estimativa de custo e indicação de onde virá o custeio.

Quem haverá de bancar os cerca de R$ 220 bilhões estimados como efeito orçamentário dessas medidas? Como ninguém está falando em abolir aberrações como o Fundo Partidário e o megafundo eleitoral, ou em eliminar desperdícios e privilégios como supersalários, sobram três caminhos: ou o país emite moeda, ou se endivida ainda mais – em ambos os casos, gerando mais inflação e juros –, ou deixa de gastar em outras áreas importantes, sendo que o espaço para esse tipo de remanejamento já é mínimo. Em resumo, é o brasileiro que paga por tudo isso, e sofre as consequências da gastança aprovada pelo Senado, independentemente da coloração política de quem esteja sentado na cadeira presidencial – é no colo do povo, não do presidente, que a bomba explode.

Mas só os muito ingênuos – ou os muito mal-intencionados – veriam o ministro da Fazenda tentando barrar a “pauta-bomba” e concluiriam que estamos diante de um arauto da responsabilidade fiscal. Afinal, Durigan está desde 2023 no governo Lula, e não só acompanhou, mas ajudou a levar adiante o programa gastador do petista, que não fecha as contas apesar dos sucessivos recordes de arrecadação. Só o “kit reeleição” está custando ao pagador de impostos brasileiros quase R$ 200 bilhões, quase igualando o impacto estimado dos projetos aprovados no Senado. Pedir socorro ao Supremo Tribunal Federal (sem o qual Lula não governa, como ele mesmo já confessou) não passa de uma enorme demonstração de hipocrisia da parte do ministro – aliás, não custa nada perguntar a Gilmar Mendes, que já se manifestou antes mesmo de a corte ser provocada, pode onde ele andava quando era o Executivo, e não o Legislativo, que se empenhava em falir o Brasil.

Executivo, Legislativo e Judiciário, assim, dividem a gastança entre boa e ruim, e o critério é única e exclusivamente a procedência das medidas: a “nossa” gastança é necessária, é meritória, é defesa da soberania, da democracia e do que mais houver em termos de clichês a serem empregados de acordo com o momento; a gastança “deles” é populista e eleitoreira. Mas qualquer brasileiro de bom senso percebe que ambas ajudam a esfacelar as contas públicas da mesma maneira, e que é especialmente o bolso do cidadão mais pobre, aquele que mais paga impostos como proporção de sua renda, que haverá de bancar tanta bondade.

PENINHA - DICA MUSICAL

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