MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O método da tentativa e erro é bastante utilizado em alguns experimentos laboratoriais. No Brasil atual é ele o carro chefe da política do governo que tenta e erra. Recentemente vi Eduardo Suplicy constrangido num programa de entrevista porque pediram para ele enumerar 5 acertos do governo atual. Ele gaguejou bastante e não disse um sequer. Para aqueles que são seguidores inquestionáveis desse presidente, até que dá para entender que um gole de cachaça ingerido pelo bebum, significa uma melhora na economia. Mas, para quem tem um pouco de senso crítico é fácil perceber a merda em que estamos atolados.

O governo acumula déficits orçamentários desde o primeiro ano. Empresas que em 2022 apresentaram lucros, agora amargam prejuízos já conhecidos. Nesse meio termo, algumas coisas vão nos descredenciando cada vez mais, a exemplo do tal “arcabouço fiscal” que deveria substituir a Emenda Constitucional dos gastos e que fez, em 31.08 passado, um ano de vigência sem nenhum resultado, sem nenhuma meta atingida.

Em adição, o governo passou a fazer o prático: aumentar arrecadação através de impostos. Primeiro veio a “taxa das blusinhas” que passou a cobrar imposto de 20% sobre compras de até US$ 100. Não satisfeito, avançou sobre a compensação de impostos sobre o PIX/COFINS. A sorte é que foi observado uma incoerência constitucional tendo em vista que a tributação preserva o princípio da anterioridade, ou seja, mudanças fiscais só poderão ter vigência no ano seguinte. Depois, veio à tona o interesse de taxa a previdência privada e aí diante da reação do mercado, o governo recuou.

Acho importante frisar que um dos problemas do orçamento é a receita superestimada. É sempre assim: o governo sabe o quanto gasta e ao invés de reduzir o volume de gastos, alega ter receitas suficientes para cobrir aquilo. Imagina uma pessoa que ganha R$ 5 mil, mas mantém o nível de gastos em R$ 6 mil. De onde vai tirar a diferença? Para o governo, basta dizer que sua receita será de R$ 6 mil e fazer um relatório justificando item por item como essa receita será coberta. Não é engraçado isso? As contas não fecham e a arrecadação sempre é menor do que o estimado, mas os gastos, não! Estes são sempre majorados com desperdício do dinheiro público.

Enquanto desfila na avenida da irresponsabilidade para seus súditos aplaudirem, de camarote, o governo vai fazendo merda cada vez mais sólida. Primeiro, veio a tentativa de regulamentar o os aplicativos de transportes no Brasil. Os motoristas e entregadores que dependem disso foram contra e o sábio ministro do trabalho chegou a declarar que “se a uber saísse do Brasil, outra empresa viria”. A anta falou até nos Correios. Mas, quando você pensa que não tem mais para onde cair, eis que o pessoal se supera.

As notícias de hoje deram conta da decisão do governo em acabar com o saque-aniversário das contas do FGTS. O que o governo quer é que seja instituído um programa de crédito consignado para o setor privado, ou seja, está honrando a relação de enriquecer cada vez mais os banqueiros que o apoiaram. O Pix acabou com a receita de transferência de fundos – DOC e TED – e isso nunca foi bem digerido pelos bancos. A economia em retração, então a intermediação financeira torna-se mais arriscada e os bancos reduzem o volume de empréstimo ou elevam a taxa de juros.

Atualmente, os funcionários públicos e os aposentados podem usufruir do crédito consignado. Essa operação tem uma taxa de juros menor do que a taxa de um crédito pessoal. Existe o compromisso da empresa, ou do INSS, reter o valor da prestação e repassar para o banco. O risco de inadimplência é baixo e mesmo em caso de óbito do mutuário, estas operações são, geralmente, cobertas por um seguro. A perguntar é simples: como se pretende fazer inserção pessoal mediante o endividamento das pessoas?

Esse governo não esquece as coisas e não se pensa na população. As pessoas pensam em manter-se no poder tendo o “Quincas Berro D´água” como líder máximo. A taxa de juros de empréstimo consignado está pouco acima de 2% ao mês, o que resulta algo em torno de 26% ao ano, para funcionários públicos e pensionistas. Para um funcionário do setor privado, essa taxa seria mais ou menos uns 5% ao mês, ou 80% ao ano.

Não custa lembrar que os estudantes do FIES estavam com débitos impagáveis e o governo anterior concedeu descontos de 95% sobre o débito e deu condições de pagamento do saldo restante. O governo atual acredita que crescimento econômico se faz com o endividamento das famílias. Não é mais tentativa. É só erro!

2 pensou em “TENTATIVA E ERRO

  1. Como sempre, vc escreve sem retoques o momento difícil em que o país atravessa, só os companheiros não vêem, não tenho conhecimento de causa, mas é correto um Correios da vida que no primeiro ano de administração do artista dá prejuízo e é lançado um edital de concurso? Abraços!

  2. Ilustre, muito me alegra sua presença. Agradeço as palavras gentis. Qualquer pessoa de bom senso sabe o que acontece com esse partido no poder. Colocam pessoas incompetentes em cargos de direção com o fito de arrumar dinheiro para o partido e se manter no poder dessa forma. Os caras comprara o congresso para ficar 20 anos no poder. Ver o artista dizer que Moro quase quebra a petrobras é uma das coisas mais absurdas que a gente ouviu. Os correios deram lucro somente durante o governo Bolsonaro, mas quanto ao concurso, ninguém está preocupado com os custos das estatais.

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