MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PATINANDO NO GELO

O Brasil vive uma espécie de ciclo interminável de notícias repetitivas que – com toda franqueza – já encheu meu saco, tirou minha paciência e mudou meu humor, faz tempo. Hoje, dificilmente se discute outra coisa que não seja em torno dos mesmos temas: juros altos, inflação descontrolada, decisões polêmicas do STF e escândalos de corrupção. Não importa o governo, o partido ou o momento econômico, o roteiro parece sempre o mesmo. Deixei de ver TV aberta já faz um bom tempo, mas quando a gente abre qualquer site de notícias e lá estão eles: os analistas econômicos discutindo a taxa Selic, os economistas prevendo mais um aumento na inflação, os ministros do Supremo Tribunal Federal protagonizando manchetes, e, claro, mais um caso de corrupção sendo descoberto.

Essa repetição tem um efeito psicológico forte na população. Muitos brasileiros já nem prestam mais atenção nos detalhes das notícias. Outros, como eu, já jogaram a toalha por não ter a menor crença numa mudança de curto ou médio prazo. Atualmente, quando se menciona “inflação” ou “juros” já desperta um cansaço automático. O desinteresse cresce, a apatia se instala. Parece que o Brasil está preso em uma espécie de looping político-econômico do qual não consegue sair.

O problema da inflação, por exemplo, é uma constante há décadas. Seja nos anos 80 com a hiperinflação, nos anos 90 com os choques de planos econômicos ou agora, com a preocupação constante de que o poder de compra do brasileiro se reduz mês após mês. O preço do café cresceu mais de 100% num período de um ano. Outros alimentos também tiveram aumentos de preços de forma absurda. A quantidade de empresas que estão em Regime Judicial cresceu mais de 60% entre 2023 e 2024 e o IBJE divulga uma taxa de crescimento fantástica. A inflação dos últimos 12 meses, está fora da meta – e não é por décimos, não! – mas, ainda assim, o Brasil tende a crescer em 2025.

Tudo de esquisito que a gente vê é culpa da política de juros do Banco Central, quando, na verdade, é o descontrole absurdo das contas públicas que geram insegurança. Mas, ninguém assume que o governo procura compensar suas bobagens fazendo outras, em todos os campos. A polêmica do IOF, por exemplo, foi mais uma trapalhada de um governo sem rumo, sem freio e sem noção. Para recuperar alguma coisa da proposta, o presidente liberou R$ 500 milhões em emendas parlamentares e eu fico, novamente, sem entender: não tem dinheiro para sustentar as IFES, mas tem dinheiro para emenda parlamentar. Só faz isso para que os deputados aprovem suas barbeiragens.

A questão dos juros altos é outro capítulo repetitivo. Todo mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia sua decisão. Essa semana chegamos a uma taxa de 15% ao ano, a segunda maior taxa de juros no mundo. O efeito do aumento na taxa de juros é redução do crédito. Quando cai, a inflação ameaça voltar. É um eterno pêndulo. E no meio dessa oscilação, o consumidor paga a conta. O acesso ao crédito fica difícil, os investimentos diminuem e a economia patina.

No campo político, o Supremo Tribunal Federal tornou-se quase um personagem de reality show. Decisões monocráticas, disputas internas, embates com o Congresso e vista grossa para o Executivo. Tudo isso alimenta a polarização política e a sensação de que as instituições estão mais preocupadas com disputas de poder do que com o bem-estar do cidadão comum.

E como se não bastasse, sempre há um novo escândalo de corrupção. Quando a gente pensa o que houve no INSS – até o momento ninguém preso – somos levados à pensar que tudo aquilo é novo. Os amigos já protegidos pela lei, os demais são perseguidos. Todo dia, surge uma nova operação, um novo esquema, um novo nome de político envolvido em desvios. A cada denúncia, a indignação dura algumas horas nas redes sociais, mas logo tudo volta ao ciclo habitual. O brasileiro se tornou espectador cansado de um teatro mal encenado e previsível.

A monotonia é tanta que mesmo os comentaristas especializados já parecem repetir os mesmos discursos de anos atrás. As soluções sugeridas também são sempre as mesmas: reformas que nunca chegam, cortes de gastos que nunca acontecem, promessas de estabilidade que nunca se concretizam.

Esse ciclo de notícias não apenas entedia, mas mina a esperança. Muitos sonham em deixar o país. Quem fica deve se acostumar com pouca expectativa de mudança real. A sensação é de estar preso em uma narrativa que nunca avança para um novo capítulo.

Enquanto isso, os problemas estruturais — como educação precária, saúde pública ineficiente e insegurança — continuam sendo pano de fundo, quase invisíveis diante da avalanche de manchetes econômicas e políticas. O Brasil, com sua rica diversidade cultural e seu potencial gigantesco, acaba reduzido a um país de manchetes previsíveis e crises recorrentes.

A monotonia nacional não é apenas uma questão de falta de novidades. É um sintoma profundo de um sistema que parece incapaz de se reinventar. E enquanto não houver uma ruptura real com esse ciclo, o brasileiro continuará preso nessa rotina cansativa de juros, inflação, STF e corrupção.

DEU NO JORNAL

AVUAMENTO BILIONÁRIO

O Portal da Transparência enfim atualizou o total de gastos do governo Lula (PT) com viagens, este ano: até o dia 13 de junho, o total bancado pelo pagador de impostos saltou para R$ 604,7 milhões.

A conta não inclui a fortuna gasta pelo presidente, Janja e outras autoridades autorizadas a usarem jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), como presidentes dos Poderes e ministros do Supremo Tribunal Federal.

Na era da reunião virtual, o pagador de impostos brasileiro bancou R$ 368,6 milhões em diárias e R$ 232,7 milhões em passagens.

Quase R$ 92 milhões já foram destinados este ano para a bancar viagens internacionais no governo Lula.

Lula bateu recorde histórico em gastos com viagens nos dois primeiros anos do governo: R$ 2,36 bilhões em 2024 e R$ 2,28 bilhões em 2023.

* * *

E estamos apenas na metade do ano.

Preparem o bolso, senhores pagadores de impostos banânicos:

Vocês vão bancar com seu suado dinheirinho mais viagens e avuamentos do amostrado casal daqui até chegar dezembro.

A esbanjanjação vai ser histórica!!!

POLÍTICA - "Povofobia": Lula e Janja se tratam em avião e a dose vai aumentar / Jornal GV News - A notícia sem fronteiras

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O VAQUEIRO, O BERRANTE E O BOI

A chamada pelo berrante

A chuva fina que caíra por boa parte da noite, mesmo que neblina, dizia com odes poéticos, o que seria o amanhecer do dia seguinte. Vaqueiros, e talvez a boiada, conheciam bem o que aquela chuva significava.

A cena é rotineira onde se cria vacas e bois em rebanho. Quem viu por viver, sabe disso.

Pois, a madrugada chegou, trazendo aquele clima do conviver entre o homem e o boi que, inocente e desavisado, caminha para o abate – alguns bem que tentam fugir para o brejo. Mas, a sina será cumprida e, no outro dia acontece a transformação em costelas, alcatras, chambaris, rabadas, maminhas e filés – isso sem contar os pés , o bucho e as tripas que viram paneladas e mocotós, de acordo com cada região.

A claridade do dia, parecendo que fora combinado, aciona o berrante. Soprado com maestria mais que força, os bois que ainda dormitam se juntam numa manada a caminho do abate. Vã inocência.

O berrante chamou e juntou vaqueiros e bois

Assim como o ser humano, o animal, também tem o seu “anjo da guarda”. Bobagem pensar que Deus esquece os seres vivos da Terra. Pois é verdade que, vez por outra, através do que denominamos “percepção” – e, no caso de algumas espécies, o “faro e a audição” mais apuradas. É comum, algum boi – ou novilha – ser “avisado que está a caminho do abate, e não para o brejo, onde amainaria o calor matinal. E consegue fugir, tão logo escuta o ajuntador som do berrante. Embrenha-se mato à dentro, sem perceber que é um ato que nunca dá bom resultado.

O Vaqueiro vai atrás. Gibão de couro (do que outrora foi boi ou vaca), chapéu do mesmo material e um cavalo baio acostumado a correr entre espinhos, garranchos até que a presa desgarrada seja alcançada – laçada, para melhor definir.

Novilha em fuga sendo alcançada

Silêncio quebrado por um novo som do berrante. Na linguagem dos vaqueiros, a senha e o sinal denuncia a volta da novilha ao rebanho. Como sempre, vence o Vaqueiro, que contou com a ajuda do cão vira-latas acostumado a prestar aquele adjitoro nas fazendas.

O laço do Vaqueiro sinaliza o domínio – tanto quanto, o boné, o chapéu, a camisa com a propaganda, ou, um prato de comida significa o voto de quem nunca se alfabetiza e continua fazendo a assepsia com o sabugo.

Por meses, dias e horas o eleitor ouve também o som enganador do berrante – e desse som, poucos conseguem se livrar. Mesmo com montariua diferente, o “candidato” laça. Laça, soma ao rebanho e conduz ao abate.

Novilha alcançada e laçada

OBSERVAÇÃO: Tentei produzir uma parábola e me penitencio por não ter conseguido. A intenção era mostrar (ou tentar mostrar) o domínio que um Vaqueiro tem sobre o seu rebanho, que ao ouvir o som estridente, se reúne em manadas e caminha para o abate, em silêncio e cabisbaixo sem nunca reagir.

Provavelmente por falta de conhecimento (rotulado como analfabetismo), alguns bezerros e novilhas tentam fugir. Em vão. O Vaqueiro sempre conseguirá alcança-lo e o enfiará em meio a manada grande – virará picanha, chambaril ou alcatra.

Haverá necessidade de muito derramamento de sangue (sugestão e vaticínio de João Baptista de Oliveira Figueiredo) entre os garranchos e espinhos da mata seca da caatinga para que, um dia, a novilha ou o bezerro consigam fugir.

DEU NO X

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

MEU SÃO JOÃO DE ANTIGAMENTE

Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Mote do Poeta Natan

No meu tempo de menino
Assim que junho chegava
O meu rádio só tocava
Som do Trio Nordestino.
Com trajes de Virgolino
A quadrilha era envolvente
Fazendo com que a gente
Percorresse a redondeza.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Bandinha do Genivaldo
Solava Jorge de Altinho
Eu, com o dinheiro curtinho,
Bebia Pitú com caldo.
Não tinha conta, nem saldo
Mas dançava sorridente
Que o rádio de Zé Vicente
Tocava “Dona Tereza”.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

“Pitiguari”, “Chililique”,
“Na Emenda”, “Rio Una”,
(Dancei ouvindo a “riúna”)
“Severina Xique-xique”.
Zabumbeiro no repique
Fazia o forró mais quente
E o sanfoneiro na frente
Foleava com destreza.
Tinha muito mais beleza
Meu São João de antigamente.

Fotos das décadas de 70 e 80 das festas de São João no Clube Altinense.
Gentilmente cedidas pelo professor e historiador Antônio Airton.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Divaldo Franco

Divaldo Pereira Franco nasceu em 5/5/1927, em Feira de Santana, BA. Médium, professor, escritor, orador e filantropo destacado na História do Brasil. Ao lado de Chico Xavier, é considerado um dos maiores divulgadores da doutrina espírita. Criou a “Mansão do Caminho”, que atende milhares de necessitados e abriga centenas de desvalidos numa “cidade” de 83 mil metros², com 44 edificações, numa área verde de Salvador.

Filho de Ana Alves Franco e Francisco Pereira Franco, teve os primeiros estudos em sua cidade natal e foi diplomado professor do curso primário na Escola Normal Rural, em 1943. Seus contatos com o mundo espiritual iniciaram na infância, aos 4 anos. Ainda jovem, sofreu um abalo com a morte de seu irmão mais velho, deixando-o traumatizado e doente. Foi conduzido a diversos médicos, sem lograr qualquer resultado satisfatório. Em seguida, uma amiga de sua mãe levou-o a um Centro Espírita, onde foi diagnosticado tornando-o livre do trauma. A partir daí passou a se dedicar ao estudo do Espiritismo e foi aprimorando suas faculdades mediúnicas.

Necessitando trabalhar, mudou-se para Salvador em 1945, aos 18 anos, e ingressou no IPASE (atual INSS) como escriturário, pois era um bom datilógrafo. Desde jovem apresentou diversas faculdades mediúnicas, de efeitos físicos e intelectuais, com destaque para a psicografia, com centenas de livros publicados; e oratória, com milhares de palestras proferidas em todo o mundo. Aos 20 anos (em 1947), fundou o Centro Espírita “Caminho da Redenção”. 5 anos depois, junto com o amigo Nilson de Souza Pereira, ampliou o escopo do Centro, transformando-o numa instituição denominada “Mansão do Caminho”, que veio a ser tornar uma “cidade” dentro de Salvador. Além das obras assistenciais, mantêm um complexo educacional para 3 mil crianças e jovens, muitos dos quais registrados como seus filhos.

A partir daí começou a proferir palestras difundindo a Doutrina Espírita, apresentando uma histórica e recordista trajetória de orador no Brasil e no exterior, atraindo multidões, com sua palavra inspirada, esclarecedora e didática, sobre diferentes temas acerca dos problemas humanos e espirituais. Durante longo tempo, viajou em média 230 dias por ano, realizando palestras e seminários no Brasil e no mundo. Recebeu, também, dos benfeitores espirituais, diversas mensagens escritas e pouco depois recebeu a mensagem para que fosse queimado tudo que escrevera até ali, pois não passavam de simples exercício.

Em seguida, vieram novas mensagens assinadas por diversos espíritos, dente eles Joana de Ângelis, aguardando um momento oportuno para se fazer conhecida como sua orientadora espiritual. Em 1964, selecionou várias das mensagens de sua autoria e enfeixou-as num livro: Messe de Amor. Foi o primeiro livro que o médium publicou. Logo em seguida, o poeta indiano Rabindranath Tagore ditou Filigranas de Luz. Vários outros vieram, num total de 240 títulos em 4,5 milhões de exemplares traduzidos em 15 idiomas. Devido a sua condição de grande pregador, foi alcunhado “Paulo de Tarso do Espiritismo”.

Como orador, é conhecido pela capacidade de envolver a platéia e pelo número de palestras em todo o mundo. Num levantamento pelos seus biógrafos, consta o seguinte: no Brasil esteve em mais mil cidades, com cerca de 8 mil palestras e 970 entrevistas; nas Américas, em 18 países e 119 cidades, com mil palestras e 180 entrevistas; na Europa, em mais de 20 países, com 500 palestras e 50 entrevistas; na África, em 5 países e 25 cidades, com 150 palestras e mais de 12 entrevistas; na Ásia, em 5 países, com 12 palestras.

Faleceu em 13/5/2025 e recebeu inúmeras homenagens no Brasil e no exterior: mais de 80 títulos de cidadania honorária conferidos por Estados e Municipios do Brasil; 590 homenagens de entidades da sociedade civil (148 do exterior e 442 do Brasil); Doutor Honoris Causa em diversas universidades; Ordem do Mérito Militar; Embaixador da Paz no Mundo, concedido pela Embassade Universalle Pour la Paix entre outros. Faleceu em 13/5/2015, aos 98 anos e deixou alguns livros biográficos ou de análise de sua obra: Divaldo, médium ou gênio? (1976), por Fernando Pinto; Moldando o Terceiro Milênio: Vida e obra de Divaldo Pereira Franco (1977), por Fernando Worm; Viagens e entrevistas: Divaldo Franco (1978), por Yvon de Araujo Luz.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

NOTAS JUNINAS

1. Sempre é bom relembrar uma citação famosa, em tempos de crise planetária: “O modo de ser do novo intelectual não pode mais consistir na eloquência, motor exterior e momentâneo dos afetos e das paixões, mas num imiscuir-se ativamente na vida prática, como construtor, organizador, persuasor permanente; da técnica-trabalho, eleva-se à técnica-ciência e à concepção humanista histórica, sem a qual se permanece ‘especialista’ e não se chega a ‘dirigente’, especialista mais político.” Autoria de um pensador sempre relembrado: Antônio Gramsci.

2. Reli, outro dia, o Bê-a-Bá de Pernambuco, do poeta Mauro Mota, repleto de significativos apontamentos. Quem é que sabe, por exemplo, que Pernambuco vem de Paranã-puka, denominação dada pelos caetés à abertura feita pelas águas nos arrecifes do nosso porto natural? Quem é que sabe que Jerônimo de Albuquerque carregava o apelido de Adão Pernambucano, tamanho era o número de amantes e filhos? No Bê-a-Bá de Pernambuco constatamos o uso de palavras africanas. Muitos nem imaginam que bunda é uma palavra africana. Como inúmeras outras do nosso cotidiano: banana, angu, samba, mucambo, garapa, cabaço, fuzuê, mulungu, angu, bugiganga e carimbo. Além de moleque, mulungu, caçula, cafuné e cambada. Releitura que me deixou mais saudoso do inesquecível poeta, ex-diretor do então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, uma instituição que foi uma universidade para a minha formação profissional.

3. O instante político brasileiro está sempre muito propício para quadros técnicos politizados, dotados de sementeiras noções acerca do social, para ampliar a eficácia das políticas públicas dos diferenciados setores, respeitadas as peculiaridades regionais e sub-regionais, urbanas e rurais. Entretanto, cientistas políticos consequentes estão advertindo: o excesso de participação aparentemente efetiva, apenas para inglês ver, pode ter como efeito o descrédito de muitos e o aumento da abstenção eleitoral.

4. Muitos estão cientes de que “em casa onde não há pão, todos gritam e ninguém tem razão.” Quando os níveis de desemprego se agigantam no mundo e os “bicos” tornam-se mais escassos, os roncos estomacais se avolumam, incomodando famintos e saciados, os últimos ainda desatentos para a lição histórica: “quem semeia ventos colhe tempestades.” E as tempestades são más conselheiras, atraem patas e chibatas, messianismos autoritários e autoritarismos belicistas, independentemente de classes sociais. O “maldito” Wilhelm Reich, em 1942, já repetia incessantemente: “A psicologia marxista, desconhecendo a psicologia de massas, opôs o burguês ao proletário. Isso é psicologicamente errado. A estrutura do poder não se limita aos capitalistas, atinge igualmente os trabalhadores de todas as profissões. Há capitalistas liberais e trabalhadores reacionários. O caráter não conhece distinções de classe.”

5. Outro dia, me deparei com um testemunho pra lá de inacreditável. Um jovem intelectualmente apetrechado, atlético nos seus vinte e oito anos, declarava que passava inúmeras vezes por medíocre para evitar a rejeição dos derredores. A superdotação destruída pela caretice ambiental dos bundões que arrotam prepotência, confundindo sexualidade com enfiações ensandecidas assentadas em visões eletrônica incapazes de ampliar seu indisfarçável QI de primata. Somos um país naturalmente vocacionado para uma irreversível liderança continental. E pouco a pouco vamos percebendo, todos os mais responsáveis, que os oportunismos populistas não beneficiam ninguém. Nem faraós nem tupiniquins. A nação brasileira fascinará o mundo inteiro, estou convencido. Um dia, breve não muito ainda, a maturidade da convivialidade nacional chegará. Aí, todos perceberão que somente sobreviverão se agirem como se fossem brasileiros consequentes, cada um dominando plenamente a cartilha dos seus direitos e dos seus deveres. Quem sobreviver, vivenciará.

DEU NO JORNAL

GASTAR E TAXAR, UMA PRÁTICA NOCIVA

Editorial Gazeta do Povo

lula haddad impostos

A dimensão do caos que se abateu sobre a política tributária nos últimos meses tem poucos precedentes na história brasileira. Deixando claro que o objetivo do governo é aumentar a arrecadação de tributos em proporções elevadas, o governo federal lançou um conjunto de medidas de forma improvisada, sem debate, sem aviso e de forma tão atabalhoada que mais parecia um bando de amadores tratando de assuntos que não entendem e sem qualquer preocupação com as graves consequências sobre a economia nacional e a vida da população.

Usando da cultura esquerdista de crítica e rejeição ao sistema financeiro e à prática de poupança e investimentos em ativos financeiros, inculcada na população especialmente por governos populistas e partidos de esquerda, o governo federal anunciou várias medidas aumentando tributos, principalmente sobre os investimentos financeiros, como se estes fossem descolados da produção real de bens e serviços, do emprego, da renda e do padrão de bem-estar social médio da população.

O estopim da confusão nasceu com a tentativa inicial de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de investimentos e movimento de capitais no exterior. A falta de lógica econômica e o pesado gravame sobre operações de pessoas físicas e pessoas jurídicas alcançadas pelo aumento do IOF fizeram as medidas serem rechaçadas pelos agentes de mercado, sobretudo pelas empresas e pessoas que fazem negócios com o exterior. Após as reações e a indignação de boa parte do Congresso Nacional, o pacote foi apenas parcialmente revogado, mas o governo federal e o Ministério da Fazenda resolveram não parar por aí em sua sanha arrecadatória e novas medidas para aumentar impostos foram anunciadas.

Sem dar indicação de que pretende revisar seu orçamento e fazer avaliação dos gastos públicos a fim de conseguir opções para redução de gastos, o governo ignora a busca de melhoria na eficiência administrativa e na gestão dos programas públicos. O governo Lula conhece apenas uma via: atormentar a sociedade, prejudicar os negócios e inibir o espírito empreendedor por meio de aumento de tributos, mesmo sabendo que todos os ônus recairão sobre os ombros da população, principalmente das classes mais sofridas. Sempre é útil lembrar que o governo Lula subiu ou criou impostos 24 vezes desde 2023 – uma a cada 37 dias.

O regime político que tomou conta do Brasil, sob a liderança do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, vem aplicando as ideias do comunista Antonio Gramsci (1891-1937), principalmente a estratégia para esvaziar o sistema capitalista e dominar a sociedade baseada na tomada da propriedade privada não pelo confisco violento, mas pela tributação progressiva. Como bons seguidores das ideias de Gramsci, Lula e seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, odeiam examinar qualquer proposta para reduzir o tamanho do Estado e melhorar a gestão pública. Pelo contrário, a tática é tentar convencer a sociedade que o progresso do país e a melhoria do bem-estar social dependem de mais governo, mais tributos e um Estado grande, estratégia que comprovadamente vive de fracasso em fracasso.

Sobre as medidas anunciadas pelo governo, o ministro da Fazenda veio com um discurso que não convenceu, dizendo que o objetivo é manter o equilíbrio fiscal e encontrar fontes de arrecadação estáveis para substituir a parte do aumento do IOF que foi abandonada. Na sequência, o ministro anunciou um novo pacote de medidas, sendo as principais a cobrança de 5% de Imposto de Renda sobre títulos financeiros atualmente com isenção fiscal, como é o caso das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), debêntures incentivadas, Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro).

O ministro Haddad declarou que o aumento de impostos sobre tais aplicações financeiras destina-se a fazer correção de distorções no sistema de crédito e ser uma forma de equilibrar as contas públicas. É uma afirmação solta e sem prova. Na prática, as medidas vão encarecer o crédito, principalmente para os setores que usam os instrumentos financeiros taxados para captar recursos destinados a suas atividades produtivas. O governo está operando no modo “gastar e taxar”, sem dar importância se as aplicações financeiras oneradas com mais impostos são destinadas a viabilizar investimentos essenciais para os setores afetados e se os efeitos inibidores provocarão retração na economia – ou seja, PIB menor, menos empregos, queda de renda e mais pobreza.

No pacote do governo constam outras medidas como: unificação em 17,5% da alíquota de imposto sobre aplicações de renda fixa, independentemente do prazo de vencimento, em substituição às atuais alíquotas entre 15% e 22,5%; elevação de 15% para 20% do imposto sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) pagos pelas empresas como mecanismo utilizado por pessoas jurídicas, especialmente bancos, para remunerar acionistas; elevação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras, caso das fintechs, cuja alíquota reduzida sobe de 9% para 15%. Se aprovadas, essas medidas têm de obedecer ao princípio da anualidade e só poderiam entrar em vigor em 2026.

Um dos defeitos dessas medidas é que elas não estão incluídas em qualquer reforma tributária estruturada, mas são apenas casuísmos nocivos à economia, baixados por um governo que só pensar em gastar e taxar, pouco importando os impactos sobre o produto nacional e a renda da população. Ademais, sempre que faz uma reforma tributária, o governo aumenta a carga de tributos, e mais uma vez é isso que vai acontecer com a reforma aprovada no Congresso Nacional em seus princípios, pois a definição das alíquotas dos novos tributos foi deixada para aprovação via lei complementar.

Muitos são os exemplos na história mundial mostrando que o governo é eficiente para empobrecer os ricos sem ser eficiente na arte de enriquecer os pobres. Entre outras razões, quanto mais dinheiro retira das empresas e da população por meio de tributação, mais o governo incha a máquina estatal, mais dinheiro dá para castas de funcionários públicos nos três poderes e mais desperdiça, contribuindo assim para piorar a concentração de renda. E, como se sabe, a economia é uma máquina que, se for contaminada por excesso de impostos, emperra, produz mal, tem baixa produtividade e baixo crescimento.

Esses pacotes tributários improvisados e baixados sem debate servem somente para saciar a fome de dinheiro do governo e agora, como ocorre no Brasil de Lula e Fernando Haddad, não é diferente. Entre os setores gravemente afetados pelas medidas tributárias estão a construção civil, o agronegócio, o setor financeiro e todas as pessoas que poupam e aplicam seus recursos para emergências ou aposentadoria. Se o setor estatal como um todo, incluindo as empresas estatais, não for parado em sua sanha de gastar sem controle, o Brasil não deixará a sina de ser um país rico de recursos naturais e pobre de produção e padrão médio de vida.