JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O PÔR DO SOL E AS UVAS VERDES

Gosto de subir ao ponto mais alto para ver o sol se por

Uuuuffffaaaa!

Estou chegando. Tem sido cansativo, mas, a Fé divina me move, acalenta e recompensa.

Jovem adolescente, inebriado pelas vantagens que aparecem nessa etapa da vida, namorei e me apaixonei. Embeveci e fiquei aberto como um flor com o néctar que atrai as abelhas.

Nessa etapa da vida, mal percebemos o quanto somos sensíveis e abertos para todas as coisas. Para o amor, por exemplo. Para tudo que imaginamos nos fazer bem. E, o amor faz bem em qualquer fase da vida.

Foi quando ganhei o primeiro presente material. Um livro. Longe dali, no Liceu o livro chegou no momento exato que, na sala de aulas, o professor nos ensinava a “interpretar textos lidos” – aprendizado aquele que hoje faz falta aos jovens que fingem estudar orientados por professores que fingem ensinar.

O presente veio de quem, como uma abelha que adoça nossas vidas, estava me conquistando. Ela era a abelha e eu o néctar da flor viçosa ávida pela êxtase que desconhecia, mas desejava sentir. Um livro. O Pequeno Príncipe. A instabilidade me fez sentir o próprio – e tudo se aproximava da fase leve da vida. Ela deixava momentaneamente de ser a abelha e se transformava numa raposa. Como no livro. Como na parábola. Como em qualquer pôr do sol dos envoltos e apaixonados.

Uuuufffffaaa!

Chegamos, juntos e caminhando e olhando na mesma direção – como deve ser sempre o amor: “caminhar e olhar na mesma direção para ver, juntos, o mesmo pôr do sol”.

O pôr do sol visto pelos apaixonados

Hoje, muito além daquela fase, aprendi que sempre gostei de ver o pôr do sol. Subir ao ponto mais alto da montanha da vida e, juntos, olhar o sol se pondo com todos as odes e letras de um poema. Talvez eu sempre tenha vivido apaixonado por mim mesmo.

No fundo, no fundo, acho que os que amam, amam também a si próprios. Amam a si, amam a família, amam a vida e são apaixonados pelas coisas divinas e da Natureza. São felizes!

Eu sou feliz!

Vivo, amo, divido até o que não tenho com a minha eterna raposa. Continuo dividindo o pôr do sol, visto do lugar mais alto da montanha.

As uvas não estavam verdes – elas eram verdes

Na subida da montanha, juntos, eu e a raposa, encontramos uma plantação. Nunca entendi que uva matasse a fome – e, eu e ela não estávamos famintos. Estávamos enamorados e procurávamos ver o pôr do sol. Continuamos a subida. Olhamos o poético pôr do sol, e voltamos.

Vimos o vinhedo. As uvas ainda estavam lá, no mesmo lugar.

Descobrimos que elas “não estavam verdes” quando subimos. Na descida percebemos que elas “eram verdes” – como todos os apaixonados e com objetivos (o nosso era caminhar, juntos, para ver o pôr do sol) definidos, só então entendemos que o amor empana as necessidades da vida.

Descemos até que alcançamos o lugar inicial da subida. Nos dividimos – e, ainda hoje estamos divididos.

Sós, gostamos de olhar e contar estrelas

Só. Estou só. Preferi assim – e não há arrependimento. Aprendi muito.

Momentaneamente me flagro no sopé da montanha. Me imagino subindo, encontrando as mesmas trilhas. Faço isso – agora só! – e encontro mais dificuldades. Talvez sejam os prêmios do aprendizado e da vida. As uvas, então, eram verdes. Alguém as comeu.

Chego ao topo, onde gostava de ver o pôr do sol. O sol já se pôs. Se escondeu ou deu um até amanhã, quando poderá ser visto por pessoas juntas.

Eu entendo. Aceito. Me contento em olhar e contar estrelas.

COMENTÁRIO DO LEITOR

CALMANTE BEM GRANDE E DURO

Comentário sobre a postagem O JORNALISTEIRISMO BOSTÍFERO DE BANÂNIA

Luci Oliva:

Para mim as atitudes dela revelam uma grande falta de lola, como diz o Cebolinha.

O cérebro dela está afetado causando falas de débil mental.

Ela tem marido para lhe aplicar um calmante daqueles bem grandes?

Deve estar faltando, pois uma mulher bem amada não tem essas falas imbecis, é bem mais comedida e tranquila.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

E LÁ SE FOI UM QUARTO DE SÉCULO

Escrevo no início de 2026, ainda sob o impacto de uma constatação simples, mas inquietante: um quarto do século XXI já se foi. Para mim, que neste mesmo ano devo completar um quarto de século no exercício da magistratura federal, essa coincidência temporal funciona como um convite à reflexão — não sobre minha trajetória pessoal, mas sobre o mundo no qual vivemos nesses últimos vinte e cinco anos.

Lembro, então, de um documentário intitulado Primeira Guerra Mundial – o fim de uma era. Volta e meia o revejo, e sempre me chama a atenção a descrição do clima de otimismo que dominava a Europa no final do século XIX. Havia guerras no passado, é verdade, mas acreditava-se que o equilíbrio diplomático e o progresso haviam finalmente domesticado a barbárie.

Sabemos como essa história terminou.

O século XX mal havia começado quando a Primeira Guerra Mundial inaugurou um novo padrão de violência, industrializado e total. Logo em seguida, a gripe espanhola expôs dramaticamente a vulnerabilidade humana. A Revolução Russa, por sua vez, introduziu uma experiência política fundada no coletivismo estatal e na supressão sistemática das liberdades individuais. E, antes mesmo da metade do século, o mundo já estava mergulhado em outra guerra global, seguida pela Guerra Fria e pela ameaça permanente de aniquilação nuclear.

Esse conjunto de acontecimentos desmontou a ilusão de que o avanço científico e econômico seria suficiente para garantir progresso moral e estabilidade política.

Ainda assim, iniciamos o século XXI com esperanças renovadas. O fim da Guerra Fria, a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética pareciam sinalizar o esgotamento histórico de projetos totalizantes. A globalização econômica avançava, a internet prometia ampliar o acesso à informação e fortalecer a autonomia individual, e uma consciência ambiental global começava a se consolidar. Tudo indicava que certos aprendizados haviam sido definitivamente incorporados.

Parecia plausível imaginar um século menos violento, mais cooperativo e mais racional.

Passados, porém, vinte e cinco anos, o balanço é menos alentador.

Os atentados de 11 de setembro de 2001 mostraram que conflitos ideológicos e religiosos estavam longe de ter sido superados. A crise financeira de 2008 expôs fragilidades profundas das economias e das instituições democráticas. A polarização política se intensificou, em parte impulsionada pelas redes sociais, que passaram a funcionar não apenas como instrumentos de informação, mas também como catalisadoras de radicalismos e tribalismos.

No plano internacional, os conflitos armados retornaram com força. O avanço do Estado Islâmico no Oriente Médio, a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 e a guerra no Donbass já haviam sinalizado que a ideia de uma Europa definitivamente pacificada era ilusória. Em 2022, a invasão da Ucrânia em larga escala dissipou qualquer resquício de complacência histórica — e trouxe de volta algo que muitos julgavam enterrado no século passado: o receio concreto de um conflito nuclear, reacendido pelas ameaças reiteradas feitas pelo Kremlin. Em breve o conflito completará quatro anos, sem grandes expectativas de chegar ao fim.

Como se essas semelhanças entre o início dos séculos XX e XXI não bastassem, fomos “contemplados” com nossa própria tragédia sanitária. A pandemia da Covid-19 revelou, mais uma vez, a vulnerabilidade humana e a rapidez com que direitos individuais podem ser relativizados em nome da segurança coletiva. Em muitos países, medidas restritivas do direito de ir e vir, e de buscar o próprio sustento, foram implementadas. Sob o argumento de proteger as pessoas, retirava-se sua liberdade.

Independentemente do juízo que se faça sobre as medidas adotadas, o fato é que o medo mostrou-se um poderoso instrumento de expansão do poder estatal.

Como se vê, confrontar o primeiro quarto do século XX com o mesmo período do século XXI, não é apenas um exercício de memória histórica, mas um teste de maturidade civilizatória.

Em A Rebelião das Massas, Ortega y Gasset adverte que o homem-massa tende a usufruir das facilidades da vida moderna como se fossem dados naturais, esquecendo-se de que são construções humanas, fruto de esforço histórico acumulado. Quando essas conquistas passam a ser vistas como automáticas e garantidas, abre-se espaço para a irresponsabilidade cívica e para a delegação acrítica de decisões fundamentais.

Essa advertência é especialmente relevante para quem ocupa posições de liderança ou influência. Ter uma visão mais ampla dos acontecimentos não é um privilégio; é uma responsabilidade. A história mostra que atos explícitos de barbárie não começam repentinamente, mas vão sendo naturalizados pela passividade e pela crença de que estruturas abstratas cuidarão de tudo.

Encerrando estas reflexões, recuso-me a aceitar o pessimismo estéril, e insisto em um ponto essencial: nada está garantido pela simples marcha do tempo. As condições que permitem uma vida digna, livre e próspera não se mantêm sozinhas. Exigem vigilância, compromisso ético e disposição permanente para questionar soluções fáceis para problemas complexos.

Se o século XX nos ensinou o preço da ilusão histórica, o primeiro quarto do século XXI nos recorda que a civilização não se herda pronta: ela se administra, se defende e se reconstrói todos os dias.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A FÉ REMOVE MONTANHAS

A Fé remove montanhas,
Já diz o Livro Sagrado.

Mote deste colunista

Por mais dura que nos seja,
A vida é abençoada!
Nunca desista de nada:
Se errou, refaça e veja.
O tempo segue e enseja
Que se conserte o errado.
Não fique aí parado,
Em frente, deixe de manhas!
A Fé remove montanhas,
Já diz o Livro Sagrado.

Melchior SEZEFREDO Machado

A fé, expressão mais viva
Que nos aumenta a potência,
Nos desperta a consciência
E nos deixa a alma ativa.
Nos eleva e nos motiva
A construir um legado,
Esperança de um estado
De bonança e de façanhas.
A fé remove montanhas
Já diz o livro sagrado.

Merlanio Maia

A fé é quem nos sustenta
Na hora da aflição,
Deus segura a nossa mão
Só assim a gente aguenta.
É ela que alimenta
E deixa tudo preparado,
Nada pode dá errado,
Cura doenças estranhas.
A fé remove montanhas,
Já diz o Livro Sagrado.

Poeta Nascimento

Na mente e no coração
Tem essa força gigante,
Pode ser principiante
Quando sente a emoção.
Se tornando um bom cristão
Que por Jesus é tocado,
Se já és abençoado
Cravado em suas entranhas.
A Fé remove montanhas,
Já diz o Livro Sagrado.

Cabal Abrantes

-Jesus, filho de Davi!
(Disse o cego de nascença)
Eu sinto a tua presença,
Pena que nunca te vi!
Jesus que passava ali
Curou o necessitado,
O cego soltou um brado
Vindo das suas entranhas:
-A Fé remove montanhas,
Já diz o Livro Sagrado.

Wellington Vicente

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Tom Jobim

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu no Rio de Janeiro, RJ. em 25/1/1927. Músico destacado como compositor, pianista, violonista, flautista, arranjador e cantor. Conhecido como o “Pai da Bossa Nova”, criou uma nova sonoridade musical e tornou a música popular brasileira reconhecida no mundo.

Filho de Nilza Brasileiro de Almeida e Jorge de Oliveira Jobim, diplomata, escritor e jornalista oriundo de uma família proeminente e a mãe parcialmente descendente de indígenas do Nordeste. Aos 8 anos perdeu o pai e a mãe casou-se com Celso da Frota Pessoa, que incentivou a carreira musical do garoto, presenteando-o com um piano. “Eu odiava piano, achava coisa de menina, gostava de jogar futebol… Tive um ótimo padrasto que me ajudou muito a me envolver com a música e me convenceu de que piano não era coisa de menina”.

Passou a tocar piano em bares e boates do Rio de Janeiro na década de 1940 e na década seguinte foi arranjador do Estúdio Continental, onde gravou sua primeira música – Incerteza – em 1953, cantada por Mauricy Moura com letra de Newton Mendonça. Em seguida, junto com Vinicius de Moraes, compôs a música da peça Orfeu da Conceição, em 1956. A parceria com Vinicius lhe proporcionou algum destaque com a música Se todos fossem igual a você, a mais popular da peça. Pouco depois, a peça foi adaptada para o cinema, e a dupla foi convocada para fazer a trilha sonora do filme Orfeu Negro. Vinicius vivia em Montevideo como diplomata e fizeram três músicas mais por telefone: A felicidade, Frevo e O nosso amor. A partir daí, Vinicius escreveu as letras de algumas das suas canções mais conhecidas.

Em 1958 João Gilberto gravou seu primeiro álbum com duas de suas canções mais famosas: Desafinado e Chega de saudade. O álbum inaugurou o movimento musical brasileiro Bossa Nova. A sofisticação das harmonias chamaram a atenção de músicos de jazz nos Estados Unidos, principalmente após sua primeira apresentação no Carnegie Hall, em 1962. Sua obra vem sendo executada por muitos cantores e instrumentistas internacionais desde a década de 1960. Em 1965, o álbum Getz/Gilberto foi o primeiro disco de jazz a ganhar o prêmio Grammy de Álbum do Ano. O single do álbum Garota de Ipanema (em parceria com Vinicius de Moraes), tornou-se uma das canções mais gravadas de todos os tempos. Teve mais de 200 gravações por outros intérpretes.

Seu álbum de 1967 com Frank Sinatra – Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim – foi indicado para o prêmio Álbum do Ano em 1968. Em Levantamento do ECAD, em 2022, consta que ele tem 8 das 15 músicas brasileiras mais regravadas na história. Sobre a criação musical, ele considera que “é preciso algo de grande influência para levar alguém a dedicar sua vida à música… as pessoas que tocam piano bem são todas deficientes”… É preciso algo muito forte para fazer você deixar a realidade para trás e começar a compor”. Estava se referindo a perda de seu pai quando ainda era uma criança.

Suas influências musicais são diversas e variadas. Inicia com Pixinguinha, pioneiro da música moderna brasileira e passa por Koellreuter, que introduziu no País a composição atonal e dodecafônica e conheceu-o quando foi aprender piano. Foi influenciado também pelos compositores Claude Debussy, Maurice Ravel, Ary Barroso e Heitor Villa-Lobos, sua influência musical mais importante. Quanto a inspiração ele mesmo já declarou: “Minha música vem deste ambiente aqui, você sabe, a chuva, o sol, as árvores, os pássaros”. Era frequentador habitual do Jardim Botânico.

Sua fama foi ampliada após a participação com Stan Getz e João Gilberto, que resultou em dois álbuns: Getz/Gilberto, vol 1 (1963) e vol. 2 (1964), tornando a bossa nova popular nos EUA e se espalhou pelo mundo. Os discos viraram sucesso internacional, tendo Astrud Gilberto como intérprete de Garota de Ipanema e Corcovado. Ganharam o Prêmio Grammy de Álbum do Ano 1965 e Garota de Ipanema ganhou o Prêmio Grammy de Gravação do Ano. Em 1972 a música Águas de março também foi um grande sucesso. Foi gravada em português e inglês e em seguida traduzida também para o francês (Les eaux de mars) por Georges Moustaki.

Outro sucesso ocorrido nos EUA se deu com a parceria de Elis Regina no álbum Elis & Tom em meados de década de 1970. A dupla criou uma simbiose perfeita representada na letra de Águas de março simulando uma brincadeira de terminar a frase um do outro. Em 1994, após concluir o álbum Antônio Brasileiro, queixou-se ao seu médico de problemas urinários. Foi submetido a uma cirurgia, em Nova Iorque, em 2/12/1994, e enquanto se recuperava teve uma parada cardíaca, vindo a falecer em 8/12/1994. O álbum foi lançado postumamente três dias após sua morte. Em 2008 seu amigo Sergio Cabral tratou de imortalizá-lo numa bela biografia e lançou Antônio Carlos Jobim – Uma Biografia, publicada pela IBEP Nacional.

O legado de Tom Jobim na música brasileira é enorme. Internacionalizou a bossa nova e muitas de suas canções se tornaram padrões de jazz, através de Frank Sinatra e Ella Fitzgerald com os álbuns Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim (1967) e Ella abraça Jobim (1981). O álbum Wave de 1996: The Antonio Carlos Jobim Songbook incluiu apresentações de suas músicas através de Oscar Peterson, Herbie Hancock, Chick Corea e Toots Thielemans. Em 2001 foi criado o Instituto Antonio Carlos Jobim para preservar e divulgar sua obra musical e poética, bem como seu cuidado com a natureza. Além disso, realiza a catalogação, conservação e digitalização do acervo de muitos de seus amigos, como Dorival Caymmi, Chico Buarque, Gilberto Gil, Paulo Moura, Milton Nascimento entre outros

Recebeu diversas homenagens, tais como seu nome dado ao Aeroporto Internacional do Galeão, em 1999; ganhou o Lifetime Achievement Award, no 54º Grammy Awards, em 2012; entrou para o Hall da Fama dos Compositores Latinos, em 2014; foi nomeado pelo “Billboard” como um dos 30 artistas latinos mais influentes de todos os tempos, em 2015; no mesmo ano a União Astronômica Internacional deu seu nome a uma cratera no planeta Mercúrio e no ano seguinte tronou-se o mascote oficial das Paraolimpíadas de Verão de 2016, no Rio de Janeiro.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

REESTRUTURAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR BR

Creio que já tarda uma gigantesca reestruturação do atual 3º. Grau de Ensino brasileiro. É urgente a adoção de estratégias que reflitam novas demandas cognitivas, num contexto latino-americano cada vez mais dinâmico, mormente agora com a vigência do acordo do Mercosul com a União Europeia.

Somente por intermédio de um qualificado ensino superior, a Ciência, teórica e aplicada, desenvolverá sua missão primordial: consubstanciar uma maior solidariedade para com todo o seu derredor social, pela transmissão crítica das melhores maneiras de pescar, bem assimilada a dimensão do que seja parceria, revitalizando-se todas as faixas etárias e regiões.

O pensamento do professor Ronaldo Tavano Palaia, ex-diretor da Faculdade Trevisan, continua a se refletir como um alerta que se alastra pelos quatro pontos cardeais do país:

A sobrevivência das organizações na Nova Economia está incondicionalmente atrelada às habilidades fundamentais de seus colaboradores em todos os níveis hierárquicos, bem diferentes daquelas exigidas dos trabalhadores e dirigentes na Sociedade Industrial. Hoje, para que uma posição no mercado de trabalho da Nova Economia seja ocupada, é preciso dispor cada vez mais de capital intelectual, que não se traduz apenas pelo simples acúmulo de conhecimento, mas pela capacidade de identificar, obter, organizar e utilizar a informação necessária para alcançar os resultados pretendidos. (…) De todas as grandes organizações seculares, como o Exército e a Igreja, talvez a Universidade seja a mais conservadora em termos de valores e práticas. Neste momento, contudo, a sociedade precisa formar, em nível superior, talentos humanos com preparo adequado para a economia digital e com grande flexibilidade de adaptação a uma realidade econômica, social, cultural e tecnológica emergente.

Segundo aquele docente, estamos atravessando uma crise paradoxal: de um lado, um crescente analfabetismo funcional; de outro, um contingente cada vez maior de vagas em setores especializados, por ausência de mão-de-obra qualificada.

Na atualidade, uma Universidade que deseja se ver respeitada, deve ser possuidora de alguns Princípios Norteadores: Possuir elaboração própria; Saber melhor conjugar teoria com prática; Manter-se em contínua atualização, sem modismos pernósticos; Emular balizamentos emancipatórios; e Ampliar a qualificação formal e política de todos os seus setores técnico-científicos.

A Universidade deve ainda ser possuidora de um acurado instinto cognitivo de sobrevivência, nunca um amontoado de salas de aulas, onde impera uma caduca diferença entre aluno e professor, os primeiros sempre passivos, os segundos portadores de procedimentos apenas auleiros, sem sabor criativo, tampouco amor e contemporaneidade.

Se o diploma de nível superior se encontra em baixa, muito desgastado como reflexo do saber, o conhecimento multidisciplinar se torna cada vez mais uma exigência intelectual, inclusive para docentes. Com honestidade, verifica-se facilmente que a maioria dos nossos atuais docentes universitários não merece sequer ser diplomada. E que inúmeras escolas superiores são simples peças históricas, úteis apenas para se observar como foi a Universidade criada nos anos trinta do século passado.

Segundo o pesquisador Cláudio de Moura Castro, estamos ao limite do conserto fácil. Com a modernização econômica e a globalização cada vez mais acelerada, que sejam eliminadas as posturas meramente burocratizantes, as contemplações dos próprios umbigos e as pesquisas sobre quase-nada, que apenas favorecem os já parcos rendimentos mensais. Posto que, sem grandes saltos qualitativos, ficaremos num eterno ora-veja, vendo a banda passar, sem trombone nem clarins. Tocando apenas os bombos dos bobos.

Sem um Ensino Superior dinâmico, seguramente seremos vítimas de algumas consequências, entres as quais estratégias não implementadas corretamente; aquisições tecnológicas que não alcançam os efeitos esperados; uma estrutura organizacional lenta e dispendiosa; custos não sendo mantidos sob controle; e programas que não apresentam os resultados aguardados.

Tudo ampliando uma sempre crescente Cultura de Fingimento de 3º. Grau.

PENINHA - DICA MUSICAL