Ano Novo abre a janela Para os sonhos da esperança!
Mote de José Dantas
Novas expectativas Surgem na mente do povo Torcendo que o Ano Novo Traga coisas positivas. Festas com muitos convivas, Climas de vasta bonança E no olhar da criança Jesus pinta a sua tela. Ano Novo abre a janela Para os sonhos da esperança!
Que em Dois Mil e Vinte e Seis Tenhamos sempre, a contento, Aconchego e alimento, Harmonia e altivez Pra elevarmos de vez O nível da confiança, Pois nossa mente se lança Ao que projetarmos nela. Ano Novo abre a janela Para os sonhos da esperança!
Ecléa Frederico Bosi nasceu em São Paulo, SP em 14/10/1936. Psicóloga social, professora, escritora, tradutora e pioneira nos estudos sobre a memória social das classes trabalhadoras. Foi professora titular e emérita da Faculdade de Psicologia da USP, focada na área da psicologia social de fenômenos histórico-culturais.
Graduou-se no curso de Psicologia da USP em 1966 e obteve seu mestrado em 1970, dissertando sobre o tema “Leitura de imagem: um estudo de semiologia”. Em seguida obteve o doutoramento em psicologia social com a tese “Leituras de Operários: estudo de um grupo de trabalhadores em São Paulo”. Passou a lecionar na USP, onde tornou-se livre docente em 1982. Publicou seu primeiro livro – Cultura de massa e cultura popular: leituras de operárias –, pela Editora Vozes, em 1972. O livro recebeu menção honrosa do Pen Clube do Brasil.
Em 1961 casou-se com o prof. Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras e historiador de literatura brasileira. É mãe de Viviane Bosi, professora de teoria literária e José Alfredo Bosi, professor de economia, Manteve a carreira acadêmica numa militância pela causa dos idosos, resumida na sua frase: “O velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele”. Dedicou-se à uma área pouco estudada em termos acadêmicos, o que pode se confirmar através de seus livros: Memória e sociedade: lembranças de velhos, lançado pela Companhia das Letras, em 1994.
Trata-se do livro que escreveu com maior empenho e foi recompensada com sua inclusão numa lista do MEC de 100 obras distribuídas para milhares de bibliotecas escolares do País. Esta temática foi aprofundada resultando na edição de mais livros, como O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social, pela Ateliê Editorial, em 1998 e Velhos amigos, pela Companhia das Letras, em 2003. Em 1994, através de uma de suas iniciativas, a Universidade de São Paulo passou a acolher maiores de 60 anos em cursos regulares no programa Universidade Aberta à Terceira Idade, conhecido agora como USP 60+ funcionando nos campi da capital e do interior de São Paulo.
Foi homenageada na edição nº 1 (2008) da revista “Psicologia USP”, dedicada exclusivamente a ela e no ano seguinte recebeu o “Prêmio Ars Latina” pelo conjunto da obra. Em 2011 foi agraciada com o ”Prêmio Averroes”, dedicado a personalidades com trajetórias de pioneirismo e generosidade no compartilhamento de conhecimento em diversas áreas. No mesmo ano recebeu também o “Troféu Loba Romana”, da comunidade italiana no Brasil, em reconhecimento à sua contribuição cultural, destacando-se por sua herança e conexão com esta comunidade no Brasil. A premiação ocorreu numa cerimônia ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Além da militância na vida acadêmica, teve atuação destacada no movimento ecológico, participando da criação do Parque Ecológico Chico Mendes, na Vila Curuça em São Paulo. Criou também os EcoEncontros da USP, travou uma luta ferrenha através da imprensa contra a construção de Angra 3 e formulou os “10 mandamentos da Ecologia”. Faleceu em 10/7/2017 em plena atividade na coordenação do “Laboratório de Memória e História Oral Simone Weil”, uma unidade de pesquisa do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP (IPUSP).
O estilo literário de suas reflexões tem uma singularidade que além de expressar o vigor de sua prosa em tom suave, delicado, que ajuda a dotar as narrativas de uma particular dimensão literária. Relatos de pesquisa empírica e ensaios teóricos ganham muitas vezes corpo de bela prosa poética.
Aguardando 2026 no sempre ótimo Hotel Campestre de Aldeia, Pernambuco, na companhia da Sissa e de mais de uma dúzia de parentes muito queridos, reservei algumas horas para enviar, aos que me são leitores, citações relidas e extraídas de uma coletânea feita pelo notável pensador pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, colunista deste JBF e hoje merecidamente fazendo parte da Academia Brasileira de Letras. Citações que me proporcionaram novas análises múltiplas de como proceder em 2026, favorecendo a emersão de sadios balizamentos comportamentais.
O livro relido: FERNANDO PESSOA, O LIVRO DE CITAÇÕES, José Paulo Cavalcanti Filho, Rio de Janeiro, Editora Record, 2013, 255 p. Com uma Apresentação do JPCF extraordinariamente contemporânea, digna de quem é sempre merecedor de múltiplos aplausos da Inteligência Brasileira.
Desejando um 2026 cada vez mais muito arretado de ótimo para todos os latino-americanos, explicito, abaixo, algumas citações do poeta luso que se fazem muito oportunas para todos nós:
– “Minha ama é a sombra presente de uma presença passada.”
– “Sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura.”
– “O amanhã pode ser apenas noite. Ou pode ser uma aurora.”
– “Amar é pensar. E cansar de estar só.”
– “Aprender exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender.”
– “Quanto mais eu abro as asas, mais sei que não sei voar.”
– “Quem se esquiva de travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado porque não se bateu.”
– “Todo começo é involuntário. Deus é o agente.”
– “A fama de ser atencioso e cortês vale mais que uma estampilha. É uma publicidade barata.”
– “Grande é a poesia, a bondade e as danças. Mas o melhor do mundo são as crianças.”
– “Eu tenho Deus em mim.”
– “Senhor, dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.”
– “Não sejamos sínteses, sejamos somas: a síntese é com Deus.”
– “Senhor, já que a dor é nossa e a fraqueza que ela tem, dá-nos ao menos a força de a não mostrar a ninguém.”
– “Não se deve falar demais. Quando falo demais começo a separar-me de mim e a ouvir-me falar.”
– “O herói é um homem como todos, a quem coube por sorte o auxílio divino.”
– “Todo hoje tem um amanhã.”
– “Fôssemos nós como deveríamos ser e não haveria em nós necessidade de ilusão.”
– “O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos deste, pela simples qualidade da ironia.”
– “A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente.”
– “Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os atos.”
– “O navegante de coração sombrio sabe que há lares felizes porque não são dele.”
– “Deus quer, o homem sonha, a alma nasce.”
Que em 2026, saibamos ler mais, racionar mais para viver melhor, sempre mais fraternos, conscientes, comunitários, nunca deixando de ser uma cotidiana metamorfose ambulante.