MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

“Na nossa cultura deformada pelo “coitadismo”, ou (para falar mais academicamente) pelo ethos igualitarista moderno, teimamos em achar que a Universidade é para todos. Nunca foi e nunca será. Essa é uma das maiores mentiras da modernidade.

A decadência da civilização se iniciou com a universalização do ensino, com a troca da formação espiritual e intelectual puras, “ars gratia artis”, no sentido aristotélico, pelo adestramento meramente utilitarista para fins de sobrevivência.

Universidade é para uma elite intelectual. É para quem realmente tem talentos, gosta de estudar e tem uma inteligência privilegiada. Sua prioridade é produzir conhecimento e não formar mão de obra, e, muito menos ainda, formar militantes revolucionários que pretenderão implantar no País regimes ultrapassados e falidos.

Para formar profissionais e mão de obra, existe o ensino profissionalizante e técnico. As oportunidades que devem ser oferecidas a todos, é a de uma boa formação de base onde, por meio da meritocracia, serão revelados aqueles mais capazes de ir para a Universidade e, lá, PRODUZIREM CONHECIMENTO.

Transformar todo mundo em universitário apenas para não ferir a autoestima do jovem que usa piercing no nariz e alargador na orelha, é algo completamente estúpido! Tudo que o governo conseguiu, foi queimar centenas e centenas de bilhões de reais, para produzir o pior, o mais idiota, o mais ignorante, o mais analfabeto, e por consequência, o mais mimado, alienado e arrogante aluno do mundo!

Nivelaram todo mundo por baixo, destruíram qualquer possibilidade de formar uma verdadeira elite intelectual para o País. São mais de duas décadas jogadas inteiramente no lixo! Trocaram a meritocracia (de alunos e professores) pela “universalização”, pela “política de cotas” e pela “ideologização”.

Não reconhecem que as pessoas são essencialmente diferentes, umas mais inteligentes, mais capazes, mais interessadas e mais esforçadas que as outras. E tentam enfiar, goela abaixo de todos, o maldito igualitarismo que favorecerá o vulgar, o grosseiro e o ignorante, e sempre nivelará por baixo, rebaixará a tudo e a todos, e produzirá os piores resultados.

Numa era em que a humanidade enfrenta a sua mais radical transformação tecnológica, a civilização cibernética põe em cheque toda a cultura humanista, havendo uma mudança profunda de quase todos os paradigmas científicos, sociais e econômicos. Nanotecnologia, microbiologia, projeto genoma, matriz energética, 5G e 6G, Internet das coisas etc.

Gastamos trilhões em 20 anos para produzir uma geração “Nem-Nem” de mimados, estúpidos, deprimidos, vazios, idiotas e arrogantes que morrem de medo de se tornarem adultos. Uma legião de falsos graduados, sem possibilidade de emprego, endividados com o FIES, caminhando para a meia idade, morando com os pais e frequentando a marcha da maconha.”

* * *

Achei esse texto na Internet, sem identificação do autor. Posto aqui do jeito que encontrei, porque não discordo em nada. Apenas acrescento:

– O programa governamental de enriquecimento das universidades particulares chamado FIES já acumula uma dívida de vinte bilhões; aproximadamente metade dos ex-alunos estão inadimplentes (dando calote, para ser mais direto).

– Temos um Plano Nacional de Educação que estabelece como meta para 2025 termos 50% dos brasileiros cursando faculdade. Talvez o objetivo seja entrar para o Guinness Book como o país com o maior número de motoristas de Uber diplomados.

9 pensou em “TEXTOS ALHEIOS

  1. Prezado Marcelo,
    Não tenho palavras para descrever…. sobre o que foi escrito.
    É tudo o que eu venho repetindo, há vários anos e, de alguma maneira, também já deixei escrito em alguns textos. assim como você, Rodrigo, e outros.
    Está impecável. Não há o que tirar nem por.
    Apesar de já ter escrito que não acredito mais na universidade brasileira, dado o aparelhamento tão bem feito pelas esquerdas, o que posso fazer é tentar espalhar ao máximo essa mensagem, mesmo sabendo que a cabeça doentia dessa gente maligna nunca reconhecerá esse estrago.
    E um dia ainda criarei coragem para descrever para vocês o que aconteceu no processo eleitoral recente para reitor da minha universidade – caso único no país – em que o PR, lamentavelmente, cedeu as pressões dos atuais donos do Brasil e reconduziu, para mais um mandado, um dos artífices desse desmonte das universidades, tão bem descrito no seu texto.
    Meus parabéns, mais uma vez, pela excelente contribuição.

    • Bote a boca no mundo, Rômulo! Use um pseudônimo, faça um texto anônimo, mas conte tudo.

      Em último caso, faça como naquele causo do sujeito que soltou um pum no meio de uma reunião e imediatamente virou-se para uma mulher que estava ao lado e, fingindo que falava baixinho, disse bem alto: “Não se preocupe, minha senhora, finja que fui eu!”

      Bote a culpa em alguém, mas deixe a verdade registrada para a posteridade.

  2. Caro Marcelo,

    Esta situação que foi tão bem descrita, tanto pelo autor desconhecido, como por ti, foi a história da minha vida.

    Conforme afirmei repetidas vezes em meus artigos, as universidades brasileiras, hoje, são situações em entram uma multidão de burros e saem multidões promovidas a jumentos diplomados.

    Não foi outra a razão que me levou a desistir totalmente, há já alguns anos, da profissão que tanta satisfação pessoal me deu,

    • Para usar uma palavra da moda, as universidades brasileiras viraram um ambiente tóxico para quem está preocupado com ensinar ao invés de militar.

      Gritemos juntos: FECHESSAPORRATODA!!!

  3. Marcelo,

    Vocare, vocare…

    Educação a nível boteco de quinta…

    Nivelaram todo mundo por baixo, destruíram qualquer possibilidade de formar uma verdadeira elite intelectual para o País.

    Vou mais longe e trato do assunto educação a níveis ensino fundamental e médio.
    Sala de aula obrigatória? tudo que foi obrigatório no mundo não deu certo… Texto para refletir… Sempre digo que estudo não é para todos, pois como nem todos nascem com habilidade para ser craque no futebol, há uma gama imensa e jovens que não possuem nenhuma afinidade com o banco escolar, sendo que quando vemos certas questões formuladas aos jovens, lemos alguns dizerem odiar frequentar salas de aula, seja no ensino fundamental, médio ou universitário.

    E o fecho não poderia ser mais brilhante: Talvez o objetivo seja entrar para o Guinness Book como o país com o maior número de motoristas de Uber diplomados.

    • Dizem que o conceito de ensino obrigatório nasceu na Prússia, na metade do século 19.

      E dizem também que o objetivo era começar o treinamento militar na infância, acostumando desde cedo os futuros soldados com a disciplina e obediência dos quartéis.

      De qualquer forma, essa questão das vocações será o tema do meu pitaco da semana que vem, a partir de uma inspiração que veio justamente do seu artigo de hoje.

      Mais, não digo. Manterei o suspense.

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