XADREZ E TALVEZES

No jogo do xadrez, assim como na vida real, muitas vezes você sacrifica peças para garantir o jogo.

Sei o quanto é difícil na vida real tal escolha. Afinal, passaria à infame decisão de escolher quem sacrificar. Isso é terrível do ponto de vista humano. Muito. Nem quero pensar.

Mas se não acabarmos com esse medo poderemos estar sacrificando uma geração inteira. Isso sob o ponto de vista das oportunidades.

A economia destruída fará um prejuízo sem tamanho.

Trará mortes em números incalculáveis!

Terça-feira cedinho vi um especialista falando “só no Brasil poderão ser 40 milhões de desempregados”.

Ora! Se temos doze milhões e não há um sinal de trânsito em Natal sem pedintes esmolando, imagine com três vezes mais.

Caso se confirme, as ruas ficarão intransitáveis. Haverão saques, o crime subirá sem igual, empresas fecharão aos montes, sem arrecadar os estados e prefeituras atrasarão ainda mais salários, o povo inteiro ficará num colapso de nervos, a intolerância no meio social subirá a níveis jamais vistos!

Nos EUA, cujo índice de desemprego ancorou na gestão Trump em 3,5%, ontem ouvi falar em 30% da população desempregada com uma possível recessão se confirmando. Só que lá eles têm lastro de fato em reservas de capital. Só para começar o FED destinou US$ 2.000.000.000.000,00 (dois trilhões de dólares) para salvar a economia. Um PIB anual do Brasil!

Ademais, a oposição nos EUA, salvo raríssimas exceções, aliou-se ao governo nessa batalha.

Eles sabem jogar o xadrez político.

Eu trabalhava num banco e sei dos danos de uma inflação de 80% ao mês, como vi na gestão Sarney. O Brasil hoje não tem “emocional” para viver 8%a.m, que dirá mais.

Então, não é um jogo fácil de ser jogado.

Eu não votei, tampouco simpatizo com o homem vestindo a Faixa Presidencial. Nunca enxerguei com bons olhos a forma fanfarrona e debochada de suas respostas. Não concordo com a sua percepção de levar tudo para o lado pessoal. Sinto falta de alguém mais diplomático na Cadeira Presidencial, cujo assento é o mais importante do país. Mas, convenhamos, a forma como a oposição o tem tratado, os métodos usados pela mídia na criação de armadilhas para ele se ferrar nas respostas (já que fala o que pensa), está se tornando algo que, em mim, dá ânsia de vômitos de tão eméticos e nojentos que são.

Estão conduzindo esse momento olhando apenas para o peito onde deita a Faixa Presidencial, e como são hipócritas fingem preocupação com o povo.

Tudo quanto o Brasil menos precisa neste momento tão delicado é uma nação dividida e os Três Poderes guerreando entre si.

Quanto ao nosso “Doido Presidente”, talvez ele esteja querendo olhar para os dois lados, não sabendo se expressar como um estadista. Não tem tato e, como falei acima, leva tudo para o lado pessoal.

Talvez se tivesse a postura de Mandetta diria o que realmente pensa, de outro jeito mais educado e menos debochado, e não seria tão atacado. Quiçá lhe falta a diplomacia dissimulada e demagógica da maioria dos políticos. Então, neste caso, eu prefiro o seu ego inflado e “doido”. Porém, sincero.

O Presidente estadunidense Donald Trump e o Primeiro Ministro japonês Shinzō Abe, falaram exatamente aquilo. No entanto, como o fizeram de uma forma mais séria, tampouco enfrentam uma oposição fixando o olhar apenas no poder, nem brigam com uma mídia vil e irresponsável como a que temos visto por aqui, não foram tão execrados como o nosso chefe.

Bolsonaro não tem acolhimento num momento como esse de incertezas. E os que o acolhem, na maioria, são fanáticos tão imbecis quanto os que o atacam pela ambição de mais poder, ou pelo simples prazer de ver o circo pegando fogo.

Uma coisa é certa. No jogo do xadrez ninguém – jamais! – sacrifica o rei.

Apenas a minha visão.

4 pensou em “XADREZ E TALVEZES

  1. Excelente texto, Jesus de Ritinha de Miúdo, nesse momento tão “pandêmico” porque passamos!

    Que bom seria se nossos políticos deixassem a demagogia e o oportunismo por um instante e olhassem para história e se espelhassem nos homens que compuseram o Pacto de Moncloa, onde políticos antagônicos deixaram o oportunismo de lado e, vendo a Espanha pós Franco destroçada, deixaram suas discórdias de lado e assinaram o pacto para salvar a Espanha.

    “Democracia é a solução racional e prudente para qualquer sociedade complexa. Ela implica diálogo, cooperação, prudência e harmonia na produção de pactos que garantam a unidade em que todos são atuantes e beneficiados. Líderes podem facilitar, mas nada prospera sem decisão coletiva para diálogo e consenso. É isso que falta no Brasil, onde sobram hipocrisia, violência, egoísmo e irracionalidades, sobretudo nos ambientes governamentais e em seus cúmplices no andar de cima.”

    O que esperar de um oportunista almofadinha chamado João Doria, “governador” de São Paulo, a terceira metrópole do mundo?

  2. Cícero, sua participação me honra.
    Minha mulher essa semana estava me dizendo que “o problema da maioria dos políticos brasileiros é a falta de compromisso com a coletividade, e o zelo em cumprir seus planejamentos pessoais”.
    João Dória bem representa essa visão.

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