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Nem Picasso pintava um quadro desse que só a Natureza nos proporciona com perfeição!
Severino, quando eu era menininho pequenininho lá em Lajinha, Minas Gerais, anos cinquenta, a gente morava na beira da rua e quando ouvia o cantar da roda do carro de boi todo mundo saía para ver e se encantar. Havia disputa de qual era o que cantava mais bonito e a gente comparava se esse aquele que estava passando ou se era o que passou cantando anteontem.
É que o canto do carro de boi não era aleatório, o carreiro tinha o seu jeito de fazer o seu carro cantar diferente do outro, trabalhando a cantadeira.
A “cantadeira” é a peça untada com uma pasta de sebo e pó de carvão, para fazer o carro gemer, quando atritada durante a marcha. “Carro que não canta não presta. Não é carro”!… O seu gemido característico, ligeiramente modulado, constitui motivo de orgulho para o carreiro que não o dispensa nunca.
Alguns carreiros que passavam na minha cidade permitiam que a molecada pegasse uma pequena carona, correndo e pulando sentados na borda traseira do carro. Fiz isso muitas vezes.
Ô, saudade! Brigado!
Vamos em frente, pariceiros. Quanto mais se bate o mancal, mais o carro canta, porém, o eixo, perde tempo de vida.