DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

Caro amigo, larguei tudo
E vim pra roça, porém,
Esse não é o meu sítio
É a fazenda do meu bem.
Por aqui a gente trepa,
Dia sim outro também,
Pra tirar fruta do pé
Sem pedir nada a ninguém.
Aqui tem pomba, tem rola,
Mas me faz falta o vem vem,
Tem cobra rondando a casa,
Perereca, há mais de cem.
O frio aqui está grande,
Chuveiro quente não tem,
Às vezes é complicado,
Para lavar o sedém,
Entretanto dou meu jeito
Garanto não fico sem.
Pra fugir da Pandemia
Faço tudo que convém
Faço prece e uso máscara
Rogo a Jesus de Belém
Faço figa e simpatia
Se preciso vou além.

19 pensou em “SEM PÂNICO NA PANDEMIA

  1. A bela poetisa, a fubânica e encantadora señora Catunda roga a Jesus de Belém. Eu acho é pouco. Eu, o véi Sancho, que aprendi com a tal presidenta a dobrar a meta, rogo também a santo caseiro e MIÚDO. Que Jesus de Ritinha, nosso gigante Miúdo, nos proteja e que os versos de nossos dois poetas não nos desamparem jamais.

    • Que bom que nosso realista Sancho Pança, viaja também nos delírios de poetas em tempos de quarentena. Jesus de Ritinha é um parceiro dos céus.

  2. Lugar que tem pomba e rola
    Muita cobra a passear
    Faço questão de não ir
    De por bem longe passar
    Prefiro ficar careca
    De procurar perereca
    Pra com ela me acunhar

    • *
      Lugar que tem pomba e rola,
      Tem caçador lá do Crato.
      Se trouxer rola, tempero,
      Se trouxer pomba, eu trato.
      De quebra trago a farinha
      Para comer com Dalinha
      Dividindo o mesmo prato.

  3. Nesses tempos de medo pandemônico, Dalinha está vivendo de forma que lhe aprouve: Natureza e prazer! Há simplicidades maiores para a satisfação de viver?

    • Olá Cícero, nasci no interior, então não tem sido difícil morar na roça. Na verdade é um prazer. São muitas as tarefas, mas tem sempre uma rede no alpendre para o descanso.

  4. D. Dalinha, sou suspeito por ser seu leitor de caderneta. Mas desta feita a senhora botou pra desmanchar.
    Muito grato pelo momento que vivemos ao ler sua poesia tão engraçada.

    • Carlos Eduardo, É claro que tenho minhas preocupações e meus medos, mas prefiro não ficar batendo nessa tecla, prefiro tentar alegar as pessoas que de alguma maneira vivem ao meu lado. Vou tentar não perder meu bom humor. Meu abraço e obrigada.

  5. O JORNAL DA BESTA FUBANA
    CADA UM MEXE COM O OTO
    O PAPA QUE É ESCROTO
    DÁ E RECEBE BANANA
    A POETIZA DA SEMANA
    GOSTA DE MANDAR SUEIRA
    VOCÊ DISSE QUE É BESTEIRA
    QUE EU TAMBÉM POSSO MANDAR
    TREPADA NUM TAMBORETE
    RECEBA UM MOI DE CACETE
    GOSTA MESMO É DE TREPAR

  6. Parabéns pelos versos inteligentes e espirituosos, poetisa Dalinha Catunda! Você fugiu da Pandemia, de forma muito saudável! Está em contato direto com a natureza, na fazenda do seu bem, trepando nas arvores, para colher frutas frescas e apreciando pombas e rolas voando. O frio contribui para que o cenário se torne ainda mais romântico!
    Que essa Pandemia passe logo!

    Muita Saúde e Paz, querida amiga!

    • Obrigada minha amiga, Violante, seu comentário é sempre especial. Aqui no sitio continuo apreciando as pombas e as rolas que em bandos chegam ao terreiro no final da tarde. As trepadas diminuíram, o tempo anda chuvoso e os “pés de pau” escorregadios. Mas mesmo assim continuo com meus costumes e dialetos do meu Ceará. Bjs.

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