Você se diz cabra macho Valentão e coisa e tal Que me leva no bornal Só para apagar meu facho Eu querendo lhe despacho Porém não fujo da rinha Se souber levar Dalinha O duelo acaba em nada Pra sua faca afiada Tem couro minha bainha.
Eu só quero meus direitos Não queira me adestrar Eu não sou empoderada Nem quero me igualar Minha vida eu comando Não tenho bandeira e bando E gosto de me guiar.
Os mesmos direitos do homem Confesso não quero ter Não quero ter falo e saco E nem ter que endurecer Meu brinquedo é de montar O do homem é de armar Quando enguiça é um sofrer.
A mãe tem sempre certeza Que o filho que gera é dela Porém o pai muitas vezes Acaba numa esparrela Cria o filho sem ser seu Isso já aconteceu Vi na vida e na novela.
Não quero ficar mais tempo No mercado a trabalhar Pra me comparar ao homem Na hora de aposentar Não estou de sacanagem Quero ter essa vantagem Enquanto ela vigorar.
Gosto de mijar sentada Não quero mijar em pé Gosto de usar calcinha Não me vejo de boné Não quero ficar careca Nem também usar cueca No meu tino tenho fé.
Mas uma coisa eu digo Expondo minha postura Eu gosto de ser mulher E sem previsão de cura Nisso não vejo entrave O homem é minha chave Eu sou sua fechadura.
Sou trocista e faço graça Dos versos sou alquimista.
Mote desta colunista
Eu sei que o mundo não é Só graça, só alegria, Mas por nada eu perderia No bom Deus a minha fé E por isso estou de pé Não sou mulher pessimista Sou poeta cordelista Não dou aval a desgraça Sou trocista e faço graça Dos versos sou alquimista.
De poeta e de louca Eu tenho minha quantia Tem horas que jogo pedra Noutras faço poesia Quando chega o aperreio Que fico de saco cheio Minha razão avaria.
Não sou mulher de motim De bando também não sou Penso com minha cabeça Seguir magote não vou Não sou mulher melindrada O papel da vitimada Minha garra dispensou.
Não compro briga dos outros Pra ficar em evidência Por favor não me acumule Tenho pouca paciência Pois quando o caso é comigo Não meto nenhum amigo Tomo logo providência
Nunca gostei de cobranças Não cobro amor a ninguém E para ser bem sincera Nem amizade também Sentimento é conquistado Jamais será fabricado Só se dá quando se tem.
Quando rego minhas flores, Desperto a recordação, Que mora em meu coração. Entre suspiro e rumores, Evoco antigos amores, E choro a fugacidade, Do que foi felicidade, Porém hoje é fenecido… Esse meu jardim florido, É cacimba de saudade!
Recordo nós dois juntinhos Debaixo do pé de ipê Era só eu mais você Numa sombra sem espinhos Seguindo os mesmos caminhos Vivendo a mesma verdade E mesmo na tenra idade O tempo não foi perdido: Esse meu jardim florido, É cacimba de saudade!
Quando chega a primavera Eu puxo pela memoria Cada flor é uma história Pra quem viveu de quimera Então digo: quem me dera Com toda sinceridade Viver com intensidade Tudo de bom já vivido: Esse meu jardim florido, É cacimba de saudade!
Debaixo duma latada Era o cravo era a rosa Era um verso era uma prosa Numa conversa animada Era a mais bela jornada Em meio a simplicidade Era amor era amizade Era a flecha do cupido: Esse meu jardim florido, É cacimba de saudade!
Recordar é reviver Diz o dito popular Por isso vivo a lembrar Sem pensar em esquecer O que senti florescer Em tempos de liberdade Na mente é prioridade Não é sonho adormecido: Esse meu jardim florido, É cacimba de saudade!
Das flores do meu jardim Só de lembrar sinto o cheiro São flores do meu canteiro É cheiro que não tem fim Só por isso eu canto assim Com gosto e vivacidade Seguindo a minha vontade Nesse mote repetido: Esse meu jardim florido, É cacimba de saudade!
Eu já fui muito parceira Na rotina desta vida, Hoje sou bem precavida, Não estou dizendo asneira. Cansei de levar rasteira, Mas nunca fiquei no chão, Aprendi cada lição, E se você quer saber: Sabida posso não ser Mas besta não sou mais não.
Qualquer semelhança com a vida dos racionais é mera coincidência
Nesses tempos atuais Amigo vou lhe contar Tem coisa que não entendo Também não posso explicar Pois até a natureza Exibe sua aspereza Quando resolve brigar.
Um periquito vadio Que gostava de dinheiro Resolveu grana ganhar Não aqui, no estrangeiro, Começou a atuar E viu seu plano vingar Foi esperto e foi ligeiro.
Para uma pomba lesa O periquito ligou Mas a rola vaidosa Burra nem desconfiou Que o tal do periquito Todo sarado e bonito Um bom golpe planejou.
O periquito esperto Enviou fotografia Mostrou que era capaz De encarar uma porfia E a pomba encantada Logo caiu na cantada Sem saber o que fazia.
Periquito decidido Resolve a situação Levou a pomba abestada Direto para o colchão Foi pena pra todo lado Fizeram amor adoidado Até rolaram no chão.
O periquito contente Deu conta do seu recado A rola baixou a cabeça Quando viu o resultado É hoje ave acuada Porque vai ser depenada O golpe foi confirmado.
Após contar essa saga Pasmada eu aqui medito: Pois tem coisa que me assombra Eu vejo e não acredito Só sendo coisa do diabo É pomba tomar no rabo Por comer um periquito.
Recebi duma comadre O nome não vou dizer Uma carta reclamando Da vida ao envelhecer Chorosa se maldizia Até falava heresia Porém fiz questão de ler:
Saudações minha comadre Espero que esteja bem Pois aqui vou como posso Pouca coisa me entretém Não sei que será de mim Chegou a velhice, enfim Trazendo o que não convém.
Se me levantar depressa Me levanto com tonteira Se não correr pro banheiro A xana vira torneira Se eu começar a tossir Comadre, não é pra rir! Já começa a peidadeira.
Arrumei uma bengala É nela que me seguro Até que é jeitosinha E me protege no escuro Só assim eu passo a mão Com certa satisfação Num cajado de pau duro.
Minha vista estava curta Porém mandei operar O resultado foi bom Eu nem posso reclamar Eu que enxergava ruim Vejo até um micuim Bem antes dele coçar.
Os gemidos lá de casa Não são gemidos de amor Qualquer esforço que faço Começo a gemer de dor Não há tarefa sem ai Quando um palavrão não sai Grito por Nosso Senhor.
Sou nordestina arretada Nunca fujo da labuta Assim é minha conduta Na força sou preparada Não desisto de jornada Aguento qualquer rojão É grande a disposição Que tenho pra trabalhar: Se for para labutar, Na chibanca ponho a mão!