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UM PACOTE POPULISTA PARA SEGURAR O PREÇO DO DIESEL

Editorial Gazeta do Povo

lula pacote preço diesel

Lula zerou impostos federais sobre diesel para conter aumento do combustível causado por guerra no Irã

O ataque norte-americano e israelense ao Irã não poderia ter vindo em pior hora para Lula. E não (ou não apenas) porque ele dá ao petista uma nova oportunidade de se solidarizar com um regime carniceiro, que oprime mulheres e persegue a população LGBT, mas porque os problemas no fornecimento internacional de petróleo têm efeito direto sobre uma inflação que só agora parecia estar sob controle – por mérito do Banco Central, e não de Lula, que fique claro. Com a Guarda Revolucionária iraniana controlando o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passam normalmente 20% de toda a produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), o barril do petróleo tem oscilado na casa dos US$ 100 (com um pico de quase US$ 120), contra cerca de US$ 70 antes do conflito.

Em um país que depende maciçamente do transporte rodoviário, quando os combustíveis sobem, tudo o mais sobe também. E, em ano eleitoral, preços em alta são veneno para qualquer pretensão de vitória. Por isso, Lula não perdeu tempo para responder à pressão inflacionária da única forma que conhece: com populismo. Se por um lado zerou PIS e Cofins sobre o diesel (outros combustíveis seguirão tributados), por outro lado criou distorções, estabelecendo uma subvenção a produtores e importadores do combustível e tributando em 12% as exportações de petróleo; e investiu no intervencionismo, ordenando reforço na fiscalização de “práticas lesivas” nos postos de combustíveis – embora seja difícil diferenciar o que é esperteza de donos de postos e o que é a mera aplicação da lei da oferta e da demanda. Estimativas apontam que, com isso, o preço do litro do diesel poderia cair até R$ 0,64, o que por sua vez abriu uma oportunidade para a Petrobras reajustar em R$ 0,38 por litro o combustível vendido às distribuidoras, no dia seguinte à assinatura da medida provisória.

Um detalhe das novas regras evidencia que o governo realmente entrou em modo de campanha eleitoral: não basta que os preços ao consumidor final caiam na bomba; é preciso que o brasileiro que abastece seu caminhão com diesel mais barato saiba quem é o pai da criança. Os postos terão de exibir “sinalização clara e visível ao consumidor, informando a redução dos tributos federais e do preço em função da subvenção”. Só faltou ordenar que essa sinalização ainda trouxesse a logomarca e o slogan do atual governo. E ninguém haverá de se surpreender caso as medidas vigorem ao menos até outubro, ainda que a guerra termine nas próximas semanas e a navegação livre pelo Estreito de Ormuz seja restabelecida.

A bondade, claro, tem seu custo. O governo estima que deixará de arrecadar R$ 20 bilhões em PIS e Cofins, e gastará outros R$ 10 bilhões com as subvenções. A soma corresponde a metade de todo o déficit primário de 2025 – o déficit real, não aquele maquiado para efeitos de cumprimento da meta fiscal. Ainda que parte disso seja compensada pelo imposto sobre exportações (talvez a medida mais desastrosa do pacote), o estrago fiscal é inegável para um governo que já gasta demais, e não haverá de ser ignorado pelo Comitê de Política Monetária, que estava pronto para reduzir a Selic em meio ponto porcentual na reunião iniciada nesta terça-feira, mas pode ter de rever a decisão diante dos efeitos inflacionários da guerra e do pacote populista para reduzir o preço do diesel.

Mexer com o preço dos combustíveis em ano eleitoral diante de situações de instabilidade é tentação que acomete todo governo, independentemente do viés político-ideológico. Dilma Rousseff mandou a Petrobras represar artificialmente seus preços em 2014 para que a inflação não subisse mais e comprometesse sua reeleição; como resultado, a estatal passou a ter prejuízos gigantescos. Diante de um IPCA já alto como consequência do choque de demanda da recuperação pós-pandemia, Jair Bolsonaro convenceu o Congresso a impor limites às alíquotas máximas de ICMS dos combustíveis, sem diálogo com os estados, cujas contas foram drasticamente prejudicadas. Para não prejudicar ainda mais uma popularidade já em baixa, Lula segue o mesmo caminho.

PENINHA - DICA MUSICAL

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RODRIGO CONSTANTINO

FLÁVIO PEDE À MILITÂNCIA QUE PARE DE ATACAR ALIADOS

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro acena à elite econômica em evento do BTG Pactual em São Paulo.

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, deu entrevista à emissora chilena durante viagem ao país por ocasião da posse do novo presidente de direita José Antonio Kast

O senador Flávio Bolsonaro entrou num Space do X repleto de militantes bolsonaristas e transmitiu um recado muito importante: cerca de 90% de sua campanha será digital, ele precisa do engajamento da militância, mas pediu para que esses seguidores parassem de atacar os próprios aliados, principalmente os pré-candidatos ao Congresso. Foi um reforço a um pedido já feito pelo próprio Jair Bolsonaro, em carta escrita à mão da prisão, também usando a palavra “ataques” entre aliados. Eis um trecho da fala do senador (infelizmente a conversa foi apagada pelo “host” do programa):

Pelo contrário, a gente tem que ajudar ele lá. É um cara que meu pai também gosta muito, já tomou busca e apreensão, é vítima da perseguição igual muitos de nós aqui. Esses detalhezinhos é que eu acho que, na hora, por mais que dê vontade de largar o dedo e fazer uma crítica e tal, pensa que é um ativo do nosso lado. O Gayer é um cara que articula um monte de coisa, ajuda aqui no digital, é um pré-candidato ao Senado lá, e pra gente essa eleição é, na ordem de importância, é Presidência da República, Senado, deputado federal, depois governador e por último deputado estadual, essa é a prioridade, pois todo mundo aqui é maduro o suficiente para entender que o jogo é pesado no Congresso, a gente tem que ter uma base forte lá, e não adianta a gente fazer 100% do Senado e da Câmara e também não ter a presidência. Então, esse ajuste fino só que eu acho que a gente tem que fazer, e por mais que dê vontade às vezes de ir e atacar, provocar, enfim, esfregar a verdade na cara, eu peço que deem uma respirada antes e pensa sempre o seguinte, cara: o que a gente vai ganhar com isso, né?

O senador citou o nome do deputado Gustavo Gayer, pois ele foi alvo de críticas e ataques recentemente, um deles da conta João 8:32, que espalha bastante mentira pelas redes (ironicamente usando o versículo bíblico que fala que a verdade vos libertará). João 8:32 “cobrou” do deputado Gayer: “Deputado, sua prioridade é virar senador ou eleger o presidente Flávio Bolsonaro? Está mais preocupado com seu projeto particular de poder OU com remover o PT elegendo Flávio?” Tudo isso só porque Gayer havia postado um vídeo brincando que sua filha adolescente fazendo sua pré-campanha tornava um Sidônio desnecessário. Flávio já havia respondido no X:

Gayer, você é um cara preparado, leal e também é vítima da covarde perseguição política que enfrentamos nos últimos anos!Você é nosso pré-candidato ao Senado em Goiás e peça fundamental para resgatarmos o nosso Brasil!Siga firme, produzindo os conteúdos que achar necessários para defender nossos princípios e denunciar o desastre do governo lula para nossa Nação!Vamos pra cima, mermão!

Trocando em miúdos, Flávio está desautorizando essa militância mais fanática, que se diz “bolsonarista raiz” e quer ser mais bolsonarista do que o próprio Jair e Flávio. São pessoas que passam o dia caçando “traidores” à direita, dedicando sua energia para atacar (e não são apenas críticas ou cobranças, como alegam) gente do Partido Novo, a revista Oeste, a Gazeta do Povo, Ludmila Lins Grillo, Ana Paula Henkel, Nikolas Ferreira e eu, entre outros com longa trajetória de defesa dos valores da liberdade. Como perguntou o próprio Flávio, o que sua campanha ganha com isso?

Em breve essa gente vai se dizer mais bolsonarista do que a própria família. Eis a reação da conta João 8:32 após a fala do Flávio no Space: “A dinâmica das redes sociais é algo novo para o Flávio, que sempre focou na imprescindível articulação política. Mesmo assim meu amigo Flávio Bolsonaro reconhece que 90% da campanha virá do digital, de forma orgânica! Seguirei cobrando quem faz corpo mole (pra dizer o mínimo)! A vantagem de sermos uma militância aguerrida, descoordenada e SEM COLEIRA é poder cobrar a TODOS, algo que um candidato não pode fazer, pois deve focar em agregar!” Ou seja, vai ignorar o pedido do próprio Flávio, pois sabe melhor do que ele qual o seu papel na campanha, e porque o senador não tem experiência em rede social…

Nesses dias, Eduardo Bolsonaro havia compartilhado uma postagem dessa conta João 8:32 atacando o deputado Nikolas Ferreira com uma escancarada mentira: um vídeo em que Nikolas chamava Ricardo Nunes de “copo de veneno”, e que ocultava um trecho para dar a entender que ele se referiu assim ao Mello Araújo, vice da chapa que foi colocado por Bolsonaro justamente para tentar impedir esquemas tucanos na prefeitura de SP. Depois Eduardo apagou.

Flávio tem adotado o tom certo até aqui, com serenidade, moderação, diálogo, buscando os votos do centro. Essa militância fanática só prejudica, pois implode pontes, cria intrigas sem parar e se dedica muito mais a atacar aliados do Flávio do que seus verdadeiros adversários. Parece até coisa de infiltrado de esquerda!

Aliás, sobre isso, uma conta com o pseudônimo MaverickJoker (@JokMavX) tem tirado o sono dessa turma. Sempre com fatos incômodos, com argumentos embasados, essa conta tem desmascarado muitos desses militantes. Recomendo que sigam, apesar de desconhecer o autor.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA