Lisboa. Nesta segunda, estávamos no JNcQUOI Fish, Avenida da Liberdade. No cardápio, Polvo à Lagareiro (por conta da abundância no azeite, que vem dos lagares em que são trituradas as azeitonas) e um peixe que não nada em nossas águas tropicais, o Pregado. Recomendamos, fortemente, para quem vier por estas bandas.
À espera dos pratos nosso filho Serginho, que vive nas tecnologias, pediu ao ChatGPT “por favor escreva texto, no estilo de José Paulo Cavalcanti, sobre essa confusão do Supremo”. O ChatGPT explicou que então faria um com frases curtas e sempre com citações. Feito isso ele apareceu, na tela, em dois segundos. Com citação que dei, no último artigo, de um ministro da Suprema Corte americana. Sem reparos. Para uma ideia, segue breve resumo:
“O Supremo vai julgar o Supremo. Ou quase. Talvez esta seja a melhor maneira de compreender o que acontecerá em Brasília. O ponto é saber se há razões para investigar a possível relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Vorcaro. Questão jurídica, sim, mas também algo maior.
“Instituições vivem da confiança, Tribunais, ainda mais. Juízes não têm exércitos nem votos. Têm decisões e o respeito que nós lhe concedemos. O pior caminho seria uma proteção corporativa. O Supremo não é sindicato de ministros.
“Louis Brandeis dizia que ‘a luz do sol é o melhor desinfetante’. Que os fatos sejam conhecidos; que alegações sejam provadas ou descartadas; e que cada ministro, ao votar, lembre-se menos do colega ao lado e mais da cadeira que ocupa. Porque aquelas onze cadeiras pertencem à República, não a quem as ocupa. Há horas de olhar para fora. E há horas de olhar para dentro. Amanhã é dia de espelho”.
Texto exato. Preciso. E o que vimos nesta terça?, eis a questão. O que, de alguma forma, já esperávamos. Nada de importante foi decidido. Nem será, que o ministro Nunes Marques preferiu ir embora. Em Brasília se diz que por conta de ameaças feitas pelo ministro Gilmar. Era o voto decisivo. E a expectativa, pena, é que ninguém seja punido. Tapete, viva o tapete.
O sistema é mesmo forte. O presidente do Senado não põe, em julgamento, os 109 pedidos de impeachment do ministro Moraes que tem na sua mesa. O Diretor-chefe da Polícia Federal cumpre ordens que vem de cima, e nada fará contrariar seus chefes. O Presidente da República diz ser a favor de não haver mais nenhum sigilo, no caso Master. Só que seu ministro da Justiça mantém o sigilo que decretou, por 100 anos, dos que visitaram Vorcaro na prisão. O candidato diz ser contra qualquer sigilo mas o mantém, só mesmo rindo.
O Procurador Geral da República é suspeito. Apareceu nas gravações. E, em vez de se declarar impedido, já requereu a nulidade de todos os atos do caso. É coragem muita. E ficamos, todos, a sonhar com outros tempos.
Bem visto, o ChatGPT é apenas otimista. O espelho, que imagina, reflete uma verdade torta. É como O Retrato de Dorian Gray, de Wilde. O quadro muda, o homem não. O que deveria ser e o que é. Aparência e realidade. Sonho e ilusões perdidas. O homem jovem, que vemos nas ruas, é falso; enquanto o velho, carcomido, gasto, e já quase sem esperanças, somos nós. E nada parece sugerir que o clamor das ruas seja ouvido, naquele plenário. Pena.
Para encerrar lembro Manuel Bandeira, o poeta do Recife, em poema bem conhecido, Pneumotorax, (resumo): “Tosse, tosse, tosse/ – Diga 33/ – 33… 33… 33…/ – Então, doutor, não é possível tratar o pneumotórax?/ – Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino”.
Nosso caso. Um tango argentino é o que nos espera. Podem apostar.
Parafraseando Joseph Marie de Maistre, um dos fundadores do pensamento conservador, e diante a bovinidade de nosso sofrido povo, é possível afirmar: “cada povo tem a justiça que merece”.
Meu Caro Doutor,
sou mais otimista que o Doutor de Bandeira. Ainda creio que possa vir, ao invés de um tango argentino, um forró dos de Gonzaga para desanuviar os céus e trazer ares de esperança, e nós, velhos e carcomidos, nos tornemos novamente jovens com coragem para lutar. E na cadeia, todos que lá devem estar. Haja cadeia! Custa nada crer.
Meu abraço fraterno,
Xico
Mestre, meus respeitos. Não sou tão otimista e esperançoso quanto o Xico, por conta da “nossa idade” e da titica na cabeça da juventude que chegou e está mais preocupada com tatuagens, anitas que de Gonzagas. O CRESCENTE número do homossexualismo em detrimento “daquilo roxo” me faz ser um pessimista temporário.
Acredito muito mais na possibilidade do loiro americano que nos “machos-trans” brasileiros.
Caro Sr. J. Paulo, o bom de se criar vários textos e um estilo de escrita é que depois de um tempo a IA pode fazer o trabalho como se fosse o original; basta dar o tema e aguardar 2 segundos.
Neste não há nenhuma observação a fazer.