CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

Prezado Berto,

Estou no Amapá, há uma semana. Vim para um trabalho de campo no município de Santana, vizinho a capital do estado, Macapá. Na segunda-feira à noite, durante um forte temporal, caiu um raio, seguido de um incêndio, em uma das sub-estações de energia da capital, e que na verdade, suprem todo o estado.

Foi aí que a população se deu conta, que das quatro existentes, apenas uma estava mal e porcamente funcionando.

Resultado:

Um verdadeiro caos em todo estado, como nunca tinha visto nada igual.

Hoje é o quarto dia seguido sem energia elétrica, e com as consequências desastrosas, que todos podem imaginar, como: falta de água potável, postos com combustível, mas sem energia para ligar as bombas, comércios fechados, gêneros alimentícios estragando nos refrigeradores das residências e dos estabelecimentos comerciais.

No hotel em que estamos hospedados, há um gerador funcionando de modo intermitente, porém não há sinal de celular e muito menos de internet.

Hoje decidimos vir ao centro da cidade, Macapá, sentamos na praça de alimentação de um shopping, que tem gerador, para rotear o celular no meu micro e tentar responder algumas mensagens. O problema é que grande parte da população teve a mesma ideia, sentados no chão ao redor de alguma tomada existente, para tentar carregar seus celulares.

Minha vontade era falar sobre a minha ausência na reunião de ontem, mas a indignação é tão grande que resolvi escrever esse pequeno relato.

Fiz algumas fotos, mas a conexão está tão ruim que vou tentar enviar pelo menos este texto. Procurem na internet que facilmente encontrarão fotos das filas quilométricas nos postos, além de notícias e pedidos alarmantes de socorro da população, neste canto esquecido do país.

Era isso, caros amigos, o retrato cuspido e escarrado deste pobre e malsinado pais.

Estou no estado do atual presidente do senado, e que por muito anos foi o domicilio eleitoral – barriga de aluguel – de um dos piores escroques da nação, que prefiro me abster de citar o nome. Basta dizer que, nesta época, se dizia que o Maranhão era o único estado brasileiro com 4 senadores e o Amapá com dois.

E dito isto, parafraseando o Berto, não precisa dizer mais nada para explicar as razões do caos neste pobre estado, usado e espoliado por políticos canalhas, apenas para seus benefícios e interesses próprios.

Muita indignação, meus amigos. Muita indignação!

Um forte abraço a todos.

R. Meu caro, lamento demais, lamento muito mesmo esse desmantelo que você está vivendo por aí, nesse recanto de mundo que teve o azar de ser o berço do Alcolumbre.

(Êita!!! Falei o nome do desgraçado!!!)

Você fez uma falta danada no encontro semanal da patota fubânica, acontecido ontem, quinta-feira.

Tem nada não: semana que vem você tira o atraso.

Vou torcer pra que tudo se resolva logo e que você possa cumprir sua missão aí no Amapá sem mais dores de cabeça.

Fique calmo, relaxe, controle o emputiferamento e lembre-se que esse é o nosso Brasil brasileiro!!!

5 pensou em “RÔMULO SIMÕES ANGÉLICA – MACAPÁ-AP

  1. Caro Rômulo, é uma pena que no Amapá os políticos sejam da pior espécie.

    Só vou dar um exemplo de um tesouro que me parece que só tem no AP; o pracaxi.

    Esta planta tem propriedades terapêuticas maravilhosas, serve para uma série de tratamentos

    Auxilia a prevenir e amenizar estrias, manchas escuras, queloides, rugas e linhas de expressão. Como usar óleo de Pracaxi: … O óleo também pode ser adicionado à máscaras e hidratantes capilares para potencializar a hidratação e tratamento dos cabelos.

    Vou lhe dizer uma coisa: é mais fácil levar essa plana para os EUA ou a Europa do que trazer para SP, onde se poderia Desenvolver toda a sua capacidade.

    Uma riqueza que é contrabandeada do país com a anuência dos governantes.

  2. Como sou curioso, fui consultar os universitários, quer dizer, o ONS. A coisa tá feia:

    “No dia 03/11/2020, às 20h47, ocorreu o desligamento automático da subestação Macapá 230/69 kV (LMTE) e das usinas hidrelétricas Coaracy Nunes com 37 MW, Ferreira Gomes com 27 MW e Cachoeira Caldeirão com 30 MW.
    Causa: sendo pesquisada pelos agentes envolvidos. Houve explosão seguida de incêndio no transformador TR-1 da subestação Macapá.
    Em consequência, houve interrupção de 244 MW de cargas distribuidora CEA no estado do Amapá, incluindo a capital Macapá, correspondendo a 95% da carga do estado.
    O TR-2 já se encontrava indisponível devido manutenção corretiva, sem previsão de retorno.
    Em função do incêndio no transformador TR-1, até a emissão deste relatório ainda não havia sido possível liberar o TR-2 para operação, impedindo o início do restabelecimento das cargas a partir da subestação Macapá.
    Após diversas tentativas sem sucesso, às 06h09 do dia 04/11/2020 foi iniciado o restabelecimento das cargas a partir da usina hidrelétrica Coaracy Nunes, sendo que até a emissão deste relatório estavam restabelecidos 13 MW de carga.”

    A subestação tem dois transformadores, um estava em manutenção e o outro explode. Isso pode demorar um tempão.

    • Mais informações: parece que na verdade a subestação têm três transformadores, mas um deles está parado para manutenção desde dezembro do ano passado.

      Dos outros dois, um pegou fogo, com perda total; só que o fogo foi tão forte que atingiu o outro.

      É este outro que as autoridades tem esperança de colocar em funcionamento hoje. Se não der certo, vão precisar trazer um transformador de outro lugar, coisa de no mínimo 15 dias.

      Boa sorte ao Rômulo.

  3. Obrigado pelos comentários, amigos.
    Hoje as coisas começaram a normalizar.
    É em relação aos transformadores, Marcelo, a notícia inicial era de que eram quatro.
    Mas como sempre, há muita desinformação em um momento caótico como esse.

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