PABLO LOPES - PEIXE NA ÁGUA

Egrégio Supremo Tribunal Federal;

Colenda Turma;

Ínclitos Julgadores

(…)

Assim, com estas homenagens quase de joelhos, os advogados iniciam seus recursos no STF. Sempre escrevi, embora jamais gostasse dessas sabujices, mas após a inacreditável sessão do dia 15, acho que não dará mais. Penso que tais termos não se aplicam mais àquele lugar. Vejamos o dicionário (Michaelis)

Egrégio: Muito distinto; notável por suas obras ou feitos; emérito, insigne, ilustre. 2 De grande vulto; digno de apreço, admiração; admirável, estupendo, surpreendente. 3 Diz-se de juízes e tribunais de justiça; eminente, notável, superior.

Será que alguém consegue enxergar naquele tribunal alguma razão para atribuir-lhe qualquer uma dessas qualidades? Não, não dá! Ultimamente só conseguimos ver ali obras, feitos e indivíduos notavelmente destrutivos; dignos do maior desapreço e surpreendentes em sua imoralidade superior. Melhor esquecer o “Egrégio”.

Colenda: Digno de respeito e veneração; augusto, precolendo, venerando, venerável.

Este termo é usado para se referir à turma de ministros. Na boa, qualquer turma que tenha entre seus membros Gilmares; Zanins, Dinos etc. pode ser tudo, menos venerável; augusta ou digna de respeito. O mergulho na lama dourada do banco Master; o jogo de acobertamento; a ética mafiosa (foi Gilmar que disse) e o silêncio de omertà impedem o uso de “colenda”. Lamento, mas não dá, não consigo venerar aqueles magistrados…

Ínclito: Que se distingue por méritos e qualidades excepcionais; celebrado, egrégio, famoso, ilustre.

Há muito tais qualidades deixaram de ser requisito necessário para pertencer àquele lugar. Por ali as únicas qualidades excepcionais demonstradas são a hipocrisia, a mentira, a desfaçatez, a crueldade e a covardia. Ínclitos? Me poupem!!!!

Dito isso, resta decidir com quais termos iniciarei meus recursos, caso tenha que fazer algum. Pensei em acrescentar um “ex” antes de cada elogio. Será que terei problemas? Aceito sugestões de meus parcos leitores.

Por fim, resta lamentar profundamente que a mais alta corte do poder judiciário tenha deixado de merecer os termos elogiosos com os quais nos dirigimos a ela; seus membros, com pouquíssimas exceções, cobriram o tribunal de vergonha. Poucas coisas podem ser piores a um operador do direito do que a perda da confiança e respeito pelos juízes.

A obra canhota está completa: executivo, legislativo e judiciário; todos juntos no mergulho. Parabéns, ex-egrégio tribunal, ex-colenda turma e ex-ínclitos julgadores, vocês conseguiram.

9 pensou em “EGRÉGIO, COLENDA E ÍNCLITOS. NÃO MAIS”

  1. “Greta Garbo, quem diria, terminou no Irajá”…

    Em vez de “Egrégio Supremo Tribunal Federal” “Colenda Turma” e “Ínclitos Julgadores”, combinaria mais “RESPEITÁVEL PÚBLICO”, se se tratasse de um circo com dono respeitável, e uma família honrada e digna, sobreviventes das intempéries da vida, composta por artistas natos, que merecem respeito.

    Lamentável o escalabro a que se resume hoje a Egrégia Corte. Onde foram parar a HONESTIDADE E O RESPEITO?

    • Cara Violante, também me pergunto o de foram parar? Receio que demorará muito até encontrarmos naquela corte. Um abraço e grato pela leitura.

  2. Pablo, um “tribunal” onde não há réu (e o que poderia ser, julga a si próprio!) e tem na presidência alguém que “livra” a cara do Nove Dedos por ele ter sido julgado e condenado no TRF4, alegando não ser aquela instância o local adequado, e apoia a condenação de um ex-Presidente (Bolsonaro) e de Débora do Batom, ambos sem foro para serem julgados no ex-Supremo….. pode ser levado a sério?
    Minha analfabeta Avó, cagando atrás da moita e limpando o fiofó com um sabugo de milho, no Século XIX jurava que não!

    • “Egrégio Supremo Jornal da Besta Fubana”, “Colenda Turma de Colunistas”, “Ínclitos Comentadores” e nosso professor juridico Pablo (que igual ao Maurino, vivia nos comentários e nesta época onde é preciso ter coragem, estufou o peito, empunhou a pena, virou colunista e ensina aos tolinhos, como euzinha),

      Por nosso poeta Jezuis Cristinho di Ritinha di Miúdo, tô pasma com a coragem de nosso supremo Zé Ramos, cuja analfabeta vovozinha, obrando atrás da moita e limpando o fiofó com um sabugo de milho, no Século XIX juraria que supremos togados de agora não podem ser levados a sério (O que fazer, então? Cagamos para eles?).
      Se euzinha e o Sapo Aiquimedão fossemos corajosos, apoiariámos os dizeres da velhinha Oliveira Ramos, que agora sabemos além de fubá e curau, fazia outros usos para o utilíssimo e saboro milho. Sim, do milho e da vaca sabemos que tudo se aproveita.
      Um beijão pro Zé, um abraço no carlos e meus respeitos à magistral Violante, cujos textos me fizeram fã.
      Hoje Matilde está jurídica.

    • Caro Zé Ramos, não dá mesmo pra levar a sério. Me sinto no dever de reconhecer que sua analfabeta avó deixava atrás da moita, junto com o sabugo, algo mais egrégio, colendo e ínclito que a aquela turma. Abraço.

  3. Bem-aventurados os que leem esta gazeta escrota, chamada JBF! Em uma mesma edição, temos artigos primorosos dos ínclitos Dr. José Paulo, Dr. Pablo Lopes e outros, não esquecendo do nosso Peninha, sempre nos lembrando, que apesar do século XXI, pertencemos ao século XX isto tudo, sob o comando do nosso grande Luiz Berto;

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *