Acho que nem em 2023 tivemos um janeiro tão movimentado como neste ano.
E ainda estamos no meio do mês.
É treta entre Michelle e os filhos do Bolsonaro (envolve disputa entre Tarcísio e Flávio para ver quem vai ser o representante da direita na disputa à PR), caso Master, INSS, Venezuela, Irã, 5TF até o pescoço com os escândalos.
O paraibano Severino Lourenço da Silva Pinto, o Pinto do Monteiro (1895-1990)
* * *
A resposta de Pinto de Monteiro numa cantoria com João Furiba
João Furiba:
Cruzei o velho Saara montado numa bicicleta. Matei leão de tabefe, Crivei serpente de seta. Fiz das penas d’uma hiena Um blusão pra minha neta.
Pinto do Monteiro:
João até que é bom poeta Mas sabe ler bem pouquinho. Vou fazer-lhe uma pergunta, responda meu amiguinho : – Quem diabo foi que te disse que hiena é passarinho ?
* * *
Improvisos de Pinto de Monteiro:
O meu cavalo é dum jeito Que nem o diabo aguenta, Entra no mato fechado, Toda madeira arrebenta, Dá tapa em bunda de boi Que a merda sai pela venta.
* * *
Lá no meio da caatinga, Sem moradia vizinha Bem na beira de um riacho Um pé de palmeira tinha. Meu avô, nesse lugar, Começou a trabalhar E chamar de Carnaubinha. Parece que estou vendo Um homem cortando cana; Uma engenhoca moendo Os três dias da semana. Fazer cerca, queimar broca, Raspar milho e mandioca, Da massa, fazer farinha; Comer com mel de engenho, Ai, que saudades que eu tenho Da minha Carnaubinha.
* * *
Ovo de pato e marreca Quebrar na beira do poço, Abrir milho, na boneca, Pra ver se tinha caroço; Ir pra beira da estrada Jogar pedra e dar pancada Em cabra, bode e suíno; Em cachorro, pontapé, Que isso tudo foi e é Brincadeira de menino.
* * *
Mas essa estória de dente, Para mim, nada adianta; Eu não preciso de dente; Eu quero é peito e garganta: Pois sabiá não tem dente, É quem mais bonito canta!
* * *
Eu sou Severino Pinto Da Paraíba do Norte Sou feio, porém sou bom Sou magro, mas muito forte Depois d’eu tomar destino Temo a Deus não temo à morte.
* * *
Há vários dias que ando, Com o satanás na corcunda: Pois, hoje, almocei na casa Duma negra tão imunda, Que a prensa de espremer queijo Era as bochechas da bunda!
* * *
Eu admiro o tatu Com desenho no espinhaço Que a natureza fez Sem ter régua nem compasso E eu com compasso e régua Tenho planejado e não faço.
* * *
Esta palavra saudade conheço desde criança saudade de amor ausente não é saudade, é lembrança saudade só é saudade quando morre a esperança.
* * *
Gostei muito de mulher No meu tempo de rapaz Mas depois que fiquei velho A trouxa envergou pra trás Sentou-se em cima dos ovos Que a ponta encostou no ás.
* * *
Admiro o vagalume Enxergando de mato a dentro Com sua lanterna acesa Sem se importar com o vento Apaga de vez em quando Poupando seus elementos.
(“elemento” no linguajar nordestino é pilha)
* * *
No tempo da mocidade Eu também já fui vaqueiro. Não tinha jurema grossa, Mororó nem marmeleiro. Fui cabra de vista boa, Negro de corpo maneiro.
* * *
SEVERINO PINTO E LOURIVAL BATISTA
Uma cantoria improvisada de Meia-Quadra nos anos 70
Constante da coleção Música Popular do Nordeste, organizada por Marcus Pereira
Há duas verdades incontestáveis sobre o escândalo do Banco Master: a primeira é que muitos em Brasília têm tanto interesse em salvar o banco e seu dono, Daniel Vorcaro (mais este que aquele, aparentemente), que, se dependesse deles, o caso nem sequer seria investigado; a segunda é que, se não for possível impedir as investigações, que elas sejam mantidas no maior sigilo possível, para que os brasileiros não saibam quem são os principais interessados na “operação abafa”, nem seus motivos para tanto empenho. E, quando se trata de sigilo, o ministro do STF Dias Toffoli tem sido um personagem bastante diligente – freado apenas quando a opinião pública se levanta com tamanha força que nem alguém acostumado a ser o “poder moderador” da República e o “editor de um país inteiro” consegue resistir.
A rigor, o caso do Banco Master nem deveria estar no Supremo. Ele começou onde devia, na primeira instância, e só foi “puxado” para o STF porque havia um único negócio envolvendo um deputado federal – negócio este que não tinha relação alguma com as fraudes investigadas, e que nem sequer chegou a ser fechado. Este elo fragilíssimo bastou para que o escândalo todo “subisse” para o Supremo, onde Toffoli o trancou em uma caixa-preta, impondo o segundo maior grau de sigilo previsto nas regras internas do STF – tudo isso poucos dias depois de o ministro ter compartilhado uma carona aérea com o advogado de um dos sócios de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero (embora naquele momento Toffoli ainda não tivesse sido sorteado para assumir o caso do Master).
Uma outra estripulia jurídica de Toffoli, no entanto, não prosperou – ou ao menos não como ele desejava: uma acareação entre Vorcaro, Ailton Aquino (diretor de Fiscalização do Banco Central e um dos defensores da liquidação do Master) e Paulo Henrique Costa (ex-presidente do Banco de Brasília, que tentou comprar o Master). Acareações servem para resolver contradições entre depoimentos, mas nenhum deles havia ainda prestado depoimento à polícia, e a inclusão de Aquino foi vista como uma tentativa de constranger o Banco Central. A Procuradoria-Geral da República pediu o cancelamento da acareação, mas Toffoli se manteve irredutível. As críticas públicas, no entanto, foram tantas e tão intensas que, na véspera da data marcada para a acareação, o ministro recuou. Determinou que a PF ouvisse os três separadamente e deixou que os investigadores avaliassem a necessidade de uma acareação, que acabou ocorrendo apenas entre Vorcaro e Costa.
Com a deflagração da segunda fase da Compliance Zero, nesta quarta-feira, Toffoli voltou à carga: ao ordenar a operação, ele ainda determinou que todo o material apreendido (incluindo 39 celulares e 31 computadores) fosse enviado diretamente ao Supremo, “lacrado e acautelado” – uma decisão que causou mal-estar e também foi duramente criticada por juristas e peritos, que apontaram risco de manuseio inadequado e até mesmo perda de material, com a violação da chamada “cadeia de custódia”. As críticas, vindas da imprensa, de especialistas e até do diretor-geral da Polícia Federal, levou a um novo recuo parcial do ministro, que remeteu as provas para a PGR (mas não para os peritos da PF) e ainda levantou o sigilo sobre as decisões que ordenaram a segunda fase da operação – mas apenas estas; todo o resto segue longe do escrutínio dos brasileiros.
O desejo de salvar Vorcaro e o Master, mantendo as investigações ocultas, é fortíssimo; por isso, precisa ser enfrentado por um desejo ainda mais forte de transparência por parte da sociedade. Foi apenas graças à reação intensa da opinião pública que vimos os recuos de Toffoli nos casos da acareação e das provas colhidas na quarta-feira, e do ministro do TCU Jhonatan de Jesus no caso da inspeção ordenada por ele no Banco Central – no fim, os dois órgãos entraram em um acordo. A vigilância constante e a disposição de levantar a voz diante de decisões controversas no caso Master têm dado resultado e não podem esmorecer.
Em 1986, eu estava perambulando pelas avenidas e ruas do centro da cidade do Recife; estava de férias.
Quando cheguei a uma loja de discos, chamada Disco 7, o cara que estava lá, me disse:
– Tenho um LP aqui que você vai gostar. O disco é o Au Revoir, com uma seleção de músicas francesas incríveis.
Um detalhe é que esse LP era pra ser distribuído nas FM´s da época, mas, graças ao conhecimento com o gerente do local por ser cliente há longo tempo, comprei o disco e o tenho ainda guardado comigo (40 anos) em perfeito estado de conservação.
Nesta seleção desse disco em especial, há essa música.
Excelente postagem. De novo, Peninha, acertadíssimo.
GRAVE! Jurista Wálter Maierovitch afirma que Toffoli navega fora da rota da legalidade e cometeu inúmeros desatinos jurídicos. pic.twitter.com/DpeZV84gR4