DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Mote desta colunista:

Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.

Você se diz cabra macho
Valentão e coisa e tal
Que me leva no bornal
Só para apagar meu facho
Eu querendo lhe despacho
Porém não fujo da rinha
Se souber levar Dalinha
O duelo acaba em nada
Pra sua faca afiada
Tem couro minha bainha.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

A DESEMPODERADA

Eu só quero meus direitos
Não queira me adestrar
Eu não sou empoderada
Nem quero me igualar
Minha vida eu comando
Não tenho bandeira e bando
E gosto de me guiar.

Os mesmos direitos do homem
Confesso não quero ter
Não quero ter falo e saco
E nem ter que endurecer
Meu brinquedo é de montar
O do homem é de armar
Quando enguiça é um sofrer.

A mãe tem sempre certeza
Que o filho que gera é dela
Porém o pai muitas vezes
Acaba numa esparrela
Cria o filho sem ser seu
Isso já aconteceu
Vi na vida e na novela.

Não quero ficar mais tempo
No mercado a trabalhar
Pra me comparar ao homem
Na hora de aposentar
Não estou de sacanagem
Quero ter essa vantagem
Enquanto ela vigorar.

Gosto de mijar sentada
Não quero mijar em pé
Gosto de usar calcinha
Não me vejo de boné
Não quero ficar careca
Nem também usar cueca
No meu tino tenho fé.

Mas uma coisa eu digo
Expondo minha postura
Eu gosto de ser mulher
E sem previsão de cura
Nisso não vejo entrave
O homem é minha chave
Eu sou sua fechadura.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

Mote desta colunista

Eu sei que o mundo não é
Só graça, só alegria,
Mas por nada eu perderia
No bom Deus a minha fé
E por isso estou de pé
Não sou mulher pessimista
Sou poeta cordelista
Não dou aval a desgraça
Sou trocista e faço graça
Dos versos sou alquimista.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NÃO ME AVEXE NÃO!

De poeta e de louca
Eu tenho minha quantia
Tem horas que jogo pedra
Noutras faço poesia
Quando chega o aperreio
Que fico de saco cheio
Minha razão avaria.

Não sou mulher de motim
De bando também não sou
Penso com minha cabeça
Seguir magote não vou
Não sou mulher melindrada
O papel da vitimada
Minha garra dispensou.

Não compro briga dos outros
Pra ficar em evidência
Por favor não me acumule
Tenho pouca paciência
Pois quando o caso é comigo
Não meto nenhum amigo
Tomo logo providência

Nunca gostei de cobranças
Não cobro amor a ninguém
E para ser bem sincera
Nem amizade também
Sentimento é conquistado
Jamais será fabricado
Só se dá quando se tem.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

GLOSAS

Mote desta colunista:

Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

Quando rego minhas flores,
Desperto a recordação,
Que mora em meu coração.
Entre suspiro e rumores,
Evoco antigos amores,
E choro a fugacidade,
Do que foi felicidade,
Porém hoje é fenecido…
Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

Recordo nós dois juntinhos
Debaixo do pé de ipê
Era só eu mais você
Numa sombra sem espinhos
Seguindo os mesmos caminhos
Vivendo a mesma verdade
E mesmo na tenra idade
O tempo não foi perdido:
Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

Quando chega a primavera
Eu puxo pela memoria
Cada flor é uma história
Pra quem viveu de quimera
Então digo: quem me dera
Com toda sinceridade
Viver com intensidade
Tudo de bom já vivido:
Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

Debaixo duma latada
Era o cravo era a rosa
Era um verso era uma prosa
Numa conversa animada
Era a mais bela jornada
Em meio a simplicidade
Era amor era amizade
Era a flecha do cupido:
Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

Recordar é reviver
Diz o dito popular
Por isso vivo a lembrar
Sem pensar em esquecer
O que senti florescer
Em tempos de liberdade
Na mente é prioridade
Não é sonho adormecido:
Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

Das flores do meu jardim
Só de lembrar sinto o cheiro
São flores do meu canteiro
É cheiro que não tem fim
Só por isso eu canto assim
Com gosto e vivacidade
Seguindo a minha vontade
Nesse mote repetido:
Esse meu jardim florido,
É cacimba de saudade!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA GLOSA

Sabida posso não ser
Mas besta não sou mais não.

Mote desta colunista

Eu já fui muito parceira
Na rotina desta vida,
Hoje sou bem precavida,
Não estou dizendo asneira.
Cansei de levar rasteira,
Mas nunca fiquei no chão,
Aprendi cada lição,
E se você quer saber:
Sabida posso não ser
Mas besta não sou mais não.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ROLA X PERIQUITO

Qualquer semelhança com a vida dos racionais é mera coincidência

Nesses tempos atuais
Amigo vou lhe contar
Tem coisa que não entendo
Também não posso explicar
Pois até a natureza
Exibe sua aspereza
Quando resolve brigar.

Um periquito vadio
Que gostava de dinheiro
Resolveu grana ganhar
Não aqui, no estrangeiro,
Começou a atuar
E viu seu plano vingar
Foi esperto e foi ligeiro.

Para uma pomba lesa
O periquito ligou
Mas a rola vaidosa
Burra nem desconfiou
Que o tal do periquito
Todo sarado e bonito
Um bom golpe planejou.

O periquito esperto
Enviou fotografia
Mostrou que era capaz
De encarar uma porfia
E a pomba encantada
Logo caiu na cantada
Sem saber o que fazia.

Periquito decidido
Resolve a situação
Levou a pomba abestada
Direto para o colchão
Foi pena pra todo lado
Fizeram amor adoidado
Até rolaram no chão.

O periquito contente
Deu conta do seu recado
A rola baixou a cabeça
Quando viu o resultado
É hoje ave acuada
Porque vai ser depenada
O golpe foi confirmado.

Após contar essa saga
Pasmada eu aqui medito:
Pois tem coisa que me assombra
Eu vejo e não acredito
Só sendo coisa do diabo
É pomba tomar no rabo
Por comer um periquito.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UM CORDEL: A MULHER E AS PERIPÉCIAS DA IDADE

Recebi duma comadre
O nome não vou dizer
Uma carta reclamando
Da vida ao envelhecer
Chorosa se maldizia
Até falava heresia
Porém fiz questão de ler:

Saudações minha comadre
Espero que esteja bem
Pois aqui vou como posso
Pouca coisa me entretém
Não sei que será de mim
Chegou a velhice, enfim
Trazendo o que não convém.

Se me levantar depressa
Me levanto com tonteira
Se não correr pro banheiro
A xana vira torneira
Se eu começar a tossir
Comadre, não é pra rir!
Já começa a peidadeira.

Arrumei uma bengala
É nela que me seguro
Até que é jeitosinha
E me protege no escuro
Só assim eu passo a mão
Com certa satisfação
Num cajado de pau duro.

Minha vista estava curta
Porém mandei operar
O resultado foi bom
Eu nem posso reclamar
Eu que enxergava ruim
Vejo até um micuim
Bem antes dele coçar.

Os gemidos lá de casa
Não são gemidos de amor
Qualquer esforço que faço
Começo a gemer de dor
Não há tarefa sem ai
Quando um palavrão não sai
Grito por Nosso Senhor.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

GLOSANDO NA REDE

Se for para labutar,
Na chibanca ponho a mão!

Mote desta colunista

Sou nordestina arretada
Nunca fujo da labuta
Assim é minha conduta
Na força sou preparada
Não desisto de jornada
Aguento qualquer rojão
É grande a disposição
Que tenho pra trabalhar:
Se for para labutar,
Na chibanca ponho a mão!