PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Desde que te amo, vê, quase infalivelmente,
Todas as noites vens aqui. E às minhas cegas
Paixões, e ao teu furor, ninfa concupiscente,
Como um súcubo, assim, de fato, tu te entregas…

Longe que estejas, pois, tenho-te aqui presente.
Como tu vens, não sei. Eu te invoco e tu chegas.
Trazes sobre a nudez, flutuando docemente,
Uma túnica azul, como as túnicas gregas…

E de leve, em redor do meu leito flutuas,
Ó Demônio ideal, de uma beleza louca,
De umas palpitações radiantemente nuas!

Até, até que enfim, em carícias felinas,
O teu busto gentil ligeiramente inclinas,
E te enrolas em mim, e me mordes a boca!

Emiliano David Perneta, Pinhais-PR, (1866-1921)

1 pensou em “SÚCUBO – Emiliano Perneta

  1. Muito sensual esta poesia.

    Demônio … flutuar … voos … devaneios … lua … sonhos … noite …

    Sensibilidade de Emiliano Perneta (imagine se não fosse perneta – hehe)

    Gosto de poesias

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