PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL

São Luís, capital do Estado do Maranhão é um dos melhores lugares para alguém viver. Alguém que não exija tanto de si mesmo e de seus pares.

Rios perenes, clima com variação aceitável – mas que, infelizmente, vem sofrendo com péssimas administrações desde muito tempo.

Os moradores convivem com a extrema pobreza e a única coisa abundante é a “falta de tudo”. Necessidades básicas, falta tudo. Fornecimento d´água é caótico, esgoto sanitário não existe, saúde nem pensar, transporte urbano caótico, ordenações do trânsito, uma verdadeira merda.

Mas, se por um lado falta tudo, a cultura popular é algo abundando e que, como o circo, faz o povo esquecer as necessidades básicas de uma boa saúde pública e de educação beirando o zero.

São fortes três itens da cultura popular: Tambor de crioula, Cacuriá e Bumba-boi. Esse último é tão fortemente envolvente que, alguém que jamais escutou uma “toada” de qualquer sotaque do bumba-boi do Maranhão, sairá dançando e cantando como se vivesse na cidade há anos.

Entre as toadas que viraram sucessos, destaque para “Se não existisse o sol”, cantada pelo “cantador” Chagas da Maioba, que chega a ser apresentada até por sotaques diferentes e “adversários”

Vejamos:

Se não existisse o sol

Chagas – o “cantador” da Maioba

Se não existisse o Sol
Como seria pra Terra se aquecer
E se não existisse o mar
Como seria pra natureza sobreviver

Se não existisse o luar
O homem viveria na escuridão
Mas como existe tudo isso meu povo
Eu vou guarnecer meu batalhão de novo

OBSERVAÇÃO: Atualmente Chagas não faz mais parte do Bumba-boi da Maioba, e mostra sua competência e categoria por outro “sotaque” da Ilha.

* * * 

BARRIGA DE CHORO

Mãe mandando filho “engolir o choro”

Na mais recente oportunidade que estive em Pindaré-Mirim, logo ao término da Piracema, fui comprar uns peixinhos (e só comprei peixinho mesmo, pois o grandes não estavam liberados ainda, haja vista que, eles que desovam) para comer. Comprei piaus, anojados, lírios, mandis, tapiacas.

Comprei passagem para voltar na tarde do dia seguinte. Na noite anterior choveu muito. Choveu tanto, que vi cachorro bebendo água em pé, e tendo dificuldade para nadar em algumas ruas alagadas. Com certeza, a chuva era tão forte que, dez pingos encheriam uma garrafa d´água.

Calçado com essas sandálias das propagandas, tive que tira-las dos pés, para não perdê-las na correnteza que se formava no trajeto de uns 30 metros do bar onde enxugava umas louras, até o carro do cunhado.

Foi naquele momento que viajei, e me vi na infância. Tempos bons. Quando começava a chover – coisa rara na minha Fortaleza dos anos 50/60 – a gente colocava o calção e procurava o primeiro “jacaré”, que em São Luís é chamado de “biqueira”. E tome banho e tome banho.

Quando estava de bom humor, a mãe até levava sabonete e toalha. Quando isso não acontecia, ela bradava:

– Chega! Tá bom! Tá na hora de parar! Tá querendo ficar branco, é?

E eu e os outros irmãos, todos “tremilicando” de frio, com os beiços roxos de tanto banhar, nem nos atrevíamos a reclamar.

– E fique aí mesmo! Não me venha molhar o chão da casa! Não quero mais escutar um pio!

Arre égua! Como era bom aquele tempo. Até mesmo quando a gente apanhava, e era obrigado a escutar:

– Engole o choro! Eu engoli tanto choro, que hoje minha barriga é grande.

16 pensou em “PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL

    • Maurício: obrigado Professor. Eu estaria desonrando meus avós e pais se, na atual idade, não tivesse nada de meu para repartir. Um beijo no seu coração.

  1. realmente era assim , mas tambem foi assm que se formaramuma populaçao ordeira e honesta [[na sua maioria , pois ai tem o lula para garantir que nao era coisa unanime ]] e foi assim que eu e minha esposa criamos nossos filhos hoje brasileiros de bem e producentes para este pais ., parabens

    • Alberto: opinião a gente aprendeu a respeitar. Cada um tem a sua. Mas, se existe alguém “contra o Lula” pelo que ele fez com o povo brasileiro e com o Brasil, esse alguém sou eu. Mas, acho fora de propósito a gente afirmar que os pais dele o criaram para ele ser assim. O pior é que ele tem centenas de milhares de seguidores, que sabem o que ele fez, mas continuam cegos.

  2. Caríssimo colunista e cronista José Ramos:

    O nobre cronista sabe que amo suas crônicas. Elas me trazem recordações boas da infância lá em Lagoa do Carro-PE, município capenga onde papai deixou um sítio, que me fazem lembrar aquele passado tão presente e feliz. Depois viemos para Carpina.

    O Bumba-meu-boi e os bonecos mambembes de Saúba dos Bonecos, graças as Deus ainda vivo e tomando cachaça, só não mais comendo ninguém porque, segundo ele, a velhice e de lascar: murcha tudo, são reminiscência feliz do interior, que hoje anda agitado com a modernidade pesada dos meliantes.

    Espero que a polícia cancele muitos CPFs.

    Obrigado, cronista, por mais essa obra-prima!

      • Meu caríssimo cronista Zé Ramos:

        O município de Lagoa do Carro fica na divisa entre Carpina e Limoeiro, no Km 90, BR 408.

        É linda, majestosa, escandalosa, como diz o saudoso Coronel Ludugero. Tem a forma de uma priquita, o que faz dela um município apetitoso e cobiçado. No centro dela tem um açude que vive sempre cheio de esperança.

        Forte abraço, grande cronista!

      • Goiano e José Ramos: Filosofem aí: Por que é que aquele o aquela que a gente ama nunca sai dos nossos sentimentos?

        A cada lembrança é uma saudade! Bate uma dor no peito e a gente entra num mal-estar da porra!

        O espaço de Glorinha nunca vai ser preenchido aqui na Besta!

          • Abraços, Goiano!

            Você é um cara da porra! Tem a nossa admiração e respeito, sempre!

            Aliás, toda Nação Fubânica tem o nosso respeito, a começar pelo editor Luiz Berto, nosso Guia Literário!

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