O fracasso monumental de Lula! pic.twitter.com/U7KIaHtS3I
— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) November 10, 2025
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O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Pode-MG), protestou ontem (10) contra o ministro do STF Gilmar Mendes, acusado de desdenhar do Congresso no habeas corpus usado para blindar Igor Delecrode, suspeitíssimo no roubo bilionário a aposentados.
Convocado para depor como testemunha, Igor Dias Delecrode é acusado de participar do esquema que roubou R$ 1,4 bilhão de aposentados.
O relator Alfredo Gaspar (União-AL) disse que, aos 28 anos, Igor ficou milionário com dinheiro roubado.
“Isso não pode ficar assim”, protestou Viana.
Ele diz que, para Gilmar e STF, o Congresso “não vale absolutamente nada”.
* * *
O último parágrafo dessa nota aí de cima, sobre o “valor” do Congresso, resume tudo.
Não é preciso dizer mais nada.
O poder composto de eleitos pelo voto dos cidadãos, é do jeito que tá na frase.

O ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni depôs à CPMI do INSS
Um levantamento feito na CPMI que investiga esse crime hediondo que tirou dinheiro dos idosos da Previdência mostra que os mais prejudicados foram os pensionistas e aposentados do Nordeste. Quase 37% dos que tiveram descontos indevidos são de lá, e tiraram um dinheirão deles.
Eu estava revendo um depoimento raríssimo, de alguém que foi à CPMI para responder a tudo que perguntaram, sem habeas corpus, e que ainda veio de Portugal para prestar depoimento: o ex-ministro da Previdência Onyx Lorenzoni. Ele usou dados do Banco Central para derrubar completamente a narrativa de que no governo Bolsonaro facilitaram a fraude. Ele mostrou que os descontos no último ano do governo Temer eram de R$ 794 milhões (atualizados pela inflação); no último ano do governo Bolsonaro, os descontos eram de R$ 706 milhões. Em janeiro de 2019, 2,778 milhões de aposentados e pensionistas tinham descontos. Quando terminou o governo Bolsonaro, eram 2,706 milhões, quer dizer, 72 mil pessoas a menos. E por que conseguiram diminuir? Porque fizeram a biometria, exatamente para evitar a desonestidade.
E, daqueles 2,706 milhões de pessoas no fim de 2022, agora são 7,491 milhões que tiveram descontos, ou seja, o número explodiu no governo Lula. Lorenzoni demonstrou isso, e demonstrou também que, em 34 anos, nunca tinha havido medidas para fiscalizar isso. A biometria e o rigor administrativo fecharam a porta do consignado. E o ex-ministro ainda disse que, mesmo com o TCU e a Controladoria Geral da União reclamando, o governo Lula só se mexeu depois que a polícia entrou na história.
* * *
COP-30 está cheia de exibicionismo e uma ironia muito triste
O Estadão mostrou que o ditador do Congo, um militar que governa desde 1997, mandou botar um tapete vermelho no corredor do hotel Vila Galé Collection, em Belém. Aliás, o hotel só ficou pronto porque o presidente de Portugal ligou para o dono da rede Vila Galé e cobriu a conclusão, porque do contrário a delegação portuguesa não teria onde ficar.
A COP-30 está cheia dessas coisas divertidas, essa história de as pessoas que vieram da Europa precisarem mostrar floresta tropical atrás delas. Achei muita graça naquela foto dos líderes, parece que as pessoas estão protegidas por um muro coberto de trepadeiras, sei lá se são de verdade ou de plástico. A floresta mesmo está atrás, ninguém consegue ver. Aí os líderes vão para aquelas reservas, para um bosque, a Ursula von der Leyen, que é a chefe da União Europeia, pegou um quati, mas é um daqueles animais em cativeiro, que estão ali para as pessoas tirarem fotos. Os turistas vão lá para olhar os bichos, mas ninguém arrisca ir à floresta.
Todos foram para bons restaurantes, mas o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o francês Emmanuel Macron não quiseram saber de peixe, disseram que não comeriam peixe de água doce. Um dos restaurantes tinha uma sobremesa bastante eloquente: um bolo de chocolate com calda de chocolate belga cobrindo tudo. No Pará, há brasileiros plantando cacau e sendo expulsos por forças federais, pelo Ibama, pelo pessoal do meio ambiente. Brasileiros pobres plantam cacau lá, mas o bolo leva chocolate belga, que coisa triste.
🚨URGENTE – COP30 coloca atores vestidos de animais rastejando pela “green zone” e causa vergonha alheia em internautas pic.twitter.com/pVj5zmQp2u
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) November 11, 2025
Paulo Briguet

Destruição causada em Rio Bonito do Iguaçu ” Paraná
Irmãos rio-bonitenses,
Eu vi — todos vimos — as imagens da sua terra: uma cena de bombardeio, uma cidade rasgada de alto a baixo, telhados arrancados, paredes fraturadas, ruas desfiguradas. No entanto, diante da visão dantesca, por algum motivo, busquei na calamidade os traços da salvação.
Foram apenas quarenta segundos, menos de um minuto sem misericórdia. A terra permaneceu, mas tudo que estava em cima foi levado. E ainda assim, vocês estão aí: com o coração ferido, mas de pé. Em pé. Levantados do chão.
Foi por isso que resolvi escrever. Diante da força de um povo que se reergue, o mínimo que se pode fazer é ficar em silêncio e, depois, escrever com o coração nas mãos.
Voltei no tempo. Lembrei-me de quando estive aí perto, na região do Cantuquiriguaçu, vinte e dois anos atrás. Fui enviado como repórter para cobrir uma pauta sobre o futuro da região — e nunca mais esqueci o lugar. Havia pobreza, sim. Mas havia acolhimento. Aquelas conversas amenas, o sotaque do interior, o cheiro de café, o velho fogão, a passarada, as histórias dos pioneiros e, sempre ao fundo, o som do rio, sabedor de tudo antes da gente.
Rio Bonito do Iguaçu. Que nome! Um nome que parece ter sido escrito para permanecer. Um nome com promessa dentro: rio, bonito, Iguaçu — palavras de água, beleza e origem. Agora o nome está ferido, mas não foi arrancado. Continua aí, como vocês: de pé. Em pé. Ressurgido dos escombros.
Na hora do tornado, a igreja estava cheia. Era noite de missa. Os fiéis rezavam, alguns em silêncio, outros cantando. O vento veio sem aviso, empurrou as paredes do templo, arrancou parte do teto — mas ninguém ali dentro se feriu. Uma graça dentro do terror. A igreja ficou ferida, mas o povo saiu vivo.
Seis pessoas morreram naquela noite. Entre elas, uma menina de 14 anos, que se preparava para receber o sacramento da Crisma. Mas talvez o que se salvou naquela igreja — mesmo com o teto rasgado — tenha sido mais do que os corpos. Salvou-se a fé, que é sempre mais forte quando trememos. A cidade ficou como a igreja: ferida, mas viva.
Enquanto escrevo estas linhas, estou numa casa firme, com paredes ao redor, teto no lugar e luz acesa. Tenho água limpa, comida no armário e silêncio no quarto ao lado. E penso em vocês — irmãos rio-bonitenses — que nesta mesma hora estão em ginásios, em casas emprestadas, em quartos improvisados, tentando entender o que restou. Só o amor ao próximo, como escreveu Santo Agostinho, pode nos tirar desse abismo entre o conforto e a calamidade. É nele que a cidade pode renascer.
E vai renascer. Não porque as autoridades prometeram, mas porque vocês já estão de pé. O nome de vocês não foi levado. O Brasil inteiro — do Paraná à fronteira invisível do Norte — está abraçando Rio Bonito do Iguaçu. Um abraço feito de ajuda, de oração, de respeito.
Rio Bonito do Iguaçu. Digo devagar, no ritmo de uma prece. Digo como quem recolhe os cacos e nomeia um por um. Digo para lembrar que nenhum vento, por mais forte que seja, consegue apagar um nome que nasceu da terra, do rio e do povo. Digo para que todos ouçam — e se lembrem.
Rio Bonito do Iguaçu. Cidade com nome de nascente, com gente que não se entrega, com fé que não cede, com as paredes feridas e a alma intacta. Que os dias vindouros tragam casa, pão e consolação. Que a saudade dos que partiram seja guardada com flores e memórias. Que o amor ao próximo — esse milagre que se faz com as mãos — seja o novo alicerce de tudo.
Eu me despeço dizendo o nome de vocês, com um novo sobrenome:
Rio Bonito do Iguaçu, Rio Bonito do Brasil.
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer a razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!…
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
* * *
Este poema de Florbela Espanca foi musicado e gravado por Fagner

Cartaz em DVD, lançado em 2000
“Diz a sinopse do filme CARMEN JONES (1954), o extraordinário musical operístico: Impulsionado pela poderosa obra musical de George Bizet e as magníficas letras de Oscar Hammerstein II, esta versão americanizada da clássica ópera Carmen de Bizet é ‘um show dinâmico e soberbo’ com uma incandescente Carmen no auge de sua exuberância musical.”
Dorothy Dandridge, indicada ao Oscar de melhor atriz, estrela do papel principal, uma ardente e sexy criatura que cativa Joe, (Harry Belafonte), um soldado atraente, que está longe de sua amada (Olga Jemes).
Após uma briga fatal com seu sargento, Joe deserta (abandona) seu regimento com sua excitante “femme fatale.”
Porém, logo Carmen se cansa dele e se une a um lutador peso pesado (Joe Adams), disparando a trágica vingança de Joe. Ajudando a colocar fogo na tela estão Pearl Bailey e Diahann Carroll, parte do “sensacional” elenco que torna esse maravilhoso musical “difícil de ser batido” (como bem resumiu o Los Angeles Times) na época do lançamento do filme.
Carmen Jones é uma ópera francesa, adaptada e traduzida musicalmente para as terras americanas, com talento e muita criatividade por gente talentosa que conhece o que faz e o faz com muita competência, catilogência, muito talento e muito amor à arte cinematográfica.
O que veio depois desse clássico musical (se é que veio alguma coisa do gênero), foram chanchadas salobras sem qualquer originalidade e não nos vem à memória nada que possa ser citado como produção de qualidade, mesmo a propalada ressurreição do gênero pelo pretensioso musical “LA LA LAND”, que a nosso ver foi um grande fiasco, como já era esperado pelos amantes dos musicais de qualidade e pela crítica de filmes desse naipe.
Esse breve intróito serve apenas para lembrar aos possíveis leitores que no passado do cinema, no ano de 1954, foi levado à telona uma obra-prima do gênero musical, uma grande ópera, traduzida e regiamente adaptada pelos expertis hollywoodianos, no que resultou em uma das maiores obras do gênero musical de todos os tempos.
Referimo-nos à famosa e popular ópera CARMEN DE BIZET. Hoje em dia chamar uma ópera de popular é quase uma falácia, mas creiamos mesmo que a ópera Carmen sempre foi a mais encenada, principalmente nos países latinos ou europeus de língua de origem latina.
Os produtores entregaram ao muito competente diretor Otto Preminger, outrora à frente da direção de Laura (1944), Anatomia de Um Crime (1959), Exodus (1960), O Homem do Braço de Outro (1955), a direção do filme e o resultado ficou acima de todas as expectativas. O diretor, com muita criatividade, exigiu um elenco totalmente de atores negros, pois nem mesmo nas cenas externas de rua das cidades em que foram filmadas, encontra-se uma única pessoa de cor branca. É um mundo black em todos os sentidos, e esse mundo é explorado com precisão em todas as cenas, com o comportamento dos personagens, suas reações, suas falas características, com sotaques “nigger”.
As árias, belamente adaptadas, são cantadas também com sotaques dos “niggers”, como por exemplo, quando Carmen na primeira ária, a famosa “Habanera”, ela canta num inglês crioulo, com gesticulação, sotaque e palavras adaptadas para o regionalismo criado. A ária “Habenera” da ópera é então cantada como “DAT’S LOVE’, exibindo um regionalismo local muito enraizado. Isso acontece em todo o filme, porém com grande qualidade, cujo resultado é acima do esperado.
A atriz principal, Dorothy Dandrige, é um achado, ninguém melhor do que ela seria capaz de interpretar esse papel com tanta criatividade, beleza, sensualidade e um carisma impressionante. Ficou famosa mundialmente e depois desse estrondoso sucesso viajou pelo mundo, se exibindo como cantora, inclusive algumas vezes no Brasil para a exibição de sua arte. Ela foi a primeira atriz negra a ser candidata ao prêmio Oscar como atriz principal.
Acontece que no filme quem dubla a cantora Marilyn Hornen, que a dubla em todas as canções, isto porque a atriz Dorothy Dandrige tem uma voz muito pequena e não poderia dar conta do recado completamente.
O elenco é de astros de grande qualidade, principiando com o trabalho notável do cantor Harry Belafonte que se sai muitíssimo bem em todas as cenas dramáticas exigidas pelo papel.
Uma das principais personagens é interpretada pela ótima cantora Pearl Bailey que usa sua própria voz em algumas oportunidades com excelente resultado.
O ator que faz o papel do boxeador famoso (na ópera, um toureiro), Leverne Hutcherson, tem a sua grande oportunidade ao interpretar a ária (toureador) que no filme foi adaptada com grande criatividade e bela interpretação dublada por um Baixo, e nos dá uma magnífica personificação de um pugilista famoso e interpreta magnificamente a famosa ária que foi intitulada “Stand up and fight”, é um dos pontos altos do filme.
O quinteto operístico também está presente, numa bela composição intitulada “Chicago Train”, muito bem cantada a cinco vozes com precisão notável.
Enfim, todas as fases da ópera foram adaptadas belamente com resultados acima do esperado e quando termina o filme, ficamos deslumbrados com tamanha criatividade artística.
Há que se citar também a presença e voz da cantora Diahann Carrol num papel secundário, mas com uma presença de tela bastante agradável.
CARMEN JONES é um filme musical operístico único. Uma bela obra de arte cinematográfica. Assisti-lo cinqüenta vezes, se necessário for, é um presente para o lado bom gosto do cérebro, que não se cansa de sentir o que é belo.
Carmen Jones (trailer)
Carmen Jones (1955): “Beat Out dat Rhythm on a Drum” – Pearl Bailey – Full Song/ Dance – Musicals