Bom dia, meus amados!!!
Ninguem pode negar que o Brasil é o país do Agro.
Confiram:
Pé de Cana na presidência.
Melancia no exército.
Abacaxi no judiciário.
Banana no congresso.
E mandioca no povo.
E vamos que vamos!!!

Ministro Dias Toffoli é o relator do caso do Banco Master no STF
Eu estou vendo suplementos de automóveis em jornais, muito otimistas dizendo que em breve a gente vai pagar carro europeu – carro alemão, principalmente –, com menos preço, com menos impostos. Só que não vai ser tão cedo assim.
No parlamento europeu, houve uma moção daqueles países que não querem saber de acordo, não podem sequer fazer acordo com o Mercosul: Irlanda, França, Hungria, Polônia. A Itália está, mais ou menos, assim. Os que querem mesmo, Alemanha e Espanha, principalmente, fizeram votação e a moção passou. Trezentos e trinta e quatro votos contra 324. Foi apertado. Eu disse Polônia, mas vejo aqui que a Áustria também.
Então, não vai ser tão cedo assim, sabe por quê? Essa moção foi para a Corte Europeia de Justiça. Foi para o judiciário. Agora, a Corte de Justiça vai estudar a validade ante o Estatuto da União Europeia, se vai causar prejuízo a países ou não. Então, não vai ser assim tão rápido.
* * *
Toffoli, Tayayá e o Banco Master
Agora, o que está pegando aqui no Brasil é essa reportagem de seis minutos e meio do Metrópoles, em que os repórteres ficaram hospedados lá no Tayayá, o resort que agora a gente vê que é cassino também, estilo Las Vegas, com jogo, jogatina. Até onde eu sei, jogo de azar está previsto nas contravenções penais. Jogo de azar é aquele cujo resultado depende da sorte. Um jogo de futebol, uma partida de vôlei não é um jogo de azar, mas uma roleta, é um jogo de azar, um carteado é um jogo de azar, pode ser um jogo de inteligência até, mas enfim.
E com informações lá obtidas pelos funcionários, que Toffoli fez uma festa de fim de ano, agora tem uma residência lá só para ele, na parte mais sofisticada da propriedade, e que passou o nome para um advogado do Joesley. Eu acho que quando o negócio esquentou, ele passou para lá. Pode ser isso. E a Folha de São Paulo mostra todas as ligações, os fundos, etc. Tem um fundo lá que está botando dinheiro nas Ilhas Virgens Britânicas, lá no Caribe, paraíso fiscal.
Eu não sei como é que o Toffoli vai se manter sendo relator do Master. Agora que o Banco Central ainda liquidou mais um, a Will Financeira, que é ligada ao Master. Já liquidou uma semana passada, a Reag, e o BRB tem um bilhão e setecentos e cinquenta milhões de papéis dessa Will, meu Deus do céu! É uma enrolação.
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Desapropriações e tropeços no português
Bom, a outra questão é que sexta-feira foi informado – eu já falei aqui pra vocês –, que Lula vai anunciar um pacotão de desapropriações fundiárias pra entregar pro MST, pra gente que está inscrita lá. E é uma coisa, eu acho tão estranho isso!
Eu ouvi ontem numa grande rede de rádio aqui do Brasil, falando da Suprema Corte Americana, que está lá com o caso da governadora estadual do FED, do Banco Central Americano, que está sendo exonerada, e foi para a Suprema Corte. Então, na notícia, o repórter disse que a Suprema Corte está analisando.
Gente, quem analisa é o laboratório, que pega urina, fezes, sangue, aí analisa. Não só está analisando como vai dar o parecer em alguns meses. Tribunal não dá parecer. Tribunal decide. Quem dá parecer é a consultoria jurídica. Meu Deus do céu! Eu não sei que jornalismo é esse, em que as pessoas não sabem o significado das palavras. Eu fico muito preocupado com isso. Porque é uma coisa que destrói a credibilidade do jornalismo pela má informação.
Quando o sol ao nascente se levanta,
Espalhando os seus raios sobre a terra,
Entre a mata gentil da minha Serra,
Em cada galho um passarinho canta.
Que bela festa! Que alegria tanta!
E que poesia o verde campo encerra!
O novilho gaiteia, a cabra berra,
Tudo saudando a natureza santa.
Ante o concerto desta orquestra infinda
Que o Deus dos pobres ao serrano brinda,
Acompanhada da suave aragem.
Beijando a choça do feliz caipira,
Sinto brotar da minha rude lira
O tosco verso do cantor selvagem.

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)
Há países em crise. Há países em decadência. E há países que entraram num estado mais sofisticado — e mais perigoso — de colapso: a paralisia moral e institucional. O Brasil habita exatamente esse território nebuloso, onde nada explode de vez, mas tudo apodrece lentamente. Não se trata mais de corrupção episódica, nem de incompetência pontual. Trata-se de algo estrutural: o país perdeu a capacidade de decidir. Decide-se apenas o discurso. A realidade fica em suspensão, como um paciente entubado mantido vivo por protocolos que ninguém mais acredita, mas que ninguém ousa desligar.
Vivemos numa nação em que crimes extremos se repetem com regularidade estatística, e ainda assim são tratados como “casos isolados”. Onde monstros são libertados em nome de teses abstratas, e vítimas reais são convertidas em rodapé de reportagem. Onde a palavra “ressocialização” virou um mantra mágico, repetido para evitar o constrangimento de admitir que há indivíduos que romperam irreversivelmente o pacto civilizatório.
O Brasil não é um país humanista.
É um país retórico. Aqui, confunde-se humanidade com permissividade, compaixão com negligência, e direitos humanos com direitos do agressor — enquanto os direitos do cidadão comum são terceirizados à sorte, à fé ou ao acaso. O Estado brasileiro age como um médico que se recusa a diagnosticar tumores porque “a palavra câncer é muito forte”. Prefere chamar de “lesão social complexa”, enquanto o paciente morre com elegância semântica. O mais perturbador não é a existência do criminoso. Toda sociedade os tem. O escândalo está no sistema que insiste em fingir surpresa.
Quando um estuprador reincide, o Estado pede desculpas. Quando um assassino mata de novo, o Estado abre sindicância. Quando inocentes morrem, o Estado promete “apurar responsabilidades”. Mas ninguém responde por nada.
Porque a irresponsabilidade, no Brasil, é colegiada. Juízes decidem “com base na lei”, legisladores culpam “a interpretação”, o Executivo fala em “políticas públicas futuras”, e a sociedade assiste anestesiada, como quem vê uma série macabra que já perdeu o impacto — mas continua assistindo por inércia.
Não é que falte lei. Falta coragem moral para dizer o óbvio: Nem todo criminoso é recuperável; Nem toda teoria sobrevive ao teste da realidade; Nem toda decisão “humanitária” é, de fato, humana. O Brasil se tornou especialista em transferir risco. Risco do sistema para a vítima. Risco do criminoso para a sociedade. Risco da falha institucional para o cidadão comum. Isso não é civilização. Isso é covardia organizada. Enquanto isso, cria-se uma elite discursiva que vive num país abstrato — um Brasil conceitual, limpo, teórico — onde tudo se resolve com palavras cuidadosamente escolhidas. Já o Brasil real sangra, enterra seus mortos e aprende, muito cedo, que justiça é um luxo instável.
A paralisia moral se revela quando ninguém mais sabe o que é inaceitável. Quando tudo é relativizado. Quando toda crítica é “radical”. Quando toda indignação é “exagerada”. Quando exigir proteção vira “autoritarismo”. E assim seguimos: um país que não pune de verdade, não recupera de verdade e não protege de verdade. Um país suspenso entre o medo de parecer duro e o pânico de parecer permissivo — optando, no fim, pela opção mais confortável: não decidir nada.Mas há um custo. Sempre há. O custo é pago por crianças, idosos, mulheres, trabalhadores comuns — gente sem assessoria jurídica, sem microfone, sem narrativa. Gente real, em carne, osso e medo. A pergunta já não é “quem governa”. A pergunta é: quem tem coragem de romper essa paralisia? Porque um país que não consegue proteger seus inocentes já começou a falhar como civilização, ainda que continue funcionando como burocracia. E talvez o mais devastador de tudo seja isto: o Brasil não está em colapso. Está acomodado ao colapso.
E não há estado mais perigoso do que aquele em que o absurdo se torna rotina — e a barbárie aprende a usar gravata, carimbo e linguagem técnica.
Editorial Gazeta do Povo
Na semana passada, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que abrisse uma investigação a respeito de decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que prejudicam a cadeia de custódia das provas apreendidas em operações policiais relativas ao escândalo do Banco Master. Girão ainda defendeu que a PGR pedisse o afastamento de Toffoli do caso – o ministro é o relator das investigações sobre o caso do Master no STF – e fizesse uma “análise técnica independente sobre possíveis conflitos de interesse e impedimentos”. A PGR ainda não respondeu e, a bem da verdade, não é muito realista acreditar que Paulo Gonet faça algo para frear Toffoli. Mas o senador ao menos está tentando, e é indubitável que algo há de ser feito.
As investigações sobre o Master, como já afirmamos aqui, nem deveriam estar no Supremo, pois nem o banqueiro Daniel Vorcaro nem os demais investigados têm prerrogativa de foro; a existência de uma negociação envolvendo um deputado federal, sem relação alguma com as fraudes e que nem mesmo foi concluída, era um argumento fragilíssimo para que o caso “subisse” ao STF. Mas, assim que o caso foi para a suprema corte, Toffoli tem ultrapassado todos os limites na sua condução. Pouco antes de ser sorteado relator, ele compartilhou uma carona de jatinho com o advogado de um dos investigados, sócio de Vorcaro, rumo ao Peru, onde assistiram à final da Libertadores; em vez de recusar a relatoria, Toffoli colocou tudo sob sigilo assim que botou as mãos no caso.
Como se não bastasse esconder do país um escândalo com potencial de sacudir Brasília, dadas as ótimas ligações de Vorcaro com os círculos do poder, Toffoli seguiu aprontando. No fim do ano, ordenou uma acareação sem a menor previsão legal, incluindo até mesmo um dos diretores do Banco Central favoráveis à liquidação do Master. Mais recentemente, ao determinar uma nova fase da Operação Compliance Zero, tomou a decisão absurda de negar à Polícia Federal acesso às provas apreendidas, que deveriam ser entregues no STF, lacradas. Só após muita pressão ele aceitou o envio do material à PGR; por fim, aceitou que apenas quatro peritos da PF (nomeados por ele) tivessem acesso aos celulares e computadores. Em meio a tudo isso, a imprensa divulgava os laços de negócio entre familiares de Toffoli, o cunhado de Vorcaro e um fundo de investimentos que integrava a rede de Vorcaro, tudo em torno de um resort no Paraná. Se tudo isso não representa conflito de interesse, o que mais poderia representar?
Aparentemente, o país todo já percebeu que Toffoli faz o que quer, e que é imparável. No entanto, é preciso recordar: ele só chegou a esse ponto porque foi incentivado pelos mesmos que hoje pedem providências. Quem hoje se lembra do princípio do juiz natural não disse nada – na melhor das hipóteses, fez advertências muito delicadas – enquanto brasileiros sem foro privilegiado caíam no abusivo inquérito das fake news, aberto por Toffoli quando ele era presidente do Supremo, e continuou omisso nos filhotes desse inquérito, incluindo a repressão ao 8 de janeiro e os “processos do golpe”. Afinal, “era por uma boa causa”, como resumiu uma colunista de um grande jornal brasileiro. Agora que a hidra da supremocracia desenvolveu milhares de cabeças, defendem que elas sejam cortadas sem reconhecer que colaboraram para o monstro tomar as proporções que tomou. Pior ainda: há quem continue justificando tudo o que foi feito desde 2019, alegando que “agora é diferente”. Não é, e nunca foi – o que hoje e “atípico” e “excepcional” também o era no passado.
Antes tarde do que nunca, é verdade; mas agora a missão tornou-se mais que hercúlea. Do atual presidente da corte, Edson Fachin, não se pode esperar muito – não porque ele não esteja empenhado em colocar ordem na casa, por meio de um código de ética, mas porque legalmente há pouco ou nada que ele possa fazer para impedir que Toffoli continue a aloprar as investigações do Master se quiser. Hoje, a melhor chance de moralizar a atuação do STF está na própria casa legislativa a que pertence Girão: estaria ela disposta a consertar o erro de 2009, quando aprovou para o STF (por 58 a 9!) um então advogado-geral cujo notório saber jurídico era tanto que ele foi reprovado não uma, mas duas vezes em concursos para a magistratura?
Diz o Código de Processo Penal que o juiz está impedido quando “ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito”, pelo inciso IV do artigo 252 – e não é difícil concluir que os negócios dos irmãos e do primo de Toffoli com o cunhado de Vorcaro cumprem esse critério. O artigo 39 da lei do impeachment (1.079/50) considera crime de responsabilidade de ministro do STF “proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa”. Ora, o impedimento é mais grave que a suspeição, pois enquanto esta envolve uma presunção relativa de parcialidade, aquele envolve presunção absoluta de parcialidade.
Se Toffoli não for contido pelos pares, pela opinião pública ou pela PGR, não há como descartar um processo de cassação no Senado. No sistema de freios e contrapesos, é esta casa legislativa que tem a missão constitucional de impedir que o STF se torne o superpoder da República – seja quando a corte age coletivamente, seja quando um de seus membros resolve se portar como o “editor de um país inteiro”. Por mais que outros ministros do Supremo estejam empenhados em blindar seus colegas desse escrutínio, muito mais prejudicial ao país é a omissão de quem deve “vigiar os vigias”.