Autor especialista em segurança pública, Alessandro Visacro avalia que a decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas brasileiras como grupo terroristas não ameaça a soberania do Brasil.
A verdadeira ameaça é a própria atuação “desenfreada” desses grupos no dentro e fora do País.
“Já caracteriza violação flagrante da soberania”, disse Visacro ao Jornal Gente, da Bandeirantes; “nossa soberania já vem sendo ameaçada de forma incisiva por esses grupos armados criminais”.
A soberania vem sendo “solapada” há décadas, diz Visacro, que vê áreas de “microsoberania” das próprias facções dentro do território brasileiro.
Visacro lembrou da operação policial no Rio de Janeiro, ano passado, que observou quase 500 homens armados; “estrutura paramilitar”.
“Em qualquer lugar do mundo isso é considerado um batalhão de guerrilha”, avaliou Alessandro Visacro.
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Certeira a avaliação do especialista Alessandro.
Uma situação absurda, alarmante.
Que os céus se apiedem dessa nossa sofrida republiqueta.
Porta-voz do Departamento de Estado diz que CV e PCC também atuam nos EUA
“Vínculo do PCC com setor de combustíveis eleva risco para Brasil após decisão de Trump”, diz manchete da Folha de SP. “Bancos não descartam se unir ao governo para tentar convencer os EUA a reverterem medida sobre facções”, diz chamada do Valor Econômico. O problema é a decisão americana, não o controle de vários setores pelo crime organizado? Tecla SAP: combater as facções terroristas ameaça nossa economia, ou seja, o Brasil já é um narcoestado!
Isso nos remete à época da Lava Jato em que petistas condenavam a operação de combate à corrupção porque afetava a Petrobras. Ou seja, o problema não é a corrupção na estatal, mas combater essa corrupção! O grau de inversão é chocante e parece que muitos normalizaram o absurdo: não podemos enfrentar o crime porque ele é importante para a economia!
Enquanto isso, o Paraguai segue a Argentina e classifica o PCC e o CV como terroristas. Os países vizinhos ainda reforçaram suas fronteiras para tentar impedir o avanço das facções em seus territórios. Seria bizarro se alguém argumentasse que isso pode prejudicar as economias dos dois países, não é mesmo?
Essa decisão do governo Donald Trump tirou do armário muito “advogado” do crime organizado. Não falta gente saindo em defesa do PCC e do CV, o que nos mostra como décadas de lavagem cerebral e bilhões de interesses fazem com que as pessoas abandonem qualquer juízo. O papo de defesa da soberania é ridículo quando pensamos que essas máfias dominam territórios inteiros em que o estado não consegue entrar. Toda ajuda para combater isso deveria ser aplaudida!
Leandro Ruschel resumiu bem: “O melhor dessa decisão dos EUA de tratar PCC e CV como grupos terroristas é facilitar a identificação das lideranças brasileiras, entre políticos, juízes, influenciadores e jornalistas, que estão na linha de frente da proteção aos bandidos”. Nunca foi tão fácil separar o joio do trigo.
Neste domingo tivemos eleições na Colômbia, e o primeiro colocado foi o candidato de direita Abelardo de la Espriella, seguido do comunista ligado a Gustavo Petro. Como a imprensa deu a notícia? Tanto O Globo como Veja disseram que teremos a “ultradireita” contra a esquerda no segundo turno. A esquerda ligada ao narcotráfico, assassina, comunista, é chamada só de esquerda. Mas a direita é “ultradireita” para a velha imprensa. Que piada!
Petro é condenado por ter dinheiro de narcotráfico na campanha dele, o filho está preso por isso, e ele abertamente apoia Maduro e Cuba. Mas não é extremo! Não existe “extrema-esquerda” ou “ultraesquerda” para nossos jornalistas. Enquanto isso, Paloma Valencia, a candidata de centro-direita que ficou em terceiro lugar, imediatamente declarou apoio ao candidato de direita contra os comunistas.
A Colômbia deveria ter melhor memória dos tempos de Pablo Escobar e das FARC, combatidas pelo linha-dura Alvaro Uribe, que também declarou apoio a Abelardo. O elo entre a esquerda radical e o crime organizado não é novidade no continente. Cuba se transformou em hub internacional de tráfico de drogas e terrorismo, enquanto a Coreia do Norte é exportadora de heroína. Não estamos lidando “apenas” com corruptos, mas sim com bandidos totalitários que querem controlar tudo impondo o terror.
Petro já disse que não aceita o resultado das urnas. Isso não é golpismo? Pelo visto a esquerda radical pode tudo. Miguel Uribe foi morto durante a campanha, e a esquerda continua com seu discurso hipócrita contra o “ódio”. Trump, Charlie Kirk, Scalise, Bolsonaro: são vários casos de atentados contra conservadores por motivação ideológica. A extrema-esquerda é assassina!
Vários países da América do Sul têm conseguido se livrar do Foro de SP. Resta o Brasil. Saberemos em breve se o eleitor brasileiro compreende a dimensão do problema. Lula vem destruindo a economia, colocou o país no eixo do mal, a corrupção voltou com tudo e os feminicídios aumentaram. Mas o pior aspecto ainda é a ligação do PT com a bandidolatria, os “diálogos cabulosos” com o PCC. O que está em jogo é grave demais. Espera-se que o Brasil consiga fazer como o Chile e, tudo leva a crer, a Colômbia agora: dar um basta ao comunismo e estancar a sangria que vem transformando o país num verdadeiro narcoestado.
Na última quinta-feira, 28 de maio, o Departamento de Estado norte-americano informou que os Estados Unidos passariam a considerar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O anúncio ocorreu na sequência de encontros do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro com o presidente Donald Trump e o secretário Marco Rubio – uma porta-voz do Departamento de Estado negou que houvesse alguma influência do brasileiro na decisão. Isso, no entanto, é o de menos em comparação com o que pode representar para o combate ao crime organizado no Brasil.
Já explicamos, neste espaço, por que considerar PCC e CV grupos terroristas de acordo com a Lei Antiterrorismo brasileira seria inadequado. Seus métodos são indiscutivelmente análogos aos do terrorismo – “provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública” e “sabotar o funcionamento (…) de meio de comunicação ou de transporte (…), casas de saúde, escolas, estádios esportivos, instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais (…)” são todas ações que estão no manual dos faccionados; no entanto, as facções não têm as “razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião” que a lei brasileira exige para a caracterização do terrorismo. Por isso, afirmamos naquela ocasião que “as facções são um monstro sui generis”, misturando terrorismo, máfia e insurgência – neste último caso, graças ao domínio territorial que exerce em vários locais. Os critérios dos Estados Unidos para a definição de terrorismo, no entanto, podem ser diferentes, e o Departamento de Estado norte-americano está no seu direito quando inclui as megafacções brasileiras ao lado do Hamas, do Hezbollah, dos cartéis venezuelanos e mexicanos e das maras salvadorenhas.
Critérios à parte, qualquer brasileiro de bom senso há de concordar que é preciso combater as facções – e não apenas PCC e CV – com todas as ferramentas que a lei coloca à disposição das autoridades. E por isso a reação do governo brasileiro é tão decepcionante, para não dizer hipócrita. Não o dizemos por causa da histórica aliança entre a esquerda e o crime organizado (o CV nasceu da troca de experiências entre presos comuns e guerrilheiros de esquerda no Presídio da Ilha Grande, durante a ditadura militar), mas pelo absurdo de acusar os Estados Unidos de interferir na “soberania” nacional, quando são as facções que desafiam a soberania do Estado brasileiro ao dominar áreas inteiras, nas quais as forças de segurança só conseguem entrar à custa de muito esforço, já que o poderio bélico do crime organizado supera o das polícias.
Quando o vice-secretário de Estado norte-americano diz que os Estados Unidos “estão comprometidos em combater e destruir essas organizações”, o Brasil deveria aproveitar a oportunidade e propor uma cooperação séria, capaz de estrangular financeiramente as facções – cuja atuação fora das fronteiras brasileiras já é pública e notória –, dificultar a aquisição de armas e desarticular suas lideranças. Em vez disso, o governo e seus aliados perdem tempo com bravatas, fantasias sobre intervenções estrangeiras no Brasil e acusações de “traição” contra todos os que tenham trabalhado para que as facções recebessem a classificação de terroristas nos EUA – alguém haveria de perguntar de que lado, afinal, os governistas estão…
O que deveria ser um ponto de partida para uma discussão séria sobre as estratégias de combate ao crime organizado virou mero instrumento de política com vistas às eleições de outubro, a ponto de o presidente Lula ter, muito oportunisticamente, começado a dizer que “esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país”. Enquanto isso, as facções continuam de fato impondo seu reinado de crime sobre o brasileiro inocente, que espera ansiosamente pelo dia em que poderá trabalhar e cuidar de sua família em paz, sem medo.