DEU NO JORNAL

COM A PRÓPRIA BIOGRAFIA, LULA NÃO ESTÁ EM POSIÇÃO DE DAR CONSELHOS AO MINISTRO

José Fucs

Com o tombo em sua popularidade e o salto em sua rejeição e na desaprovação do governo, o presidente Lula está vivendo o seu “inferno astral”. Embora esteja recorrendo a todo o seu repertório de medidas populistas, na expectativa de receber a gratidão eterna dos beneficiados, não há meios de ele melhorar na avaliação popular.

Talvez, em nenhum outro momento desde que Lula venceu sua primeira eleição presidencial, em 2002, o cenário tenha sido tão desfavorável a ele nas urnas – ou a seus prepostos, como a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad – quanto agora.

A coisa está tão feia que Lula já andou dizendo que ainda não sabe se será candidato no pleito de outubro, para “não comprometer sua trajetória vitoriosa”, nas palavras de seus aliados, com uma derrota humilhante para algum de seus adversários.

Mesmo assim, Lula ainda se acha na posição de dar conselhos políticos, como fez na semana passada com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a quem chamou de “companheiro”, rebaixando o magistrado à condição de correligionário de sindicato ou de partido. Fora isso, ainda sugeriu a Xandão que se declare impedido de julgar o caso do Banco Master, com a clara intenção de se descolar do escândalo, que vem arranhando sua imagem e afetando seu desempenho nas pesquisas eleitorais.

“Eu disse ao companheiro Alexandre de Moraes – e vou dizer para vocês exatamente o que disse para ele: ‘É o seguinte, você tem uma biografia histórica desse país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do [Daniel] Vorcaro [controlador do Master] jogue fora a sua biografia’”, disse Lula, em entrevista ao portal ICL.

“Se a sua mulher estava advogando, diga: ‘A minha mulher estava advogando, minha mulher não tem de pedir licença para mim. Eu só prometo que, aqui na suprema corte, eu me sentirei impedido de votar qualquer coisa’”, acrescentou.

Em vez de cuidar da biografia de Moraes, porém, Lula deveria se preocupar com a sua própria. Não aquelas produzidas por sua claque, em livro, em filme ou em desfile de carnaval na Marquês de Sapucaí, nas quais costuma aparecer como “herói” do povo brasileiro – versões que só mostram o lado “dourado” de sua trajetória política e deixam de lado os seus podres. Mas com a sua real biografia, a “não autorizada”, que será produzida por autores que não lhe rendem vassalagem e que vão mostrar o seu “lado escuro” que sua turma e ele próprio tentam apagar da história.

Embora às vezes possa parecer o contrário, a memória da corrupção petista, que marca seus governos e na qual ele parece estar envolvido, de um jeito ou de outro, continua viva na memória da população. E os escândalos do Banco Master e das fraudes do INSS – cujas investigações apontam o envolvimento de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e de seu irmão José Ferreira da Silva, o Frei Chico – estão aí para nos lembrar todos os dias da bandalha que prospera nos governos petistas.

Ainda que o jornalista William Bonner tenha dito a Lula, durante entrevista à TV Globo na campanha de 2022, que ele “não deve nada à Justiça”, a realidade dos autos é outra. Ninguém até hoje refutou as provas que o levaram à prisão em 2018, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Suas sentenças foram referendadas por três instâncias da Justiça, antes de serem anuladas por questões processuais – e não por mérito – pelo STF.

Na verdade, é preciso dizer, a volta de Lula ao Palácio do Planalto se deveu muito mais ao frentão montado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu grupo político, em nome de uma alegada “defesa da democracia”, do que a um apoio incondicional a ele e à embolorada agenda petista, resgatada no atual governo. A população sabe bem “o que ele fez no verão passado”, como se diz por aí.

O petrolão (propinoduto em escala industrial que prosperou na Petrobras a partir de seu segundo mandato) e o mensalão (compra de apoio no Congresso ocorrida em sua primeira gestão) levaram a corrupção no país a um novo patamar.

A compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), que deixou um rombo bilionário para a Petrobras, e o projeto megalomaníaco da refinaria Abreu e Lima, desenvolvido em parceria com a PDVSA, a estatal petrolífera da Venezuela, em meio a acusações de corrupção, já seriam suficientes para manchar a reputação de qualquer um – mas tem mais, muito mais.

Também não dá para deixar de fora da lista a tentativa de sua nomeação como ministro da Casa Civil pela então presidente Dilma Rousseff, em 2016, para que ele ganhasse foro privilegiado e fosse blindado da ordem de prisão iminente. Foi quando vazou o famoso áudio da conversa telefônica de Dilma com Lula, na qual ela diz que o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, o “Bessias”, recém-indicado pelo presidente para o Supremo, iria lhe levar o “termo de posse” para ele assinar e ser usado “em caso de necessidade”.

Não se pode esquecer, ainda, da tentativa de expulsão do jornalista americano Larry Rohter, do The New York Times, em 2004, autor de uma reportagem intitulada “Hábitos etílicos de Lula tornam-se preocupação nacional”, que deixou Lula furioso. Nem do caso da Gamecorp, em que a extinta Telemar (atual Oi) fez um aporte milionário na empresa de Lulinha.

Tampouco se pode passar ao largo da relação íntima que ele manteve com Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo, que se aproveitou de sua proximidade com Lula para realizar tráfico de influência e obter vantagens pessoais, quando dona Marisa ainda era viva e estava casada com Lula.

Por fim, para completar com “chave de ouro” sua biografia “não autorizada”, não dá para ignorar sua ligação com ditadores “amigos”, como o cubano Fidel Castro (1926-2016) e seu sucessor; o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e seu antecessor Hugo Chávez, morto em 2013; e o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega. O mesmo se pode dizer em relação à sua aproximação com o regime tirânico dos aiatolás do Irã e com grupos terroristas islâmicos como o Hamas e o Hezbollah.

Esses são apenas alguns episódios que deveriam fazer parte de qualquer roteiro sobre sua vida. Provavelmente, há muitos outros, como seu voto contrário à Constituição Cidadã de 1988, quando era deputado constituinte, e sua atuação decisiva para que o PT votasse contra o Plano Real, que acabou com a hiperinflação no país, em 1994, e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2000. Mas não farão muita diferença no conjunto da obra.

Com uma biografia dessas, recheada de manchas excluídas das versões que retratam de forma dócil sua trajetória, é muita pretensão de Lula acreditar que tem autoridade para dar conselhos a Xandão sobre como cuidar da própria imagem.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

CRIMINOSOS APURANDO CRIMES

Presidida pelo PT, a CPI do Crime Organizado não tinha mesmo muita margem para dar certo.

Sem prorrogação autorizada por Davi Alcolumbre (União-AP), o colegiado deixou 110 requerimentos pendentes.

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Se era presidida pelo PT, uma CPI para apurar o “Crime Organizado” jamais poderia dar certo.

O resultado final seria uma confissão.

ALEXANDRE GARCIA

AINDA QUE VISTO DE RAMAGEM TENHA VENCIDO, HÁ O PEDIDO DE ASILO POLÍTICO

Alexandre Ramagem foi preso após cometer uma infração de trânsito.

Alexandre Ramagem foi detido após cometer uma infração de trânsito nos EUA

Alexandre Ramagem está nos Estados Unidos, à disposição das autoridades de imigração. Embora estivesse condenado a 16 anos aqui, ele estava com passaporte válido, tinha visto de turista, e foi para os EUA. Podia ficar lá por 180 dias, e nesse ínterim pediu asilo político; afinal, ele é obviamente um perseguido político aqui. As autoridades de lá alegam que o prazo de permanência venceu, mas há essa pendência relativa ao asilo no Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

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STF impediu Bolsonaro de nomear Ramagem para a PF, mas era tudo fofoca. E agora?

Ramagem era deputado federal e, antes disso, foi chefe da Agência Brasileira de Inteligência – foi a Abin que alertou o Palácio do Planalto várias vezes sobre a possibilidade de quebra-quebra na Praça dos Três Poderes. Antes disso, Jair Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor da Polícia Federal, mas foi impedido por um ministro do Supremo. Ou seja, um membro de outro poder impediu uma decisão administrativa do Poder Executivo, passando por cima do artigo 2.º da Constituição, que diz que os poderes são independentes.

Alexandre de Moraes achou que Bolsonaro queria ter influência sobre a Polícia Federal, por causa de toda aquela fofoca sobre Marielle Franco. Aquilo chegou ao Supremo como se fosse verdade, e o Supremo acreditou em fofoca. Agora está provado que não houve nada disso. Moraes mandou investigar, a Polícia Federal investigou, terminou o inquérito, entregou a Moraes: não houve nenhuma influência de Bolsonaro na PF. Moraes mandou refazer, com outro delegado. Ele investigou e chegou ao mesmo resultado: Bolsonaro não interferiu na PF. Agora Moraes, sem saber o que fazer, mandou tudo para o procurador-geral da República. Tudo isso, a proibição de que Ramagem fosse nomeado, por nada. E agora? E todo o prejuízo a Ramagem, à sua família, quem será responsabilizado? Alguém será responsabilizado por isso?

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É vergonhoso para uma corte superior ter um ministro investigado por crime sexual

O ministro do STF Nunes Marques abriu inquérito contra o ministro do STJ Marco Buzzi, denunciado por importunação sexual em Balneário Camboriú, por uma moça de 18 anos – depois apareceram denúncias semelhantes dentro do STJ. Buzzi está afastado temporariamente, mas o tribunal está pensando em afastá-lo definitivamente. Ainda assim, ele recebe mais de R$ 40 mil por mês, fora os penduricalhos.

Um investigado por crime sexual ocupando um cargo desses… Não sei o que diz a lei especificamente sobre isso, mas acho que quanto maior o cargo, quanto mais informação e consciência a pessoa tem de que não pode fazer isso, que é uma agressão, um desrespeito à outra pessoa, mais grave é o crime. Seria uma agravante. E quanto mais iletrada fosse a pessoa que age assim, maior a atenuante.

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Gleisi terminará como Dilma terminou em 2018?

No Paraná, uma pesquisa mostra que Gleisi Hoffmann está em um cenário parecido com o que Dilma Rousseff teve em 2018, quando tentou se eleger para o Senado em Minas Gerais. Parecido porque ela aparece entre os primeiros. Alvaro Dias lidera; em seguida vem Deltan Dallagnol; e Gleisi está atrás dos dois, empatada com Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa. Gleisi está 20 pontos atrás de Alvaro Dias e 5 atrás de Dallagnol. O Paraná é onde Flávio Bolsonaro, segundo o Paraná Pesquisas, tem quase o dobro de intenções de voto de Lula, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Em uma outra pesquisa, Futura, Flávio Bolsonaro tem 48% contra 42,6% de Lula no segundo turno. José Dirceu deu entrevista à GloboNews, comentando a pesquisa, e disse que não são votos para Flávio, que Flávio é Jair Bolsonaro, e o representante do pai – ele falou “delegado do pai”, no sentido de alguém que recebeu a delegação do pai para ser candidato em nome do pai.

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Metodologia das pesquisas citadas na coluna

Paraná Pesquisas: 1,5 mil entrevistados pelo Paraná Pesquisas entre os dias 10 e 12 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Partido Liberal (PL). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos porcentuais. Registro no TSE: PR-06559/2026.

Futura: 2 mil entrevistados pelo instituto Futura Inteligência entre os dias 7 e 11 de abril de 2026. A pesquisa para presidente da República foi contratada pelo Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos porcentuais. Registro no TSE: BR-08282/2026.

COMENTÁRIO DO LEITOR

O CANTOR BOBBY HELMS

Comentário sobre a postagem BOBBY HELMS

DECO:

Bobby Helms (1933–1997) foi um cantor americano de música country e rockabilly.

Ele fazia parte da era de ouro que misturava o country tradicional com o balanço do rock n’ roll nascente.

Sendo que O Rock and Roll surgiu nos Estados Unidos no final da década de 1940 e início da década de 1950.

Embora muitos possam não reconhecer o nome de Bobby Helms, sua voz certamente é bem conhecida a cada Natal nos EUA, já que seu sucesso “Jingle Bell Rock” é uma das músicas natalinas mais tocadas desde seu lançamento inicial em 1957.

Antes do hit de Natal, ele dominou as paradas em 1957 com “Fraulein” e “MY SPECIAL ANGEL”, que foram grandes sucessos no gênero Country e Pop.

Fontes: Google e Bobby Helms biography

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PROMOÇÕES E EVENTOS

LIVRO DO COLUNISTA FUBÂNICO CARLITO LIMA

Um assassinato misterioso ocorrido na Lagoa Mundaú – onde, por uma infeliz coincidência, uma mina está cedendo e afetando milhares de moradores de Maceió – é o cenário que abre o romance de Carlito Lima, que leva o nome da lagoa.

A obra conta a história de uma família, suas lutas, aventuras e alegrias em um período histórico para o Brasil entre as décadas de 1960 e 1970. Uma mistura de ficção e realidade que retrata o país durante a ditadura militar.

Para Carlito Lima, mais que um romance, a obra é a historiografia de uma época.

“Mundaú é um depoimento do modo de vida daquela época, quando o machismo e a violência contra a mulher eram naturalizados, mas também quando havia muita música popular brasileira, romantismo e ideais. Em 50 anos as coisas mudaram e o leitor pode tirar suas conclusões”, afirma.

Contato com o autor:

carlitoplima@gmail.com

(82) 9-9690.9964

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

BARCOS DE PAPEL – Guilherme de Almeida

Quando a chuva cessava e um vento fino
Franzia a tarde tímida e lavada,
Eu saía a brincar, pela calçada,
Nos meus tempos felizes de menino

Fazia, de papel, toda uma armada;
E, estendendo o meu braço pequenino,
Eu soltava os barquinhos, sem destino,
Ao longo das sarjetas, na enxurrada…

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
Que não são barcos de ouro os meus ideais:
São feitos de papel, são como aqueles,

Perfeitamente, exatamente iguais…
– Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Andrade de Almeida, Campinas-SP, (1890-1969)

DEU NO JORNAL

A REPUBLIQUETA DO ESCÂNDALO

Em maio, o ex-tucano João Doria fará em Nova York o “Brazil Investment Forum”, mais um, e dias antes o ministro Gilmar Mendes (STF) comanda em Lisboa o Fórum Jurídico, batizado ironicamente de “Gilmarpalooza” nas redes.

Dois palcos e ambientes atraentes para interesses privados, favorecendo o diálogo com autoridades.

No Brasil escandalizado de hoje, os eventos lembram o último Baile na Ilha Fiscal, festa espalhafatosa da monarquia para os “nobres” na véspera da Proclamação da República.

No caso mais escandaloso, em Londres, uma degustação de uísque Macallan no London Club custou mais de R$ 6 milhões a Daniel Vorcaro.

O “clube do uísque” virou denúncia por mostrar que o banqueiro não foi generoso, a rigor tentava comprar acesso direto a suas excelências.

Pior foi o “jet set jurídico-empresarial” agir com a naturalidade de quem considera normal banqueiros pagando a diversão de autoridades.

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Tem uma frase nesse nota aí de cima que resume tudo:

“No Brasil escandalizado de hoje…”.

Tá tudo dito.

Num é preciso dizer mais nada.

Que os céus se apiedem dessa nossa republiqueta banânica.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NO SONHO AZUL

Foto desta colunista

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

DEU NO JORNAL