XICO COM X, BIZERRA COM I

O olhar dela, tão singelo,
terno e belo, é tudo de bom.
Eu, vate inventado,
tudo a dizer-lhe, nada a falar,
calo, foge-me o som:
sou muito menor que qualquer Drumond …

Atrevo-me a fazer verso,
inspiração passageira …
Tão ambicioso,
tudo a dizer-lhe, nada a falar,
bobageio asneira:
distante de todo e qualquer Bandeira …

E há tão pouca rima
em minha não-poesia
que ao pretenso esteta
que há em mim
resta a certeza, aí sim,
de ser nenhum poeta,
tudo a dizer-lhe, nada a falar.
Meu grito preso não ecoa,
é voz calada em cena muda,
muito apartado de qualquer Neruda,
sou falso Bardo, um nunca Pessoa,
fingidor poeta de versos à toa …

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