CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

AMOR, SUBLIME AMOR (2021)

Em destaque a atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante 2022

Comenta-se a exaustão a nova versão moderna de AMOR SUBLIME AMOR (2021), novo filme do magno diretor americano Steven Spielberg, refilmagem do clássico musical de (1961), WEST SIDE STORY, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, filme musical mais premiado da história do cinema, tendo ganhado 10 Oscars, 3 Globos de Ouro e 2 Grammys em 1962, e outros.

Inspirado em Romeu e Julieta, obra mais popular de William Shakespeare e, provavelmente, a história clássica do amor proibido mais conhecida do mundo. Tanto é verdade que essa tragédia romântica é uma das campeãs de adaptação para as telas. O que pouca se sabe é que essa peça de Shakespeare, no que lhe diz respeito, é adaptada de um conto italiano, traduzido em versos para o idioma inglês, que posteriormente recebeu um tratamento em prosa. Ambas as versões serviram de base para a peça shakespeariana…

Existe uma lenda urbana segundo a qual Romeu e Julieta realmente existiram, viveram e morreram em Verona, oriundos de famílias inimigas, e que tinham idade bastante precoce para os padrões atuais – algo em torno de apenas 13 anos, o que justificaria suas ações precipitadas e a paixão avassaladora, que não mede conseqüências.

No filme de Robert Wise e Jerome Robbins, à semelhança do que acontece na peça, o longa-metragem apresenta Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos chamados de Jets, apaixonado por Maria, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos. O amor do casal protagonista floresce entre o ódio e a briga das duas gangues e seus códigos de honras, tal qual a desavença histórica entre os Capuletto e os Montechio mostrada em Romeu e Julieta.

Já em Amor, Sublime Amor (2021) do diretor Spielberg, narra a rivalidade juvenil que se passa na Nova Iorque dos anos de 1957. As gangues Jets, estadunidenses brancos, e os Sharks, descendentes de porto-riquenhos, são rivais que tentam controlar o bairro de Upper West Side. Maria (Rachel Zegler) acaba de chegar à cidade para seu casamento arranjado com Chino (Josh Andrés Rivera), para o qual ela não está muito animada. Quando numa festa a jovem se apaixona por Tony (Ansel Elgort), ela precisará enfrentar um grande problema, pois ambos fazem parte de gangues rivais: Maria, dos Sharks; Tony, dos Jets. Nessa história, inspirada em Romeu e Julieta, os dois apaixonados precisarão enfrentar a tudo e a todos se quiserem celebrar esse romance proibido.

Tratando-se de Spielberg, era esperado que seu Amor, Sublime Amor, fosse tão grandioso quanto emocionante, mas o que ele entrega ao público é realmente um dos seus melhores filmes dos últimos anos – e a prova de que, ainda que estejamos em uma fase de refilmagens vazias, pirotécnicas e sem propósitos, ainda existem motivos para revisitar grandes clássicos.

Amor, Sublime Amor conta com uma direção impecável de Steven Spielberg, o que não é de se estranhar, e se torna ainda mais atrativa pelos trabalhos visuais. Enquanto os latinos exploram as cores mais quentes e cheias de vida, os norte-americanos aparecem em tons mais sóbrios, frios, como se fosse uma representação dos sentimentos negativos não só em relação aos seus rivais, como também a indivíduos de diferentes etnias.

Com propostas de mudança, o filme preenche a adaptação original e dá potência à emblemática história também sobre ódio. Assistir a Amor, Sublime Amor, dirigido magistralmente por Spielberg, é não ficar com saudade do primeiro devido à sua atemporalidade. A atuação magistral da atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, depois de ter recusado fazer o papel de Anita por quatro vezes, paga um saco de pipoca.

Trailer Oficial Legendado

Crítica: uma estatueta maior

Spielberg conta porque escolheu adaptar ‘Amor, Sublime Amor’ como seu primeiro musical

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

AMOR, SUBLIME AMOR (2021)

Em destaque a atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante 2022

Comenta-se a exaustão a nova versão moderna de AMOR SUBLIME AMOR (2021), novo filme do magno diretor americano Steven Spielberg, refilmagem do clássico musical de (1961), WEST SIDE STORY, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, filme musical mais premiado da história do cinema, tendo ganhado 10 Oscars, 3 Globos de Ouro e 2 Grammys em 1962, e outros.

Inspirado em Romeu e Julieta, obra mais popular de William Shakespeare e, provavelmente, a história clássica do amor proibido mais conhecida do mundo. Tanto é verdade que essa tragédia romântica é uma das campeãs de adaptação para as telas. O que pouca se sabe é que essa peça de Shakespeare, no que lhe diz respeito, é adaptada de um conto italiano, traduzido em versos para o idioma inglês, que posteriormente recebeu um tratamento em prosa. Ambas as versões serviram de base para a peça shakespeariana…

Existe uma lenda urbana segundo a qual Romeu e Julieta realmente existiram, viveram e morreram em Verona, oriundos de famílias inimigas, e que tinham idade bastante precoce para os padrões atuais – algo em torno de apenas 13 anos, o que justificaria suas ações precipitadas e a paixão avassaladora, que não mede conseqüências.

No filme de Robert Wise e Jerome Robbins, à semelhança do que acontece na peça, o longa-metragem apresenta Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos chamados de Jets, apaixonado por Maria, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos. O amor do casal protagonista floresce entre o ódio e a briga das duas gangues e seus códigos de honras, tal qual a desavença histórica entre os Capuletto e os Montechio mostrada em Romeu e Julieta.

Já em Amor, Sublime Amor (2021) do diretor Spielberg, narra a rivalidade juvenil que se passa na Nova Iorque dos anos de 1957. As gangues Jets, estadunidenses brancos, e os Sharks, descendentes de porto-riquenhos, são rivais que tentam controlar o bairro de Upper West Side. Maria (Rachel Zegler) acaba de chegar à cidade para seu casamento arranjado com Chino (Josh Andrés Rivera), para o qual ela não está muito animada. Quando numa festa a jovem se apaixona por Tony (Ansel Elgort), ela precisará enfrentar um grande problema, pois ambos fazem parte de gangues rivais: Maria, dos Sharks; Tony, dos Jets. Nessa história, inspirada em Romeu e Julieta, os dois apaixonados precisarão enfrentar a tudo e a todos se quiserem celebrar esse romance proibido.

Tratando-se de Spielberg, era esperado que seu Amor, Sublime Amor, fosse tão grandioso quanto emocionante, mas o que ele entrega ao público é realmente um dos seus melhores filmes dos últimos anos – e a prova de que, ainda que estejamos em uma fase de refilmagens vazias, pirotécnicas e sem propósitos, ainda existem motivos para revisitar grandes clássicos.

Amor, Sublime Amor conta com uma direção impecável de Steven Spielberg, o que não é de se estranhar, e se torna ainda mais atrativa pelos trabalhos visuais. Enquanto os latinos exploram as cores mais quentes e cheias de vida, os norte-americanos aparecem em tons mais sóbrios, frios, como se fosse uma representação dos sentimentos negativos não só em relação aos seus rivais, como também a indivíduos de diferentes etnias.

Com propostas de mudança, o filme preenche a adaptação original e dá potência à emblemática história também sobre ódio. Assistir a Amor, Sublime Amor, dirigido magistralmente por Spielberg, é não ficar com saudade do primeiro devido à sua atemporalidade. A atuação magistral da atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, depois de ter recusado fazer o papel de Anita por quatro vezes, paga um saco de pipoca.

a) Trailer Oficial Legendado

b) Crítica: uma estatueta maior

C) Spielberg conta porque escolheu adaptar ‘Amor, Sublime Amor’ como seu primeiro musical

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MASK (1985) – (MARCAS DO DESTINO) – UM FILME COMOVENTE

Rocky Dennis (Eric Stolz) e Diana Adams (Laura Dern), a garota cega

MARCAS DO DESTINO, narra a cinebiografia do jovem Roy L. ‘Rocky’ Dennis (1961-1978), (vivida na telona pelo excelente ator americano Eric Stoltz). Rocky sofre de uma rara deformidade facial, (síndrome de Crouzon), já retratada em outro filme, O Homem Elefante (1980), por David Lynch. Mas, a doença não o impede de ser bem humorado e extrovertido. Rusty, a mãe viciada em heroína, luta com unhas e dentes para que a sociedade o aceite exatamente como ele é. Portanto, Marcas do Destino é um drama emocionante, tocante, que foge às emoções vulgares, exploradas em filmes similares.

Dirigido por Peter Bogdanovich, diretor americano participante da geração de diretores/realizadores da chamada “Nova Hollywood”, ou ainda, movie brats, (na qual estão incluídos William Friedkin, (O Exorcista), Brian DePalma, (Os Intocáveis), George Lucas (Star Wars), Martin Scorsese (Taxi Driver), Steven Spielberg (Tubarão, A Lista de Schindler), Michael Cimino (O Franco Atirador) e Francis Ford Coppola (The Godfather I, Apocalypse Now). O filme mais conhecido do diretor Bogdanovich, depois de Marcas do Destino, é A Última Sessão de Cinema, cuja história é conhecida por envolver dois adolescentes que crescem juntos, iniciam a vida sexual junto e numa única sessão de cinema de uma cidade do Texas, Estados Unidos, nos anos 1950, época da Guerra da Coreia. A amizade dos dois sofre um grande abalo quando ambos se apaixonam pela mesma garota.

MARCAS DO DESTINO é um filme sobre a diferença. Mas, afinal, o que é ser diferente? A discussão é tão constante na contemporaneidade, parte da agenda de setores diversos da vida cotidiana. Falamos disso no âmbito da literatura, do cinema, da psicologia, da educação, da política e de tantos outros “ambientes” que a lista completa apresentaria numerosos caracteres. A diferença, entretanto, delineada ao longo dos 120 minutos do filme em questão trata da narração de uma trajetória bastante peculiar: a saga de uma mãe que precisa lidar com o preconceito e a ignorância diante das pessoas que não entendem a “diferença” do seu filho, um jovem que possui uma doença rara e por isso, é motivo de chacota, descrença e outros problemas que compõem o painel de celeumas da vida em sociedade.

O ponto de partida é numa fase já avançada da vida do garoto. Ele é muito inteligente e perspicaz, mas o diretor da escola em que estuda se nega a matriculá-lo normalmente, alegando que ele deveria ser ajustado numa turma de educação especial. Florence Dennis (Cher) é o seu equilíbrio. Dedicada, ela consegue a matrícula na escola pública, mas sofre os preconceitos já esperados por uma mãe que tem um filho com “deficiência” ou qualquer apresentação que esteja fora dos padrões fixados pela sociedade. Essa é apenas uma das brigas de sua mãe, uma mulher obstinada a enfrentar qualquer peça do sistema para conseguir dar dignidade a cada minuto de vida do filho. As previsões do diretor não condizem com o trajeto, pois o jovem consegue terminar o colegial e arruma o seu primeiro emprego, um cargo de monitor de um acampamento, local responsável por promover a única paixão de sua vida, a bela Diana (Laura Dern), uma garota cega que também se apaixona pela singularidade de Roy, um jovem extremamente delicado e inteligente.

Ao longo do filme, podemos ver como Rocky tenta quebrar os preconceitos entre os colegas de escola, sua luta para fazer a mãe se livrar do vício e viver uma vida normal, assim como ele tenta viver e também podemos notar que, assim como uma pessoa normal, ele busca incansavelmente realizar seus sonhos, mesmo que estes pareçam ser impossíveis devido às suas limitações.

Lançado em 1985, Marcas do Destino é um drama edificante, que foge às emoções vulgares, comuns aos filmes desse estilo. A história não entra em outros detalhes, mas a história de Roy é muito conhecida fora da ambientação fílmica, pois o seu caso raro mexeu com a comunidade médica e levantou debates que extrapolam a ficção. Desenganado ainda quando tinha dois anos, sob a promessa que não passaria dos quatro anos de idade, o jovem Roy lutou o quanto pôde e viveu até os dezesseis anos.

A sua mãe, um exemplar perfeito de um ser humano comum, sem heroísmos fajutos, e por isso, repleta de erros e acertos em suas escolhas, sem a composição essencialista maternal típica hollywoodiana, é um modelo adequado para a composição de um equilibrado desenvolvimento de perfil e necessidade dramática de um personagem. Cher, em uma das suas atuações mais brilhantes, consegue alavancar tais qualidades, ao entregar um excepcional desempenho dramático.

O filme termina com Rusty visitando seu túmulo de Roy, deixando flores e alguns cartões de beisebol ao lado de sua lápide e uma narração do próprio Rocky, que recita o poema que havia escrito para a aula de inglês e que o garoto havia mostrado para sua mãe previamente num momento do filme.

a) Marcas do Destino – cena do acampamento

b) Marcas do Destino – cena dois do acampamento

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RÁPIDA E MORTAL (1995), UM SPAGHETTI WESTERN TRASH

Cartaz quando lançado em DVD

“RÁPIDA E MORTAL,” título recebido no Brasil para o oeste THE QUICK AND THE DEAD, do diretor americano Sam Raimi, famoso por dirigir a série de filmes do Homem-Aranha e do Grito, conta a história de uma mulher misteriosa, Ellen, que cavalga até a cidade fictícia de Redemption em busca de vingança. Ela vem para matar o poderoso xerife da cidade, o homem que tornou o lugarejo desolado por suas ações cruéis qual o deserto que agora ela atravessa para chegar lá. Mas os demônios que a levaram para este mortal conflito são os mesmos que a colocaram numa situação limite; e o estranho é que pode ser a única a cair morta ao final do acerto de contas. Estrelado por Sharon Stone no papel da atriz principal, ela é a mulher sedutora de homens em Instinto Selvagem e Gene Hackman, cinco vezes indicado ao Oscar, vencedor por duas vezes, numa atuação magistral como o xerife vingativo.

“Rápida e Mortal” é um daqueles faroestes descartáveis, que diverte, mas você só assiste uma vez. Está a milhões de anos de ser uma obra-prima. Mas o pior é que o filme diverte mesmo. Prepare-se para tiroteios rápidos, vilões cruéis e caricatos, e mortes mais que dramáticas. O filme em si é exagerado, mas esta é a fórmula certa, o exagero para divertir. O diretor Sam Raimi conduziu a brincadeira certinha. Mas miss Stone estava bem à vontade, até porque o filme teve poder de barganha da loura. Ela mandava em Hollywood nesta época. Coadjuvante de luxo do porte de Leonardo DiCaprio e Russel Crowe, mas mesmo assim o filme não decolou e caiu no esquecimento. O que fica de reflexão é porque Hollywood é tão injusta com seus mitos? DiCaprio e Crowe nesta época eram quase desconhecidos e Sharon era a rainha da cocada preta; hoje Crowe e DiCaprio figuram como os maiores astros de Hollywood enquanto a estrela de Sharon se apagou e a cocada preta alguém comeu.

A coragem de Sam Raimi se afirma na confiança do protagonismo a uma mulher. Em território historicamente dominado por homens, no qual a mulher ou era submissa esposa ou prostituta, surge cavalgando no horizonte a bela Ellen (Sharon Stone). Vestida de cowboy, arma no coldre, chapéu e aquele olhar ferino tipo “Estranho Sem Nome”, ela chega até a cidade de Redemption em busca da boa e velha vingança, tema abundante num período em que 09 entre 10 pessoas carregavam armas nas ruas e, não raro, davam vazão à raiva metendo bala na cabeça de alguém. No caso de Ellen, a desforra tem razões mais sombrias e remonta ao assassinato do pai, então Xerife, pelo bando de John Herod (Gene Hackman) que, claro, ela encontrará na cidadela com nome de premonição.

John Herod promove na ocasião um torneio de tiro, onde viver é sinal de vitória. Ele traz forçosamente o velho parceiro Cort (Russell Crowe) para a peleja, tirando-o da vida dedicada às pregações religiosas para lembrá-lo de seu passado assassino. Cort, rápido e letal, será espécie de suporte psicológico a Ellen. Além da vingança, outro tema trabalhado em Rápida e Mortal é a relação pai/filho, uma vez que Herod terá como oponente seu próprio filho Fee “The Kid” (Leonardo DiCaprio), jovem ávido para provar ao pai seu valor, nem que para isso precise matá-lo em duelo.

Sam Raimi cozinha esse assado numa panela repleta de referências, sendo a principal delas o italiano Sérgio Leone, ícone do chamado spaghetti western, e o maior diretor de faroeste do Século XX. Entre filiar-se à tradição estadunidense e seguir a maior dramaticidade do bangue-bangue europeu, o diretor envereda visualmente pela segunda, muito mais próxima de seu itinerário estilístico repleto de ângulos insólitos e tipos marcados.

Mas Raimi não se propõe ao pastiche, dotando Rápida e Mortal de identidade própria e carimbo com sua assinatura contumaz. Quiçá o problema (se isso for problema) maior do filme reside no eclipse da protagonista por dois personagens tão ou mais fortes que ela própria: Herod e Cort. Algo a ver com as interpretações contundentes de Gene Hackman e Russell Crowe, frente à burocrática Sharon Stone? Pode ser. Independente dessas questões, Rápida e Mortal é um filme que tem seus brios, empolgantes e cheios de energia. Se não trouxe nada de novo para o gênero, o resgatou dignamente do limbo.

O filme possui várias qualidades, e uma delas é seu elenco impressivo. Dentre os atores presentes no filme, tem-se a presença de Sharon Stone, Gene Hackman, Leonardo DiCaprio e Russell Crowe, então o filme apresenta um conjunto de atores talentosos. Apesar de que na época o impacto de alguns desses nomes não ser o mesmo de hoje, já que o filme foi feito com o DiCaprio antes de fazer Titanic e Crowe antes de ganhar seu Oscar. Isso não tira o peso de suas performances, que são boas. Mas é Hackman que dá um show aqui, com uma atuação que eleva o personagem que ele interpreta. Que tem presença de tela e que sabe entregar ótimos diálogos.

Um dos pontos altos do filme são as cenas dos duelos, que são bem trabalhadas, e todas elas são distintas umas das outras, principalmente por causa do ritmo e da edição, que sempre varia e impede que as cenas pareçam repetitivas. O filme também é ótimo tecnicamente falando, já que possui ótimos cenários, com um design de produção coerente, assim como os figurinos, que combinam com a personalidade de seus personagens. A trilha de Alan Silvestri casa com o filme de forma perfeita, e a música tema do filme é bastante melódica e memorável.

O western spaghetti de Sam Raimi é autêntico e divertido. Apesar de ser um caso de um filme com mais estilo do que substância. Relevam-se todos os problemas com o roteiro e alguns personagens. São uma hora e trinta minutos que passam rápido e que cumprem seu papel de entretenimento, para os que gostam do gênero spaghett western.

Trailer: The Quick and The Dead (1995) [CZ]

RÁPIDA E MORTAL (The Quick and the Dead, 1995) – Crítica

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

SPAGHETTI WESTERN – “SUBGÊNERO DO FAROESTE AMERICANO?”

Ou: “Uma nova maneira criativa de se fazer faroeste?”

Cenas características do spaghetti western

Surgido na Itália, o denominado spaghetti western, ou faroeste espaguete, faroeste macarrônico, ou bangue-bangue à italiana, foi um subgênero de filme de faroeste nascido na Itália no início dos anos 60 até o seu término nos anos 70, considerando-se o auge das grandes produções, que possuíam como características principais, diferenciadas dos faroestes americanos: um nível de violência mais explícito, os efeitos sonoros mais acentuados, os sons das armas mais ressoantes, os sons das cavalgadas dos cavalos mais esganiçados, assim como a utilização de imagens e símbolos religiosos – principalmente o católico – que eram mais explícitos.

Outros elementos de destaque são os tiroteios e a morte de vários personagens, por autoria do herói que faz justiça pelas próprias mãos ou quando é contratado por barões das ferrovias, da jogatina, contrabandistas de armas e de ouro, para matar desafetos. Incluindo-se aqui, também, os caçadores de recompensa. A presença constante do duelo, frequentemente no clímax do filme, é também outra marca registrada dos spaghetti western.

A música e os efeitos sonoros são outro ponto que se sobressaem no faroeste spaghetti. No subgênero, os diálogos são escassos e a trilha sonora é utilizada como elemento de construção da narrativa. E nesse cenário de valorização da música como fundamental para o clima de cada cena se destaca o maestro Ennio Morricone, o mais famoso compositor de músicas para o subgênero de todos os tempos. As composições dele foram pano de fundo para todas as produções de Sergio Leone. É dessa parceria entre o diretor e o compositor que nasceu a chamada Trilogia dos Dólares (Trilogia del Dollaro), composta pelos longas “Por um Punhado de Dólares” (Per un pugno di dollari, 1964), “Por uns Dólares a Mais” (Per qualche dollaro in più, 1965) e “Três Homens em Conflito” (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966). A trilogia é uma das mais marcantes do spaghetti western e da obra-prima “Era Uma Vez No Oeste” (Once Upon a Time in the West). Os filmes, todos dirigidos por Sergio Leone e com as trilhas marcantes de Morricone, são responsáveis por retratar um velho oeste totalmente novo, repleto de detalhes e uma visão real da violência presente no faroeste.

Com um orçamento pífio nas mãos, mas com faro de gênio, o diretor Sergio Leone reinventou o western na Itália com um filme de baixo orçamento: “Por um Punhado de Dólares” (1964). Embora não fosse o primeiro western italiano, a abordagem de Sergio Leone foi única. O filme logo se tornou um tremendo sucesso na Itália e fez do ator Clint Eastwood uma estrela. Por isso é que o diretor Sergio Leone está para o western spaghetti italiano assim como John Ford está para os filmes oeste americano.

Depois de alcançar o auge com “Era Uma Vez No Oeste” (1968), um dos melhores filmes de faroeste de todos os tempos, senão o melhor, o western spaghetti, assim como todo gênero cinematográfico da história do cinema, foi perdendo a majestade, e com a morte do genial diretor Sergio Leone e o não surgimento de outro gênio, houve uma pá de cal nas grandes produções.

Mais recentemente, uma nova geração de cineastas foi responsável por redescobrir o subgênero e fazer referências a ele em suas produções. Um representante importante nesse movimento é Quentin Tarantino. Músicas de Ennio Morricone compostas para a Trilogia de Dólares estão presentes no filme Kill Bill: Volume 2 (2004). Outra homenagem clara é o longa, Django Livre (Django Unchained, 2012), produzido em referência à obra máxima do diretor Sergio Corbucci, o longa Django.

Mesmo com as produções de um diretor renomado como Quentin Tarantino trazendo a marca spaghetti western de volta às telonas e grandes diretores – como Martin Scorsese e Steve Spielberg – confirmando sua admiração por Sergio Leone, o faroeste italiano caiu no esquecimento. Apesar de Sergio Leone ser reconhecido pelos espertises do gênero como o maior cineasta spaghetti de todos os tempos, suas obras que antes eram aguardadas como a macarronada de domingo, ficaram esquecidas como um velho livro de receitas que ninguém quase não mais consulta para fazer deliciosos bolos de bacalhau para serem degustados com 51, somente os admiradores de bom gosto da velha guarda e os jovens inteligentes aficionados pelo gênero, apreciam.

Como Surgiu o Faroeste Spaghetti?

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

THE HURRICANE – (1999) – O FURACÃO INOCENTE NO INFERNO VIVO

Cartaz de The Hurricane lançado em Blu-Ray em 2000

A cinebiografia HURRICONE – O FURACÃO (1999), conta a história de Rubin “Hurricone” Carter (Denzel Washington, numa atuação magistral), famoso pugilista estadunidense, cuja prisão por assassinato foi cercada de suspeita por perseguição racial. Em 1966, Rubin Carter foi detido junto com um amigo e acusado do assassinato de três pessoas em Nova Jersey. Após rápido julgamento, ele foi condenado à prisão perpétua por um júri composto exclusivamente por brancos por triplo assassinato. Tanto Rubin Carter como seu amigo, John Artis negaram envolvimento nos assassinatos, passaram sem problemas por um detector de mentiras e as testemunhas não os reconheceram como os executores dos disparas no bar, mas mesmo assim foram condenados. O filme mostra as pessoas que ajudaram a conseguir um novo julgamento que o inocentou. Rubin Carter ficou encarcerado por quase 20 anos e a sua esperança restringia-se aos fãs que acreditavam em sua inocência.

“Esta é a história de Hurricane, o homem que as autoridades vieram a culpar por algo que ele nunca fez. Posto na prisão, aquele que poderia ter sido campeão do mundo,” assim escreveu Bob Dylan na letra da música Hurricone, protestando pela injustiça da condenação preconceituosa do boxeador.

Em junho de 1966, Rubin “Hurricane” Carter (Denzel Washington) era um forte candidato ao título mundial de boxe. Entretanto, os sonhos de Carter vão por água abaixo quando três pessoas são assassinadas num bar em Nova Jersey. Indo para casa em seu carro e passando perto do local do crime, Carter é erroneamente preso como um dos assassinos e condenado à prisão perpétua. Anos mais tarde, Carter publica um memorial, chamado “The 16th round”, em que conta todo o caso. O livro inspira um adolescente do Brooklyn e três ativistas canadenses a juntarem forças com Carter para lutar por sua inocência.

O filme “The Hurricane – O Furacão” é baseado na história real de Rubin Carter, um famoso pugilista que após ganhar 18 lutas seguidas passou a ser conhecido como “Furacão” por seus golpes demolidores. No entanto, a carreira vitoriosa de Carter foi interrompida por uma acusação infundada de três homicídios.

A trajetória do garoto negro que aprendeu cedo a sobreviver, como o próprio se define, começa a ficar turbulenta aos 11 anos, quando tem seus direitos de cidadão violados e é condenado a cumprir sentença até completar 21 anos por atacar um pedófilo branco da alta corte americana. O detetive encarregado da investigação foi Della Pesca, um branco racista da sociedade, o mesmo que se encarregaria de reunir provas falsas para incriminar Rubin novamente em 1965.

A história de Rubin Carter comoveu artistas e fãs e ganhou propagação mundial, mas nem mesmo as inúmeras manifestações e os protestos foram suficientes para tirá-lo da prisão. Carter foi preso e condenado a prisão perpétua, junto com seu amigo John Artis, porque duas testemunhas do local do crime confirmaram os dois como autores do triplo assassinato. As testemunhas foram subornadas pelo detetive particular racista Della Pesca, que encontrou uma maneira simples e rápida de resolver o caso.

Após passar, quase 20 anos preso, e ser julgado e condenado duas vezes por um júri branco, Rubin Carter estava desacreditado de sua liberdade. No entanto, o livro escrito por ele, nos primeiros anos de cadeia, intitulado The 16th Round – De número 1 ao número 45472, caiu nas mãos de Lesra, um garoto negro que se identificou com a história do pugilista e motivou a família canadense a lutar pela liberdade de Carter. Essa amizade foi responsável por em 1985 garantir a liberdade de Hurricane. Tendo a sentença de condenação anulada por um juiz do tribunal federal que, na sentença, encontrou prova de racismo e alteração da realidade dos fatos por um detetive particular branco, racista, que o havia condenado na adolescência.

É interessante pensar em Hurricane como um campeão de boxe, afinal a sua grande vitória vem ao escrever sua biografia que encanta o jovem Vince e seus amigos canadenses, e é com a ajuda dele que Rubin (Hurricane) consegue sair da prisão após quase 20 anos preso injustamente.

O filme, além de contar com uma atuação magistral de Denzel Washington (lembrando seus momentos de glória em Duelo De Titãs e O Voo, onde esteve brilhante) também é muito bem escrito, conseguindo prender o telespectador durante as mais de duas horas e meia de exibição e consegue fazer o espectador escolher um lado, se o da polícia, ou (e obviamente) o do boxeador.

Para aqueles que pensam que Hurricane – O Furacão, é apenas mais uma biografia de um homem que conseguiu dar a volta por cima; enganam-se. O filme é sim uma verdadeira superação, é uma aula onde a pauta principal é a vida; Porque viver? Porque o racismo? Porque eu? Essas são apenas algumas das inúmeras perguntas respondidas e que estão muito bem delineadas nas entrelinhas do roteiro. É possível até mesmo uma comparação a filmes como “We Are Marshall” (2006), “The Pursuit of Happyness” (2006), “A Procura da Felicidade”, que além de superação, nos mostram a importância de aceitar as coisas e pensar, no lugar de se irritar com o destino o certo é lutar.

As considerações fáticas do Juiz Federal, Sarokin, para anular os dois processos de primeiro grau do Tribunal Estadual de Nova Jersey são um primor de contextualização jurídica. E a frase que Rubin Carter pronunciou ao jovem Lesra Martin de dentro do parlatório, o adolescente negro que abraçou a causa por puro amor à Justiça, pagam o filme: “O ódio me pôs na prisão. E o amor vai me tirar.” – concluiu Carter.

The Hurricane – (Trailer Oficial)

Caso CARTER: Inspiração de BOB DYLAN “HURRICANE”

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

CARMEN JONES (1954) (UM MUSICAL OPERÍSTICO)

Cartaz em DVD, lançado em 2000

Essa crônica foi elaborada em parceria com o grande cinéfilo d.Matt., que me guiou e me orientou sobre a origem do enredo e sobretudo pela origem da música, e sua adaptação para o filme, que originalmente foi tirada de uma famosa ópera francesa, (Carmen de Bizet) e belamente adaptada para a cena americana, totalmente dentro dos usos, costumes e comportamentos da comunidade negra daquele país.

* * *

“Diz a sinopse do filme CARMEN JONES (1954), o extraordinário musical operístico: Impulsionado pela poderosa obra musical de George Bizet e as magníficas letras de Oscar Hammerstein II, esta versão americanizada da clássica ópera Carmen de Bizet é ‘um show dinâmico e soberbo’ com uma incandescente Carmen no auge de sua exuberância musical.”

Dorothy Dandridge, indicada ao Oscar de melhor atriz, estrela do papel principal, uma ardente e sexy criatura que cativa Joe, (Harry Belafonte), um soldado atraente, que está longe de sua amada (Olga Jemes).

Após uma briga fatal com seu sargento, Joe deserta (abandona) seu regimento com sua excitante “femme fatale.”

Porém, logo Carmen se cansa dele e se une a um lutador peso pesado (Joe Adams), disparando a trágica vingança de Joe. Ajudando a colocar fogo na tela estão Pearl Bailey e Diahann Carroll, parte do “sensacional” elenco que torna esse maravilhoso musical “difícil de ser batido” (como bem resumiu o Los Angeles Times) na época do lançamento do filme.

Carmen Jones é uma ópera francesa, adaptada e traduzida musicalmente para as terras americanas, com talento e muita criatividade por gente talentosa que conhece o que faz e o faz com muita competência, catilogência, muito talento e muito amor à arte cinematográfica.

O que veio depois desse clássico musical (se é que veio alguma coisa do gênero), foram chanchadas salobras sem qualquer originalidade e não nos vem à memória nada que possa ser citado como produção de qualidade, mesmo a propalada ressurreição do gênero pelo pretensioso musical “LA LA LAND”, que a nosso ver foi um grande fiasco, como já era esperado pelos amantes dos musicais de qualidade e pela crítica de filmes desse naipe.

Esse breve introito serve apenas para lembrar aos possíveis leitores que no passado do cinema, no ano de 1954, foi levado à telona uma obra-prima do gênero musical, uma grande ópera, traduzida e regiamente adaptada pelos experts hollywoodianos, no que resultou em uma das maiores obras do gênero musical de todos os tempos.

Referimo-nos à famosa e muito popular ópera CARMEN DE BIZET. Hoje em dia chamar uma ópera de popular é quase uma falácia, mas creiamos mesmo que a ópera Carmen sempre foi a mais encenada, principalmente nos países latinos ou europeus de língua de origem latina.

Os produtores entregaram ao muito competente diretor Otto Preminger, outrora à frente da direção de Laura (1944), Anatomia de Um Crime (1959), Exodus (1960), O Homem do Braço de Outro (1955), a direção do filme e o resultado ficou acima de todas as expectativas. O diretor, com muita criatividade, exigiu um elenco totalmente de atores negros, pois nem mesmo nas cenas externas de rua das cidades em que foram filmadas, encontra-se uma única pessoa de cor branca. É um mundo black em todos os sentidos, e esse mundo é explorado com precisão em todas as cenas, com o comportamento dos personagens, suas reações, suas falas características, com sotaques “nigger”.

As árias, belamente adaptadas, são cantadas também com sotaques dos “niggers”, como por exemplo, quando Carmen na primeira ária, a famosa “Habanera”, ela canta num inglês crioulo, com gesticulação, sotaque e palavras adaptadas para o regionalismo criado. A ária “Habenera” da ópera é então cantada como “DAT’S LOVE’, exibindo um regionalismo local muito enraizado. Isso acontece em todo o filme, porém com grande qualidade, cujo resultado é acima do esperado.

A atriz principal, Dorothy Dandrige, é um achado, ninguém melhor do que ela seria capaz de interpretar esse papel com tanta criatividade, beleza, sensualidade e um carisma impressionante. Ficou famosa mundialmente e depois desse estrondoso sucesso viajou pelo mundo, se exibindo como cantora, inclusive algumas vezes no Brasil para a exibição de sua arte. Ela foi a primeira atriz negra a ser candidata ao prêmio Oscar como atriz principal.

Acontece que no filme quem dubla a cantora Marilyn Hornen, que a dubla em todas as canções, isto porque a atriz Dorothy Dandrige tem uma voz muito pequena e não poderia dar conta do recado completamente.

O elenco é de astros de grande qualidade, principiando com o trabalho notável do cantor Harry Belafonte que se sai muitíssimo bem em todas as cenas dramáticas exigidas pelo papel.

Uma das principais personagens é interpretada pela ótima cantora Pearl Bailey que usa sua própria voz em algumas oportunidades com excelente resultado.

O ator que faz o papel do boxeador famoso (na ópera, um toureiro), Leverne Hutcherson, tem a sua grande oportunidade ao interpretar a ária (toureador) que no filme foi adaptada com grande criatividade e bela interpretação dublada por um Baixo, e nos dá uma magnífica personificação de um pugilista famoso e interpreta magnificamente a famosa ária que foi intitulada “Stand up and fight”, é um dos pontos altos do filme.

O quinteto operístico também está presente, numa bela composição intitulada “Chicago Train”, muito bem cantada a cinco vozes com precisão notável.

Enfim, todas as fases da ópera foram adaptadas belamente com resultados acima do esperado e quando termina o filme, ficamos deslumbrados com tamanha criatividade artística.

Há que se citar também a presença e voz da cantora Diahann Carrol num papel secundário, mas com uma presença de tela bastante agradável.

CARMEN JONES é um filme musical operístico único. Uma bela obra de arte cinematográfica. Assisti-lo cinqüenta vezes, se necessário for, é um presente para o lado bom gosto do cérebro, que não se cansa de sentir o que é belo.

Carmen Jones (trailer)

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Carmen Jones (1955): “Beat Out dat Rhythm on a Drum” – Pearl Bailey – Full Song/ Dance – Musicals

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

CAPITÃO PHILLIPS (2013) – UMA OBRA-PRIMA DE SUSPENSE EM ALTO MAR

Capa do lançamento em Blu-ray do filme

Esse suspense começa de maneira curiosa. O capitão Richard Phillips (interpretado magistralmente por Tom Hanks), está se preparando para mais uma viagem em alto mar, e conversa com sua esposa, a atriz Catherine Keener, sobre o estado do mundo. O diálogo é bastante genérico, com frases do tipo “Os tempos não estão fáceis” e “As coisas não são mais como antigamente”. Depois ele informa a esposa – como se ela já não soubesse – que o filho do casal precisa estudar, tomar um rumo na vida. Esta sequência meio artificial serve para apresentar a característica central do protagonista: a prudência. O Capitão Phillips é um homem calmo, sensato, que reflete antes de agir.

Ele deve enfrentar outro capitão, somaliano, com personalidade contrária à sua. Muse Barkhad Abdi, com interpretação impecável, é um homem impulsivo, inexperiente, mas muito determinado. Sua apresentação é igualmente sucinta (ele esfaqueia um colega após uma brincadeira banal). O roteiro não faz questão de esconder o encontro iminente entre os dois, incluindo desde os primeiros minutos informações sobre o grande número de ataques piratas na região por onde deve passar Phillips, e depois abandonando o americano para revelar Muse e sua pequena equipe se preparando para o ataque. Esta é uma primeira boa surpresa de Capitão Phillips: o filme não adota apenas o olhar do herói, vendo seus inimigos do exterior, como na maioria das tramas de guerra. O roteiro dá espaço aos dois capitães, enxergando o mundo pelos olhos de cada um.

Tendo dirigido outra obra com fonte e temática semelhantes – Voo United 93 – o diretor Paul Greengrass consegue também reunir sua qualidade de diretor de ação que fez toda a diferença em A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne para envolver o espectador de tal maneira que os 134 minutos de projeção passam em um piscar de olhos. Mas é claro que ele jamais poderia ter feito o que fez em Capitão Phillips não fosse a impressionante atuação de Tom Hanks, que volta a comprovar que é um dos melhores atores vivos da atualidade.

Abordando paralelamente os preparativos do capitão do título (Tom Hanks) e dos piratas somalis para zarpar, vemos a convergência da ação acontecer já com menos de 30 minutos de filme. Nesse tempo, Greengrass estabelece a personalidade detalhista do capitão e o respeito que sua tripulação tem por ele ao mesmo tempo e que trabalha a construção dos piratas, o porquê de eles fazerem o que fazem e como é a distribuição de poder entre eles. Entendemos as motivações dos dois lados e o roteiro de Billy Ray (Jogos Vorazes, Plano de Voo) tenta não julgar as ações de ninguém, apenas expor.

Quando finalmente os dois lados se unem, em espetacular sequência de pirataria moderna que esclarece como uma pequena lancha caindo aos pedaços pode abordar um gigantesco navio cargueiro em pleno mar aberto, Greengrass aperta na tensão. Usando desde planos abertos durante o ataque até close-ups nas cenas mais tensas, o diretor e Barry Ackroyd, o diretor de fotografia responsável também por Voo United 93 e Guerra ao Terror, mantêm uma câmera nervosa, observadora, que muitas vezes olha para onde os personagens olham também, dando-nos pouco aviso do que veremos em seguida. Com isso, eles efetivamente conseguem contrapor o capitão e sua tripulação imediata (os demais se escondem) e os quatro piratas que tomam o navio e criam um jogo emocionante de frieza e desespero, alívio e dor, razão e emoção.

Ao usar câmeras que se aproximam dos atores, o diretor não dá espaço para o espectador, que se vê jogado em pleno calor do momento, sem saber muito bem o que fazer exatamente como o capitão Phillips deve ter se sentido. Além disso, ao imprimir um tom documental à projeção, Greengrass empresta enorme grau de veracidade ao que vemos. Não fosse a presença de Tom Hanks ali, um desavisado poderia achar que está realmente vendo um documentário ou, até mesmo, em alguns trechos, uma notícia de telejornal.

Outro grande acerto do diretor foi escolher um filme fortemente granulado, novamente para dar impressão de gravação com câmera amadora, mas sem o usual “tremelique” que costumamos ver em outras fitas que tentam passar a mesma sensação. A câmera é tensa, mas não sacode como as ondas do mar que cercam o paquidérmico navio.

E, no meio disso tudo, vemos Tom Hanks passar de um capitão rotineiramente preocupado para um homem que faz de tudo para salvar sua tripulação e que, depois, tem que fazer de tudo para sobreviver. Mas suas ações não são “maiores que a vida” ou típicas de um filme de ação, mesmo de algumas biografias que volta e meia vemos por aí. O lado humano, pé no chão (acho que “no convés” seria mais apropriado) do capitão Phillips transparece facilmente pelas ações de Hanks. Ele é seguro de si, mas seu medo está poucos milímetros abaixo de sua pele. Ele age muito mais com palavras do que com o corpo, tentando manter os piratas razoavelmente dentro de controle.

Na medida em que a tensão aumenta, Hanks vai se despindo da frieza forçada pela situação e se entrega quase que totalmente ao desespero e sua atuação no dénouement é assombrosa, angustiante de verdade. Novamente, se não fosse ele ali na tela, um ator tão conhecido, um desavisado poderia facilmente acreditar que está vendo um documentário.

Mas o interessante é que sua “oposição”, o pirata Muse, vivido por Barkhad Abdi, ele próprio um somali que fugiu com sua família para o Iêmen e, depois, para os EUA, é igualmente fantástico. Logo tomando o posto de “capitão”, Muse, líder do grupo, passa a ter que lidar tanto com seus prisioneiros gringos como com seu colega Bilal (Barkhad Abdirahman), extremamente tenso e violento. Esse frágil equilíbrio de forças e toda a situação que se estabelece extraem de Abdi uma atuação excepcional e crível. Na verdade, ele faz o único pirata que não é unidimensional, criando camadas e camadas de complexidade para seu Muse.

E não vejam essa “unidimensionalidade” como um ponto negativo em Capitão Phillips. Não é. O foco, como o título deixa mais do que claro, é o capitão. É o show de Tom Hanks. Greengrass não se interessa em dividir a atenção do público entre muitos personagens com profundidade. É só mesmo Phillips de um lado e Muse de outro. Nem mesmo quando os soldados de elite americanos entram na narrativa, o foco muda. Eles são também rasos, verdadeiros peões dentro do esquema maior do diretor.

E esse enquadramento funciona muito bem, pois o investimento emocional do público no destino de Phillips é a pedra de toque da fita e o que faz a narrativa ser impulsionada. Se nosso engajamento com o personagem não funcionar logo de início, o filme falhará. E Greengrass emprega todos os seus esforços de contador de história para que isso aconteça, usando não só a câmera da maneira como descrevi acima, mas trabalhando junto com Christopher Rouse (companheiro de Greengrass nos dois Bourne, Voo United 93 e Zona Verde) para fazer uma montagem elétrica, mas nunca confusa, com cortes bruscos, mas claros e que só nos desnorteiam quando efetivamente têm esse objetivo (especialmente nas cenas finais no barco de escape).

Mas seria leviano de minha parte não destacar o assustador trabalho de Henry Jackman na trilha sonora. Compositor ainda de pouca relevância, tendo trabalhado nos recentes G.I. Joe: Retaliação, É o Fim e no vindouro Capitão América 2, Jackman executa uma obra que, inserida em momentos cirúrgicos da fita, cria nervosismo, tensão e muito desespero. É um dos melhores usos de música em filme esse ano, lado a lado a Gravidade, de Cuarón.

Todas essas peças perfeitamente encaixadas na estrutura narrativa que Greengrass meticulosamente constrói, arremessa-nos sem dó na tensão por que passa o capitão Phillips. Sofremos o que ele sofre por pouco mais de duas horas e essa é a prova cabal da qualidade do trabalho da produção. É a realidade sendo mais real do que a ficção.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

ERA UMA VEZ NO OESTE (1968)

Era Uma Vez no Oeste foi mais uma obra-prima do proeminente diretor Sergio Leone. Só não superou a si mesmo devido ao insuperável O Bom, O Mau e o Feio (Três Homens em Conflito-1966), último filme da Magna Trilogia dos Dólares. Mas sem dúvida esse é um clássico do faroeste superlativo, e por que não do cinema como um todo. Superou filmes que à época eram endeusados por muitos “críticos” como melhores do gênero western, como Rio Bravo (1959) – Onde Começa o Inferno e Matar ou Morrer (1952)…

Era Uma Vez no Oeste mostra a realidade nua e crua do oeste, com homens cruéis lutando para sobreviver a ermo, utilizando-se de métodos torpes. Para quem gosta de cinema essa obra-prima é insuperável. Fica a dica, para quem não assistiu O Bom, O Mau e o Feio, também assisti-lo, pois se trata de uma magna obra superior, de importância cinematográfica superlativa, épica.

Era uma Vez no Oeste é muito mais do que um dos maiores faroestes já feitos. Essa obra-prima de Sergio Leone transcende qualquer categorização por gêneros ou subgêneros e alcança facilmente o panteão dos melhores filmes que já sagraram as telonas. É, talvez, o ponto alto da carreira do diretor, que demonstra uma impressionante maturidade de temas, fotografia, cenografia, montagem, trilha sonora e um controle absoluto de seu elenco, para alcançar um resultado de se aplaudir de pé.

E olha que Sergio Leone nem mesmo precisou se distanciar muito da estrutura que lhe deu todo o renome que tinha quando ele, tentando fugir das ofertas da United Artists e outros estúdios para dirigir mais westerns, não conseguiu recusar o orçamento generoso da Paramount, que vinha encabeçado pela oferta dele trabalhar com Henry Fonda, seu ator preferido e que era sua escolha original para o papel que consagrou Clint Eastwood na Trilogia dos Dólares. Novamente preso ao gênero do qual queria fugir, Leone não se fez de rogado e arregimentou a ajuda de Dario Argento e Bernardo Bertolucci (ambos, à época, críticos de cinema e roteiristas ainda em começo de carreira, com Bertolucci já tendo dirigido, mas nada relevante) para criar a linha narrativa de Era uma Vez no Oeste.

Essa trinca colaborativa foi extremamente importante para o sucesso que o filme alcançaria e, também, para a atemporalidade dessa fantástica obra (sim, essa fita é merecedora de hipérboles!), pois Leone, Argento e Bertolucci extraíram a essência dos faroestes americanos de grande sucesso à época e trabalharam na inserção desses elementos representativos ao longo de toda a narrativa, mas sem se esquecer dos elementos característicos do faroeste característico do próprio Leone, como o misterioso personagem sem nome, (no caso “Harmônica”), vivido por Charles Bronson) e o passo desacelerado, que ganhou contornos próprios em Era uma Vez no Oeste que, logo em sua longa abertura, nos apresenta as aventuras de uma mosca sobrevoando pistoleiros sujos e suados.

Com a narrativa pronta e uma versão do roteiro já escrita, Leone chamou Sergio Donati, que trabalhara com ele, sem receber créditos, em Por um Punhado de Dólares e outros, para fazer a sintonia que durara um ano. Donati, então, focou em destilar Era uma Vez no Oeste para sua essência, com o objetivo de tornar o filme o mais hollywoodiano possível, mas ao mesmo sem perder a alma do western spaghetti. São de Donati os diálogos marcantes da projeção, além de ter sido ele o responsável por impedir que o filme, depois, fosse muito mutilado para lançamentos em mercados diferentes, ainda que as versões feitas tivessem oscilado entre 145 e 175 minutos, mas nenhuma delas realmente se sobrepondo de maneira relevante sobre a outra.

Uma grande vitória, sem dúvida. Trabalhando duas narrativas a princípio separadas sobre o conflito gerado com a chegada dos trens e outra uma típica história de vingança, que se misturam com as mais clássicas histórias de bandidos e histórias envolvendo ameaças às terras de alguém.

Sergio Leone constrói, sempre com seu passo preciso, detalhista e lento de um western spaghetti, uma rede de tramas envolvendo Harmonica, o herói silencioso que caça o pistoleiro Frank (Henry Fonda) que, por sua vez, assassina a família McBain para abrir espaço para a chegada da ferrovia e coloca a culpa em Cheyenne (Jason Robards), que se une à Harmonica para salvar Jill McBain (a estonteante Claudia Cardinale), ex-prostituta e herdeira da fazenda dos McBain da sana assassina de Frank. Reparem na circularidade do roteiro, que não deixa pontas soltas e encaixa uma narrativa aparentemente solta à outra, demonstrando o excelente trabalho na confecção da história e o cuidado na redação do roteiro.

E Leone não tem pressa em fazer revelações. Não sabemos bem quem é o misterioso homem que toca gaita, que é perseguido por três assassinos no começo, não entendemos exatamente as intenções de Frank ainda que sintamos um certo temor ao ver aquela figura de olhos azuis penetrantes e demoramos a perceber o exato papel de Cheyenne e de Jill na trama. Tudo é mostrado e pouco é dito, mas o desenrolar e a convergência das linhas narrativas são cadenciados à perfeição de forma que diálogos se tornam supérfluos. Os olhares, com os famosos planos detalhes de Leone, contrastados com tomadas em plano geral, dizem tudo.

Somos tragados para a história naturalmente e a longa duração do filme parece passar em alguns instantes, tamanha é nossa fixação na tela. E, permeando o embate, há, mais uma vez, a trilha sonora de Ennio Morricone, um de seus mais impressionantes trabalhos. Desde a gaita narrativa coroando o leitmotif de Harmonica, passando pela música mais forte que caracteriza Frank, até o belo vocal de Edda Dell’Orso, que empresta nobreza e força à Jill McBain.

Talvez não tão memorável quanto à trilha de Três Homens em Conflito, a composição de Morricone para Era uma Vez no Oeste parece, por outro lado, ainda mais integrada à narrativa que no filme com Clint Eastwood e isso talvez se deva ao fato que Leone, em um movimento raro, pediu para Morricone compor a trilha antes das filmagens começarem, de maneira que o diretor pudesse tocá-la durante a fotografia principal, em atitude, hoje em dia, mimetizada por Quentin Tarantino, com suas músicas pop que escolhe pessoalmente e toca nas filmagens.

Com isso, talvez, a música de Era uma Vez no Oeste tenha influenciado as atuações e não o contrário como é o usual, resultando em uma mescla que pouco se vê por aí. Ainda falando em som, o trabalho do espectro sonoro em Era uma Vez no Oeste é perfeito, desde a edição de som até sua mixagem, com o uso de sons inspirados pelos westerns usados como referência aliado a um orçamento mais alto, que permitiu um trabalho melhor na finalização, especialmente se comparado com a Trilogia dos Dólares. A união da trilha sonora com os sons do filme e, em vários momentos, com a substituição da trilha pelos sons, aumenta a sensação de imersão que a fita proporciona, envolvendo-nos ainda mais profundamente na história da trinca principal de personagens. Era uma Vez no Oeste é um grande triunfo cinematográfico, merecendo figurar em todas as listas dos melhores filmes já feitos. Sergio Leone merece todos os nossos agradecimentos profundos e uma eterna salva de palmas.

Era uma Vez no Oeste é o melhor filme de faroeste de todos os tempos!

a) Trailler oficial de Era Uma Vez no Oeste

b) Porque você precisa assistir Era Uma Vez no Oeste

c) Curiosidades sobre o filme Era Uma Vez no Oeste e o que aconteceu com o elenco principal.

Clique aqui para acessar o vídeo

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

CAROLINA MARIA DE JESUS – UMA ESCRITORA NO “QUARTO DE DESPEJO”

Carolina Maria de Jesus (1914-1977), no dia do lançamento de Quarto de Despejo

Tom Farias, pseudônimo de Uélinton Farias Alves, Rio de Janeiro (1960), biógrafo negro de mão-cheia, relança a história de vida da poetisa, contista, memorialista, compositora, atriz, mulher, independente, Carolina Maria de Jesus, favelada, catadora de lixo por mais de doze anos na favela Canindé (SP), que se tornou uma das maiores escritoras do Brasil.

Nascida no município de Sacramento (MG), em 14 de março de 1914 e encantada no dia 13 de fevereiro de 1977, em São Paulo, onde viveu boa parte de sua vida na favela Canindé, Zona Norte de Sampa, sustentando, sozinha, três filhos de pais diferentes, apenas catando papéis.

Foi nesse período, 1960, que teve seu diário, “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada,” publicado pela Editora Francisco Alves, com o auxílio do jornalista alagoano Audálio Ferreira Dantas, que visitou a favela para fazer umas reportagens para a revista O Cruzeiro, tornando-a mundialmente conhecida. Nesse livro ela retrata o realismo cruel e degradante da favela de Canindé, onde parecia que o mundo da miséria tinha sua sucursal ali.

Depois do estrondoso sucesso do lançamento do quarto de despejo, Carolina Maria de Jesus, mais uma vez incentivada pelo jornalista Audálio Dantas, publica Casa de Alvenaria 1, onde registra os primeiros meses que morou em Osasco (SP) e Casa de Alvenaria 2: registra os meses que ela viveu em Santana (SP), onde ela descreve sobre as contradições cruéis de seu tempo, que não é diferente hoje. A fome, a miséria e o abandono ceifando vidas, e restos de comida jogados no lixo pelos donos dos armazéns todos os dias, não sendo distribuído com os pobres catadores de lixo; Pedaços de Fome e Provérbios (1963), são relatos dessas histórias desumanas do cotidiano da favela que estavam guardados em mais de quinze cadernos que Carolina mantinha num baú especial do seu barraco de madeira.

Carolina Maria de Jesus, é uma grande escritora negra brasileira sobrevivente da miséria, da fome, disse Tom Farias, seu biógrafo. Foi chamada de Machado de Assis de saia, Jorge amado do povo, e Shakespeare de cor. Tem muito peso nisso. Então os romances, os contos, os provérbios, as poesias de Carolina precisam estar no panteão da literatura com letra maiúscula, junto a todos os escritores de peso que o Brasil pariu, pela sua importância literária.

No dia 28 de julho de 2019, o colunista do JBF, José Domingos Brito, memorialista pródigo, prestou uma homenagem singular a Carolina Maria de Jesus na sua coluna domingueira: AS BRASILEIRAS aqui no JBF (clique  aqui para ler), detalhando sua descoberta pelo jornalista da revista O Cruzeiro, Audálio Dantas e a sua ascensão após a publicação do seu best seller aqui e no exterior: Quarto de Despejo: O Diário de uma Favelada.

Dentre seus livros lançados constam ainda: Casa de Alvenaria Um (diário 1961), Casa de Alvenaria Dois (diário 1961), Provérbios (memórias 1963), Pedaços da Fome (memória – 1963), Diário de Bitita (memória – 1986), Antologia pessoal (poemas – 1996), Meu estranho diário (1996), dentre outros tão mais importantes quanto quarto de despejo.

Carolina Maria de Jesus, escritora de raro talento, encantou-se no dia 13 de fevereiro de 1977, aos 62, de insuficiência respiratória, em seu quarto, no bairro de Parelheiros, onde ela viveu os últimos 20 anos de sua vida, na Zona Sul de São Paulo, na chácara que ela havia comprado com o dinheiro recebido dos direitos autorais da venda do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, sucesso de venda aqui e no exterior.