DEU NO JORNAL

O CASO DO BANCO MASTER

Editorial Gazeta do Povo

Na semana passada, esta Gazeta defendeu abertamente o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. E a cada dia que passa a saída do ministro se torna mais imperativa. A permanência de Toffoli como relator do inquérito sobre o Banco Master é escandalosa. O ministro já abusou tanto da paciência do país que cabe perguntar, parodiando Cícero, Quo usque tandem abutere, Toffoli, patientia nostra? Até quando abusarás de nossa paciência, ministro Toffoli?

A atuação de Dias Toffoli não apenas destoa dos parâmetros mínimos de normalidade institucional. Ela os afronta. O que se observa é uma conduta sistemática de intervenção direta no curso da apuração, com o claro efeito – senão a intenção – de moldar o processo segundo conveniências específicas. Trata-se de um comportamento incompatível com a função constitucional de um ministro do Supremo.

O que deveria ser supervisão judicial converteu-se em ingerência. O que deveria ser cautela tornou-se dirigismo. E o que deveria ser imparcialidade foi substituído por uma sequência de atos que, considerados em conjunto, revelam um padrão de atuação incompatível com qualquer noção séria de devido processo legal. Agora, na fase de oitivas, o relator fixou prazo exíguo para ouvir múltiplos investigados – considerado insuficiente pela própria Polícia Federal – e determinou que os depoimentos fossem realizados no STF, sob sua supervisão direta, rompendo com a prática ordinária e ampliando ainda mais sua interferência sobre a dinâmica da apuração. Não é procedimento técnico. É controle.

O quadro já seria grave por si só, mas torna-se escandaloso diante das informações, amplamente divulgadas pela imprensa, sobre vínculos financeiros entre familiares do ministro Toffoli e pessoas ligadas aos investigados, envolvendo empreendimento imobiliário no Paraná. As regras de impedimento existem justamente para impedir que situações como essa contaminem a credibilidade do Judiciário. Ignorá-las não é tecnicalidade: é corrosão institucional deliberada.

Diante de fatos tão graves, seria razoável esperar do Supremo uma reação orientada à proteção de sua própria autoridade. Mas o que se viu foi o oposto. A nota divulgada pelo presidente da corte, Edson Fachin, não enfrentou os fatos. Limitou-se a uma defesa corporativa, genérica e previsível, embalando a blindagem sob a retórica já desgastada da “defesa da democracia”. A crítica legítima é tratada como ameaça institucional; o pedido de transparência é rotulado como ataque ao Estado de Direito. O Supremo, mais uma vez, preferiu proteger seus membros a proteger sua credibilidade.

Exigir que ministros cumpram as regras de impedimento, que respeitem o devido processo legal e que se submetam ao escrutínio público não enfraquece a democracia – fortalece-a. Cortes constitucionais não sobrevivem ao fechamento defensivo. Fortalecem-se quando respondem a questionamentos com transparência, não quando os desqualificam. A democracia não é atacada por quem exige explicações do Supremo. É atacada quando a corte se recusa a dá-las.

Também a Procuradoria-Geral da República, ao manifestar-se contra o afastamento do ministro Toffoli, reforça a percepção de alinhamento institucional e abdica de sua função constitucional de fiscalização. E o Senado, instância encarregada de exercer controle sobre ministros do Supremo, simplesmente tem desertado de suas responsabilidades. A omissão tornou-se política oficial.

Ministros do Supremo não são figuras sacralizadas. São servidores públicos investidos de poder precisamente porque se espera deles mais rigor, mais prudência e mais respeito às regras – não menos. Quando passam a agir sem constrangimento institucional, protegidos por seus pares e blindados pela omissão dos demais Poderes, o que está em risco não é apenas a imagem do STF. É a própria ideia de República. Se Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, prefere a covardia, os demais senadores, as instituições republicanas ainda comprometidas com a ordem institucional e a sociedade precisam exigir que o Senado cumpra seu papel. Não há outro caminho: Toffoli não pode continuar livre para abusar da paciência do país.

PENINHA - DICA MUSICAL

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RODRIGO CONSTANTINO

O BRASIL CONTRA A REPÚBLICA DE TAYAYÁ

Passeata Nikolas

Nikolas Ferreira inicia caminhada de 240 km em protesto contra decisões do STF e do governo Lula

O ministro e embaixador Ernesto Araújo escreveu: “A caminhada de Nikolas dá expressão ao povo brasileiro contra toda a República de Tayayá, e não apenas ao bolsonarismo contra o lulopetismo. De fato, a caminhada pode mudar tudo, transformando a candidatura de Flávio na ponta de lança de um movimento antissistemas renascido”. A análise é boa, mas a expressão “República de Tayayá” é ainda melhor e resolvi “roubar”.

Nikolas fez história. Pediu uma luz divina e ela veio. Iniciou uma caminhada de 240 km praticamente sozinho, e foi angariando apoio ao longo do percurso. Várias lideranças políticas, o povo, todos foram se juntando, mesmo com chuva e pés machucados. Nikolas mostrou ser um líder, e é ótimo que a direita consiga produzir novos líderes.

A família Bolsonaro deu apoio: Carlos e Renan estiveram presentes, Eduardo gravou vídeo dos Estados Unidos, Flávio telefonou e Michelle enalteceu a liderança do jovem deputado. De acordo com a mensagem gravada pouco antes pelo próprio senador Flávio, é hora de união contra o lulismo.

A turma da USP falou em 18 mil pessoas, então sabemos que tinha quase cem mil. Isso em meio a um temporal. A velha imprensa, que fez de tudo para ignorar a caminhada, só deu destaque ao raio que mandou dezenas ao hospital – felizmente estão todos bem e o próprio Nikolas foi visitar os feridos. Conclusão ao ver a “cobertura” da velha imprensa: é mais fácil cair um raio na cabeça dos patriotas do que a mídia fazer jornalismo imparcial…

Enquanto a velha imprensa tenta ignorar Nikolas ou focar só no raio, o jovem deputado ultrapassou vinte milhões de seguidores no Instagram! Milhões de brasileiros acompanharam sua caminhada pelas redes sociais e os poucos veículos independentes que ainda fazem jornalismo.

O sistema podre e carcomido achou que mataria a direita ao prender Bolsonaro, resgatando assim a estratégia das tesouras, quando tucanos fingiam fazer oposição real ao PT. Quebraram a cara! O movimento é muito maior do que um só nome. Há um despertar de parcela significativa da população, um fenômeno novo que não pode ser desfeito.

Acorda, Brasil. Esse era o slogan da caminhada. E Nikolas ajudou a devolver ao povo a esperança, o desejo de lutar por sua liberdade. O povo está unido contra a República de Tayayá.

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA