DEU NO JORNAL

JOGO SUJO

Editorial Gazeta do Povo

Em 8 de janeiro, o presidente Lula cumpriu uma promessa feita no mês anterior: vetou integralmente o projeto de lei da dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional. Em 18 de dezembro, um dia depois de o Senado aprovar o texto e enviá-lo para sanção presidencial, Lula falou sobre o assunto em entrevista coletiva no Palácio do Planalto. “O Congresso tem o direito de fazer as coisas, eu tenho o meu direito de vetar, depois eles têm o direito de derrubar o meu veto ou não. É assim que é o jogo”, afirmou. De fato, é assim mesmo que o jogo funciona. Mas quem disse que o petismo joga limpo?

Na versão petista do “jogo”, mais cedo ou mais tarde o juiz é convocado para jogar junto. Sempre que o PT e a esquerda perdem no Congresso em assuntos que consideram importantes, buscam o “tapetão” do Supremo Tribunal Federal para reverter o resultado (seja diretamente, seja por meio de suas entidades-satélites, como outros partidos aliados), mostrando que não têm o menor respeito pelo correto processo legislativo. Esse modus operandi independe de o petismo estar no governo ou na oposição, mas o passado recente, neste terceiro mandato de Lula, tem sido especialmente pródigo em situações como estas.

Em 2016, no governo Michel Temer, a Lei das Estatais foi aprovada, bloqueando nomeações políticas; seis anos depois, poucos dias antes de Lula subir a rampa do Planalto, o PCdoB acionou o STF para derrubar os trechos da lei que impediriam o petista de nomear dirigentes partidários ou sindicais. No ano passado, Lula e Fernando Haddad tentaram elevar as alíquotas do IOF de forma irregular, dando fins arrecadatórios a um imposto com finalidade regulatória; quando o Congresso aprovou um decreto legislativo anulando o reajuste, a Advocacia-Geral da União buscou o Supremo.

Outros dois casos envolvem diretamente a derrubada de vetos presidenciais. Em 2023, o Congresso prorrogou a desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia; Lula vetou a prorrogação, e os parlamentares derrubaram o veto – em 2024, a AGU correu para o Supremo. Também em 2023, o Congresso aprovou uma lei estabelecendo 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição, como o marco temporal para a demarcação de terras indígenas; Lula também vetou a lei, e sofreu uma derrota avassaladora na sessão do Congresso que analisou o veto; imediatamente, os governistas buscaram o Supremo. Onde foi parar “o direito de derrubar o meu veto ou não”?

Em todos esses casos, o petismo saiu vitorioso, total ou parcialmente – por exemplo, no caso da Lei das Estatais, o plenário do STF restaurou o trecho da lei derrubado liminarmente por Ricardo Lewandowski, mas manteve as nomeações contra legem feitas por Lula durante a vigência da liminar. E Lula sabe que pode contar com a parceria do STF para conseguir reverter suas derrotas no Congresso. Em dezembro de 2023, comentando a derrubada de seu veto à lei do marco temporal, Lula fez o seguinte comentário durante um evento em Dubai: “é só olhar a geopolítica do Congresso Nacional que vocês sabiam que a única chance que a gente tinha era o que foi votado na suprema corte”. O que vale para o marco temporal – no fim do ano passado, o STF de fato derrubou a lei aprovada pelo Legislativo – vale para qualquer outra plataforma que interesse ao petismo, mas que a esquerda não tem número para fazer prevalecer na Câmara e no Senado.

E isso inclui a dosimetria. Ainda há um longo caminho para que o Congresso analise o veto anunciado em 8 de janeiro, mas quem duvida que, se deputados e senadores derrubarem este veto, a AGU, o PT ou algum outro partido da esquerda estará batendo às portas do Supremo no minuto seguinte, pedindo que os ministros impeçam o recálculo das penas dos brasileiros condenados em processos viciados? E quem duvida que a maioria dos integrantes do Supremo será simpática a esse pedido, empenhada que está em usar os manifestantes de 8 de janeiro de 2023 como troféus da “defesa da democracia”?

Lula disse, ainda no primeiro mês do terceiro mandato, que tinha “pedido aos meus colegas líderes do partido que é preciso parar de judicializar a política (…) A gente perde uma coisa no Congresso Nacional e, ao invés de a gente aceitar a regra do jogo democrático de que a maioria vence e a minoria cumpre aquilo que foi aprovado, a gente recorre a uma outra instância para ver se a gente consegue ganhar”. Já àquela época, só os ingênuos acreditaram. Três anos depois, quando Lula repete o discurso depois de tudo o que fez desde que assumiu a Presidência, acreditar que o petista respeitará o “jogo” já nem é mais questão de ingenuidade, mas de negação patológica da realidade.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RAIMUNDO GORÓ – NATAL-RN

Lula como o timoneiro
Navegou mares de lama
Sem piedade do drama
Do sofrer do brasileiro
Roubou o pais inteiro
Fomentou o mensalão
Criou o aposentão
Roubando o aposentado
PT é barco afundado
No mar da corrupção.

Com desfalque e com propina
Mantém os seus cofres cheios
No escândalo dos correios
O caixa dois predomina
Quando o chefe determina
Tem que “cumprir a missão”
Sem falar no petrolão
Outro roubo deslavado
PT é barco afundado
No mar da corrupção

Sua trupe de bandidos
Foi presa na lava jato
Haja roubo e haja rato
No barco dos corrompidos
Alguns dos arrependidos
Praticaram delação
Outro por retaliação
Com medo ficou calado
PT é barco afundado
No mar da corrupção

A palavra honestidade
Não consta nos seus anais
Com pedaladas fiscais
Dilma fez improbidade
Castigou sem piedade
Galopando a inflação
Ao povo desta nação
Deixou um triste legado
PT é barco afundado
No mar da corrupção

Num sistema escandaloso
Matou, corrompeu juízes
Provocando cicatrizes
De um modo inescrupuloso
Com diálogo cabuloso
Faz acordo com ladrão
A mando de um charlatão
Assassinou o estado
PT é barco afundado
No mar da corrupção

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

IMAGINA NA ELEIÇÃO…

"Presidente Lula abraça o ditador venezuelano Nicolás Maduro durante encontro oficial em Brasília, em maio de 2023

Histórico: Lula recebe Nicolás Maduro em Brasília em 2023. Com a prisão do ditador, a antiga proximidade se torna munição para a oposição e risco político para 2026

Como seu último ato no governo, Lewandowski usa o Ministério da Justiça para enviar um pedido de investigação contra Flávio Bolsonaro à Polícia Federal. No documento, deputada petista denuncia uma suposta prática de crimes contra a honra de Lula por associação com Maduro.

O Ministério da Justiça encaminhou à Polícia Federal o pedido da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) para que a corporação investigue o senador Flávio Bolsonaro (PL) por publicações que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao venezuelano Nicolás Maduro. Onde já se viu associar Lula a Maduro, não é mesmo?!

O pedido foi protocolado em 7 de janeiro e enviado à PF no dia seguinte. No documento, a deputada denuncia uma suposta prática de crimes contra a honra de Lula ao citar uma postagem do pré-candidato do PL à Presidência na qual ele afirma que Maduro iria delatar o petista, o que causaria o fim do “Foro de São Paulo”. A publicação ocorreu após o venezuelano ter sido capturado pelos Estados Unidos.

Vejamos: Lula é o fundador do Foro de SP ao lado de seu velho companheiro Fidel Castro. Lula desde sempre defende a ditadura venezuelana, chegando a fechar contratos suspeitos entre Petrobras e PDVSA, pressionar pela entrada da Venezuela no Mercosul mesmo sem as cláusulas democráticas e gravar vídeos de apoio direto ao ditador socialista, como este aqui, onde Lula rasga elogios ao ditador.

Durante a última eleição, o TSE vetou veículos de imprensa tradicionais, como a Gazeta do Povo, de lembrar desses elos históricos entre Lula e ditadores socialistas. Mas um dos primeiros atos de Lula após eleito foi justamente receber Maduro no Brasil, com tapete vermelho, militares prestando continência e elogios escancarados ao tirano.

O deputado Carlos Jordy comentou: “Piada pronta. Antes de deixar o Ministério da Justiça, Lewandowski pediu que PF investigue Flávio Bolsonaro por associar Lula ao ditador Maduro. Vai começar a censura igual a de 2022”. Todos sabem das ligações entre Lula e Maduro, do Foro de SP, mas como Maduro foi capturado pelos Estados Unidos, agora é para fingir que Lula é um democrata que nunca bajulou o companheiro narcoditador.

À medida que a eleição se aproxima, o consórcio PT-STF começa o processo de blindagem de Lula, para que ninguém possa lembrar de suas credenciais nada democratas, de sua paixão por tiranos. Mas o povo não tem memória tão curta assim, e o momento é desfavorável para o petista, pois seus companheiros estão tendo de libertar presos políticos sob pressão de Trump. Carlos Bolsonaro comentou:

Diversos países da América Latina passaram recentemente por processos de libertação de presos políticos, conforme registrado pela imprensa internacional. Na Venezuela, opositores, jornalistas e ativistas de direitos humanos foram soltos após pressão externa. Na Nicarágua, dezenas de detidos por motivação política – entre líderes religiosos, opositores e ex-autoridades – também estão rumando à liberdade. Movimentos semelhantes ocorreram na Colômbia e na Bolívia, em contextos de revisão política e institucional. Em contraste, no Brasil, presos políticos seguem encarcerados, enquanto o país passa a ser comparado, sem exagero, a regimes fechados como a Coreia do Norte – reflexo direto da degradação institucional e da várzea em que transformaram o Estado de Direito. Então nas eleições brasileiras de 2022 o TSE proibia de citar as intimas relações entre lula, Maduro e Ortega. Agora começa a fazer sentido a iniciativa do “zeloso tribunal eleitoral brasileiro”.

Se em 2022 já houve esse esforço de proteger Lula, imagina agora! Se em janeiro, de saída do ministério, Lewandowski tenta intimidar Flávio Bolsonaro simplesmente por falar da profunda ligação entre Lula e Maduro, imagina como estaremos em julho! Que todos possam se lembrar sempre daquilo que o sistema tenta mascarar: Lula nunca foi um democrata, e sim um grande admirador dos piores ditadores do planeta!

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO JORNAL

NÃO EXISTE ESQUERDISTA GRÁTIS

Leandro Ruschel

Mais um capítulo da já conhecida novela Não Existe Esquerdista Grátis.

Desta vez, o protagonista é Wagner Moura — ator que, cada vez mais, parece confortável também no papel de militante político. Ao receber uma premiação como melhor ator pelo filme O Agente Secreto, ele decidiu usar o palco não para falar de cinema, mas para fazer propaganda política. Segundo ele, o Brasil teria vivido, durante o governo Bolsonaro, um regime fascista. Fascista, vejam só

Seria interessante, portanto, que Wagner Moura apontasse ao menos um caso concreto de censura ou perseguição política contra esquerdistas durante esse suposto “horrível regime fascista”. Um único exemplo já ajudaria. O problema é que o que se consegue demonstrar, com centenas de casos documentados, é exatamente o oposto.

Mesmo durante o governo Bolsonaro, foi a esquerda que aparelhou instituições, censurou, perseguiu e prendeu conservadores e opositores políticos. O próprio ex-presidente é hoje um prisioneiro político, acompanhado por centenas de outros brasileiros

O caso mais emblemático talvez seja o da cabeleireira Débora, condenada a 14 anos de prisão por escrever, com batom — algo que se remove com água e sabão — uma frase de protesto em uma estátua em Brasília. Uma frase irônica, sem palavrões, sem incitação à violência. Ainda assim, 14 anos de cadeia

Curiosamente, nada disso parece sensibilizar o ator. Também não houve, em seu discurso inflamado, qualquer menção ao Irã, onde centenas de pessoas são mortas e esmagadas por um regime brutal — regime, aliás, aliado do descondenado brasileiro. Descondenado este cujo governo ajudou a financiar o próprio filme, com um aporte de sete milhões e meio de reais, além de mais oitocentos mil reais liberados em janeiro para ações de promoção

Também não se ouviu uma palavra sobre a Venezuela. Nenhuma menção ao regime opressor que destrói o país. Nenhuma palavra sobre Cuba. Nenhum incentivo para que povos oprimidos se levantem contra ditaduras reais e atuais. Por que será esse silêncio tão conveniente?

Enquanto isso, Wagner Moura vive tranquilamente no “malvadão capitalista” Estados Unidos. O contraste é gritante. E o comportamento, além de cínico, além de degenerado, revela uma hipocrisia clara: a de quem se presta ao papel de garoto-propaganda de regimes autoritários enquanto posa de defensor da democracia

O ator defendeu ainda a importância de se fazer mais filmes sobre a ditadura brasileira — uma ditadura de meio século atrás. Mas fica a pergunta: não seria mais interessante, talvez até mais lucrativo, produzir filmes sobre a história recente do Brasil? Sobre um grupo político que saqueou o país, causou prejuízos bilionários e acabou amplamente anistiado pela Justiça?

Ou quem sabe um filme sobre o careca do INSS, pivô de um dos maiores roubos da história contra aposentados, desviando bilhões de reais e repassando recursos até para filhos de autoridades. Será que isso não renderia uma boa bilheteria? Ou então um filme sobre um banco responsável pelo maior rombo financeiro da história do país — mais de 40 bilhões de reais — que ainda contratou a esposa de uma das mais altas autoridades, pagando cifras astronômicas

Mas esses filmes dificilmente verão a luz do dia. Pelo menos não com dinheiro público. Porque, no fim das contas, já não estamos mais falando de arte. Estamos falando, pura e simplesmente, de propaganda política.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

TURISMO BATE RECORDE

Assim se constrói um “grande governo”. Com narrativas tendenciosas, com dados manipulados e idéias enviesadas.

Uma equipe ilusionista que cria índices extraordinários de emprego, de fluxo de turistas, de inflação e pobreza. Economia “bombando” e desmatamento caindo.

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO