DEU NO JORNAL

A TEOCRACIA IRANIANA EM XEQUE

Editorial Gazeta do Povo

protestos irã

Manifestação em solidariedade ao povo iraniano diante da embaixada norte-americana em Roma, em 14 de janeiro

Mais uma vez, os iranianos estão nas ruas protestando contra o regime teocrático que governa o país desde 1979. E, mais uma vez, os aiatolás respondem com um grau de violência de dar inveja aos bolivarianos que ainda se agarram ao poder na Venezuela. As autoridades iranianas prometem processos rápidos (em que o respeito aos direitos dos réus será inversamente proporcional à celeridade do julgamento) e execuções de manifestantes para tentar controlar as multidões. Em várias outras ocasiões – a mais recente delas em 2022, após o assassinato de Mahsa Amini, jovem presa por não usar corretamente o hijab (véu islâmico) –, os teocratas conseguiram conter a revolta popular. Será diferente desta vez?

O mundo aguarda notícias sobre Erfan Soltani, manifestante de 26 anos cuja execução havia sido prometida para esta quarta-feira, mas o fato é que os tais julgamentos anunciados pelo governo do Irã não passam de formalidade, pois nas ruas a repressão já tem licença para matar: o número de mortos já passa de 2,4 mil; somando-se as prisões, o número de iranianos atingidos pela violência estatal é de pouco mais de 18 mil, segundo a organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos EUA. Em comparação, os mortos nos protestos de 2022 não chegaram a 500, segundo dados da Iran Human Rights (IHRNGO). Os aiatolás bloquearam a internet no Irã há uma semana; apenas uma rede doméstica, pela qual só são acessados sites permitidos pelo governo, está em funcionamento. Não é possível telefonar do exterior para o Irã, embora a rede CNN tenha informado que, na terça-feira, algumas pessoas conseguiram ligar de dentro do Irã para números fora do país.

Desta vez, o estopim dos protestos foi econômico: a inflação de 2025 foi de 42,5% e a moeda local, o rial, se desvalorizou 69% em relação ao dólar – isso apesar de a moeda norte-americana ter perdido valor globalmente no ano passado. Lojistas e comerciantes, descontentes com a economia, iniciaram as manifestações no fim de dezembro; só depois jovens, estudantes e iranianos mais pobres (os principais afetados pela alta nos preços) se juntaram ao movimento e encheram as ruas, transformando os protestos atuais em atos contra o regime como um todo, e não apenas contra a forma como os teocratas conduzem a economia do país. À medida que as manifestações se intensificaram, o governo passou do discurso conciliador, admitindo os problemas na economia, para a repressão violenta.

Os problemas econômicos não apenas colocaram nas ruas iranianos que tenderam a ficar afastados de ondas anteriores de protestos, mas também fizeram com que eles se espalhassem por todo o país – há manifestações em todas as 31 províncias. Esta, no entanto, não é a única diferença a alimentar as esperanças de que desta vez o regime teocrático caia. O Irã está enfraquecido internacionalmente: seus aliados no chamado “eixo da resistência” – os terroristas do Hamas e do Hezbollah, e os houthis do Iêmen – estão severamente debilitados, especialmente depois da reação israelense ao massacre de 7 de outubro de 2023. Na Síria, o aliado Bashar al-Assad caiu em dezembro de 2024. Nem o território iraniano está incólume, como demonstraram os ataques israelense e norte-americano a instalações nucleares iranianas, e as ações em que Israel conseguiu eliminar líderes terroristas e chefes da Guarda Revolucionária iraniana.

Esse enfraquecimento internacional do Irã também permitiu que os Estados Unidos aumentassem sua pressão sobre a teocracia islâmica. Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que negociarem com os iranianos (o que inclui o Brasil) e deixou subentendido que pode intervir no país persa se de fato o regime executar manifestantes. No entanto, o mundo já aprendeu que com Trump é preciso ver para crer: se por um lado os EUA de fato agiram na Venezuela e levaram Nicolás Maduro, por outro lado têm iniciado uma política de distensão com a ditadura bolivariana que persiste no país; além disso, as tarifas são aplicadas de forma muito seletiva – em agosto do ano passado, o norte-americano anunciou o mesmo tipo de punição para quem comprasse petróleo russo, mas apenas a Índia acabou sancionada.

A teocracia iraniana é violadora contumaz dos direitos humanos, oprime especialmente mulheres e minorias como a população LGBT, mata e prende os dissidentes, financia o terrorismo internacional e corre para conseguir armas atômicas e desestabilizar de vez a região. Motivos não faltam para que o regime dos aiatolás mereça cair, pelas mãos dos próprios iranianos. Se isso ocorrerá agora ainda é totalmente incerto, mas, ainda que ocorra, isso não é garantia de que o futuro será necessariamente de estabilidade e democracia – e os vizinhos do Irã são o melhor exemplo disso.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

LÍNGUA NO FURICO

Comentário sobre a postagem SILÊNCIO CONSTRANGEDOR

João Francisco:

2 mil mortos até agora é um número muito subestimado, pois ao que se sabe, a Guarda do aiatolá está fuzilando aos montes pessoas nas ruas.

O Nine está preocupado com o Khamenei, seu amigo (e do Alckmin). Pede que as coisas se resolvam apenas internamente; ou seja, que milhões de pessoas morram nas mãos das milícias xiitas e que o Trump não faça nada.

Ah, enquanto isso a turma do “Palestina Livre” está com a língua enfiada no c*.

A luta deles nunca foi pela humanidade.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

WAGNER MOURA, LULA E O AMOR

Guilherme Fiuza

O ator Wagner Moura foi premiado pelo Globo de Ouro de 2026 pela atuação no filme “O Agente Secreto”

O fantasma da ditadura é a instituição mais lucrativa da cultura nacional. Se já rendeu os melhores prêmios internacionais a “Ainda estou aqui” e agora “O Agente Secreto”, não há por que mudar a fórmula. Aguardemos o próximo episódio da série para a temporada 2027.

Há um dado curioso na divulgação dessas obras que se apresentam como defensoras da democracia brasileira. A história é sobre a ditadura militar, mas o protagonista da campanha de lançamento é Lula. Foi assim com o filme estrelado por Fernanda Torres e assim é com o sucessor, estrelado por Wagner Moura. Os artistas e o presidente se falam pelo telefone, confraternizam em visitas palacianas, compartilham publicamente elogios mútuos como guerreiros da democracia e são felizes para sempre.

Tanto na campanha de “Ainda estou aqui”, de Walter Salles Jr., como na de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, uma espécie de túnel do tempo providencial conecta os dramas dos anos 60 e 70 ao cotidiano presente de Lula, o homem do passado cristalino.

O presidente atual é saudado por Wagner, Waltinho e cia. como aquele que trouxe a democracia de volta ao Brasil. O cineasta deu a entender que nem seria possível lançar seu filme se Lula não tivesse sido eleito em 2022. Claro que isso é uma falsidade, mas ninguém foi acusar o Waltinho de “desinformação”.

Wagner foi mais longe: “A ditadura ainda é uma cicatriz aberta em nossa vida brasileira. Aconteceu há apenas 50 anos. Recentemente, tivemos, de 2018 a 2022, um presidente de extrema-direita/fascista no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura. Portanto, a ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro.”

Discurso bonito. Naturalmente, nenhum repórter no tapete vermelho seria desagradável a ponto de pedir ao ator, no meio de uma celebração tão emocionante, que desse exemplos da “manifestação física dos ecos da ditadura” de 2018 a 2022. Tipo: que obra cinematográfica ou literária foi embargada nesse período? Ou que instituição foi perseguida? Que veículo de imprensa foi censurado? Que decisão do parlamento foi afrontada? Qual Brasil era mais livre: aquele ou esse?

O repórter que fizesse uma pergunta dessas era capaz de ser vaiado e expulso do recinto. Para aprender a não estragar contos de fadas perfeitos.

Claro, são recursos legítimos. Mas alguém tem que ser escolhido para receber. E esse alguém é frequentador do palácio. Enfim, cada um com os seus limites.

“Eu acho que precisamos continuar fazendo filmes sobre a ditadura”, disse Wagner Moura após conquistar o prêmio de melhor ator no Globo de Ouro. A seguir a fórmula atual, seria continuar fazendo filmes sobre a ditadura e continuar criando a ficção científica de Lula como salvador da democracia brasileira. Naturalmente, não vem ao caso falar do apoio a ditaduras (verdadeiras, não fantasmagóricas), como a da Venezuela e a da China — esta convidada, inclusive, pelo presidente para trazer ao Brasil um modelo de regulação do meio digital.

Deixa isso pra lá, o momento é de festa.

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO FRANCISCO – RIBEIRÃO PRETO-SP

Devemos muito aos pracinhas da FEB (todos os 25.360), que saíram do Brasil para combater na Itália.

Quando voltaram não puderam nem trazer o capacete que usaram, foram descomissionados lá mesmo. Foram esquecidos, sem reconhecimento adequado em sua pátria natal.

Eu tinha um tio meu, que foi um destes pracinhas. Não falava quase nada da Guerra. Como recordação, tinha apenas algumas medalhas.

Os americanos podiam pegar as Lugger dos oficiais nazi, binóculos com lentes Zeiss (as melhores até hoje) e levar para casa.

Vejam a história de um destes heróis esquecidos.

DEU NO JORNAL

PESQUISA

A primeira pesquisa do ano eleitoral (Canal Meio/Instituto Ideia) registra péssima notícia para Lula, que vai tentar a reeleição.

O petista registra reprovação entre o eleitorado em 50%.

* * *

Só isso???

Num acredito…

Que coisa estranha.

Essa pesquisa tá muito esquisita.