De onde vem esta voz, este fundo lamento com vagas vibrações de violino em surdina? De onde vem esta voz que, nas asas, o vento me traz, na hora violácea em que o dia declina?
Esta voz vegetal, que o meu olfato atento ouve, certo é a expansão de uma mágoa ferina, é o odor que os manacás soltam, num desalento, sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.
Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsicose, a alma errante e infeliz de uma extinta criatura chamar ansiosamente outra alma que a despose…
Uma alma que viveu sozinha e incompreendida, mas que, mesmo gozando uma vida mais pura, inda chora a ilusão frustrada noutra vida.
Gilka da Costa de Melo Machado, Rio de Janeiro-RJ (1893-1980)
Sem constrangimento na hora de se hospedar em luxuosos hotéis mundo afora, os passeios internacionais de Lula, Janja e a sempre numerosa comitiva de aspones, dariam para completar 5,7 voltas ao redor do globo, considerando a quilometragem do ponto da decolagem ao ponto de aterrisagem que o petista percorreu apenas em 2025: 231.225,49.
A volta ao mundo tem aproximadamente 40.000 km.
Lula cruzou a fronteira do Brasil quase todos os meses. Aliviou apenas em janeiro, fevereiro e dezembro. No restante do ano, zarpou sem dó.
O tour internacional de Lula começou em março, quando o petista fez um bate e volta ao Uruguai. Depois, um rolê pelos Estados Unidos e Ásia.
Lula ainda deu um jeito de passear pelo Vaticano, Rússia, China, França, Mônaco, Argentina, Chile, Colômbia, Indonésia, Malásia…
Apesar do carimbadíssimo passaporte, Lula adora dizer que tem medo de voar.
O último roteiro internacional, em novembro, foi Moçambique.
* * *
Fazia tempo que eu não via esta palavrinha “Aspone”, que tá no primeiro parágrafo dessa nota aí de cima.
Uma sigla para “Assessor de Porra Nenhuma”.
O tipo de ocupação que tá sobrando no atual governo.
Quanto aos passeios milionários do casal esbanjanjador, pagos pelos contribuintes e que só no ano passado totalizaram 231.225,49 quilômetros, nada de novo.
PF investiga se Lulinha, filho mais velho de Lula, tem ligação com o Careca do INSS
Uma reportagem publicada pelo Estadão nesta semana expôs um quadro que, em qualquer democracia minimamente funcional, provocaria imediata reação social e institucional. A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que está investigando menções diretas, documentos e indícios envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo bilionário do INSS. Não se trata de boato, insinuação ou ataque político: trata-se de material probatório reunido pela própria PF e descrito em relatório oficial.
As evidências levantadas até agora são graves e convergentes. O primeiro conjunto de provas vem do depoimento de Edson Claro, ex-sócio de Antônio Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”. Segundo ele, Antônio afirmava reiteradamente que Lulinha seria seu sócio oculto em um projeto de cannabis medicinal, tendo participado de reuniões e recebido valores expressivos. O relato menciona repasses que somariam cerca de 25 milhões, além de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 300 mil, descritos como uma “mesada”.
O segundo bloco de provas reforça o depoimento. A PF encontrou mensagens de WhatsApp nas quais o Careca do INSS ordena a um funcionário o pagamento de R$ 300 mil à empresa da empresária Roberta Luchsinger, que tem laços históricos com Lulinha e o petismo, afirmando que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. Para os investigadores, a referência para Lulinha é clara. O valor coincide exatamente com a mesada descrita no depoimento anterior, o que cria um elo objetivo entre as duas fontes.
Confirmando os depoimentos, a Polícia Federal teria encontrado, segundo notícias na imprensa, cinco pagamentos sucessivos de R$ 300 mil feitos pelo Careca do INSS para uma empresa de Roberta, no valor total de R$ 1,5 milhão. Há ainda mensagens da própria Roberta Luchsinger demonstrando preocupação explícita com a situação de Lulinha no contexto das investigações, além de anotações manuscritas com o nome dele e registros de passagens aéreas indicando viagens em comum entre Lulinha e a empresária.
Isoladamente, cada elemento já exigiria apuração rigorosa. Em conjunto, eles desenham um padrão típico de esquemas de intermediação e ocultação de beneficiários finais, velho conhecido de quem acompanhou o Mensalão e a Lava Jato. É difícil de acreditar que o Careca do INSS teria pago R$ 25 milhões, além de mesadas de R$ 300 mil, por um negócio futuro e incerto. Nenhum empresário é tão pródigo de pagar valores tão vultosos antes de receber entregas concretas – salvo, é claro, Daniel Vorcaro no contrato com a esposa de Moraes.
Foi nesse contexto todo que ocorreu um episódio ainda mais perturbador, que mostra como é bruto o jogo político em Brasília, e como investigações criminais podem funcionar tanto como alavanca quanto como cadafalso para ambições e carreiras políticas. Durante o flopado evento oficial em comemoração aos 3 anos do 8 de janeiro, em Brasília, o advogado de Lulinha foi flagrado conversando de forma reservada com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O advogado em questão é Marco Aurélio de Carvalho, figura central, fundador e porta-voz do grupo Prerrogativas, mais conhecido como clube da impunidade, e o principal braço jurídico do PT. O Prerrogativas se especializou, como se sabe, em garantir a impunidade de corruptos de toda sorte, desde empresários bilionários com sobrenomes chiques a políticos flagrados com dinheiro na cueca e outros lugares impróprios.
Além de atacar a Lava Jato e defender corruptos e o governo Lula, outra especialidade do Prerrogativas, nesses 4 anos de governo, foi emplacar seus membros em altos cargos do governo e aparelhar o Judiciário com suas indicações, especialmente em tribunais superiores. Um dos representantes do grupo entregou o cargo de presidente dos Correios há poucos meses, depois de render à estatal a maior crise da sua história, com prejuízos bilionários, enquanto gastava dezenas de milhões em eventos “culturais”.
A cena dantesca de Marco Aurélio e Andrei Rodrigues conversando de forma íntima ao pé do ouvido, por si só, já seria imprópria. Torna-se ainda mais grave quando se considera que Andrei Rodrigues comanda exatamente a instituição responsável por investigar o filho do presidente da República e que ele próprio é cotado para assumir o Ministério da Justiça, que ficou vago no mesmo evento em que os dois cochichavam, com o anúncio da saída de Ricardo Lewandowski. A aparência de promiscuidade institucional salta aos olhos.
No dia seguinte, o jornal O Globo revelou o conteúdo da conversa entre os dois compadres. Marco Aurélio de Carvalho confessou abertamente ter procurado Andrei Rodrigues para pedir a abertura de uma investigação sobre o vazamento de informações da apuração que envolve Lulinha. Ou seja, o advogado do investigado foi diretamente ao chefe da polícia que investiga seu cliente para reclamar da divulgação de fatos na imprensa que colocam o esquema em evidência. Não pediu esclarecimentos ao Judiciário, não falou com o delegado do caso, não protocolou petição formal: buscou o diretor-geral da PF pessoalmente.
Em qualquer outro país – e, curiosamente, com sobrenomes da direita – isso seria tratado como escândalo de primeira grandeza. Um advogado ligado ao partido do governo, defendendo o filho do presidente, abordando o chefe da polícia federal responsável pelo caso, em meio a uma investigação sensível, enquanto esse mesmo chefe da polícia é cotado para promoção política pelo pai do investigado, sendo que o próprio advogado é, ele mesmo, chefe de um dos grupos jurídicos e políticos responsáveis por pesado lobby a favor da indicação de seus próprios membros a cargos poderosos.
Mais patrimonialista, impossível. No Brasil de hoje, com um presidente descondenado, abusadores supremos, censura, perseguição política e corrupção, a cena passa quase como nota de rodapé.
A pergunta que fica é simples e incômoda. Se essa investigação envolvendo Lulinha desaparecer, se for esvaziada ou abafada sob o argumento de “vazamento”, e se Andrei Rodrigues acabar recompensado com o Ministério da Justiça, alguém ainda terá coragem de chamar isso de coincidência? A história recente ensina que, quando se trata de escândalos envolvendo a família Lula, o problema nunca foi a falta de provas. O problema sempre foi o que o sistema faz – ou deixa de fazer – quando elas aparecem.
Igrejas e Quartéis tremem na base. Um reverendo que ladra raivoso e exala ódio mortal marca encontro com um Cabo da PM, um Coronel e um Diretor do Ministério da Saúde, ex-Sargento da Aeronáutica (não aquele da cocaína no avião presidencial). Discutem, em uma mesa de bar, a caótica situação da saúde no Brasil. Analisam propinas de milhões de dólares, ou, no vocabulário chulo de um General Ministro, ‘gordos Pixulecos’, seja lá o que isso for. Autoridades, preocupadas, vetam vacinas umas e tentam comprar vacinas outras a preços bem mais caros. Tudo a depender da ‘comissão’. Enquanto isso, o povo continua a morrer. Já são 700.000 covas não evitadas, 700.000 famílias vítimas do genocídio, 700.000 CPFs cancelados. Mas, melhor que cumprir seu papel de gestor da crise, é passear de moto ou de jetski, discursar no cercadinho. A segui-lo, um séquito de cegos e fanáticos, adorando pneus e invocando seres extra-terrestres. Só faltava o desfile de tanques de guerra e blindados. Não falta mais. No futuro, ele certamente não será lembrado pelas Motos mas, sim, pelos mortos. Afinal, é um Messias que não sabe fazer milagres, que não é coveiro, no seu próprio dizer. Além do que, instalado num Palácio do Terraplanalto repleto de rachadinhas, vizinho de mansões milionárias, ele é apenas um capitão que o exército não quis. E nada de cuidar dessa gripezinha tão inofensiva quanto uma crise de soluço, desde que tratada em hospital com oxigênio à vontade. Saúde de esportista. Pastores e pastadores, milicianos e charlatães riem. Ele, imorrível, imbroxável e incomível, jóias árabes no pescoço da mulher, caga para os que o investiga e desdenha daqueles que não conseguiram superar aquela ‘doencinha de maricas’, imitando alguém com falta de ar. E mascava chicletes de cloroquina enquanto passava a Boiada na Amazônia menor a cada dia. Vacina e propina: não fosse trágico, talvez fosse uma boa rima. Pra quem terá sido dirigido o ‘cotôco’ covidiano de Queiroga, em Nova Iorque? Mais sensato seria ter dado o dedo pra Papuda: seus amigos e chefes estão a caminho. Outros, lá já estão: o golpe falhou …