CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Jeanine, Ângela Maria, Maria Tereza e Carlos Eduardo, ao lado de um Teco-teco. Recife, 1965

Os pais são, durante toda a vida dos filhos, seus constantes professores. Mais adiante até vão aprender com eles.

Preparei os meus filhos, levando-os a muitos passeios, notadamente os educativos. Hoje eles repetem com a sua turminha esses mesmos procedimentos.

Procurei passear com eles aproveitando para mostrar coisas pouco comuns, que eles nem tinham ouvido falar e que certamente conheceriam mais amiúde quando ficassem adultos.

Numa visita ao Aero Clube de Pernambuco, em 1965, ao levar meus dois filhos – Jeanine e Carlos Eduardo – apanhei suas priminhas Ângela Maria e a irmã Maria Tereza, para nos acompanhar.

No campo de pouso do Encanta Moça, no bairro do Pina, descrevi, em linhas gerais, o que era um avião, como voava e a forma de pousar. Anunciei que anos à frente eles poderiam voar num deles, até em alguns bem maiores.

Jeanine e Carlos Eduardo, meus filhos, formaram o grupo em que estiveram as priminhas Ângela Maria e Maria Tereza. Expliquei a todos que aquelas máquinas tinham asas para voar muito alto.

“Tetê”, inteligente, ficou procurando as azas de penas e tive que detalhar. “Eduardinho” observou que um deles não tinha o volante, como nos automóveis. Disse-lhe que era dotado de uma alavanca chamada manche, que fazia a mesma função.

Tive que professorar! Expliquei tudo direitinho, dando breves exemplos, para que eles ficassem satisfeitos.

Imaginemos se aquela visita fosse hoje e eles notassem que os Boeng não tinham manches nem volantes, só computadores?!…Teria sido um “arrazo”!…

Mas, naquele instante, ainda completei, informando que aviões maiores poderiam voar acima das nuvens, desaparecendo de nossas vistas, levando muitas pessoas, porque possuíam vários motores e todos muito potentes.

Jeanine ainda me perguntou se não poderia ganhar um pequenininho, de brinquedo, para fazê-lo voar em sua casa, levando suas bonecas. Pergunta de criança de quatro anos!

Anos mais tarde eu proporcionaria aos meus pequeninos sua primeira viagem, num avião turboélice, Visconunt, da VASP – Viação Aérea São Paulo. Fomos ao Rio de Janeiro, passeio que permanece na memória deles e sempre fazem referências a esses passeios.

Hoje, depois de voar com a família muitas vezes, Jeanine me disse haver recordado aquele primeiro momento em que ela entrou num Teco-teco, bem pequeno, onde só cabiam três pessoas, sendo ela, no colo do pai.

O Destino não me permitiria imaginar na época, o futuro daqueles pequeninos. Jeanine, casou-se e me deu dois netos e quatro bisnetos. Pela ordem de nascimentos: Chiquinho e Patrícia; Isabela Thelga, James, Geovana e Luana.

Carlos Eduardo: enriqueceu o pódio com os netos: Gabriela, Maria Eduarda, Eduardo, Pedro Victor, Beatriz, João e Carolina, netos que que me deram os bisnetos: Lucas, Logan, Allie, Paige, Sedona, Tucker, Eloise e Everleigh.

Hoje observo que valeu ser um pai-professor!

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