Da avena dos pastores, da harmonia Que o vento imprime às palmas das palmeiras, Do bramido do mar e das cachoeiras, Da voz que impreca à voz que balbucia;
Do sol que fala quando nasce o dia, Do luar que enche de unção as cordilheiras, Vem este claro idioma, que é poesia E alma das gentes luso-brasileiras.
Rumor de asas de abelha, um ruído apenas… Doce afago de arminhos e de penas, Perdão, queixume, lágrima, reclamo,
Ou grito estuante de alma incompreendida, Do desgraçado: “Eu te condeno, ó vida!” Do poeta que sofreu: “Ó vida, eu te amo!
Olegário Mariano Carneiro da Cunha, Recife-PE, (1889-1958)
Flávio Bolsonaro é o candidato da direita com melhor intenção de voto no primeiro turno; nas simulações de segundo turno, Tarcísio é quem tem a menor diferença para Lula
Está repercutindo a primeira pesquisa do ano, da Quaest, sobre a eleição presidencial de outubro. No primeiro turno Lula tem 36%, Flávio Bolsonaro tem 23%, e depois vêm Tarcísio de Freitas com 9%, Ratinho Júnior com 7%, Ronaldo Caiado com 3%, Romeu Zema com 2%, Aldo Rebelo e Renan Santos com 1% cada, e outros 7% de indecisos. Essa direita está pulverizada; até outubro alguém vai ter de cair fora, uns vão se juntar, outros não vão se juntar. Nos cenários de segundo turno, Lula 44%, Tarcísio, 39%; Lula 45%, Flávio 38%; Lula 43%, Ratinho 36%; Lula 44%, Caiado 33%; Lula 46%, Zema 31%.
Esta é a fotografia deste momento. E o que eu vejo? Se somarmos os demais candidatos, temos Lula com 36% e todos os outros – que não são Lula, que são anti-Lula – somando 45% no primeiro turno. Este é, digamos, o voto espontâneo: 45% para os outros e 36% para Lula. Esse é o potencial no qual as pessoas racionais e de cabeça fria terão de pensar, deixando de lado as vaidades e avaliando as condições de cada candidato que está se apresentando.
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Brasil está na lista de países com emissão de visto de imigração americano suspensa
O governo americano vai suspender a emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, inclusive do Brasil. Não é o visto de turismo, temporário, nem o visto de viagem a negócios; é o de imigração. Os norte-americanos alegam que os imigrantes estão dando muita despesa para o país, que os pagadores de impostos estão sustentando pessoas que vão para lá para viver da economia americana. Entre os países afetados, além do Brasil, estão Rússia, países da África em geral, Irã, Iraque, Colômbia, Uruguai e, no Caribe, Cuba, Granada e Haiti. Nossos vizinhos de Argentina, Chile e Paraguai não estão na lista; os americanos acham que não há perigo de paraguaios, chilenos e argentinos causarem problemas de imigração nos Estados Unidos.
É uma decisão que deve afetar muito Tubarão (SC) e Governador Valadares (MG), cidades onde há um grande fluxo migratório. Eu encontro muita gente de Tubarão na região de Boston, por exemplo, e naqueles estados pequenos ao sul de Massachusetts. Alguns estados têm colônia portuguesa forte, eles e os brasileiros se dão bem por lá. E o pessoal de Valadares está principalmente na Flórida, mas também na Califórnia e no Texas.
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O mistério do navio-hospital chinês no Rio
O que esconde o navio-hospital da marinha chinesa? Qual o seu objetivo? O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro não pode entrar lá. Está certo, é soberania, lei internacional. Quem manda no navio é o comandante, e o navio está legalmente em território brasileiro: a Marinha do Brasil esclareceu que o governo brasileiro autorizou a atracação no píer da Praça Mauá, no Rio de Janeiro; que essa visita tem caráter oficial e diplomático; que não há previsão de atendimento de saúde a brasileiros; e que houve um acordo entre a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e o consulado chinês.
É um navio grande, desloca 10 mil toneladas; o objetivo, conforme o exército chinês já publicou, é promover “cooperação amistosa com países parceiros”; trata-se de uma “iniciativa humanitária da Marinha do Exército de Libertação Popular da China”. E repararam no nome do navio? Chama-se Silk Road Ark, ou “Arca [como a Arca de Noé] da Rota da Seda”. A Rota da Seda original foi criada para facilitar o comércio de produtos chineses, tem milhares de quilômetros. A concepção moderna contemporânea, chamada de “Nova Rota da Seda”, é a expansão e projeção global da China. E começou pelo Brasil, aqui no continente.
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Metodologia da pesquisa citada nesta coluna: 2.004 entrevistados pela Quaest entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A.. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00835/2026.
ONG favorita de petistas, a “Organização de Estados Ibero-Americanos”, cuja denominação sugere vínculo na verdade inexistente com a ONU, foi contratada pelo Ministério da Cultura para produzir um relatório passando pano para a Lei Rouanet, cujos milhões são usados, diz a oposição, para pagar cachê posterior de artistas militantes que apoiaram Lula (PT) na campanha de 2022.
A ONG é a mesma que embolsou meio bilhão de reais para “organizar” a COP30, a fracassada conferência de Belém.
Por aqui, a ONG colocou sua sede perto do poder, em Brasília. Só com o governo federal, já faturam com 25 “convênios e/ou acordos” vigentes.
Como não existe almoço grátis, os ongueiros faturam alto com esses acordos. O valor celebrado passa dos R$ 307,8 milhões.
A ONG fatura dinheiro público ao menos desde 2014. Já recebeu do governo federal R$ 875.336.455,72, segundo o Portal da Transparência.
O último pagamento foi há dias, em 2 de janeiro. A secretaria-executiva do Ministério da Cultura injetou R$ 4 milhões em “contribuição voluntária”.
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Logo na abertura desta nota aí de cima, está escrito que esta ONG é a “favorita dos petistas”.
A elite política brasileira não governa. Ela administra a própria sobrevivência. Não legisla para o futuro. Legisla para blindar o presente. Não representa o povo. Representa a si mesma em regime de condomínio fechado, com porteiro armado, ar-condicionado e foro privilegiado. Se o Brasil fosse um paciente, a elite política seria o órgão que: não cumpre função vital; consome oxigênio; produz toxinas e ainda se declara indispensável.
1. Diagnóstico Primário: Deslocamento da Realidade
O primeiro sintoma é clássico e incurável sem choque externo: Perda total de contato com a vida real. O político brasileiro médio: não pega transporte público; não depende do SUS; não estuda em escola pública; não teme desemprego e não sente inflação no prato. Ainda assim, fala “em nome do povo” com a mesma naturalidade com que um turista descreve a selva — do alto do helicóptero. Machado de Assis pisaria fino: “Nada representa melhor o povo do que quem jamais o experimentou”.
2. Sintoma Crônico: A Profissão de Político
Em países saudáveis, política é função temporária. No Brasil, é carreira hereditária disfarçada de vocação pública. Aqui temos: filhos de políticos; netos de políticos; sobrinhos de políticos e assessores de políticos que viram políticos. É uma fauna endogâmica. Reproduz-se entre si. Fala sua própria língua. E reage a críticas como um organismo atacado: com anticorpos corporativistas. Millôr não perdoaria: “O problema do Brasil não é político ruim.
É político profissional. ”
3. Mecanismo de Sobrevivência: A Linguagem Como Anestesia
A elite política brasileira domina uma arte refinada: falar muito para não dizer nada. Eles dizem: complexidade do sistema; arcabouço institucional; responsabilidade fiscal; limites orçamentários e governabilidade. Tradução clínica: Não mexam nos nossos privilégios. Orwell assinaria o laudo: “Quando a linguagem é corrupta, a realidade se torna maleável”.
4. Comorbidade Grave: A Impunidade Como Ecossistema
A elite política brasileira não teme a lei. Ela convive com ela. Processos: prescrevem; se arrastam; se perdem; se reinterpretam; Escândalos: viram notas de rodapé; depois memes; depois piada; depois esquecimento. O sistema imunológico institucional foi treinado não para punir — mas para absorver o escândalo até que ele perca força. Machado de Assis, sorri de lado: “No Brasil, a justiça é lenta porque anda acompanhando o acusado”.
5. A Relação Patológica Com o Povo
A elite política brasileira tem uma relação curiosa com o cidadão: Em época eleitoral: chama de protagonista; No resto do tempo: chama de “populismo” quando reclama; Quando protesta: baderneiro; Quando se cala: maduro. Ou seja: o povo só é virtuoso quando não atrapalha. Millôr pisaria fundo: “O cidadão ideal é aquele que vota, cala e paga. ”
6. O Caso dos Privilégios: Um Estudo de Delírio Coletivo
Auxílios; Verbas; Penduricalhos; Cargos e Imunidades. Tudo isso é defendido com fervor quase religioso. Nunca é privilégio. É “garantia institucional”. Nunca é abuso.
É “prerrogativa”. Nunca é imoral.
É “legal”. Aqui, a legalidade virou álibi ético, e a ética foi terceirizada para discursos vazios. Orwell fecha a conta: “Legal não é sinônimo de justo. Mas no Brasil fingimos que é.”
7. O Medo Real da Elite Política
Eles não têm medo de golpe. Não têm medo de protesto. Não têm medo de crise. Eles têm medo de três coisas apenas: Educação de qualidade; Transparência radical e Memória coletiva ativa. Sim. Porque um povo educado pergunta. Um povo informado compara. Um povo que lembra cobra. E cobrança é fatal para quem vive de improviso, discurso e privilégio.
Conclusão: O Colapso Não Virá Com Gritos – Virá Com Clareza
A elite política brasileira não cairá com revolta desorganizada.
Ela sobrevive disso. Ela cai quando: o cidadão entende o sistema, o discurso deixa de hipnotizar e o “sempre foi assim” perde força. O verdadeiro terror de Brasília não é a raiva do povo — é a lucidez dele. Porque a lucidez não pede favores. Não idolatra. Não se ajoelha. Ela apenas olha e diz: “Isso não é normal. E não é aceitável”. E nesse momento, todo o teatro desaba.
Manifestação em solidariedade ao povo iraniano diante da embaixada norte-americana em Roma, em 14 de janeiro
Mais uma vez, os iranianos estão nas ruas protestando contra o regime teocrático que governa o país desde 1979. E, mais uma vez, os aiatolás respondem com um grau de violência de dar inveja aos bolivarianos que ainda se agarram ao poder na Venezuela. As autoridades iranianas prometem processos rápidos (em que o respeito aos direitos dos réus será inversamente proporcional à celeridade do julgamento) e execuções de manifestantes para tentar controlar as multidões. Em várias outras ocasiões – a mais recente delas em 2022, após o assassinato de Mahsa Amini, jovem presa por não usar corretamente o hijab (véu islâmico) –, os teocratas conseguiram conter a revolta popular. Será diferente desta vez?
O mundo aguarda notícias sobre Erfan Soltani, manifestante de 26 anos cuja execução havia sido prometida para esta quarta-feira, mas o fato é que os tais julgamentos anunciados pelo governo do Irã não passam de formalidade, pois nas ruas a repressão já tem licença para matar: o número de mortos já passa de 2,4 mil; somando-se as prisões, o número de iranianos atingidos pela violência estatal é de pouco mais de 18 mil, segundo a organização Human Rights Activists (HRANA), sediada nos EUA. Em comparação, os mortos nos protestos de 2022 não chegaram a 500, segundo dados da Iran Human Rights (IHRNGO). Os aiatolás bloquearam a internet no Irã há uma semana; apenas uma rede doméstica, pela qual só são acessados sites permitidos pelo governo, está em funcionamento. Não é possível telefonar do exterior para o Irã, embora a rede CNN tenha informado que, na terça-feira, algumas pessoas conseguiram ligar de dentro do Irã para números fora do país.
Desta vez, o estopim dos protestos foi econômico: a inflação de 2025 foi de 42,5% e a moeda local, o rial, se desvalorizou 69% em relação ao dólar – isso apesar de a moeda norte-americana ter perdido valor globalmente no ano passado. Lojistas e comerciantes, descontentes com a economia, iniciaram as manifestações no fim de dezembro; só depois jovens, estudantes e iranianos mais pobres (os principais afetados pela alta nos preços) se juntaram ao movimento e encheram as ruas, transformando os protestos atuais em atos contra o regime como um todo, e não apenas contra a forma como os teocratas conduzem a economia do país. À medida que as manifestações se intensificaram, o governo passou do discurso conciliador, admitindo os problemas na economia, para a repressão violenta.
Os problemas econômicos não apenas colocaram nas ruas iranianos que tenderam a ficar afastados de ondas anteriores de protestos, mas também fizeram com que eles se espalhassem por todo o país – há manifestações em todas as 31 províncias. Esta, no entanto, não é a única diferença a alimentar as esperanças de que desta vez o regime teocrático caia. O Irã está enfraquecido internacionalmente: seus aliados no chamado “eixo da resistência” – os terroristas do Hamas e do Hezbollah, e os houthis do Iêmen – estão severamente debilitados, especialmente depois da reação israelense ao massacre de 7 de outubro de 2023. Na Síria, o aliado Bashar al-Assad caiu em dezembro de 2024. Nem o território iraniano está incólume, como demonstraram os ataques israelense e norte-americano a instalações nucleares iranianas, e as ações em que Israel conseguiu eliminar líderes terroristas e chefes da Guarda Revolucionária iraniana.
Esse enfraquecimento internacional do Irã também permitiu que os Estados Unidos aumentassem sua pressão sobre a teocracia islâmica. Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que negociarem com os iranianos (o que inclui o Brasil) e deixou subentendido que pode intervir no país persa se de fato o regime executar manifestantes. No entanto, o mundo já aprendeu que com Trump é preciso ver para crer: se por um lado os EUA de fato agiram na Venezuela e levaram Nicolás Maduro, por outro lado têm iniciado uma política de distensão com a ditadura bolivariana que persiste no país; além disso, as tarifas são aplicadas de forma muito seletiva – em agosto do ano passado, o norte-americano anunciou o mesmo tipo de punição para quem comprasse petróleo russo, mas apenas a Índia acabou sancionada.
A teocracia iraniana é violadora contumaz dos direitos humanos, oprime especialmente mulheres e minorias como a população LGBT, mata e prende os dissidentes, financia o terrorismo internacional e corre para conseguir armas atômicas e desestabilizar de vez a região. Motivos não faltam para que o regime dos aiatolás mereça cair, pelas mãos dos próprios iranianos. Se isso ocorrerá agora ainda é totalmente incerto, mas, ainda que ocorra, isso não é garantia de que o futuro será necessariamente de estabilidade e democracia – e os vizinhos do Irã são o melhor exemplo disso.