Antigamente todos conheciam os homossexuais da cidade, lembro do Ramona, Vicentão, Porreta, contavam-se nos dedos, hoje a fauna se espalhou, assumiram de uma vez, poucos ainda escondem a homossexualidade. Eu acho certo, esconder sua sexualidade é hipocrisia.
O mais autêntico de todos durante minha juventude, foi meu querido amigo, Luizinho. Na adolescência despertou sua atração pelo sexo masculino. Aos 18 anos chamado para o Exército, sentiu-se no paraíso arrodeado de homens viris. Ao descobrirem sua preferência, deram sua baixa do Exército
Luizinho causou escândalo em Maceió, assim que saiu do Exército seu pai o colocou para trabalhar numa grande loja da família na Rua do Comércio, função de comprador, reposição de estoque. Certa vez apareceu um carioca, alto, bonito, olhos azuis, bem falante, vendia todo tipo de relógio, despertador, relógio de ponto, de braço. Luizinho teve uma emoção ao ver o representante, fez o pedido costumeiro da loja. Puxou conversa com o vendedor. O simpático carioca, malandro, percebeu a queda de Luizinho, aceitou o convite para jantar. No restaurante da Fênix pediram melhor vinho, melhor comida, comeram, beberam, Luizinho apelidou o vendedor. Era “Blue Eyes” para lá, “Blue Eyes” para cá. Terminaram dormindo no Hotel Califórnia, onde o representante estava hospedado. Um mês depois ele retornou, Luizinho ficou eufórico quando o viu entrar na loja, dizia aos amigos estar apaixonado. O cara voltou nos meses seguintes. Cinco meses de retorno, o carioca, lamuriou-se, a firma ia colocá-lo na rua, talvez fosse última viagem, não havia conseguido fechar o número mínimo de pedidos exigido pela empresa. Luizinho emocionado mandou o carioca preencher o pedido de quantos relógios quisesse para a loja. O malandro, não se fez de rogado, fez um pedido substancioso. Luizinho assinou, o amante feliz, viajou com o gordo pedido e o bolso cheio de cruzeiros, presente de seu amor, prometendo voltar o mais breve possível. Na outra semana chegou uma encomenda na loja, um caminhão, carga inteira de relógios, um bom dinheiro a ser pago à vista, conforme contrato. Seu Luizão, o pai, ficou desesperado, teve que cumprir o compromisso, mudou a função do filho na loja. Passaram-se cinco anos para vender todos os relógios. O carioca nunca mais pisou em Maceió.
Meu primo, Fernando, negociante de animal, toda tarde vendia cachorro, gato, tatu, enjaulados. Fazia ponto na Rua do Comércio. Certa vez ele levou uma veadinha numa gaiola, corda fina no pescoço, chamava atenção, entretanto, ninguém comprou a bichinha, ele baixou preço. Quem queria uma veadinha em casa? Foi quando um desocupado da Rua do Comércio falou no ouvido do Fernando.
– O Sr. Luizão, dono da loja São Vicente tem um veado em casa, quem sabe se ele não compra essa veadinha para juntar ao veado de sua casa?
Ideia melhor impossível, Fernando colocou a gaiola do animalzinho no ombro levou-a para loja. Depois de esperar quase uma hora, Sr. Luizão atendeu, ouviu a conversa de vendedor.
– Olha Seu Luizão, tenho bela veadinha de apenas dois meses trouxe para o senhor, bem barata.
– O que vou fazer com uma veadinha?
– Para fazer companhia ou cruzar com o veado que o senhor tem em casa.
No mesmo momento levou um murro na cara, saiu cambaleando puxando a veadinha.
Só entendeu o acontecido, quando viu os gozadores às gargalhadas na Rua do Comércio. Alguém explicou
– O veado filho de Luizão é o Luizinho, homossexual assumidíssimo.
