DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

Mote desta colunista:

Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Dalinha Catunda:

Minha gente vou dizer:
Eu não estou suportando!
Ouço o celular tocando,
E quando vou atender,
Eu chego a me arrepender,
De atender a ligação.
Com o celular na mão,
É só mulher fuxiqueira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Bastinha Job:

Fala mal de seu vizinho
Dedura a minha pessoa
Só me chama de coroa
É flor cheinha de espinho,
Vai metendo o seu focinho
Não aceita opinião
Afugenta o próprio cão
Não tem limite ou fronteira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Dulce Esteves:

Só vive bisbilhotando
Pra saber da vida alheia
Chama a vizinha ” baleia “
Fala alto, reclamando
Todo mundo fica olhando
Na boca só palavrão
Trambiqueira de montão
Além de ser cachaceira:
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Rivamoura Teixeira:

Já começa o bate papo
Gritando que Zé Bedeu
Quis fuder e se fudeu
E o dinheiro virou trapo
Me zanguei dei um sopapo
O celular cai no chão
Pra aumentar a confusão
Chamei ela de encrenqueira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Gevanildo Almeida:

Fico eu observando
Com minha boca fechada
Só olhando a palhaçada
De quem vive curiando
A vida alheia mirando
Numa melhor posição
Fala de pai e irmão
Sentada numa porteira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Araquém Vasconcelos:

É preciso paciência
Pra suportar seu capricho
Vive com cara de bicho
Só fala com violência
Não usa a consciência
Só pensa em ostentação
Em tudo quer ter razão
Tem jeito de alcoviteira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Joab Nascimento:

Quem não tem o que fazer
Nenhuma roupa pra lavar
Vai vivendo a fuxicar
Com fofocas a oferecer
De tudo ela quer saber
Pra fazer divulgação
Notícia em primeira mão
Da fofoca ser a primeira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Lindicassia Nascimento:

Uma vizinha gritando
Do outro lado da rua
Eu que tava quase nua
Corri pra lá perguntando:
-Já morreu ou tá matando?
Ela disse: – foi João
Que levou chifre de Adão.
Eu disse, mas que besteira,
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Giovanni Arruda:

Quem leva a vida a pensar
Na vida que o outro leva
Cria sua própria treva
Nos afazeres do lar
Na hora de cozinhar
Não escorre o macarrão
Queima o arroz e o feijão
E o fundo da cuscuzeira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Rosário Pinto:

Foi uma vizinha que tive
Na cidade Bacabal.
O meu bairro era o Ramal.
Parecia um Detetive.
Fiquei quieta, me abstive.
Você sabia? Era o refrão.
Isto lhe dava tesão.
Todos gritavam: tranqueira!
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

Francisco Jairo Vasconcelos:

Passa o dia na janela
Parece uma filmadora
Se finge de protetora
Tem a língua de tramela
Deixa até queimar panela
E quando vai ao salão
Sabe de toda traição
E põe lenha na fogueira
Deixa de ser fofoqueira
Vai cuidar do teu fogão.

1 pensou em “UMA RODA DE GLOSAS

  1. Parabéns pela maravilhosa postagem, poetisa Dalinha Catunda!

    Essa ‘RODA DE GLOSAS” está genial!
    Adorei o Mote e as glosas, inteligentes e hilárias. Ainda estou rindo com esta:

    “Lindicássia Nascimento:

    Uma vizinha gritando
    Do outro lado da rua
    Eu que tava quase nua
    Corri pra lá perguntando:
    -Já morreu ou tá matando?
    Ela disse: – foi João
    Que levou chifre de Adão.
    Eu disse, mas que besteira,
    Deixa de ser fofoqueira
    Vai cuidar do teu fogão.”

    Abraços para você e os demais poetas, todos da melhor qualidade: Bastinha Job, Dulce Esteves, Rivamoura Teixeira, Gevanildo Almeida, Araquém Vasconcelos, Joab Nascimento, Lindacássia Nascimento, Giovanni Arruda, Rosário Pinto e Francisco Jairo Vasconcelos.

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