MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A Rede Globo vem atravessando uma crise financeira sem precedentes. Só do governo faturava algo da ordem de R$ 7 bilhões por ano. A fonte secou e a rede partiu para o ataque na tentativa de empurrar um processo de impeachment e afastar o presidente. Nos últimos anos, demitiu atores consagrados, repórteres com 30 ou 40 anos de casa, cancelou o contrato de exclusividade de Roberto Carlos, cortou privilégios, passou a cobrar R$ 5,00 por um cafezinho simples e R$ 10,00 se ele for acompanhado de um pãozinho. Atualmente, o mercado fala que a Globo está na agulha pra mudar de dono. Acrescente ainda: a Globo perdeu os direitos de transmissão do campeonato brasileiro, da Copa Libertadores, da fórmula 1, das partidas da seleção brasileira fora do Brasil e, parece que os funcionários da Globo não sabem disso. Se não for vendida, quebra. Não suporta mais um ano com Bolsonaro e se ele for reeleito, corre-se o risco de se arrumar um incêndio providencial para o seguro cobrir algumas perdas.

O esforço do Grupo Globo para tirar Bolsonaro do poder se retrata, a cada dia, no comportamento dos repórteres no Brasil inteiro. Parece que uma reportagem só entra em pauta se falar mal do governo. E as agressões não param. Perdeu-se a sensibilidade, a imparcialidade e tudo mais. Essa semana Maju Coutinho, âncora do Jornal Hoje da Rede Globo, falando sobre o protesto de empresários contra o fechamento das atividades econômicas, enquanto enfatizava que as ações de restrições eram necessárias disse que “o choro é livre”. Essa expressão foi dita largamente por apoiadores do governo, mas no contexto da derrota da esquerda e não com essa frieza enorme de Maju. Depois ela foi às redes sociais dizer que a frase foi infeliz.

A grande imprensa no Brasil perdeu a boquinha de propaganda governamental. Antes, abusavam de tanto dinheiro para divulgar até espirro do presidente. Agora, como não tem dinheiro, partiu para cima de quem fechou a torneira. A imprensa quando resolve destruir ela usa todos os meios. Exemplos disso? A gente encontra milhares.

Icushiro Shimada, proprietário da Escola Base, no Bairro da Aclimação, em São Paulo, foi acusado, juntamente com sua esposa e outros membros da escola, de abusar sexualmente dos alunos (crianças). Todos foram presos antes das investigações terminarem e “a imprensa divulgou o caso amplamente”, mas após 30 dias após, o processo foi arquivado por falta de provas. Eu não me recordo de ver uma reportagem sequer falando da inocência do casal. Dizer que ele tinha abusado, e até contar como fez, era a prerrogativa, mas falar da inocência não interessa. Ichushiro Shimada entrou com um processo por perdas e danos, mas faleceu aos 70 anos aguardando, ainda, o pagamento das indenizações. A imprensa só cumpriu seu papel de informar. Dirão eles.

O comportamento dos repórteres contrários ao governo está fora dos limites. Esta semana Vera Magalhães, que seduziu um empregado do embaixador americano em troca de informações que serviram para o sequestro quando ele foi trocado por presos políticos, declarou que conversou com um diretor do Sírio Libanês sobre a lotação do hospital e disse que “não era um hospital desses no meio do nordeste”. Octávio Guedes, falando sobre a aprovação de Bolsonaro, disse que tal aprovação era por conta dos “pobres estúpidos”. Enfim, uma seara de aberrações que se nós formos criticar passaremos a ser tratados como gado.

Acho incrível como o “ódio cega” e como se não bastasse o que a imprensa faz, todo dia, vem uma novidade extraterrestre: um cara do ministério público (assim mesmo, minúsculo) entrou com uma ação para afastar o presidente do comando do Ministério da Saúde e da Economia. Puta que pariu! Guedes foi eleito o melhor ministro da economia do mundo em 2019, Roberto Campos Neto, foi eleito o melhor presidente do de Banco Central do mundo, em 2020, o BDNES deu um lucro de R$ 20 bilhões, em 2020, atendendo 460 mil pequenas e médias empresas financiando a produção no Brasil, sem emprestar um centavo sequer a desgraças como Cuba, Venezuela e outras ditaduras corruptas africanas.

Uma das coisas que mais me causa indignação é a incoerência, na verdade a hipocrisia. Embora todos esses números estejam aí para verificar que Paulo Guedes tem buscado fazer um trabalho sério, muitos economistas, com visão esquerdista, só enxergam o que presidente diz e não o que governo faz. Eu não vou nem entrar no mérito dos recursos repassados para enfrentamento da Covid-19. Todos sabem que até na bunda de um senador esse dinheiro foi parar.

Esse é o Brasil atual. O Banco Central se tornou autônomo, a economia caiu menos do que o esperado, o país está em quinto lugar no mundo em quantidade de vacinas, a Fiocruz vai produzir 6 milhões de vacinas por semana, colocamos o primeiro satélite brasileiro em órbita, 95% dos contaminados estão curados, mas a quantidade de pessoas que se contaminaram na minha cidade, a 416 Km da capital, foram contaminados por culpa de Bolsonaro. Por favor, alguém que defende essa sandice, pode me explicar como? Basta me explicar uma vez. Eu aprendo rápido.

17 pensou em “UM CONJUNTO DE COISAS

  1. Caro Maurício,

    Por sua seriedade no trato de coisas do Brasil é agradável ler suas notas de hoje, as quais refletem a realidade, focando a situação de uma empresa que já teve amplo prestígio junto aos ouvintes: o Sistema Globo de Comunicações.

    Creio que será complexa a venda da instituição – mas não impossível – porque nesse conjunto patrimonial estão as ligações com suas afiliadas e isso tudo se junta com o descrédito da marca, para atrapalhar as negociações.

    Na verdade os Marinho já estão com os rabos cheios e eles sabem que a recuperação é impossível.

    Fala-se, à boca pequena, que várias afiliadas estão confabulando para formar um Consórcio para negociar, com capitais externos, e darem um lance criando u’a nova marca e fazerem surgir nova empresa, com tudo diferente, inclusive nome de fantasia e logotipo, posto que o atual, de fato, virou lixo.

    Grato por sua aula de Brasil.

    Carlos Eduardo

  2. Carlos, eu que agradeço a gentileza do seu comentário. Eu acho que a ação das afiliadas é importante, mas não sei se elas terão capacidade, mesmo com recursos externos, de assumir as operações. Acho que o melhor caminho seria compor com o pretenso comprador.
    Você tem razão: os Marinhos já estão sentindo que o momento é sair com dinheiro do que botar o patrimônio próprio pra cobrir o passivo

    • O poderoso magnata nordestino Luiz Berto Filho, do conglomerado JBF, poderia sentar à mesa com os “marinho” e oferecer alguns zilhões de euros por aquela “josta”.

      Dotô Honoris Coco quer ser o fornecedor exclusivo do membro da família Arecaceae para a sede do conglomerado JBF que se instalará no Jardim Botânico.

      Contando ninguém acredita… Poucos conseguirão acreditar que um administrador de puteiro de quinta, nem senpre às quintas, seja capaz de, entre uma puta e outra, produzir textos tão magníficos como UM CONJUNTO DE COISAS.

  3. Estimado Maurício,
    Parabéns por mais este texto brilhante.
    Você foi no ponto certo, na ferida.
    A Rede Globo, por muito tempo, ditou regras e costumes nas famílias brasileiras.
    Até hoje, para o meu pai, de 85 anos, se não assistir ao Jornal Nacional, a noite, ele fica incomodado, parece que está faltando algo.
    Ou seja, no inconsciente coletivo, é muito difícil ir contra ao que estão vomitando diariamente na TV.
    É muito fácil, e automático, seguir todas as ondas globais, os modismos do politicamente correto, dos chavões plantados (É golpe, Misógino, Genocida……).
    É uma verdadeira loucura, uma insanidade, o que eles estão fazendo, como você tão bem descreveu, por uma razão muito simples: a torneira secou.
    Quando é que a população brasileira vai entender isso ?

    • Obrigado, meu prezado. Eles sabem que sem a receita da propaganda do governo não vão aguentar. A receita atual não sustenta os custos. Pagavam R$ 1 milhão por mês a Roberto Carlos apenas pela exclusividade. Faustão sai no final do ano. Manter o projac sem produção, o futebol, tudo isso, sem renda, não dá. Os caras sabem disso. Rômulo, sem brincadeira: a última novela que assisti na globo, fui pedra sobre pedra. Eu não aguento Galvão Bueno. Raramente vejo futebol. Ainda assisto alguma coisa no espn – que é da globo – mas, os caras são menos chatos. O JN, o Fantástico eu não vejo há mais de 10 anos. Veja se consegue no sebo o livro Afundação Roberto Marinho. Ele foi proibido e saiu de circulação. Eu tinha e emprestei e não recebi de volta. Foi a partir da leitura desse livro que eu fui deixando a globo de lado.

  4. Assuero: seus escritos me fazem um bem danado de bom. Que a Globo recupere sua criatividade programática sem as muletas oficiais, reconquistando uma credibilidade ibopística hoje apenas explicitadas em alguns bons programas, o resto sendo uma só BBBostalhada. Que Deus sempre conserve seus notáveis neurônios.

  5. Meu caro professor Maurício, Vera Magalhães não teve participação no sequestro do embaixador, Elbrich em 1969, no Rio de Janeiro, naquele ano, a Vera sequer havia nascido. Peça para o Berto tirar o nome dela da postagem, a fim de evitar possíveis dores de cabeça. Um abraço.

  6. Foi sim Mauricio, mas a Vera Magalhães terrorista do MR8, já “passou dessa para melhor”. Foi uma das poucas que, já no fim da vida, reconheceu que nunca combateu pela democracia que sua luta era para implantar um regime comunista no Brasil. Ela, na juventude foi muito bonita, já na velhice, nem tanto. Um abraço professor.

  7. Tive a bênção de ter a Globo extirpada da minha formação logo aos 12 anos de idade. Primeiro graças a TV por assinatura, e alguns anos depois pela internet.
    Entretanto, só lamento pelos milhões de brasileiros que só tem esse esgoto para entrar em suas casas.

    • Pois é, quem pode contar com tv por assinatura tem opção. Infelizmente, a maioria não tem esse tipo de acesso, incluindo, internet. Daí, sobra a globo. Eu tenho uma colega que não perde uma novela. Um pouco antes, os restaurantes sintonizavam na globo, mas agora colocam no canal de esportes, que é globo, mas pelo menos não tem Galvão Bueno

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