ALEXANDRE GARCIA

STF EXIBE LADO POLÍTICO EM ATO SOBRE 8 DE JANEIRO

edson fachin stf 8 de janeiro

O presidente do STF, Edson Fachin, em ato alusivo aos três anos do 8 de janeiro, realizado na sede do Supremo

Na quinta-feira Lula fez uma manifestação, no Palácio do Planalto, pelos três anos do 8 de janeiro, e o Supremo fez outra, à tarde. Que Lula faça isso tudo bem, ele é político; mas que um tribunal, ainda mais no topo do Judiciário, faça isso contrasta com a ideia de que a Justiça tem de ser imparcial, isenta, e não se meter em assuntos políticos. No seu discurso, Edson Fachin, presidente do Supremo, confirmou a politização do STF. Ele disse que “o dever desta corte é ir de encontro às palavras do nosso maior escritor” – acho que ele quis dizer “ao encontro”; eu até pesquisei e vi que estava escrito “de encontro”, mas “de encontro” é chocar, é contrariar, então Fachin provavelmente quis dizer “ao encontro”. Ele justifica o evento: “evitando que o tempo faça desaparecer não apenas a memória do malfeito praticado, mas de quem se levantou contra ele”. Está mostrando que o Supremo se levantou contra o malfeito praticado. Então, o Supremo foi ativista, quando quem tem de ser ativista é o autor da ação, que é o Ministério Público.

E tudo tem de ser feito sob a égide da Constituição, que exigiria julgamento na primeira instância, inclusive para dar direito aos condenados de recorrer por todas as instâncias, segunda, terceira, última. Mas foi muito difícil recorrer; o amplo direito de defesa previsto na Constituição também não valeu. Fachin ainda elogiou o trabalho de Alexandre de Moraes. Para registrar os números, em 1.734 processos, 1.399 pessoas foram condenadas, 179 estão presas; 387 réus foram condenados a penas de 12 a 27 anos. O senador Esperidião Amin já protocolou uma proposta de anistia, e a oposição diz que vai derrubar o veto do presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria, diminuindo as penas para crimes contra o Estado.

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Se deixarem a Polícia Federal trabalhar, vai ter muito fio para puxar no caso do Banco Master

A CPMI do INSS está bem animada, porque ficamos sabendo que a Polícia Federal está investigando as ligações do Lulinha – o Fábio Luís, filho de Lula – com o “careca do INSS”, que teria pago mesadas astronômicas para o Lulinha. Quem também anda pagando mesadas astronômicas é Daniel Vorcaro, do Banco Master. A Polícia Federal também deve investigar esse caso dos influenciadores, que foram muitos, segundo Malu Gaspar, de O Globo, com contratos altíssimos. Um vereador de Erechim (RS), que é um influenciador importante, denunciou, disse que foi contatado; tem influenciador que está mais para hipnotizador, criticando o Banco Central e defendendo o Banco Master. A PF vai investigar se foram todos comprados pelo Vorcaro. É um bom início, porque daí em diante vai-se puxando a corda, o fio de Ariadne, e vão aparecendo os outros, vamos ver se houve pagamentos de Vorcaro a pessoas contratadas para pressionar o Banco Central.

A Polícia Federal está investigando a venda para o Banco de Brasília, que é um banco estatal, de uma carteira fajuta de R$ 12 bilhões em créditos. E o resto já sabemos: Dias Toffoli, depois de voar com um dos advogados do Master, pôs completo sigilo em torno do assunto, que devia ter toda a transparência prevista no artigo 37 da Constituição, inclusive sobre o celular valiosíssimo do Vorcaro. Da mesma forma, todos ficamos sabendo daquele contrato do Banco Master com o escritório de advocacia da família de Moraes, ao custo de R$ 3,6 milhões por mês. Depois veio aquela acareação, tentando constranger o diretor de Fiscalização do Banco Central. Por fim, temos o ministro do TCU Jhonatan de Jesus, ex-deputado, formado em Medicina, que acabou voltando atrás naquela inspeção totalmente despropositada. O TCU não tem nenhuma competência para se meter na autonomia do Banco Central.

São coisas que estão saltando aos olhos. Por isso é muito boa essa investigação da Polícia Federal para, enfim, mostrar tudo que uma CPI ainda haverá de mostrar, porque já existem assinaturas suficientes para isso. Não podemos conviver com estripulias que fazem mal para o sistema financeiro do país, para as nossas contas bancárias, para o nosso crédito.

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Indicado por Lula para presidir a CVM já tomou decisões favoráveis ao Master

Saiu no Diário Oficial que Lula indicou um novo presidente para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), dizem que por influência de Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista, e de Davi Alcolumbre. Otto Lobo já é um dos diretores e está como interino na presidência; agora, vai ser submetido à sabatina do Senado. A CVM é uma autarquia com autonomia administrativa e orçamentária, vinculada ao Ministério da Fazenda, e que cuida do mercado de capitais, como certificados de depósito e ações. O indicado por Lula, segundo a Folha de S.Paulo, já teria brecado decisões desfavoráveis ao Master na CVM, por exemplo no caso do Carbono Oculto, sobre ligações com o PCC, no caso da Reag e fundos de investimento. Esse Master está em todas.

DEU NO JORNAL

AERO NÓIS

Regalia disputada pela nata de Brasília, os jatinhos da Força Aérea Brasileira fizeram ao menos 1.778 decolagens com autoridades ao longo de 2025.

Têm direito à regalia os ministros de Estado, chefes das Forças Armadas, presidentes da Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal e, normalizado no governo Lula, sem previsão legal, até ministros do STF.

A conta não considera os rolês de Lula e Janja, sempre com grandes comitivas e com a gastança protegida pelo sigilo.

Só deu Hugo Motta zanzando por aí. O deputado, que até tem o próprio avião, fez ao menos 141 viagens nas asas da FAB (e por nossa conta).

Fernando Haddad (Fazenda) não quer nem saber de voos de carreira. Foram 132 viagens ao longo do ano. Foram 20 a mais do que em 2024.

A presidência do STF fez 100 decolagens. Os ministros, outras 19.

O total de 2025 supera os voos de 2024 (1553) e fica atrás de 2023 (1997).

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E tudo pago pelo contribuinte.

Pago por nóis

É o Aero Nóis.

A cambada dos três poderes esbanjando e torrando nosso suado dinherinho pelos ares.

E se preparem: esses números vão aumentar agora em 2026.

Meu Senhor do Bonfim, dai paciência pra mim!!!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

BAHIA DE TODOS OS ÂNGELOS

Recentemente participei da 8ª Festa Literária do Pelourinho – 8ª FLIPELÔ. Hoje a melhor Festa Literária do Brasil. Nos intervalos, fui rever a velha Bahia, quando morei em terras soteropolitanas. Muitas recordações, onde aprendi uma outra visão do Brasil real. Onde me diverti as ladeiras da Bahia.

Em 1962 terminei o curso da Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN) no Rio, com sangue, suor e lágrimas. Tive uma razoável classificação no final do curso, deu para escolher uma boa cidade para iniciar a carreira como tenente do Exército Brasileiro. Meu coração pediu uma terra que só conhecia pelos livros de Jorge Amado e pelas músicas de Caymmi. Escolhi o 19˚ Batalhão de Caçadores, Salvador.

Com uma mala na mão, me vi em frente ao prédio de dois pavimentos, todo ajanelado, paredes cinzentas, construção tipicamente militar.

Havia um quarto de oficial à minha espera, onde descansei um pouco. Mais tarde, da janela, contemplei um alaranjado pôr-do-sol no meu primeiro dia na Bahia. Naquele momento, me deu uma apreensão, um certo medo do desconhecido que viria pela frente. Fiquei refletindo, olhando o Sol que se punha. Mas no fundo, com certeza, sabia que tudo daria certo. Tinha aprendido muito na AMAN, estava preparado para a profissão que havia escolhido: oficial do Exército Brasileiro.

Minha casa seria, por algum tempo, o quartel, o pequeno quarto, pelo menos teria uma janela que me dava um magnífico pôr-do-sol.

Com pouco tempo, já desempenhava os trabalhos normais, os serviços relativos a tenente na 1ª Companhia de Fuzileiros.

Nos dois anos que servi em Salvador tive o privilégio de conhecer figuras incríveis que me fizeram ver uma Bahia mais bonita. Entre elas, o Subcomandante do Batalhão, coronel Diamantino Fiel de Carvalho, carioca, boêmio, homem da noite no Rio de Janeiro, amigo de artistas e de pessoas badaladas. Quando apareciam em Salvador, havia sempre um jantar, uma festa para recepcioná-los. Na casa de Diamantino, conheci grandes figuras do meio artístico brasileiro: Haroldo Barbosa, Elizeth Cardoso, Vanda Moreno, Luís Vieira e outros nomes da música popular e do teatro. Diamantino escrevia esquetes de humor para teatro e TV, era cidadão do mundo, inteligente, tremendo boa praça e bom caráter, mas na profissão era de uma exigência inarredável, principalmente com os amigos. Nas noites da Bahia, chamava Diamantino pelo nome próprio; no dia seguinte, com todo o respeito, era o Senhor Coronel. Dava-me essa liberdade, mas dentro do quartel era mais que exigente com o amigo tenente, não dava trégua na hora do trabalho. Afeiçoei-me e muito aprendi com essa figura humana extraordinária, doublé de militar e artista. Foi meu primeiro comandante.

Outra figura inesquecível, nos tornamos irmãos por adoção, era um tenente provindo do CPOR, Ângelo Roberto Mascarenhas. Ângelo me apresentou e eu conheci os mistérios da Bahia. Ele, um artista, aluno da Escola de Belas Artes. Depois do expediente do quartel, rumávamos em direção à noite baiana. Muitas vezes, passávamos na Escola de Belas Artes, eu gostava de ver as modelos nuas, mulheres lindas posando. Ângelo foi meu guia espiritual e boêmio da misteriosa Bahia. Dancei no Tabariz, frequentei a Rua Chile, o Hotel Palace. Bebemos no 63, no 44 e na Ladeira da Montanha. Na Boate Clock dancei e namorei a morena mais frajola da Bahia. Pulei o carnaval no Clube Baiano de Tênis. Foram farras homéricas na Cidade Baixa, no antigo Mercado Modelo, nas Setes Portas. Amanheci o dia em serenata no Forte de São Marcelo. Frequentei o terreiro de Mãe Menininha do Gantois. Ela jogou búzios para mim; hoje sei que sou filho de Xangô.

Foram muitas as noites conhecendo a vida mágica e musical do povo da Bahia, guiado pela mão desse artista, um dos maiores pintores de Salvador, o melhor bico de pena do Brasil.

Ângelo Roberto foi embora, me deixou chorando. Saudades do amigo, meu irmão. Ele desenhou a capa de meu primeiro livro, “Confissões de um Capitão”. Guardo com carinho sua imagem e nossas aventuras boêmias na terra de São Salvador.

DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

O grande poeta paraibano Manoel Xudu (1932-1985)

Manoel Xudu

A arte do passarinho
Nos causa admiração:
Prepara o ninho no feno,
No meio, bota algodão
Para os filhotes implumes
Não levarem um arranhão.

* * *

Otacílio Batista

O poeta e o passarinho
são ricos de inteligência
simples como a natureza
eternos como a ciência
estrelas da liberdade
peregrinos da inocência.

Herdeiros da providência,
um no chão, outro voando,
um pena com tanta pena
outro sem pena penando,
um canta cheio de pena,
outro sem pena cantando.

* * *

João Paraibano

Faço da minha esperança
Arma pra sobreviver,
Até desengano eu planto
Pensando que vai nascer
E rego com as próprias lágrimas
Pra ilusão não morrer.

Há três coisas nesta vida
Que Deus me deu e eu aceito:
A terra para os meus pés,
A viola junto ao peito
E um castelo de sonhos
Pra ruir depois de feito.

* * *

Braulio Tavares

Superei com o valor da minha prosa
o meu mestre imortal Graciliano,
os romances de Hermilo e de Ariano
e as novelas de João Guimarães Rosa;
sou maior que Camões em verso e glosa,
com Pessoa também fui comparado,
tenho a verve do estilo de Machado
e a melódica lira de Bandeira:
sou o Gênio da Raça Brasileira
quando canto martelo agalopado!

* * *

Zé Vicente da Paraíba

O reflexo de estrelas luminosas
São lanternas de Deus no firmamento
Fica muito suave a voz do vento
Evitando qualquer destruição
Os rebanhos deitados pelo chão
E cada pássaro no galho se aquieta
Enriquece o juízo do poeta
O cair de uma noite no sertão.

* * *

Manuel Lira Flores

Quando as tripas da terra mal se agitam
e os metais derretidos se confundem,
os escuros diamantes que se fundem
das crateras ao ar se precipitam.
As vulcânicas ondas que vomitam
grossas bagas de ferro incendiado
ao redor deixam tudo sepultado
só com o som da viola que me ajuda:
treme o sol, treme a terra, o vento muda
quando eu canto o martelo agalopado!

* * *

Joaquim Vitorino

Tenho enorme inteligência
Poeta não me dá vaia
Sou vento rumorejando
Nos coqueiros de uma praia
Sou mesmo, que Rui Barbosa
Na conferência de Haia.

* * *

Diniz Vitorino cantando com Manoel Xudu

Manoel Xudu

Voei célere aos campos da certeza
E com os fluidos da paz banhei a mente
Pra falar do Senhor Onipotente
Criador da Suprema Natureza
Fez do céu reino vasto, onde a beleza
Edifica seu magno pedestal
Infinita mansão celestial
Onde Deus empunhou saber profundo
Pra sabermos nas curvas deste mundo
Que ele impera no trono divinal.

Diniz Vitorino

Vemos a lua, princesa sideral
Nos deixar encantados e perplexos
Inundando os céus brancos de reflexos
Como um disco dourado de cristal
Face cálida, altiva, lirial
Inspirando canções tenras de amor
Jovem virgem de corpo sedutor
Bem vestida num “robe” embranquecido
De mãos postas num templo colorido
Escutando os sermões do Criador.

Manoel Xudu

Os astros louros do céu encantador
Quando um nasce brilhando, outro se some
E cada astro brilhante tem um nome
Um tamanho, uma forma, brilho e cor
Lacrimosos vertendo resplendor
Como corpos de pérolas enfeitados
Entre tronos de plumas bem sentados
Vigiando as fortunas majestosas
Que Deus guarda nas torres luminosas
Que flutuam nos paramos azulados.

Diniz Vitorino

Olho os mares, os vejo revoltados
Quando o vento fugaz transtorna as brumas
E as ondas raivosas lançam espumas
Construindo castelos encantados
As sereias se ausentam dos pecados
Que nodoam as almas dos humanos
E tiram notas das cordas dos pianos
Que o bom Deus ocultou nos verdes mares
E gorjeiam gravando seus cantares
Na paisagem abismal dos oceanos.

DEU NO JORNAL

COLAPSO

Órgãos públicos alertam que, com Lula, Brasil caminha para colapso fiscal.

Órgãos técnicos do governo federal e do Congresso acendem o alerta: a política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é insustentável.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento, mostram que a tentativa de conciliar aumento de gastos com responsabilidade fiscal fracassou.

O arcabouço que substituiu o teto de gastos perde credibilidade, e o Brasil caminha para um colapso fiscal nos próximos anos.

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E o alerta foi feito por órgãos públicos.

Órgãos do próprio governo.

As coisas pioram mais a cada dia que passa.

A expressão “com Lula”, contida no primeiro parágrafo dessa nota aí de cima, resume tudo.

Que os céus se apiedem desse nosso maltratado país!

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

DEDO EM GATILHO

Dona Gersina, viúva juramentada, não via o tempo passar, enquanto ela caminhava para a velhice, sem se dar conta da realidade.

Viúva há mais de quarenta anos, aquietou-se quanto ao assunto “2ªs núpcias”, depois de algumas decepções sofridas, com tentativas de golpes contra ela. Pensava que o tempo ia parar, mas não parou. Hoje, alquebrada e triste, olha para trás e vê quanto tempo perdeu na vida, para dar satisfação aos outros.

Adotou a premissa de sua santa Mãe, já no reino celestial há alguns anos, quando tentava conformá-la em permanecer viúva, dizendo-lhe sempre a frase fatídica e centenária “nem só de pão vive o homem.” Se bem que , brincando, digo eu: um pãozinho recém saído do forno, é bem-vindo, seja com manteiga, geleia ou queijo.

Quanto mais o tempo passa, mais mazelas aparecem em dona Gersina. Uma hora é artrose, outra é artrite, dor nas costas, nas pernas, o que misturando tudo resulta no conhecido reumatismo. Já teve que fazer cirurgia de vesícula, histerectomia, e até hipertensão e diabetes tipo 2 lhe apareceram. Tornou-se hipocondríaca e tem medo de doença.

Amante da boa música, dona Gersina tem em casa violão, teclado e sanfona, que toca amadoristicamente, desde mocinha.

Ultimamente, a mulher amanheceu o dia com a mão esquerda incomodando, como se tivesse sofrido um traumatismo. Notou o 2º quirodáctilo dobrado e dolorido. Mais que depressa, preparou-se para ir fazer uma consulta no Centro de Traumatismo de Natal, pois doença não se guarda. Em lá chegando com sua filha, pegou uma ficha preferencial e logo foi atendida.

Do tipo de mulher que só confia em médico “curioso“ e conversador, Dona Gersina não foi com a cara do doutor. Cara fechada e de pouca conversa, o médico de plantão limitou-se a examinar as duas mãos da paciente, sem lhe fazer qualquer pergunta sobre sua idade, nem sobre sua saúde de modo geral. Não perguntou nem se ela sofria de diabetes ou hipertensão, como sempre acontece. Limitou-se a lhe prescrever uma caixa de anti-inflamatório e requisitar uma ultrassonografia das mãos. Disse-lhe o médico que para mostrar o resultado da ultrassonografia, ela marcasse consulta com um ortopedista, especialista em Mãos.

Resumindo: Esta é uma amostra do atendimento da Saúde para quem possui plano. Imaginem para quem não tem.

O anti-inflamatório prescrito traz um alerta: Contraindicado para hipertensos. Por coincidência, Dona Gersina é portadora de hipertensão há anos. Lógico que não vai misturar esse anti-inflamatório com os remédios que toma para diabetes e hipertensão. A consulta foi perdida.

Insatisfeita com o atendimento inconsistente, superficial e relâmpago, na saída, Dona Gersina perguntou ao médico, que já havia aberto a porta para ela sair, se aquele incômodo no seu dedo tinha nome. De cara fechada e ríspido, segurando a porta, o homem de branco respondeu:

-Ora, a senhora já está perto de 80 anos!!! Só disse isso, “e bênção”. Bonitão, quarentão, ruivo e mal educado; sobrenome italiano, e só.

Dona Gersina saiu decepcionada. Consultou-se numa Farmácia, e está dando certo.

DEU NO JORNAL

O 8 DE JANEIRO VIROU FETICHE

Editorial Gazeta do Povo

lula 8 de janeiro

Lula discursa em ato alusivo ao terceiro aniversário do 8 de janeiro: presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo não apareceram

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta; do Senado, Davi Alcolumbre; e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, foram as grandes ausências do evento alusivo aos três anos dos atos de 8 de janeiro de 2023. Nem mesmo o ministro do STF Alexandre de Moraes, que conduz com mão de ferro os processos contra as centenas de brasileiros presos na Praça dos Três Poderes ou no acampamento diante do quartel-general do Exército, deu o ar da graça – na verdade, nenhum integrante do Supremo apareceu no ato esvaziado, prestigiado quase que exclusivamente por ministros do governo Lula e aliados da esquerda.

Obviamente, a ausência não significa que os ministros do STF estejam dando menos importância ao 8 de janeiro, pois a repressão continua a todo vapor. Lula pode até afirmar que os réus “tiveram amplo direito de defesa, e foram julgados com transparência e imparcialidade”, mas a realidade, facilmente perceptível, é diametralmente oposta. Em nome da “defesa da democracia”, 1,4 mil pessoas foram levadas a julgamento no STF, com denúncias genéricas, em sessões virtuais nas quais nem mesmo havia garantia de que os ministros assistissem aos vídeos gravados pelos advogados de defesa. Centenas foram mantidas presas preventivamente sem a menor necessidade, e uma pessoa morreu na Papuda, apesar de até mesmo o MPF ter solicitado sua soltura. O levantamento do STF afirma que 420 réus foram condenados à prisão e multa e 415 tiveram pena de prisão convertida em serviços comunitários e multa – condenações, recorde-se, sem provas de que cada réu havia cometido os crimes a eles imputados. Outras 564 pessoas firmaram acordos de não persecução penal (ANPPs), cedendo (e não há como criticá-las por isso, que fique muito claro) à chantagem institucional que os forçava a confessar crimes que não cometeram, para evitar uma prisão que era praticamente certa.

Os textos dos votos pela condenação desses manifestantes, e todos os discursos feitos ao longo desses três anos, bem como as falas do ato desta quinta-feira, mostram que o 8 de janeiro se transformou em um fetiche; é o novo “dia que não terminou”, parafraseando o título do célebre livro de Zuenir Ventura sobre 1968. A “tentativa de golpe” mais destrambelhada da história da República – sem armas nem apoio de nenhum poder armado, em um domingo, com todas as autoridades fora de Brasília, ou ao menos ausentes dos prédios invadidos – foi transformada em ameaça permanente a pairar sobre o país, sendo usada como justificativa para a manutenção ad aeternum do nosso atual estado de exceção. Se os manifestantes não forem punidos severamente, à margem do devido processo legal; se os críticos do governo e do Supremo não continuarem a ser calados em decisões sigilosas e investigados pela Polícia Federal; se os whistleblowers que denunciam as arbitrariedades do STF e do TSE não forem neutralizados judicialmente, um novo 8 de janeiro será inevitável – é no que querem que acreditemos.

É por isso que o grito de “sem anistia” ecoou no ato governista-esquerdista deste dia 8, culminando com a assinatura do veto presidencial à lei da dosimetria, que o Congresso Nacional aprovou no fim de 2025. A lei não faz mais que garantir a aplicação, aos casos do 8 de janeiro, do “concurso formal”: um instituto previsto no Código Penal brasileiro, pelo qual o crime mais grave “absorve” o menos grave, mas que foi ignorado pelo STF ao somar as penas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado em praticamente todas as condenações. A dosimetria não era justiça verdadeira – esta só viria com a anulação de todos os processos, tamanhas as arbitrariedades cometidas –, mas era um paliativo com previsão legal; nem isso, no entanto, os condenados do 8 de janeiro merecem na opinião de Lula, que ainda teve a desfaçatez de criticar a Lava Jato, em que o petista teve garantido o amplo direito de defesa e foi condenado com base em um avassalador conjunto probatório, antes que o Supremo o livrasse.

Nunca antes na história deste país a “defesa da democracia” foi um slogan tão vazio, hipocritamente usado para justificar a sua antítese. Denúncias e condenações sem provas, a abolição do devido processo legal, o abuso do instituto da prisão preventiva, a falta da individualização da conduta, a censura e outras restrições à liberdade de expressão, nada disso é prática característica de uma democracia. Mas tudo isso se tornou corriqueiro no Brasil – com a ajuda da imprensa e da sociedade civil organizada, que silenciaram diante das arbitrariedades ou até mesmo as aplaudiram –, mostrando que a única defesa realmente em curso no país é a de um regime de autocracia judicial em conluio com um governo interessado em perseguir seus opositores ideológicos.

PENINHA - DICA MUSICAL