Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim… É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda gente!
Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Lula (PT) boicotou a assinatura do acordo com a União Europeia por ciúmes de Santiago Peña, presidente de direita do Paraguai que estreou sua presidência no Mercosul fazendo História.
Lula quis assinar o acordo quando presidia o bloco, mas fracassou.
Também está com raiva porque Peña negocia com Donald Trump atrair datacenters dos EUA com sua energia de Itaipu, e sem “pedir licença” a Lula. Que não quer ver Peña “nem vestindo camisa do PT”, ironiza um diplomata no Planalto.
Político conservador com ideias atuais, não há perigo de Peña vestir vermelho.
Energia barata atrai datacenters e indústrias. Porém, gente competente no comando e segurança jurídica são diferenciais próprios do Paraguai.
Lula também está enciumado porque mais de 200 indústrias trocaram o Brasil pelo Paraguai, atraídas pela elogiada política econômica de Peña.
O Paraguai quer os empregos das fábricas que se mudam para lá e que continuam abastecendo o mercado brasileiro: afinal, são todos Mercosul.
Indústria no Paraguai paga de 1% de imposto de exportação, 10% de IR e 0% ao importar insumos.
O Brasil rouba mais de 37% de quem produz.
* * *
Esse tal de Santiago Peña me fez ter pena…
Uma pena enorme.
Pena do Lula porque está com raiva dele.
Francamente, não gosto quando o Descondenado sofre tendo raiva de alguém.
Cena icônica de A Cor Púrpura do diretor Spielberg
A Cor Púrpura é um drama bem produzido. Obra de gênio. Penetrante e emocionante. Auxiliado por um elenco versátil, que sabe o que está fazendo na frente da tela grande e o faz com competência, apesar de novato. O icônico diretor Steven Spielberg conseguiu entregar uma obra-prima intimista e empática ao telespectador. Além de carregar aquele charme “old school” característico de sua filmografia. Sua extensa duração se justifica ao desenvolver com calma e humanidade cada personagem. Pouco a pouco, o espectador vai entrando na pele da personagem de Whoopy Goldberg e não sai dela por dias após assisti-la.
A história se passa no início do Século XX, na Georgia de 1906. Uma jovem negra com apenas 14 anos é violentada pelo pai, e se torna mãe de duas crianças. Alem de perder a capacidade de procriar, Celie, a jovem, interpretada magnificamente por Whoopi Goldberg, imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa do mundo que a ama, sua irmã Nattie, e é doada a “Mister” (Danny Glover), um tirano negro poderoso que a trata simultaneamente como escrava e objeto de sexo.
O filme é maravilhoso do início ao fim. As cenas são inesquecíveis e irretocáveis: Nattie, a irmã que luta bravamente para escapar do estupro pelo tirano marido de Celie; a separação das irmãs; as duas agarradas uma à outra enquanto o tirano as arrasta sem dor nem piedade; as irmãs de longe acenando uma para a outra com as mãos pálidas, sem poderem mais se alcançar, cantando “nada vai afastar minha irmã de mim, Makidada,”; o momento em que a personagem Celie encontra as cartas enviadas pela irmã, que o “marido” escondeu dela durante anos; o jantar onde Celie “vomita” tudo que engoliu por tantos anos, tudo isso feito com tempero de genialidade, até a cena final tão esperada: O reencontro das irmãs que voltam a brincar tal como quando eram crianças. De fato, uma das maiores injustiças da Academia de Hollywood não ter contemplado com uns quatro Oscars essa obra-prima spielberguiana, apesar de 11 indicações.
Talvez um filme feito esse não seria produzido hoje. “Porque não seria um diretor branco e de visão florida a adaptar o livro da escritora negra Alice Walker?!” – alguns esquerdoides poderiam questionar. Não. Apenas por exatamente ter se presente hoje na indústria, essa constante preocupação de ter representatividade racial e cultural no cinema sendo feito de forma digna, fiel e respeitosa. Optando assim que apenas cineastas negros poderiam dirigir filmes voltados à temática da cultura negra e apenas cineastas mulheres poderiam dirigir filmes voltados à temática de cunho feminino, e por assim em diante. Um intuito de louvável feito, sem dúvidas, e vários talentos por trás das câmaras apareceriam e receberiam devido destaque, mas como isso poderia funcionar na prática?
A busca por um talento de verdade dentro do ramo artístico, e humano, do cinema, se perde aos poucos. Spielberg não precisou ser negro ou mulher para que pudesse contar aqui uma profunda história sobre ambos. Apenas usou do seu prodigioso talento, como grande entendedor de cinema e do espírito humano, para que pudesse contar essa história comovente. Não só sobre a cultura negra e o mundo das mulheres, mas sim a jornada de uma mulher, que lutou as tristezas e sofrimento do seu dia a dia, que aprendeu o que é amor e fé verdadeiros no que é bom e que pode ser encontrado no mundo, e para que pudesse um dia novamente reencontrar sua irmã. Com seu infinito amor que as permitiu vencer os ódios que as separou, e as fez se unir novamente no final. Exatamente como o mesmo amor com o qual o livro foi escrito e esse filme foi feito. O ódio as separou; o amor as uniu novamente.
A Cor Púrpura | 1985 | Trailer Legendado | The Color Purple
Cena marcante do filme A Cor Púrpura (The Color Purple)
Pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro posta vídeo pela união da centro-direita
Maturidade. Essa é a palavra que melhor define a postura do senador Flávio Bolsonaro num vídeo que ele gravou esse fim de semana e teve grande repercussão nas redes sociais. O pré-candidato a presidente fala em deixar diferenças menores para trás, compreender que parlamentares que votam quase sempre de acordo com as pautas bolsonaristas são aliados, não inimigos, e que toda a direita, inclusive a turma de centro-direita, deverá estar unida contra o inimigo comum: Lula.
O momento da mensagem é oportuno também: muitas intrigas têm sido produzidas dentro da direita. Flávio deu nome aos bois: Tarcísio, Michelle, Zema, Caiado, Ratinho e muitas outras lideranças vão estar unidas no segundo turno contra o projeto totalitário do PT, que vem destruindo o Brasil.
Flávio mostra uma visão política que, infelizmente, alguns de seus apoiadores não possuem. Há pressão, por exemplo, para que o Partido Novo e Zema declarem logo apoio ao Flávio, mas como isso seria possível se haverá candidatura própria do partido? Fica claro que esse apoio será apenas no segundo turno, o que faz sentido.
Há boas razões estratégicas para mais de uma candidatura de direita no primeiro turno. São mais candidatos batendo no Lula, dividindo a atenção (ataques) da velha imprensa, e permitindo que diferentes perfis de eleitores exerçam suas preferências, todos com viés antipetista.
O filho de Jair Bolsonaro sabe que precisará dos votos de gente de centro que odeia Lula, mas que tem implicância com seu pai. Por isso logo na largada se colocou como o Bolsonaro moderado, aquele que tomou duas doses de vacina e tudo. Flávio vem tentando acalmar a turma do mercado também, que tinha clara preferência por Tarcísio. E o governador de SP já declarou seu apoio à sua candidatura, ainda que de forma tímida.
O principal argumento dos que queriam Tarcísio candidato é que a rejeição a um Bolsonaro é maior. Por isso mesmo cabe ao Flávio se esforçar para reduzir essa rejeição. Esse vídeo vai nessa direção, demonstrando maturidade política, colocando o senador como um presidenciável responsável.
As divisões internas vão continuar, até por conta das disputas de nichos eleitorais. Hoje mesmo há uma reportagem mostrando essa disputa interna em São Paulo, com núcleos distintos de Eduardo Bolsonaro, Michelle e Tarcísio apoiando nomes diferentes, e Jair como “fiel da balança”. Os ataques que alguns bolsonaristas fazem ao Novo entram nessa categoria também: é disputa de espaço político, nada mais.
No fim do dia, porém, deverão estar todos juntos contra Lula. Flávio, sendo o nome mais provável para estar no segundo turno, vai precisar desse apoio. Por isso deve se afastar da ala bolsonarista mais raivosa e intransigente, que enxerga “traição” por toda parte, nas menores diferenças. Ele terá que atrair o voto daquele típico “isentão” que estará inclinado a votar nulo. Não se vence só com os votos da própria bolha…