SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

CORRUPÇÃO NA SAÚDE MATA, MAS A PUNIÇÃO NÃO VEM

corrupção

Tolerância com a corrupção se tornou cultura no Brasil

Uma das corrupções mais cruéis é quando se desvia dinheiro da saúde pública. Isso vai causar mortes, aumentar doenças, sofrimento. Na China, corrupto assim é condenado à morte. E é uma pena bem merecida, bem aplicada, para servir de exemplo. Aqui, necessitaríamos de um bom exemplo, porque o que a gente tem dado são exemplos de impunidade. E o pior é que veio do Supremo o último grande exemplo de impunidade, com tudo que se aliviou da Lava Jato, que tirou dinheiro principalmente da Petrobras, por exemplo, que é uma empresa que pertence ao povo brasileiro, tem uma boa parte das ações do Tesouro Nacional, portanto, dos pagadores de impostos do Brasil.

E agora aparece uma pontinha de iceberg, só uma pontinha, em Mossoró, no Rio Grande do Norte e outros municípios do Estado. Foram feitas buscas e apreensões pela Polícia Federal, estava também o Tribunal de Contas do Estado constatando, a Controladoria Geral da União, porque são verbas federais. Encontrou-se muito dinheiro na casa de um dos distribuidores de medicamentos para as prefeituras, dinheiro dentro de caixa de isopor, de caixa de papelão.

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Corrupção no Chile

Agora, no Chile se encontrou 14 milhões de dólares guardados na casa de uma Ministra da Suprema Corte que foi afastada em outubro. Imagina! Dinheiro em casa é confissão, não precisa mais nada. Como é que a pessoa vai guardar dinheiro em casa? É porque não acredita em banco? Não. É porque o dinheiro é ilícito, não tem como estar esperando uma forma de lavar o dinheiro. Pois bem. Envolve prefeitos.

Em Mossoró envolve o prefeito e o vice-prefeito. Prefeito Allysson Bezerra – com dois eles e ípsilon, como gostam – do União Brasil. E o vice-prefeito Marcos Medeiros, que era o secretário do Fundo de Saúde do município. Só um exemplo de como faziam: numa compra de R$ 400 mil de remédios, metade era de remédio. Mas a outra metade ia R$ 60 mil para o prefeito, R$ 70 mil para os sócios do esquema, R$ 30 mil para os fornecedores. Gente! Dinheiro da saúde. Não basta uma puniçãozinha, não. Eu acho que deveria se encontrar, se não quer pena de morte, pelo menos prisão perpétua para corrupto de dinheiro, que causa dor.

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Tratamento negado

Assim como eu acho que deveriam investigar aqueles que mentiam na televisão durante a pandemia que não havia tratamento para curar a Covid. Isso é muito, muito cruel, porque provocou, não sei quanto, ninguém pode calcular. Digamos que metade das mortes foi de gente que poderia ter sido tratada e curada facilmente, sem ir para o hospital.

Eu, toda hora lembro disso. Tinha lá um senador que era traumatologista, quer dizer, que fez curso de medicina e negava que tivesse tratamento. Num país em que qualquer raizinha que aparece para curar câncer dá grandes reportagens na televisão. Que vergonha!

Bom, e um caso lá no Supremo. Uma jornalista entrou no Supremo contra os autores da Vaza Toga – David Ágape e Eli Vieira – e Eduardo Tagliaferro. Aí o Procurador-Geral da República descobriu que o Supremo não tem nada a ver com isso, que isso é na Primeira Instância. E aí, ora, Moraes concordou e mandou arquivar. Imagina se pega! Derruba esses últimos casos envolvendo tantas figuras nacionais e tanta gente do 8 de janeiro. Meu Deus do céu! Vai tudo pra Primeira Instância, ou anula, porque estava na Instância errada, não é?!

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Proposta da OAB de São Paulo

Aí vocês viram o que a OAB de São Paulo está sugerindo. Eu acho muito importante, mas claro que o Supremo não vai aceitar.

Pode ser professor, mas não pode ser dono de faculdade, não pode fazer pronunciamento político, tem que guardar reserva, não pode fazer reunião à distância no Supremo, não pode pegar processos que tenham qualquer ligação de amigo, de família, até terceiro grau. Tem que declarar todo o cachê que recebe, passagem, diária, de outros. Não pode aceitar evento em que tenha patrocínio de gente com interesse no Supremo.

Não vão aceitar, não. E aí vão continuar com a ausência – aqueles que fazem isso – de uma exigência da Constituição, que é de conduta ou reputação ilibada. E a Constituição exige também impessoalidade, exige moralidade.

E esse código teve o dedo de Helen Grace e César Peluso, que foram ministros do Supremo, que revisaram tudo e fizeram sugestões, certamente, com a moralidade, a publicidade, a impessoalidade, a reputação ilibada, exigidas pela Constituição.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DENTRO DO PADRÃO

A bancada no partido Novo enviou ofício à Casa Civil para cobrar explicações sobre o encontro de Lula com dirigentes do enrolado Banco Master.

Foi tudo fora da agenda e dentro do Palácio do Planalto.

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Fora da agenda e dentro do Palácio.

Um evento mais luloso que este não existe.

Tá dentro do padrão petralha.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

PABLO LOPES - PEIXE NA ÁGUA

A POEIRA SOBRE O LIVROS – UM TEXTO DESESPERANÇADO

Acho que esta coluna saiu um tanto melancólica, destoante do clima leve e bem-humorado de nossa querida gazeta. Espero não aborrecer com esta breve experiência pessoal e as reflexões dela decorrentes; prometo não repetir. Em frente, pois.

No último fim de semana tirei um tempinho para ajeitar os livros de minha estante e aproveitar para retirar a camada de poeira regulamentar; resultado do tempo decorrido entre a última vez que os manuseei e a proverbial terra vermelha deste recanto do país.

A cada volume me perdia em recordações do tempo em os havia lido, pois há muito adquiri o hábito de anotar, nas contracapas, o local e data em que comecei e finalizei as leituras; incrível como o tempo passa! E é sobre um livro, ou melhor, sobre o tema de um livro, que quero tratar aqui.

Ocorre que entre espirros e recordações, abri minha antiga edição de “Conversa na Catedral”, obra genial do peruano Mario Vargas Llosa, publicada originalmente em 1969. Minha edição é de 1977.

Logo no primeiro parágrafo, o protagonista Santiago Zavala se pergunta: “Em que momento o Peru se fodeu?”. Perdão pela palavra chula, mas é assim mesmo que está escrito.

A leitura desta obra é desafiadora, com quebras temporais e geográficas; diálogos e personagens se misturando no tempo e no espaço, pois a história se desenrola a partir de uma conversa de bar entre o protagonista e um interlocutor, cujas recordações e revelações, de certa forma, respondem à pergunta inicial.

O enredo não traz uma resposta com dia, mês e ano, e o autor deixa o leitor descobrir, pois ela emerge das entranhas das relações entre as pessoas que compõem a sociedade peruana daquela época e, a meu ver, da época atual. Em toda a américa latina.

Os personagens, muitos inspirados em pessoas reais, pertencem a todas as camadas da sociedade; desde a elite econômica e política até trabalhadores humildes, passando por artistas, jornalistas e prostitutas. E todos se deixam enredar em uma espiral de corrupção; violência e mesquinharias. Sempre buscando extrair algum proveito próprio do sistema vigente.

Sim, o Peru se fodeu porque sua sociedade assim o permitiu. De forma consciente ou não; por ação ou por omissão, todos são culpados pela degradação ética e moral que corroeu e corrói o país. Esta é a conclusão a que cheguei após a leitura.

Não há como ler esta obra sem se perguntar: E o nosso país? E o Brasil? Em que momento nos fodemos?

Desde já peço desculpas a quem ler o que segue; é mera opinião pessoal.

Talvez eu seja pessimista, mas acho que o permanente estado de atraso, miséria, corrupção e injustiças vividos por nosso fodido país é resultado das escolhas da própria sociedade. Assim como no livro, o Brasil, enquanto povo, escolheu por ação ou omissão se foder.

Os atos que nos levaram e este status quo podem ser consultados nos grossos volumes da imensa biblioteca das escolhas infelizes; das chances desperdiçadas e da escrotidão humana.

Quando o Brasil se fodeu? Posso estar errado, mas para mim, assim como no Peru de llosa, nosso país escolheu e escolhe todos os dias se foder. E o faz a cada voto desperdiçado; a cada pequena sinecura aceita; a cada dar de ombros à safadeza dos poderosos; a cada transferência de culpa pelos próprios erros…..

Eu não seria capaz de enumerar todas as pequenas e grandes razões e, pior, nem seria preciso pois todos sabemos. Llosa poderia ter escrito este livro no Brasil de hoje e a história seria a mesma.

Como parar de se foder? Sinceramente não sei, ou talvez saiba, todos sabemos, mas não temos disposição para fazer. Espero, sinceramente, estar errado e que num futuro, próximo ou distante, algum escritor genial nos conte, em uma agradável conversa de botequim como tiramos a poeira ‘vermelha’ de cima do país e paramos de nos foder.

DEU NO JORNAL

PENINHA - DICA MUSICAL