ALEXANDRE GARCIA

FLÁVIO BOLSONARO  TRABALHA PARA SE TORNAR CONHECIDO NO EXTERIOR

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro foi escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como seu substituto nas eleições de 2026

Flávio Bolsonaro já esteve no Oriente Médio, nos Estados Unidos, e agora está na França. O objetivo dele é se tornar conhecido no mundo. É como se dissesse “não sou apenas o filho de Jair Bolsonaro; sou um senador da República que representa o estado do Rio de Janeiro, estou cumprindo o meu mandato e quero ser mais conhecido”. Ele fez contatos com a droite francesa, a direita, políticos, deputados, gente com e sem mandato, lideranças tradicionais, partidos de centro e centro-direita. Deu entrevistas, participou de eventos, se expôs bastante. Fez isso tudo em dois dias, desde domingo, como já tinha feito em Israel, na Arábia Saudita, nos Estados Unidos – todos sabem que ele já circulou na Casa Branca, inclusive.

O senador deu entrevistas na televisão francesa e foi perguntado sobre o Judiciário brasileiro, sobre as perseguições políticas, sobre a censura, sobre o bloqueio de redes sociais, sobre o pai dele e o julgamento que o condenou, sobre o julgamento político de manifestantes do 8 de janeiro. Flávio Bolsonaro foi perguntado sobre Emmanuel Macron e respondeu que ele é um péssimo presidente – e disse isso lá na França! Teve um bom desempenho e, por coincidência, está subindo nas pesquisas aqui no Brasil.

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As armadilhas escondidas nas pesquisas

Eu não acredito muito em pesquisas; pode ser até que a pesquisa esteja inflada para convencer a direita e centro-direita a escolher Flávio Bolsonaro, porque Lula estaria achando que derrotar Flávio seria mais fácil que enfrentar um político experiente como Ronaldo Caiado, governador de Goiás; ou um político popular, como está sendo Ratinho Júnior, do Paraná; ou um político com toda a “mineirice” e a sabedoria de um Romeu Zema; ou um político da centro-esquerda, como Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

É muito cedo para acharmos que pesquisas estão consolidando alguma coisa. Mas, por outro lado, as pesquisas também induzem os partidos a adotarem os candidatos que aparecem como mais viáveis para conduzir o partido ao poder. Afinal, partido político sem querer poder não é partido político. O objetivo de todo partido político é tomar o poder pelas eleições, que é diferente de ganhar a eleição, como diria José Dirceu.

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Economia continua a complicar o governo Lula

Está jogando contra a candidatura Lula o labirinto em que ele se encontra. Falo disso no meu artigo publicado esta semana. A política econômica do atual governo criou uma esfinge que não conseguiu decifrar; e agora está em um labirinto – são duas lendas da mitologia grega. No labirinto, a pessoa se perdia lá dentro e era pega pelo Minotauro, a menos que fosse um Teseu, usando o fio de Ariadne para poder voltar à luz. Javier Milei está conseguindo isso lá na Argentina, pegando e consertando uma economia que não proporcionava futuro nenhum para o país. Mas aqui? Aqui a inflação de janeiro foi o dobro da inflação de janeiro do ano passado.

Estamos pagando por ano R$ 1 trilhão em juros da dívida pública; são os papéis que o governo precisa colocar no mercado para ter dinheiro, porque gasta além do que arrecada. Ele está arrecadando muito, e todos estão pagando impostos para sustentar benefícios sociais que o governo considera moeda eleitoral. Lula mesmo confessou isso quando disse que “90% dos evangélicos recebem benefícios do governo, mas não votam no governo”. Ele acha que benefício é para a pessoa votar no governo. Por isso que, na campanha, espalham que, se o adversário for eleito, vai acabar com o Bolsa Família. Essa mentira virá, sem dúvida.

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Drone nacional é orgulho para o país

Um orgulho para o nosso país: a Força Aérea Brasileira fechou um contrato com a Stella Tecnologia, que é uma empresa nacional, para fazer drones para a Força Aérea. Drone é muito mais barato que um caça Gripen – e muito mais prático, como a Ucrânia está mostrando, dizimando as forças militares russas nesta guerra que já vai para quatro anos, mas que os russos diziam que duraria três semanas. E faz isso com drones, existe até um jogo com contagem de pontos: o soldado ucraniano ganha pontos e pode comprar drones mais poderosos, que estão sendo fabricados aos milhares. Salvar uma vida ganha mais pontos que matar um soldado, aprisionar um soldado ganha mais pontos que matar um soldado inimigo, destruir um tanque dá muitos pontos.

A Ucrânia está ensinando uma nova guerra com drones, e o Brasil está entrando nisso, usando drones para defesa, observação aérea, combate ao crime, policiamento de fronteiras. Temos até um drone a jato, o Albatroz – ainda bem que botaram um nome brasileiro, porque os fabricantes são brasileiros: tanto a Stella, que faz o avião em si, quanto a produtora da turbina a jato. O teste foi feito em dezembro, na base de Santa Cruz, e saiu tudo perfeito. Um orgulho em uma área que não é cara, que é lógica, é absolutamente moderna e está mostrando que pode não estar ganhando guerras ainda, mas está detendo os russos.

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DEU NO JORNAL

PT QUER PUNIR O POBRE AO TOLERAR INFLAÇÃO MAIOR

Editorial Gazeta do Povo

Lula Fernando Haddad pt inflação

Lula e Fernando Haddad, em dezembro de 2025

Durante as celebrações dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, o Diretório Nacional da legenda aprovou uma resolução que mostra de forma cristalina o nocivo projeto do partido para o Brasil: censura disfarçada de “combate ao ‘discurso de ódio’”, solidariedade para com ditaduras, aprofundamento do “nós contra eles” e de outros antagonismos que ameaçam o tecido social brasileiro, e concepções econômicas jurássicas, que incluem até mesmo a tolerância com a inflação.

“É necessário revisar a meta de inflação, compatibilizando-a com crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais”, afirma o documento, no mesmo item em que ataca o Banco Central, afirmando que este é o “momento de reduzir a taxa de juros”. A política monetária do BC é considerada “instrumento de bloqueio ao projeto eleito nas urnas, aprofundando a financeirização da economia, drenando recursos públicos e restringindo o investimento produtivo” – isso apesar de toda a atual diretoria da autoridade monetária, incluindo o presidente Gabriel Galípolo, ter sido apontada por Lula.

O documento não diz, mas, dado todo o histórico petista, é improvável que o partido defenda revisar para baixo a meta de inflação. No início de seu mandato, em 2023, quando a meta do Conselho Monetário Nacional ainda era de 3,25% ao ano (hoje, é de 3%), Lula questionou, em entrevista: “[Roberto Campos Neto, então presidente do BC] quer chegar à inflação padrão europeu? Não. Nós temos que chegar à inflação padrão Brasil” – e acrescentou: “uma inflação de 4,5% no Brasil, de 4%, é de bom tamanho se a economia crescer”. O raciocínio implícito é o de que, se a meta de inflação fosse um pouco maior, não seria preciso elevar tanto a Selic; isso reduziria a parte do orçamento destinada ao pagamento de juros da dívida pública, permitindo ao governo gastar mais, além de destravar investimentos do setor privado, o que por sua vez fomentaria o crescimento.

É o tipo de teoria que escancara o terraplanismo econômico petista, e que já foi testada no passado recente. A combinação entre a “nova matriz econômica” de Guido Mantega – baseada em gasto desenfreado do governo e estímulo ao consumo das famílias, e cuja aplicação começou no fim do segundo governo Lula e que se consolidou sob Dilma Rousseff – e uma redução forçada e insustentável dos juros por um BC ainda não autônomo, comandado por Alexandre Tombini, levou à pior recessão da história do país. E uma tolerância maior à inflação tem o efeito imediato de provocar a chamada “desancoragem das expectativas”, exigindo políticas monetárias mais restritivas – algo facilmente perceptível para qualquer um que leia os comunicados e atas em que o Copom explica suas decisões sobre a Selic.

Tolerar uma inflação mais alta não é apenas ignorância econômica: é crueldade para com os mais pobres, exatamente aqueles que o PT tanto diz defender. A inflação destrói o poder de compra das pessoas e, enquanto as classes alta e média têm o conhecimento e os meios para se proteger dela, aplicando o que conseguirem economizar, os pobres que mal conseguem fazer o salário ou o benefício social chegar ao fim do mês não têm outra opção a não ser observar seu pouco dinheiro valer cada vez menos e torcer para que, uma única vez ao ano, seu salário ou benefício tenha algum ganho real. O que realmente ajuda o brasileiro pobre é um governo que coloca suas contas em ordem, cuja política fiscal transmite credibilidade e que, por isso, não precisa prometer retornos tão altos. Mas a mera sugestão de responsabilidade nas contas públicas basta para causar urticária nos petistas, que votaram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal em 2000.

Com sua característica hipocrisia, os mesmos petistas que defendem leniência com a inflação em nome do crescimento econômico dizem, na mesma resolução, que “a estabilidade de preços sempre foi um compromisso do PT” (como se o partido não tivesse votado contra o Plano Real), e celebram uma “inflação controlada” que só está dentro do limite de tolerância da meta graças à política monetária contracionista que o partido condena, e que só é necessária porque o governo tem uma política fiscal irresponsável. Quem se preocupa com o estado das contas públicas a partir de 2027 deveria tomar essa resolução como um alerta para que não se repita o erro gravíssimo de tantos economistas que, em 2022, “fizeram o L” apesar dos sinais escancarados de que a gastança seria a tônica do terceiro governo Lula.

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