DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

QUEDA DE MADURO

No dia 02 de janeiro de 2020, tem-se a notícia da morte de Qassem Soleimani, então com 63 anos, pegou o mundo de surpresa. Ele era considerado um dos homens mais influentes, tanto no Irã quanto no Oriente Médio e era um major-general, ou seja, uma figura militar invejável como comandante de uma unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) cuja responsabilidade envolvia tanto as operações militares e às de inteligência extraterritoriais do Irã. Veja bem: operações extraterritoriais que para alguns significam ataques em outros países, com foco em Israel e aliados americanos. Sua eliminação foi ato de intenso protesto e ameaças por parte do Irã contra os Estados Unidos e seus aliados, mas que não resultou na 3ª Guerra Mundial como muitos apregoavam.

Agora, em 2026 e novamente no comecinho de outro janeiro, uma ação militar dos Estados Unidos capturam Nicolás Maduro e sua esposa, prendendo-os e, pelas manifestações do povo venezuelano, libertando o país de um regime ditatorial. As eleições presidenciais que o elegeram, todos sabem que foram fraudadas de modo absurdo. Maduro nunca apresentou os boletins de urnas, apesar de dizer em alto e bom tom que na Venezuela o voto é impresso, ao contrário do que ocorre no Brasil.

Países como Cuba, China e Rússia, aliados da Venezuela, denunciara o horror da ação do governo, feita pela força tarefa delta, a mesma que matou Osama bin Laden. Não se iluda: por trás dessa defesa pública tem uma questão econômica muito mais forte do que, simplesmente, a questão política e ela se chama petróleo. Como é do conhecimento geral, Trump proibiu a saída de navios petrolíferos da Venezuela, fato que incomodou a Rússia e a China que pagam bem. Então, no fundo, o que esse pessoal está temendo é o domínio do petróleo venezuelano por parte dos Estados Unidos.

Na América Latina, Colômbia, Chile, Uruguai, México e Bolívia se posicionaram contra a ação, enquanto a Argentina, Peru e El Salvador, aplaudiram. O que une estes países, já não é apenas uma questão econômica. Aqui tem o lado político de dominação da América Latina segundo a ideologia do socialismo. Do meu ponto de vista, esses países se defrontam com um forte dilema: se a partir de agora a Venezuela voltar a crescer economicamente, todos eles ficarão desmoralizados, pois sempre defenderam que o socialismo é melhor do que o capitalismo.

Atualmente, a Venezuela tem o menor salário-mínimo das Américas – aproximadamente, US$ 2,14 – e 80% da sua população vive em estado de miséria. Algo da ordem de 7,7 milhões de venezuelanos fugiram tanto do regime de Maduro quanto da fome, do desespero e da miséria absoluta. Basta pesquisar o que era a Venezuela antes da chegada de Hugo Chavez ao poder e a implantação do regime bolivariano.

Em meio a isso tudo o que é interessante é a opinião de pessoas das mais diversas classes sociais, mas principalmente os chamados intelectuais. O que me surpreende, de fato, é o seguinte: agora, é reconhecido que Nicolás Maduro é um ditador, que há milhares de pessoas conhecidas que odeiam Nicolás Maduro, mas Trump é um ser desprezível. É aí que minha mente trava. Se há esse reconhecimento da figura do ditador, por que nunca essas pessoas propuseram uma saída? Os mais fanáticos, que chamam isso de sequestro, ainda dizem que o melhor caminho é a escolha da população. Também concordo, desde que a escolha da população seja respeitada.

Se voltarmos um pouco ao passado, mais precisamente a 2013, a gente vê que Henrique Capriles perdeu para Maduro pela margem de 1,5% dos votos e sugeriu que tinha ocorrido fraude nas eleições. Apesar de se insurgir contra o resultado eleitoral, Capriles não foi preso e, apesar de continuar desempenhando atividades políticas, não me recordo de um posicionamento seu em relação ao regime.

Nas eleições de 2018, os candidatos mais fortes e que poderiam derrotar Nicolás Maduro tiveram problemas. Capriles e Maria Corina foram considerados inabilitados. Capriles foi inabilitado por supostos problemas administrativos como governador do Estado de Miranda. Pesou contra ele denuncias de improbidade em contratos e prestação de contas. Maria Corina, inabilitada por ter apoiado sanções internacionais contra a Venezuela, por supostas violações dos deveres funcionais quando era deputada e por participar de “conspirações” contra o governo. Ficou inabilitada por 15 anos, portanto, proibida de concorrer.

Ainda em 2018, as eleições foram consideradas fraudulentas e Juan Guiadó, então presidente da Assembleia Legislativa, se declarou presidente e teve reconhecimento internacional porque ele representava uma instituição – a assembleia – que foi eleita sem fraudes e devido ao não reconhecimento da eleição de Maduro, ele declarou vacância do cargo e “assumiu” a presidência. O resultado disso foi um exílio para não ser preso.

Em 2024, Edmundo Urrutia, um diplomata, recebe o apoio da oposição, inclusive de Maria Corina, e se candidata. O que se sabe pelos mesários e por quem acompanhou a a eleição é que ele teve mais de 80% dos votos, no entanto, Maduro se declarou vencedor e – como já dito – nunca apresentou os boletins de urna. Lula não reconheceu a vitória, mas o PT, sim. Inclusive Gleisi Hoffman foi à pose. Em represália a Lula, Maduro disse que “na Venezuela, o voto é impresso e não Brasil, não”.

O fato é que se encerrou uma tirania e ainda é incerto o que os Estados Unidos pretendem com a Venezuela. Houve um comentário por parte de alguém do governo (não sei se o vice-presidente americano) de que Maria Corina não era uma opção aliada com os interesses americanos. Isso soa como uma ducha fria nas suas pretensões, mas ao que parece, os americanos não contam com um regime de esquerda.

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WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

FELIZ ANO NOVO!

Ano Novo abre a janela
Para os sonhos da esperança!

Mote de José Dantas

Novas expectativas
Surgem na mente do povo
Torcendo que o Ano Novo
Traga coisas positivas.
Festas com muitos convivas,
Climas de vasta bonança
E no olhar da criança
Jesus pinta a sua tela.
Ano Novo abre a janela
Para os sonhos da esperança!

Que em Dois Mil e Vinte e Seis
Tenhamos sempre, a contento,
Aconchego e alimento,
Harmonia e altivez
Pra elevarmos de vez
O nível da confiança,
Pois nossa mente se lança
Ao que projetarmos nela.
Ano Novo abre a janela
Para os sonhos da esperança!

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ABAT-JOURS E LENÇÓIS

Cama em desalinho e abat-jour apagado

Ar controlado.
Condicionado,
Abat-jour quase apagado.

Lençóis desalinhados – corações disparados
Intimidades e corpos preparados.

Bocas amassadas, beijadas.
Mãos trêmulas, entrelaçadas
Genitálias intumescidas,
Eretas e umedecidas.

Ar controlado,
Condicionado,
Abat-jours quase aceso
Lençóis desalinhados – molhados
Corações acalmados, realizados.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Ecléa Bosi

Ecléa Frederico Bosi nasceu em São Paulo, SP em 14/10/1936. Psicóloga social, professora, escritora, tradutora e pioneira nos estudos sobre a memória social das classes trabalhadoras. Foi professora titular e emérita da Faculdade de Psicologia da USP, focada na área da psicologia social de fenômenos histórico-culturais.

Graduou-se no curso de Psicologia da USP em 1966 e obteve seu mestrado em 1970, dissertando sobre o tema “Leitura de imagem: um estudo de semiologia”. Em seguida obteve o doutoramento em psicologia social com a tese “Leituras de Operários: estudo de um grupo de trabalhadores em São Paulo”. Passou a lecionar na USP, onde tornou-se livre docente em 1982. Publicou seu primeiro livro – Cultura de massa e cultura popular: leituras de operárias –, pela Editora Vozes, em 1972. O livro recebeu menção honrosa do Pen Clube do Brasil.

Em 1961 casou-se com o prof. Alfredo Bosi, membro da Academia Brasileira de Letras e historiador de literatura brasileira. É mãe de Viviane Bosi, professora de teoria literária e José Alfredo Bosi, professor de economia, Manteve a carreira acadêmica numa militância pela causa dos idosos, resumida na sua frase: “O velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por ele”. Dedicou-se à uma área pouco estudada em termos acadêmicos, o que pode se confirmar através de seus livros: Memória e sociedade: lembranças de velhos, lançado pela Companhia das Letras, em 1994.

Trata-se do livro que escreveu com maior empenho e foi recompensada com sua inclusão numa lista do MEC de 100 obras distribuídas para milhares de bibliotecas escolares do País. Esta temática foi aprofundada resultando na edição de mais livros, como O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social, pela Ateliê Editorial, em 1998 e Velhos amigos, pela Companhia das Letras, em 2003. Em 1994, através de uma de suas iniciativas, a Universidade de São Paulo passou a acolher maiores de 60 anos em cursos regulares no programa Universidade Aberta à Terceira Idade, conhecido agora como USP 60+ funcionando nos campi da capital e do interior de São Paulo.

Foi homenageada na edição nº 1 (2008) da revista “Psicologia USP”, dedicada exclusivamente a ela e no ano seguinte recebeu o “Prêmio Ars Latina” pelo conjunto da obra. Em 2011 foi agraciada com o ”Prêmio Averroes”, dedicado a personalidades com trajetórias de pioneirismo e generosidade no compartilhamento de conhecimento em diversas áreas. No mesmo ano recebeu também o “Troféu Loba Romana”, da comunidade italiana no Brasil, em reconhecimento à sua contribuição cultural, destacando-se por sua herança e conexão com esta comunidade no Brasil. A premiação ocorreu numa cerimônia ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Além da militância na vida acadêmica, teve atuação destacada no movimento ecológico, participando da criação do Parque Ecológico Chico Mendes, na Vila Curuça em São Paulo. Criou também os EcoEncontros da USP, travou uma luta ferrenha através da imprensa contra a construção de Angra 3 e formulou os “10 mandamentos da Ecologia”. Faleceu em 10/7/2017 em plena atividade na coordenação do “Laboratório de Memória e História Oral Simone Weil”, uma unidade de pesquisa do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP (IPUSP).

O estilo literário de suas reflexões tem uma singularidade que além de expressar o vigor de sua prosa em tom suave, delicado, que ajuda a dotar as narrativas de uma particular dimensão literária. Relatos de pesquisa empírica e ensaios teóricos ganham muitas vezes corpo de bela prosa poética.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PESSOANAS PARA 2026

Aguardando 2026 no sempre ótimo Hotel Campestre de Aldeia, Pernambuco, na companhia da Sissa e de mais de uma dúzia de parentes muito queridos, reservei algumas horas para enviar, aos que me são leitores, citações relidas e extraídas de uma coletânea feita pelo notável pensador pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, colunista deste JBF e hoje merecidamente fazendo parte da Academia Brasileira de Letras. Citações que me proporcionaram novas análises múltiplas de como proceder em 2026, favorecendo a emersão de sadios balizamentos comportamentais.

O livro relido: FERNANDO PESSOA, O LIVRO DE CITAÇÕES, José Paulo Cavalcanti Filho, Rio de Janeiro, Editora Record, 2013, 255 p. Com uma Apresentação do JPCF extraordinariamente contemporânea, digna de quem é sempre merecedor de múltiplos aplausos da Inteligência Brasileira.

Desejando um 2026 cada vez mais muito arretado de ótimo para todos os latino-americanos, explicito, abaixo, algumas citações do poeta luso que se fazem muito oportunas para todos nós:

– “Minha ama é a sombra presente de uma presença passada.”

– “Sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura.”

– “O amanhã pode ser apenas noite. Ou pode ser uma aurora.”

– “Amar é pensar. E cansar de estar só.”

– “Aprender exige um estudo profundo, uma aprendizagem de desaprender.”

– “Quanto mais eu abro as asas, mais sei que não sei voar.”

– “Quem se esquiva de travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado porque não se bateu.”

– “Todo começo é involuntário. Deus é o agente.”

– “A fama de ser atencioso e cortês vale mais que uma estampilha. É uma publicidade barata.”

– “Grande é a poesia, a bondade e as danças. Mas o melhor do mundo são as crianças.”

– “Eu tenho Deus em mim.”

– “Senhor, dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.”

– “Não sejamos sínteses, sejamos somas: a síntese é com Deus.”

– “Senhor, já que a dor é nossa e a fraqueza que ela tem, dá-nos ao menos a força de a não mostrar a ninguém.”

– “Não se deve falar demais. Quando falo demais começo a separar-me de mim e a ouvir-me falar.”

– “O herói é um homem como todos, a quem coube por sorte o auxílio divino.”

– “Todo hoje tem um amanhã.”

– “Fôssemos nós como deveríamos ser e não haveria em nós necessidade de ilusão.”

– “O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos deste, pela simples qualidade da ironia.”

– “A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente.”

– “Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os atos.”

– “O navegante de coração sombrio sabe que há lares felizes porque não são dele.”

– “Deus quer, o homem sonha, a alma nasce.”

Que em 2026, saibamos ler mais, racionar mais para viver melhor, sempre mais fraternos, conscientes, comunitários, nunca deixando de ser uma cotidiana metamorfose ambulante.

Feliz 2026!!!