DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

LÁGRIMAS OCULTAS – Florbela Espanca

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida …

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago …
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim …

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

NUM LARGA O VÍCIO…

Ao prometer na campanha de 2022 um “revogaço” de decretos de sigilo do antecessor Jair Bolsonaro, para “restaurar a transparência” e acabar o “obscurantismo”, Lula (PT) estava apenas mentindo para o eleitorado.

O governo do petista impôs milhares de sigilos, dos gastos extravagantes das viagens de Janja, sua mulher, às evoluções dos seus empresários favoritos, Joesley (que o delatou na Lava Jato) e o irmão Wesley, passando pela recusa de cumprir a Lei de Acesso a Informações (LAI).

Dados da Controladoria-Geral da União e relatórios independentes revelam total de 3.287 sigilos entre 2023 e 2025, ignorando a LAI.

O governo Lula desrespeitou a LAI, de forma obstinada, própria de quem tem muito a esconder, recusando 16% dos pedidos de informações.

Virou piada Lula jurar em 2022 a uma radio paulistana, mentindo, o revogaço de tudo “que Bolsonaro está criando para defender os amigos”.

* * *

O primeiro parágrafo desta nota aí de cima diz que “Lula estava apenas mentindo para o eleitorado”.

E dito isto, tá tudo dito.

Não precisa falar mais nada.

Mentir é condição indispensável no comportamento do Descondenado.

O danado é que ainda tem gente que acredita nele…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

XICO COM X, BIZERRA COM I

ATO DO DIA UM: HÁ DEUS, ANO VELHO OK

O ano acabou e passou ligeiro. Rapidinho, chegou o dia um de novo e o pano caiu para dar início a nova peça, a novo ato. O Teatro da vida aguarda. A importância maior, sabedoria incomparável, é fazer com que a cortina que se nos apresenta, ainda que seja chita, nos pareça a mais perfeita das sedas e com ela e seu colorido tenhamos a sabedoria de espalhar cores em torno de quem gostamos. E quando esse pano ameaçar desfiar, não permitamos que nossas costas fiquem desprotegidas, nuas, fazendo com que o resto continue a remendar os sentimentos que surgem ao longo dessa costura que é a vida. E então, o fio vivendo por um fio, findará o seu cio na prateleira dos anos felizes e das alegrias acumuladas. Aos fiapos que sobrarão, restará a missão de amarrar a solidão e alinhavar os desenganos. Seguir em frente é a receita, vestindo a alma com a melhor das roupas, costurada com a linha dos prazeres e com botões repletos de alegria. E aguardar o outro ano que vai chegar. Quanto ao ano findo, dizer da sorte de podermos dizer: Há Deus, Ano Velho.

PENINHA - DICA MUSICAL