ALEXANDRE GARCIA

DEFESA QUER SABER SE BOLSONARO TERÁ MELHORES CONDIÇÕES NA PAPUDINHA

Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em Brasília desde novembro de 2025

Médicos, peritos oficiais e a defesa de Jair Bolsonaro estão avaliando as condições do local onde Alexandre de Moraes pretende que ele fique cumprindo pena. A preocupação é com a saúde dele, a segurança lá dentro, para que não haja mais quedas; por exemplo, se há alças no banheiro, no box, no quarto, para ele se segurar. Bolsonaro passou 54 dias confinado – fora os dias que passou no hospital, em cirurgias e tratamento –, com barulho 24 horas por dia do ar-condicionado central da Superintendência da Polícia Federal. Ele se livrou disso agora. Terá mais espaço, 54 metros quadrados cobertos e mais 10 metros quadrados de área externa.

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Até um “gostei” em mídias sociais serve para dividir a direita

A primeira-dama de São Paulo, Cristiane, mulher de Tarcísio de Freitas, escreveu em uma rede social que o Brasil está precisando de um CEO, ou seja, um chefe, um administrador: “É o meu marido”. Michelle Bolsonaro botou um “gostei” e disse “preferencialmente Jair Bolsonaro”, ou seja, preferencialmente, que seja o marido dela. E aí começou a fofoca, gente dizendo que ela passou por cima de Flávio Bolsonaro, que já é candidato. Um diz-que-diz-que. Tarcísio teve de vir a público, dizer que é candidato à reeleição em São Paulo, e que seu candidato à Presidência da República é Flávio Bolsonaro. Ontem eu disse que, na pesquisa Quaest, se somarmos todos os candidatos da direita, são 45% contra 36% de Lula. Isso quer dizer que Lula só ganha se dividir a direita. E vimos que a direita já se dividiu imediatamente. É falta de cabeça fria. Cabeça fria é essencial em uma batalha; as emoções são inimigas.

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Lula não vai a cerimônia de assinatura de acordo UE-Mercosul porque está chateado

Falando nisso, a política externa brasileira está movida por emoções ideológicas. Neste sábado, em Assunção, no Paraguai, que exerce a presidência rotativa do Mercosul, haverá a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Quem vai assinar são os ministros de Relações Exteriores de Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil, mas os presidentes também foram convidados. Lula é o único que não vai, porque está magoado: uma, que não assinaram o acordo em Foz do Iguaçu, no mês passado, quando ele ainda presidia o Mercosul; outra, porque Javier Milei postou um discurso saudando a captura de Nicolás Maduro, entremeando com imagens de Lula embevecido com Maduro. Para compensar, Lula quer encontrar os europeus que vão a Assunção durante a passagem deles pelo Rio: Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e o português António Costa, o presidente do Conselho Europeu. Assim ele consegue ao menos a foto, para não ficar de fora.

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Trump está conseguindo trazer as Américas para a órbita dos EUA

No domingo, depois do evento em Assunção, Milei parte para o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Donald Trump já anunciou que levará a maior delegação norte-americana da história. Quando Trump voltar, Gustavo Petro, da Colômbia, está ansioso por se encontrar com ele na Casa Branca. Trump está fazendo sua política, atraindo para os EUA aqueles que eram atraídos pela Rússia, pelo Irã (que está em chamas) e pela China, que vai ficar dependendo do petróleo da Venezuela e do Irã.

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Toffoli e Moraes estão rebaixando a imagem do Supremo

Os bastidores registram queixas e críticas de ministros do Supremo, de que Dias Toffoli e Alexandre de Moraes estão atrapalhando demais o bom nome do Supremo. Isso eles já fazem há muito tempo, não? Nesse caso do Master são coisas óbvias, mas os problemas são antigos. Foi Toffoli quem criou o “Inquérito do Fim do Mundo”, por conta própria, sem Ministério Público (o que é impossível pela Constituição), e agora virou delegado do caso Master, determinando que o material apreendido nessa última busca e apreensão não pode ficar nas mãos da Polícia Federal, tem de ir para a Procuradoria-Geral da República, que também não tem espaço para isso, precisaria de uma caixa-forte para guardar tudo. Ficou estranho, muito estranho. Moraes, o relator do Inquérito do Fim do Mundo, age como investigador, vítima, promotor, juiz e, agora, juiz de execuções. E o escritório da família dele tem esse contrato milionário com o Master.

O Brasil todo quer saber as razões do sigilo imposto por Toffoli nas investigações do Master. Ele pretende esconder o quê? Parece a ocasião em que ele proibiu que mostrassem as imagens do aeroporto de Roma. Certamente, não foi para preservar os Mantovani. Depois, aparecem as mensagens do auxiliar de Moraes, Eduardo Tagliaferro, e, em vez em vez de mandarem apurar as denúncias, é Tagliaferro quem é perseguido. Que história é essa? Agora Moraes quer apurar como é que a imprensa teve acesso a movimentações financeiras de mulheres de ministros do Supremo. Em vez de apurarem de onde vieram essas movimentações financeiras, só vão investigar se isso vazou do Coaf ou de algum outro lugar. A Constituição fala em publicidade no serviço público. Como o nome diz, serviço público tem de ficar aberto ao público, que é o chefe. Em democracias, o poder emana do povo.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

MUITA EMOÇÃO

Comentário sobre a postagem TUDO DENTRO DOS CONFORMES

João Francisco:

Acho que nem em 2023 tivemos um janeiro tão movimentado como neste ano.

E ainda estamos no meio do mês.

É treta entre Michelle e os filhos do Bolsonaro (envolve disputa entre Tarcísio e Flávio para ver quem vai ser o representante da direita na disputa à PR), caso Master, INSS, Venezuela, Irã, 5TF até o pescoço com os escândalos.

É muita emoção para um ano que mal começou.

DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

A GENIALIDADE DE PINTO DE MONTEIRO

O paraibano Severino Lourenço da Silva Pinto, o Pinto do Monteiro (1895-1990)

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A resposta de Pinto de Monteiro numa cantoria com João Furiba

João Furiba:

Cruzei o velho Saara
montado numa bicicleta.
Matei leão de tabefe,
Crivei serpente de seta.
Fiz das penas d’uma hiena
Um blusão pra minha neta.

Pinto do Monteiro:

João até que é bom poeta
Mas sabe ler bem pouquinho.
Vou fazer-lhe uma pergunta,
responda meu amiguinho :
– Quem diabo foi que te disse
que hiena é passarinho ?

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Improvisos de Pinto de Monteiro:

O meu cavalo é dum jeito
Que nem o diabo aguenta,
Entra no mato fechado,
Toda madeira arrebenta,
Dá tapa em bunda de boi
Que a merda sai pela venta.

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Lá no meio da caatinga,
Sem moradia vizinha
Bem na beira de um riacho
Um pé de palmeira tinha.
Meu avô, nesse lugar,
Começou a trabalhar
E chamar de Carnaubinha.
Parece que estou vendo
Um homem cortando cana;
Uma engenhoca moendo
Os três dias da semana.
Fazer cerca, queimar broca,
Raspar milho e mandioca,
Da massa, fazer farinha;
Comer com mel de engenho,
Ai, que saudades que eu tenho
Da minha Carnaubinha.

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Ovo de pato e marreca
Quebrar na beira do poço,
Abrir milho, na boneca,
Pra ver se tinha caroço;
Ir pra beira da estrada
Jogar pedra e dar pancada
Em cabra, bode e suíno;
Em cachorro, pontapé,
Que isso tudo foi e é
Brincadeira de menino.

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Mas essa estória de dente,
Para mim, nada adianta;
Eu não preciso de dente;
Eu quero é peito e garganta:
Pois sabiá não tem dente,
É quem mais bonito canta!

* * *

Eu sou Severino Pinto
Da Paraíba do Norte
Sou feio, porém sou bom
Sou magro, mas muito forte
Depois d’eu tomar destino
Temo a Deus não temo à morte.

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Há vários dias que ando,
Com o satanás na corcunda:
Pois, hoje, almocei na casa
Duma negra tão imunda,
Que a prensa de espremer queijo
Era as bochechas da bunda!

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Eu admiro o tatu
Com desenho no espinhaço
Que a natureza fez
Sem ter régua nem compasso
E eu com compasso e régua
Tenho planejado e não faço.

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Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança.

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Gostei muito de mulher
No meu tempo de rapaz
Mas depois que fiquei velho
A trouxa envergou pra trás
Sentou-se em cima dos ovos
Que a ponta encostou no ás.

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Admiro o vagalume
Enxergando de mato a dentro
Com sua lanterna acesa
Sem se importar com o vento
Apaga de vez em quando
Poupando seus elementos.

(“elemento” no linguajar nordestino é pilha)

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No tempo da mocidade
Eu também já fui vaqueiro.
Não tinha jurema grossa,
Mororó nem marmeleiro.
Fui cabra de vista boa,
Negro de corpo maneiro.

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SEVERINO PINTO E LOURIVAL BATISTA

Uma cantoria improvisada de Meia-Quadra nos anos 70

Constante da coleção Música Popular do Nordeste, organizada por Marcus Pereira

DEU NO JORNAL

O BANCO E A QUEDA DE BRAÇO

Editorial Gazeta do Povo

Há duas verdades incontestáveis sobre o escândalo do Banco Master: a primeira é que muitos em Brasília têm tanto interesse em salvar o banco e seu dono, Daniel Vorcaro (mais este que aquele, aparentemente), que, se dependesse deles, o caso nem sequer seria investigado; a segunda é que, se não for possível impedir as investigações, que elas sejam mantidas no maior sigilo possível, para que os brasileiros não saibam quem são os principais interessados na “operação abafa”, nem seus motivos para tanto empenho. E, quando se trata de sigilo, o ministro do STF Dias Toffoli tem sido um personagem bastante diligente – freado apenas quando a opinião pública se levanta com tamanha força que nem alguém acostumado a ser o “poder moderador” da República e o “editor de um país inteiro” consegue resistir.

A rigor, o caso do Banco Master nem deveria estar no Supremo. Ele começou onde devia, na primeira instância, e só foi “puxado” para o STF porque havia um único negócio envolvendo um deputado federal – negócio este que não tinha relação alguma com as fraudes investigadas, e que nem sequer chegou a ser fechado. Este elo fragilíssimo bastou para que o escândalo todo “subisse” para o Supremo, onde Toffoli o trancou em uma caixa-preta, impondo o segundo maior grau de sigilo previsto nas regras internas do STF – tudo isso poucos dias depois de o ministro ter compartilhado uma carona aérea com o advogado de um dos sócios de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero (embora naquele momento Toffoli ainda não tivesse sido sorteado para assumir o caso do Master).

Uma outra estripulia jurídica de Toffoli, no entanto, não prosperou – ou ao menos não como ele desejava: uma acareação entre Vorcaro, Ailton Aquino (diretor de Fiscalização do Banco Central e um dos defensores da liquidação do Master) e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do Banco de Brasília, que tentou comprar o Master). Acareações servem para resolver contradições entre depoimentos, mas nenhum deles havia ainda prestado depoimento à polícia, e a inclusão de Aquino foi vista como uma tentativa de constranger o Banco Central. A Procuradoria-Geral da República pediu o cancelamento da acareação, mas Toffoli se manteve irredutível. As críticas públicas, no entanto, foram tantas e tão intensas que, na véspera da data marcada para a acareação, o ministro recuou. Determinou que a PF ouvisse os três separadamente e deixou que os investigadores avaliassem a necessidade de uma acareação, que acabou ocorrendo apenas entre Vorcaro e Costa.

Com a deflagração da segunda fase da Compliance Zero, nesta quarta-feira, Toffoli voltou à carga: ao ordenar a operação, ele ainda determinou que todo o material apreendido (incluindo 39 celulares e 31 computadores) fosse enviado diretamente ao Supremo, “lacrado e acautelado” – uma decisão que causou mal-estar e também foi duramente criticada por juristas e peritos, que apontaram risco de manuseio inadequado e até mesmo perda de material, com a violação da chamada “cadeia de custódia”. As críticas, vindas da imprensa, de especialistas e até do diretor-geral da Polícia Federal, levou a um novo recuo parcial do ministro, que remeteu as provas para a PGR (mas não para os peritos da PF) e ainda levantou o sigilo sobre as decisões que ordenaram a segunda fase da operação – mas apenas estas; todo o resto segue longe do escrutínio dos brasileiros.

O desejo de salvar Vorcaro e o Master, mantendo as investigações ocultas, é fortíssimo; por isso, precisa ser enfrentado por um desejo ainda mais forte de transparência por parte da sociedade. Foi apenas graças à reação intensa da opinião pública que vimos os recuos de Toffoli nos casos da acareação e das provas colhidas na quarta-feira, e do ministro do TCU Jhonatan de Jesus no caso da inspeção ordenada por ele no Banco Central – no fim, os dois órgãos entraram em um acordo. A vigilância constante e a disposição de levantar a voz diante de decisões controversas no caso Master têm dado resultado e não podem esmorecer.

PENINHA - DICA MUSICAL