JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

Foto: Obviousmag.org

Não tive pena quando a vi partindo
Fiquei apenas por dentro chorando
Entre outras cenas que eu ia lembrando
Eu em silêncio fui me despedindo.
Pedindo a Cristo que fosse medindo
Só a bondade que nós nos fizemos
As tantas vezes que nos maldizemos?
Esqueça aí, que eu daqui esqueço
Se a esperança pomos pelo avesso
Um novo começo nós não mais teremos.

Se nova chance nós não mais queremos
Todos os riscos você assumiu
Sumiu na rua e quando enfim partiu
Partiu toda jura que nós nos fizemos.
Se tudo aquilo que juntos vivemos
Foi somente eterno enquanto durou
E aquele encanto que você cantou
Eu vejo agora estava pelo avesso
Esperança em traço de um recomeço
Traçado no chão, mas o vento apagou.

6 pensou em “ESPERANÇA PELO AVESSO – Aparências

  1. Genial, Jesus de Ritinha de Miúdo

    Em apenas duas estrofes de versos, você consegue estampar, sintetizado, um tema em que muitos só o conseguiria em várias páginas, e ainda ficaria sem a devida abrangência necessária (onde me incluo)..

    Com a maestria que lhe é peculiar Jesus de Ritinha, inspiradamente poetizando, nos brinda com um retrato fiel e bastante comum vivenciado por milhares de pessoas neste mundão de meu Deus.

    .Que atire a primeira pedra, aquele que não sofreu por amor.

    • Valeu, Marcos.
      Lembrei-me agora do velho LP de Ataulfo Alves, de todas as manhãs de domingo, lá em casa de papai.
      “Perdão foi feito pra gente pedir.”
      Coisa linda de verso!

  2. Duas estrofes necessárias para dizer o que é para dizer, Jesus de Ritinha de Miúdo.

    Também já vivi algo parecido e hoje corro atrás sem perder a esperança. Foi o primeiro amor que entrou na minha vida e não quer sair mais.

    O tempo não apagou as lembranças infinitas.

    Recorro a Juca Mulato, mas ele está solitário. Recorro a ela e ela me diz que nosso tempo já passou. Digo que não. Há tempo para tudo na vida!

    Ainda tenho esperança. Ela é o amor da minha vida!

    • Que depoimento fantástico, Cícero.
      Dele eu lembrei dos seguintes versos:
      “Você nem sequer se lembra de ouvir a voz deste sofredor, que implora por teus carinhos, só um pouquinho do seu amor.
      Meu primeiro amor tão cedo acabou só a dor deixou neste peito meu. Meu primeiro amor foi como uma flor que desabrochou e logo morreu.
      Nesta solidão sem ter alegria o que me alivia são meus tristes ais. São prantos de dor que dos olhos caem, é porque bem sei quem eu tanto amei não verei jamais.”

  3. Traçado no chão, mas o vento apagou…

    O vento não apaga o talento.

    Comentários de Cícero e Marcos André enriquecem ainda mais o poema…

    Abração aos três…

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