DEU NO JORNAL

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A SEGUNDA MAIOR HUMILHAÇÃO DE LULA

Francisco Escorsim

lula messias humilhação

Ao rejeitar Messias, Senado mostrou a Lula que o considera um fraco

“Eu não pararei porque não sou mais um ser humano, sou uma ideia.” Volta e meia lembro desse discurso de Lula em 7 de abril de 2018, dia da sua primeira maior humilhação na vida, quando foi preso.

É impossível saber que diacho de ideia seria essa, dado que Lula não tem nenhuma que seja originalmente sua. Mas ao dimensionar a sua imensíssima vaidade, repleta de petulância e autoengano, acabou fornecendo uma “chave de interpretação” para tudo que faria depois.

A “ideia” que ele diz ter se tornado não é, na verdade, uma ideia, mas uma imagem. A imagem de um mito político como Getúlio Vargas, Nelson Mandela, Winston Churchill, Fidel Castro, Mahatma Gandhi e outros tantos. Não importa aqui a ideologia dessas figuras, se de esquerda ou direita, democratas ou não, mas a relevância para a história.

Tenho dito e escrito, redito e reescrito, que Lula III não governa para a esquerda, para o PT, para o povo, para o Brasil, mas apenas e tão-somente para si, para consolidar esta autoimagem mitológica que acredita possuir.

Daí a importância de parecer mais de esquerda nos discursos do que nos demais mandatos, também nos posicionamentos internacionais. Animou-se a olhos vistos quando os EUA aplicaram as tarifas, retiraram vistos de autoridades brasileiras etc., pois isso lhe deu a oportunidade de posar de defensor do verde e amarelo, de ser “o cara” que confrontou e venceu Trump.

Tudo que estamos testemunhando, portanto, é o capítulo final de uma ficção autobiográfica. Por isso, a segunda maior humilhação da autoimagem de Lula aconteceu nesta semana, com a rejeição da indicação de Jorge Messias. Não pelo indicado, não porque o fato seja ou não relevante, não pelos efeitos políticos e eleitorais, mas pelas capas dos jornais no dia seguinte.

Folha de S.Paulo: “Senado rompe tradição de 132 anos, rejeita Messias no STF e derrota Lula”. O Estado de S.Paulo: “Lula é o 1.º Presidente em 132 anos a ter indicação ao Supremo rejeitada”. O Globo: “Em derrota de Lula, Senado barra um indicado ao STF pela 1.ª vez desde 1894”. Também nos jornais internacionais, como o argentino Clarín: “é o primeiro indicado ao Supremo Tribunal Federal rejeitado pelo Senado em mais de cem anos”.

O fato, como se vê, é por si só histórico, independentemente de quem indicou e quem foi indicado. No caso de Lula, esta dimensão histórica é o que lhe afeta mais, é o que atinge sua pretensão mitológica. É bom destacar, aliás, que a derrota de Messias é uma derrota pessoal de Lula, mais que do governo. Neste seu terceiro reinado, Lula só indicou pessoas de sua inteira confiança ao STF, pouco importando se possuíam ou não notório saber jurídico. Cristiano Zanin foi seu advogado pessoal, Flávio Dino é fiel aliado político e Messias, um ajudante de ordens de longa data, nada além disso.

Não são poucos os que duvidam que Lula se manterá candidato se reconhecer que corre sério risco de perder. Não quer encerrar sua trajetória política assim, derrotado. Também acho isso, pela razão acima. No fundo, é isso que dói: não a derrota política, mas o abalo na narrativa que Lula esculpiu para si desde aquele caminhão de som.

A recusa do Senado foi, indiretamente, contra o enredo imaginado pelo presidente, aquele onde o herói volta triunfante, eterno, incontestável. O primeiro “não” em 132 anos é o aviso de que o mito não funciona, que o mundo político o enxerga como um fraco. Nada humilha mais uma ideia do que ser devolvida ao corpo de um ser humano comum.

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SEGUE DISCURSANDO

Lula (PT) segue discursando como sindicalista dos anos 1980, posando de defensor dos “trabalhadores”, mas este 1º de Maio de 2026 expõe o fosso entre retórica e realidade.

O salário mínimo reajustado em risíveis R$ 103, para R$ 1.621, que mal repõe a inflação, oferece ganho real de míseros 2,5%.

Ele admite, em público, que o valor “é muito baixo”, mas nada faz sobre isso.

A política de “valorização” do mínimo, retomada em 2023, era só outra lorota, e virou uma rotina de correções modestas.

Piso salarial como instrumento de dignidade, bandeira do PT, converteu-se em “ajuste técnico”, insuficiente para recompor o poder aquisitivo.

Trabalhadores formais, informais, aposentados e pensionistas do INSS sentem no bolso o mesmo aperto de sempre.

* * *

Trabalhador que fez o L deve estar se rindo-se de felicidade com essa politiquice salarial do gunverno petêlho.

A alegria domina o país inteiro!

Acreditar em promessa de mentiroso é igual dar conselho a doido: pura perda de tempo!

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ACACHAPANTES

Foram acachapantes e simbólicas as derrotas humilhantes de Lula (PT) no Senado e no Congresso, o primeiro rejeitando Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e o outro derrubando o veto presidencial ao projeto da dosimetria.

A vaga pretendida por Messias tem significado: era de Luís Roberto Barroso, criador de um bordão do ativismo judicial. Assim, o aliado de ontem tornou-se, involuntariamente, o autor da frase que resume a humilhação histórica imposta a Lula: “Perdeu, mané”.

Única iniciativa de conciliação nacional desde as sentenças raivosas do 8/Jan, a dosimetria faz justiça, mas o rancoroso Lula quer ver “sangue”.

Derrotando a dupla Lula/Messias, o Senado decidiu que há limites para o aparelhamento do Judiciário.

Messias carregava dois pesos mortos rejeitados: um histórico de ativismo radical de esquerda e o currículo considerado insuficiente até por aliados.

Barroso sai de cena deixando a vaga e o bordão. Lula fica com a frase, e a constatação amarga de que, desta vez, quem “perdeu, mané”, foi ele.

* * *

É gratificante e animador começar o expediente com uma notícia ótima feito essa aí de cima.

No feriado do Dia do Trabalho, nada melhor que alegrar nosso ócio lendo essa nota.

Perdeu, Mané!!!

Se lascou-se!!!

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CONGRESSO RESTAURA DOSIMETRIA E LULA PERDE MAIS UMA

Editorial Gazeta do Povo

editorial dosimetria veto

Parentes de presos do 8 de janeiro acompanham a votação sobre o veto à Lei da Dosimetria nas galerias do Congresso

Dois dias, duas derrotas em assuntos cruciais para Lula e a esquerda. Na quarta-feira, o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias, escolhido pelo presidente da República para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, em sessão conjunta do Congresso Nacional, o veto de Lula à Lei da Dosimetria foi derrubado com folga: 318 deputados (61 a mais que o necessário) e 49 senadores (oito a mais que o necessário) votaram para restaurar a legislação vetada, o que reduzirá as penas dos condenados do 8 de janeiro e do “processo do golpe”, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Lei da Dosimetria foi aprovada no fim de 2025, e integralmente vetada por Lula, com muita fanfarra, em 8 de janeiro deste ano, no ato esvaziado que recordou o terceiro aniversário da invasão das sedes dos três poderes por manifestantes insatisfeitos com a vitória eleitoral do petista em 2022. Na ocasião, o presidente da República afirmou que os condenados “tiveram amplo direito de defesa, e foram julgados com transparência e imparcialidade (…) ao final do julgamento, [foram] condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou Power Points fajutos”, em uma menção à Operação Lava Jato, que botou o petista na cadeia em 2018.

Era tudo mentira, obviamente. Nem os Power Points eram fajutos, nem os réus do 8 de janeiro foram julgados e condenados com justiça. Os processos nasceram viciados, em desrespeito ao princípio do juiz natural, pois centenas de brasileiros sem prerrogativa de foro foram julgados no STF, e não na primeira instância. Não houve individualização de conduta nem no momento da apresentação da denúncia, nem nos votos pela condenação. O direito à ampla defesa foi abolido em julgamentos virtuais, sem garantia de que os vídeos enviados pelos advogados de defesa fossem sequer assistidos pelos ministros julgadores. E, por fim, no momento da atribuição das penas, o chamado “concurso formal”, instrumento que já está previsto no Código Penal e pelo qual o crime mais grave “absorve” o menos grave, foi ignorado, apesar dos alertas de alguns ministros que acabaram derrotados.

A Lei da Dosimetria repara esta última injustiça – e não deixa de ser surreal que o Congresso tenha precisado aprovar uma lei dizendo que o Código Penal deve ser cumprido, o que demonstra a que ponto o STF trocou o respeito à legislação pelo desejo de vingança e justiçamento. A rigor, o ideal seria a anulação completa de todos os julgamentos, tantos são os seus vícios, e por esse ângulo a dosimetria não passa de um remendo. Mas é o remendo possível neste momento, e fará toda a diferença para centenas de brasileiros cujas penas terão de ser recalculadas e reduzidas pela aplicação do “concurso formal”.

Isso não impede que no futuro, em circunstâncias mais favoráveis, se busque uma solução mais justa e definitiva para quem foi perseguido injustamente. Isso porque, mesmo com a redução das penas, permanece a condenação penal, com todas as suas consequências para os indivíduos que terão esse fato anotado perpetuamente em seu registro criminal. Essa solução definitiva – seja a anistia, seja a anulação dos julgamentos, seja alguma outra – também precisará se estender aos que foram coagidos (e não exageramos ao usar o termo) a assinar acordos de não persecução penal para escapar dos processos pelo 8 de janeiro. E, por fim, todos os que abusaram de sua autoridade para transformar esses brasileiros em troféus de uma ilusória “defesa da democracia” terão de ser responsabilizados pelo que fizeram. Enquanto este dia não chega, entretanto, que a dosimetria possa ao menos reduzir o tamanho do arbítrio a que tanta gente foi submetida ao longo dos últimos três anos.

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