No início da década de 1950, quando eu tinha 14 anos, meu velho era Representante de produtos farmacêuticos, sendo funcionário da Cia. Química Merck Brasil S. A. Ganhava bem mas viajava muito.
Tal missão lhe obrigava a permanecer durante 25 dias de cada mês, fora do convívio da família, viajando de trem, de ônibus e até na boléia de caminhões, por quatro estados nordestinos.
Era um tempo em que apenas a Caixa Econômica Federal de Pernambuco poderia ser considerada “o Banco do povão”. Mesmo assim, concentrando atividades para Pessoas Físicas apenas na carteira de “Depósitos para Poupança”. Daí, talvez, inspirando a atual denominação nacional: “Caderneta de Poupança”.
Nessa época nem se falava em pessoa modesta ser titular de conta em Bancos. Só possuíam talões de cheques, as grandes empresas ou donos de firmas.
Fui da mesma época – 1956 – em que, até funcionários do Banco do Brasil recebiam seus ordenados em envelopes. Não tinham direito a ter uma Conta Corrente a não ser que fossem clientes da Casa Bancária Magalhães Franco Ltda.
Arthur Guaraciaba Lins dos Santos, meu dito cujo pai, recebia seu suado dinheirinho em espécie, levava pra casa, selecionava os pagamentos do mês, colocava os valores devidos em pequenos envelopes, passando para mim a responsabilidade de efetuar os pagamentos. Tudo organizadinho.
Aproveitando as ausências de meu pai, mamãe se dedicava, com mais afinco, às costuras, geralmente de roupas infantis, da vizinhança. Havia um conchavo com meu velho para evitar roupas de adultos, incluindo, naturalmente, homens.
Mas é aí que a “porca torce o rabo”! Aliás, vale explicar o verbete de “Aurélio”: A expressão significa que se trata do momento decisivo, uma situação se complica e exige firmeza para ser resolvida, originando-se no meio rural, onde apartar brigas de porcos puxando-os pelo rabo era uma tarefa desafiadora.
Houve um tempo em que mamãe “se ajeitou” com a vizinha, que era esposa de um Sargento do Exército, o maestro Jair Pimentel.
D. Neuza, mãe de quatro filhos, portanto, sem muito tempo, para costurar encomendas de fardamentos para soldados do 14º Regimento de Infantaria, propôs dividir o trabalho.
Na maior moita minha velha topou e isso permitiu às duas, ganho maior. E para papai não entender que se tratava de costura de roupas masculinas, ela, por precaução, escondia os tecidos, já cortados para costurar, embaixo da cama do casal, perto do penico.
Mas era preciso ocultar o dinheiro auferido por essas tarefas. Quando recebeu a primeira “dinheirama”, decidiu guardar as cédulas nos livros de meu pai, numa estante envidraçada, que vivia fechada.
Certo dia, ao procurar uma cédula, não se lembrava em qual livro havia guardado os 50 Cruzeiros, que era significativo valor para a época e ficou muito preocupada porque teria que utilizar, doravante, novo esconderijo e não, simplesmente, a gavetinha da máquina Singer.
Requisitou-me para ajudá-la a desarrumar tudo e verificar em qual volume havia guardado a bufunfa.
Nunca imaginei que os livros do meu velho tivessem locais específicos, selecionados por assuntos. Cada qual o seu lugar. Mas, durante a procura, houve a mistura. Mas, felizmente, a cédula apareceu.
Dias depois, teve que anunciar ao “dono da biblioteca”, que havia cutucado seus livros, explicando que o dinheiro era de suas economias, sem falar nas roupas dos soldados, que era o ônus da prova de “infidelidade contratual”.
Não houve bronca, mas aproveitei para lhe dar um conselho:
“Mamãe, abra uma Caderneta de Poupança na Caixa para depositar suas economias, porque livro não é Banco pra se guardar dinheiro!”
O aeroporto do Galeão foi relicitado depois que a concessionária Changi quis devolver a concessão
A nova licitação do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, superou as expectativas, ao menos neste momento inicial. O leilão terminou com ágio de 210%: o aeroporto foi arrematado pela espanhola Aena por R$ 2,9 bilhões, contra um lance inicial de R$ 932 bilhões – o governo esperava arrecadar R$ 1,5 bilhão –, e a disputa nas ofertas por viva voz levou cerca de uma hora, com os suíços da Zurich Airport tentando cobrir as ofertas da Aena. O terceiro participante do leilão, o consórcio Rio de Janeiro Aeroporto (formado pela gestora brasileira Vinci Compass e pela Changi, de Cingapura, a atual operadora ao lado da Infraero), chegou a participar dos lances ao vivo após a abertura dos envelopes, mas não conseguiu acompanhar a agressividade de espanhóis e suíços.
O Galeão havia sido licitado muito tarde e muito mal pelo governo petista. O Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014 ainda em 2007, e o Rio de Janeiro foi eleito para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 no ano de 2009 – ainda no segundo governo Lula, portanto, já se sabia que o país receberia na sequência os dois maiores eventos esportivos do planeta. No entanto, o aeroporto internacional da cidade olímpica e palco da final da Copa, o destino brasileiro mais visitado por estrangeiros, só foi a leilão em 2013, no primeiro governo Dilma, sem tempo hábil para melhorias substanciais antes dos megaeventos. Para piorar, a modelagem escolhida à época refletia o ranço estatista do PT, prevendo que a Infraero tivesse 49% de participação na concessionária, assim como nas outras licitações aeroportuárias do período – a regra só foi abandonada a partir do governo Temer.
Com a Infraero depauperada, sem condições de bancar sua parte nas melhorias necessárias, nem mesmo a expertise da Changi (administradora do aeroporto de Cingapura, várias vezes eleito o melhor do mundo) foi capaz de fazer do Galeão aquilo que se esperava dele. Para piorar, o parceiro privado da Changi era a Odebrecht, enrolada na Lava Jato e que acabou vendendo sua participação. Somando-se a forte recessão lulodilmista e, anos depois, a pandemia, o número de passageiros caiu e o aeroporto chegou a funcionar com um de seus dois terminais desativado em alguns momentos, devido ao baixo movimento – só muito recentemente começou a haver uma inversão. Em 2022, a Changi resolveu devolver a concessão; pelo acordo costurado com o governo e o Tribunal de Contas da União, a empresa seguiu administrando o aeroporto até agora e pôde participar do novo leilão, cujas regras são bem mais amistosas à iniciativa privada, sem a presença da Infraero e com a troca de pagamentos fixos de outorga por uma porcentagem do faturamento.
A atratividade do Galeão é inquestionável: é o aeroporto internacional da cidade brasileira que, apesar de todos os seus problemas na área de segurança pública, continua a ser a mais visitada por turistas estrangeiros. Suas longas pistas e localização ao nível do mar permitem a operação de todo tipo de aeronave de passageiros. Que ele estivesse subutilizado graças a uma modelagem de concessão deficiente e aos efeitos de uma crise econômica era um verdadeiro desperdício. A Aena – que já administra, no Brasil, o aeroporto de Congonhas (em São Paulo) e vários outros terminais no Norte, Nordeste e Sudeste – tem o desafio de aproveitar a recente onda de novas rotas internacionais para o Rio e destravar todo o potencial do Galeão; ao poder público, que ainda administra o Aeroporto Santos Dumont, cabe não puxar o tapete dos espanhóis, trabalhando em conjunto com eles para que o aeroporto menor não volte a ofuscar o maior, como já ocorreu no passado.
O Brasil precisa de mais e melhores aeroportos internacionais; o que temos atualmente só consegue atender à demanda porque nossos números em termos de atração de turistas estrangeiros são medíocres – se o Brasil recebesse o mesmo fluxo de visitantes estrangeiros observado em países como a Tailândia, por exemplo, nossos aeroportos já teriam entrado em colapso. Evidentemente, há muito mais a fazer para que o Brasil possa se beneficiar plenamente do seu enorme potencial turístico, com todo o dinheiro que esse setor movimenta – é preciso investir, por exemplo, em segurança pública, infraestrutura interna de transporte e até na proficiência linguística de quem trabalha no atendimento ao turista. Mas quanto mais hubs aeroportuários o país tiver, e quanto mais amigável for o ambiente regulatório para a operação das empresas aéreas, maiores serão as chances de fazer do Brasil um destino turístico desejado em todo o mundo.
O chamado “PL da Misoginia” foi mais um exemplo de como a esquerda insiste em vestir a capa da virtude em vários temas, agora na suposta defesa das mulheres, mas, na prática, coleciona contradições que a impossibilitam de enganar a população. O objetivo é sempre o mesmo: levantar uma narrativa sobre proteção a algum grupo ou causa específica e, na prática, promover ainda mais a perseguição estatal.
O primeiro problema do tal projeto, que pretende equiparar a misoginia ao crime de racismo, é que, para início de conversa, não há a definição do que é uma mulher; portanto, o primeiro absurdo já começa por aí. O segundo ponto é que, obviamente, é mais um tipo penal aberto, permitindo a inclusão de qualquer coisa com base em “achismos” e interesses pessoais.
Qualquer “constrangimento” a uma mulher poderia ser considerado misoginia, ou seja, uma simples cobrança a uma parlamentar poderia te colocar na cadeia. Claro que as vítimas de algo assim não seriam somente os homens, tendo em vista que o ativismo trans, por exemplo, tem perseguido também as mulheres, inclusive as do mesmo lado ideológico.
Há pouco tempo, Rosângela Lula da Silva, a Janja, culpou o machismo e a misoginia, inclusive das mulheres, pelo fato de não ter um gabinete próprio à sua disposição. Seria justo ir para a cadeia por discordar disso, enquanto a própria esquerda se posiciona contra o endurecimento de penas para crimes hediondos e rejeita debates sobre medidas mais severas contra agressores, como a castração química? Afinal, que tipo de proteção é essa que não enfrenta com firmeza as raízes do problema?
Por falar em Janja, a atual esposa de Lula utilizou sua rede social para me atacar pelo meu posicionamento contrário ao projeto. Ela só esqueceu que ficou em silêncio quando Luís Cláudio Lula da Silva, filho de Lula e seu afilhado, teve uma conversa divulgada pela mídia na qual chama a própria Janja de “puta”.
Também não houve indignação quando seu marido, Luiz Inácio Lula da Silva, resolveu comentar sobre o aumento da violência contra mulheres após jogos de futebol, afirmando que “se o cara é corinthiano, tudo bem”. Se, para eles, isso é defender as mulheres, imagine se não defendessem…
Nos momentos em que a pauta pode ser usada politicamente, a reação é imediata, com vídeos, postagens e discursos inflamados. Mas, quando os fatos envolvem figuras alinhadas ideologicamente, a indignação simplesmente desaparece.
Por isso, a minha resposta à Janja obteve cerca de 26 vezes mais visualizações que o ataque raso da primeira-dama, que, no fim, ainda teve que limitar os comentários em sua publicação apenas para seus seguidores.
Narrativas podem até tentar distorcer a realidade, mas fatos continuam sendo fatos. Tudo isso só confirma que a direita não precisa ter medo de rótulos e mentiras que a esquerda utiliza para nos intimidar. Jamais podemos nos permitir ser pautados por eles, e sim não hesitar um milímetro em defender a verdade, mesmo que isso custe votos.
INACREDITÁVEL : “Isso não é cachaça, é pura falta de caráter! O cara ( LULADRAO ) tá lá no palco falando merda atrás da outra, sem nem perceber o ridículo que tá fazendo!” pic.twitter.com/XR6JIh5j19