DEU NO JORNAL

CALADINHO

O governo Lula (PT) mantém silêncio vergonhoso, que não surpreende, sobre as atrocidades cometidas pelos seus aliados do Irã, cujas forças de repressão podem ter matado mais de 6.000 manifestantes desde o início dos protestos nas ruas de Teerã, em 28 de dezembro.

A informação é da ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega. Há subnotificação de vítimas fatais, por isso até o início da noite desta segunda-feira (12), somente era possível confirmar cerca de 700 mortes.

Apagão digital imposto pela ditadura dos aiatolás dificulta a coleta de dados, mas registros convencionais apontam para mais de 6.000 mortos.

O Itamaraty distribui notas sobre quaisquer acontecimentos em outros países, mas se omite diante dos crimes cometidos por ditadores amigos.

A maioria dos assassinados pela teocracia tinha menos de 30 anos, segundo Mahmood Amiry Moghaddam, diretor da IHR.

Lula relativizou a invasão da Rússia, e sempre passa pano para ditadores amigos e ídolos, como Maduro e Danel Ortega, entre outros.

* * *

A expressão “silêncio vergonhoso”, contida no primeira parágrafo dessa nota aí de cima, resumo tudo.

O silêncio do Descondenado é tão vergonhoso quanto suas falas.

Um extermínio brutal desse porte, cometido por um aliado, e ele continua caladinho.

Isso é a cara do Brasil na atualidade, onde ditadores amigos são muito bem recebidos.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

BEZERRA DA SILVA, A VOZ DOS MORROS E FAVELAS

Bezerra da Silva (1927-2005)

José Bezerra da Silva, nome artístico Bezerra da Silva, nasceu no Recife. Era filho de Hercília Pereira da Silva e Alexandrino Bezerra da Silva, que abandonou a mãe quando esta estava grávida do filho, e se mandou para o Rio de Janeiro para se aventurar na Marinha Mercante e raparigar, o que era muito comum na época.

Aos quinze anos, percebendo que o Recife não teria futuro para ele, Bezerra da Silva, também se foi para o Rio de Janeiro tentando encontrar o pai, viajando no navio cargueiro transportador de açúcar. Lá o encontrou, mas com poucos meses de convivências começaram a ter atritos e o jovem Bezerra da Silva escafedeu do lar paterno em busca do seu fado.

Começou a trabalhar no ramo da construção civil, já que não sabia fazer outra coisa. Nessa época começou a desenvolver a verve musical a partir do coco de Jackson do Pandeiro, e logo ingressou no bloco carnavalesco Unido do Canta Galo, tocando tamborim. Em 1950, conheceu José Alves, ou Doca, conhecido como um dos autores da música “General da Banda”, ao lado de Tancredo Silva e Sátiro de Melo, todos moradores do Morro do Cantagalo, que logo convidaram Bezerra da Silva para participar do “Programa da Rádio Clube do Brasil” como ritmista.

Boêmio e malandro, Bezerra da Silva foi detido por várias vezes, que acabou sendo demitido do programa. Durante muitos anos viveu como morador de rua em Copacabana. Nessa época chegou a tentar o suicídio, mas foi salvo e acolhido por um Terreiro de Umbanda. Lá, descobriu sua mediunidade e soube, através de uma mãe de santo, que o seu destino era a música.

Com o nome artístico de José Bezerra, teve suas primeiras composições “Acorrentado” e “Leva teu Gereré”, em parceria com Jackson do Pandeiro, lançadas no primeiro álbum da carreira do paraibano, em 1959. Na primeira metade da década de 1960, ingressou na orquestra da gravadora Copacabana Discos, que acompanhava vários artistas de renome, e também teve novas composições, assinadas com outros músicos, gravadas por Jackson do Pandeiro, como “Meu Veneno” (com Jackson do Pandeiro e Mergulhão), “Urubu Molhado” (com Rosil Cavalcanti), “Babá” (com Mamão e Ricardo Valente, “Criando Cobra” (com Big Bem e Orlandes Rodrigues) e “Preguiçoso” (com Jackson do Pandeiro). Acrescendo ainda que em 1965, a cantora Marlene gravou “Nunca Mais” (uma parceria de Bezerra da Silva e Norival Reis).

Em 1967, compôs seu primeiro samba, chamado de “Verdadeiro Amor”, que foi gravado por Jackson do Pandeiro. No final daquela década, mudou o nome artístico para Bezerra da Silva e, em 1969, gravou um compacto simples pela Copacabana Discos, com as músicas “Mana, Cadê meu Boi?” e “Viola Testemunha”; no seu primeiro LP, “Bezerra da Silva – O rei do Coco, Volume I”, seria apenas lançado em 1975, pela gravadora Tapecar, e teve como destaque a canção “O Rei do Coco”. No seguinte, pela mesma gravadora, lanço “Bezerra da Silva – O Rei do Coco II”, cuja música de maior destaque foi “Cara de Boi”.

Anos depois, Bezerra da Silva conheceu a mulher que mudava completamente sua vida pessoal e artística, Regina do Bezerra, pseudônimo de Regina de Oliveira, compositora e produtora musical, nascida em 1953 no Rio de Janeiro, mas só se casando com ele em 2004, um ano antes da morte de Bezerra.

Bezerra da Silva, após a união com Regina de Oliveira, teve sua carreira artística deslanchada, pois ela foi a grande responsável por composições que marcaram a vida artista do sambista dos morros e das favelas.

A conferir:

Compôs a música “Meu Pai é General de Umbanda” junto com Jorge Garcia e 1000tinho, a música foi gravada por Bezerra da Silva e ele a lançou em 1987 no seu Álbum “Justiça Social.”

Compôs a música “O Bom Pastor” junto com Pedro Butina, a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1989 no seu Álbum “Se Não Fosse o Samba.”

Compôs a música “O Filho de Jurema” junto com o próprio Bezerra da Silva, a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1990 no seu Álbum “Eu Não Sou Santo.”

Compôs a música “Instinto Traíra” junto com Pedro Butina, a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1992 no seu Álbum “Presidente Caô, Caô.”

Compôs a canção “O Segundo Nazareno” e a canção foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música em 1993 no seu Álbum “Cocada Boa.”

Compôs a música “O Juramento Jurou” junto com Mário Gogó e Gil de Carvalho, dentre várias composições que ela fez esta música se destaca.

Compôs a música “Tem Coca Aí Na Geladeira” e a música foi gravada pelo Bezerra da Silva e ele lançou a música no ano 2000 no seu Álbum “Malandro é Malandro e Mané é Mané.”

Em 2004 fez a produção do primeiro Álbum gospel do cantor Bezerra da Silva que se chama “Caminho da Luz.”

DEU NO X

DEU NO JORNAL

IRÃ E VENEZUELA: O POVO CONTRA A HIDRA REVOLUCIONÁRIA

Paulo Briguet

Venezuela e Irã nas ruas: quando a espada do povo encontra a chama da verdade, até regimes que se julgavam eternos começam a ruir

A Hidra de Lerna é um dos monstros mais assustadores da mitologia e, ao mesmo tempo, um símbolo eficaz das catástrofes que acometem o mundo atual. Essa serpente de nove cabeças habitava um pântano e possuía um veneno tão letal que até as suas pegadas causavam a morte.

Um dos doze trabalhos de Hércules, o maior herói da mitologia grega, era justamente matar a terrível Hidra, que assombrava os moradores de toda a antiga Grécia. Sua tarefa, no entanto, parecia impossível, pois mesmo os golpes da poderosa espada de Hércules não eram suficientes para vencer o monstro: a cada cabeça cortada, surgiam outras duas.

Mas Hércules, com a ajuda de seu sobrinho Iolau, usou da astúcia para aniquilar a serpente maligna. Enquanto Hércules cortava as cabeças do monstro com a espada, Iolau cauterizava a ferida com uma tocha ardente, impedindo que as novas cabeças brotassem.

A Hidra de Lerna representa com perfeição os regimes revolucionários do nosso tempo. O Irã, em 1979, e a Venezuela, em 1999, foram dominados por esse monstro venenoso. Nos últimos dias, o povo iraniano e o povo venezuelano começaram a vislumbrar a possibilidade de que o monstro revolucionário seja aniquilado.

Na Venezuela, a vice-ditadora Delcy Rodríguez, cúmplice do regime chavista, permanece no poder. Ela e seu irmão Jorge Rodríguez, conhecidos como Los Hermanos Siniestros, são duas cabeças do monstro revolucionário que vampirizou e sufocou o país ao longo de 27 anos.

No Irã, a Guarda Revolucionária e os delatores do regime estão espalhando o terror pelo país e atirando contra manifestantes desarmados. Organizações internacionais falam em 500 a 2 mil mortos e mais de 10 mil presos até agora. Há relatos de guardas do regime invadindo hospitais e atirando contra feridos. Ninguém sabe os números exatos, no entanto. Como se trata de um regime ditatorial, que censura pesadamente a internet, as informações são imprecisas.

María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, alertou nas redes sociais sobre o vínculo entre os dois regimes:

“Os iranianos rejeitam a fome e a opressão às quais foram submetidos durante anos por um regime autoritário — um regime que se infiltrou na América Latina para se associar a sistemas criminosos como o chavismo na Venezuela. Hoje, quando Maduro foi obrigado a enfrentar a justiça, e quando o povo do Irã desafia a brutalidade de um regime autoritário — que também se acreditava eterno — e seus aliados, nossas duas nações abrem caminho para decidir livremente seu futuro, longe de toda coação e violência”.

A sobrevivência da Hidra revolucionária depende, fundamentalmente, da manutenção do pântano. É na opacidade dos sigilos de Estado, no silêncio imposto pela censura e na rede de delatores — uma versão moderna da Zersetzung da Stasi — que o monstro encontra o oxigênio para regenerar suas cabeças decepadas.

Mas, como no mito de Lerna, o golpe da espada popular só será definitivo se acompanhado pela tocha da verdade. Se o povo nas ruas de Teerã e Caracas pode ser comparado à força de Hércules, a coragem dos dissidentes que expõem as vísceras do sistema faz lembrar a chama de Iolau, selando as feridas abertas para que a tirania não volte a brotar das cinzas de sua própria crueldade.

O tempo, esse juiz implacável que já viu cair os muros de Berlim e as guilhotinas de Paris, nos ensina que nenhum regime é eterno quando a luz da justiça drena o lodo da mentira. O destino do Irã e da Venezuela está unido por um fio de esperança e pelo fogo da memória.

Quando a última cabeça do monstro for finalmente enterrada sob a rocha da liberdade, não restará apenas o silêncio dos tiranos e cúmplices, mas a voz dos povos livres que, após décadas de coação e terror, enfim descobriram que a Verdade é a única força capaz de aniquilar a Hidra.

PENINHA - DICA MUSICAL

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