CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

Crônica publicada no Jornal da Besta Fubana em cinco de junho de 2018. Uma homenagem à cantora Marília Mendonça, tragicamente morta ontem num acidente aéreo.

A maior revelação da música sertaneja surgida nos últimos tempos, Marília Dias Mendonça, nome artístico Marília Mendonça, cantora, compositora, violonista, nasceu em Cristianópolis, município de Goiás que fica a uma distância de 90 quilômetros da capital, no dia 22 de julho de 1995.

Com apenas três anos de carreira, já ganhou o Troféu Imprensa de 2017 e 2018. Possui mais de quatro bilhões de visualizações no You Tube!!! Quatro músicas entre as mais tocadas em todo o Brasil, sendo a primeira mulher brasileira a entrar no “Moments History Month do Spotify!!” Ela é o maior sucesso do momento da música sertaneja!!!!!

Com um talento musical acima do normal e uma voz potente, Marília Mendonça, teve sua primeira composição “Minha Herança” gravada pela dupla sertaneja João Neto & Frederico dois anos depois de escrita, em 2009. Mesmo sendo menor de idade, Marília Mendonça investiu na carreira de compositora, escrevendo mais canções do gênero. Nesse período, foi autora de canções de sucesso como “É com ela que eu estou”, gravada por Cristiano Araújo, e “Cuida bem dela” e “Até você voltar”, gravadas pelos irmãos Henrique & Juliano. Ela canta a realidade dos desencontros amorosos!

Estreou como cantora em 2015, aos 20 anos, com a participação em duas músicas da dupla Henrique & Juliano, seus irmãos: “A Flor e o Beija-Flor” e “Impasse”. Logo em seguida, no mês de julho, ela gravou o disco Marília Mendonça: Ao Vivo. Feito em um cenário com decoração simples e com garrafas de bebidas alcoólicas. O álbum foi lançado oficialmente em março de 2016. Disponibilizado tanto nos formatos CD e DVD pela gravadora Som Livre, recebeu aclamação positiva do público, alcançando o topo das paradas brasileiras. Entre as canções de destaque do disco, estão o single “Infiel” e a canção “Eu sei de Cor”, a qual liderou a Brasil Hot 100 Airplay em 2016 por cinco semanas. ‘Infiel’ tornou-se a quinta música mais executada nas rádios do Brasil naquele ano, além de já ter sido a segunda canção brasileira com mais visualizações no You Tube.

Após alcançar sucesso na divulgação do material no You Tube, passou a ser chamada pelos fãs e tietes de “Rainha da Sofrência”. Marília fez o seu primeiro grande show ao vivo em agosto do mesmo ano, na cidade paraense de Itaituba. Ao mesmo tempo em que iniciava a carreira em cima dos palcos, continuou compondo músicas para outros artistas, como Lucas Lucco, Joelma, Jorge & Mateus, Wesley Safadão, Maiara & Maraísa, Matheus & Kauan, Fred & Gustavo, Zé Neto & Cristiano, César Menotti & Fabiano e os já citados anteriormente Henrique & Juliano e João Neto & Frederico.

Devido à grande repercussão de seu nome na mídia, Marília Mendonça foi indicada ao prêmio “Melhores do Ano”, do programa “Domingão do Faustão”, exibido pela Rede Globo. Naquela ocasião, Anitta foi a vencedora do troféu e convidou Marília para receber o prêmio com ela, homenageando todas as mulheres e encerrando com um dueto da canção “Infiel”. Marília encerrou o ano de 2016 com uma participação no tradicional “Show da Virada”, da Rede Globo, exibido no dia 31 de dezembro, apresentação que considera uma das mais importantes de sua carreira. Em 8 de outubro de 2016, Marília gravou o segundo DVD da sua carreira, “Realidade”, no Sambódromo de Manaus para um público de mais de quarenta e cinco mil pessoas! Quatro das canções gravadas foram disponibilizadas em 13 de janeiro de 2017 em um EP homônimo, com três canções inéditas, além da conhecida “Eu Sei de Cor”. O lançamento oficial do CD e do DVD, previsto para fevereiro de 2017 pela Som Livre, aconteceu em 31 de março.

Em julho de 2017, Marília conquistou o posto de artista brasileira mais ouvida no You Tube. Ela ficou em 13º no ranking mundial, superando artistas como Adele, Ariana Grande, Shakira e Taylor Swift. Em setembro de 2017, outra marca: a cantora ultrapassou três bilhões de visualizações em seu canal oficial, sendo a primeira cantora brasileira a conquistar o número em menos de dois anos!!!

Marília Mendonça apresenta em suas canções uma filosofia musical de valorização da figura da mulher. Apesar de negar uma postura militante diante do feminismo, já usou o termo em algumas ocasiões, como na entrevista ao jornalista Pedro Bial, quando questionada sobre culpa diante de traições, tema recorrente em suas músicas. “Se fala tanto em feminismo e a mulher ainda culpa a mulher por coisas que ela não tem culpa. Se o cara é casado comigo, é meu namorado ou está do meu lado e me trai, quem me traiu foi ele. Eu não tinha nenhum tipo de relacionamento com a amante” – questionou. Seguindo a linha da defesa dos direitos das mulheres, lançou no dia 8 de março de 2018 as canções “A Culpa é Dele”, com Maiara & Maraísa – criticando a disputa entre mulheres e a idolatria ao homem – e “Perdeu a Razão”, seu novo trabalho com a cantora Joelma, que fala de violência doméstica e da Lei Maria da Penha.

Em uma entrevista concedida ao jornal O Globo deste ano, a cantora e compositora sertaneja Marília Mendonça destacou que era necessário conquistar o público feminino como adepto de suas canções, visto que as mulheres comparecem em grande número aos shows de música sertaneja por distração e prazer absoluto de liberdade, porém, não existiam cantoras do gênero em aclamação naquele período.

Marília Mendonça – “A Rainha da Sofrência” – pelo talento para compor e cantar em tom de voz grave e potente, pelo domínio de palco, pela naturalidade, pela maturidade, pela AUTENTICIDADE, é, sem dúvida nenhuma, a maior revelação da música sertaneja dos últimos tempos com apenas 23 anos, porque fala do amor, da traição entre homens e mulheres em todas suas nuances em linguagem popular sem ser popularesca, do sofrer, que são universais, com muita catilogência e responsabilidade!

No final do vídeo a seguir, um comovente depoimento da cantora Joelma:

6 pensou em “MARÍLIA MENDONÇA – A RAINHA DA SOFRÊNCIA

  1. Caro Cícero,

    Nesta manhã em que todos estamos ressacados ainda com a tristeza de perder Marília, seu comentário foi muito além do sentimento de todos nós.

    Felizmente você já havia escrito esta memorável página, que só a sensibilidade de um bom cronista é capaz de transmitir muita solidariedade.

    Um abraço do seu leitor e admirador,

    Carlos Eduarco.

  2. Querido Carlos Eduardo,

    Esse dom cronista que nós temos em buscar as coisas boas nos seres humanos e transmiti-los às gerações futuras, humanamente, não sabemos explicar.

    Quando escrevi essa crônica, uma singela homenagem a uma cantora talentosa que estava surgindo no cenário machista sertanejo e os desbancando, jamais imaginei que uma dia pudesse reproduzi-la no mesmo espaço do Jornal da Besta Fubana por causa de uma tragédia que ocorreu com a homenageada.

    Um segundo a gente está vivo; um segundo a gente se encanta: é a vida.

    Tive o cuidado para não fazer feito toda “imprensa e canais funerários brasileiros” estão fazendo: utilizar o sensacionalismo para angariar o “IBOPE” em cima de um cadáver famoso.

    O Jornal da Besta Fubana não merecia essa excrescência! O Jornal da Besta Fubana é sério, é a maior referência de seriedade do Brasil!

    Obrigado, irmão, por endossar minha homenagem.

  3. Caríssimo Ciço,

    O tipo de música da Marília não constava entre as que ouço, mas (estranho mas), me entristece a vida chegar ao fim para pessoas tão jovens, esbanjando alegria e fazendo seu fiel público feliz.

    Sancho é pessoa ensolarada, que ama a vida e que em tais momentos sente um incômodo grande no peito.

    Que Deus reconforte, com o passar do tempo, a familia enlutada.

    • Caríssimo Sancho Panza, o nosso ícone do Jornal da Besta Fubana; Luiz Berto é o nosso editor é o nosso Buda Nagô.

      Também feito o ilustre colunista, não sou muito apreciador desse estilo musical, mas amava a cantora pelo seu talento, trabalho, dedicação e seriedade com que encarava seu ofício de cantora.

      Gosto de ver pessoas determinadas, que corre atrás do seu sonho, faz qualquer coisa para trazer emoção e alegria para seus fãs e o povo em geral. A gente é tão carente!

      Marília Mendonça era uma dessa estrelas, que infelizmente não teve tempo de provar seu real talento. Feito os Mamonas Assassinas, se foi rápido e tragicamente.

      O nosso ícone das crônicas sensatas do Jornal da Besta Fubana, bem como todos os colunistas e comentaristas, assim como o editor Luiz Berto, receberão uma menção honrosa na próxima crônicas que homenageiam um grande musical americano, talvez o melhor da história, bem como suas cantoras, atores e bailarinos.

      Foi escrito por mim e d.Matt.

      Está um arraso.

  4. Excelente texto, mestre Cícero.

    Uma perda lamentável para os fãs. Conforme consta, a cantora tem 22 milhões de inscritos em seu canal,do YouTube, cravando o acumulado de 14 bilhões de visualizações. No Spotify, plataforma de streaming mais popular do mundo, são 21,3 milhões de seguidores e, atualmente, 8,3 milhões de ouvintes mensais.
    Ai aparece os doentes esquerdalha para tripudiar em cima do cadáver da jovem cantora, desrespeitando (como é natural entre eles) a memória da família e dos fãs.
    É lamentável!

  5. Acompanho, estimado Marcos André M. Cavalcanti, o trabalho dessa talentosa cantora desde 2016, época quando ela, novinha, já se apresentava em palco improvisado nas tertúlias, quermesses, casamentos, festas de debutantes, com seu violão giannini em Goiás, já demonstrando que tinha muito talento para o ofício.

    O tempo provou isso, goste ou não goste do estilo musical dela.

    Quando fez um show aqui no Recife há dois anos atrás no Marco Zero para lançar o último CD ao vivo antes da Pandemia, a quantidade de fãs e tietes que foram vê-las ultrapassavam qualquer expectativa de admiradores.

    Um dos momentos mais significativos do clip foi quando ela abraçou muitos fãs no Mercado São José, demonstrando carisma e sorriso sincero.

    Obrigado amigão pela apreciação da crônica.

Deixe uma resposta