Devemos muito aos pracinhas da FEB (todos os 25.360), que saíram do Brasil para combater na Itália.
Quando voltaram não puderam nem trazer o capacete que usaram, foram descomissionados lá mesmo. Foram esquecidos, sem reconhecimento adequado em sua pátria natal.
Eu tinha um tio meu, que foi um destes pracinhas. Não falava quase nada da Guerra. Como recordação, tinha apenas algumas medalhas.
Os americanos podiam pegar as Lugger dos oficiais nazi, binóculos com lentes Zeiss (as melhores até hoje) e levar para casa.
Vejam a história de um destes heróis esquecidos.
Tive a honra de conhecer alguns pracinhas; havia uma associação de ex-combatentes próximo ao meu trabalho n centro de Ribeirão Preto. Alguns deles faziam questão de usar a boina com a cobra fumante.
O que todos tinham em comum, eram histórias de bravura e perigo que viveram nos campos de batalha da Itália além de um imenso orgulho por terem pertencido à FEB.
Patriotas merecedores da glória imorredoura.
Servi ao Exército de 1961 até meados de 1962, no CPOR de Fortaleza. Conheci e convivi, naquele quartel, com 3 ex-pracinhas que combateram na Itália. Pessoais deferentes das que estão no Exército de melancias de hoje.
Pois é, caro Plablo, mesmo naquela época o nosso EB era dividido. A imensa maioria dos 25.445 (número correto) eram pracinhas (sentaram praça), ou seja, eram alistados e não faziam parte do corpo do Exército.
Do EB só foram altas patentes, pois até o nosso grande herói, o Tenente duplamente decorado nos EUA Apollo Resk era CPOR, ou seja, reservista.
A “Elite” do Exército, os carreiristas, filhos de políticos e barões fugiram do compromisso, para variar.
O general Mascarenhas de Moraes foi o comandante geral e Castelo Branco um dos oficiais de campo.
Depois que voltaram foram esquecidos os pracinhas, nenhum se destacou na política.
Pois é, meu caro, fico imaginando se o país se envolvesse em algum conflito armado, que tipo de gente se apresentaria para lutar, se é que apareceria alguém.
Tive um amigo, falecido há muitos anos, chamado Benedito; morava em Catanduva, interior de São Paulo. Este senhor lutou como voluntário na revolução paulista de 1932. Assim como os pracinha que conheci, ele tinha um brilho no olhar quando falava do assunto que nunca mais vi em ninguém.
O rebaixamento das forças armadas é um crime de lesa pátria que levará muito tempo para curar. Pobre EB.
João (obrigado pelo convite para o chope no Pinguim), esses que conheci no CPOR de Fortaleza (trabalhavam como civis – provavelmente por conta da idade), viajaram e lutaram em Monte Castelo.
Caro Ramos, gostei da ironia, acho que tem mais de 15 anos que não vou ao Pinguim, pois está fora do meu orçamento como aposentado. Lá é lugar para turistas, hehe.
Quanto aos pracinhas, tudo que falamos ainda é pouco.
Uma postagem de março de 2019.
https://luizberto.com/o-horror-e-o-lirismo-da-guerra/